domingo, 15 de julho de 2018

Meus Investimentos. O que Você quer Saber?

Essa semana faço o fechamento mensal dos meus investimentos e voltarei a fazer a divulgação aqui no blog. Apesar da divulgação de valores estar totalmente fora de questão, gostaria de saber de vocês quais métricas seria legal que eu divulgasse.

Pensei em fazer um gráfico com a % de distribuição dos ativos, outro para os FIIs da carteira e divulgar algumas % como rentabilidade da carteira, % dos rendimentos, etc. E o que mais seria legal? Me ajudem! Abraço!

Vídeos da Semana # 3






sexta-feira, 13 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 2

Continuando o post sobre carros em Portugal, hoje vou detalhar como foi o processo de compra.

Saindo dos combustíveis e voltando à minha busca pelo carro ideal: olhei vários carros de particular, sendo que a maioria deles foi de roleiros de carro, você sabe, a segunda profissão mais antiga do mundo. Olhei "viaturas" à diesel e gasolina, um dos vendedores era o próprio estereótipo de negociante picareta: terno de cor escandalosa, falando pelos cotovelos e teve a cara de pau de aumentar € 100,00 no preço do carro, sim é isso mesmo que você leu, eu barganhei e ele veio com uma história que na verdade o preço do carro era "a partir" de € 2.000,00 mas que na verdade era € 2.100,00. Desnecessário dizer que não comprei.

Por fim achei um carrinho aparentemente muito bom, um hatch pequeno europeu, 2003, à gasolina, com 150.000 km por € 1.350,00, barganhei e esse sim abaixou € 100,00. Fechamos em € 1.250,00. Assim como meu carro de R$ 12.000,00 acabei por pagar um pouco mais que a média (uns € 200,00 a mais) por acreditar que o carro estava em bom estado e devido à baixa quilometragem, que creio eu pela pouca experiência que tenho, ser verdadeira. Sim aqui também se volta o velocímetro. O vendedor me pareceu ser honesto e me disse o que havia de problemas no carro: o motor de arranque estava falhando e estava quase na hora de trocar óleo e filtros. Por outro lado a inspeção anual e o "selo" (imposto anual) estavam em dia e com um ano de validade então acabei achando que valeria a pena por ficar um ano sem se preocupar com isso.

A compra foi realizada em cash, porque afinal não é só no Brasil que se sonega um cadim e o vendedor pediu que fosse assim. Fomos até a loja para fazer a transferência e então o paguei lá dentro. O cara largou o envelope com dinheiro em cima da mesa e foi tomar café e conversar com um amigo, depois saiu com esse envelope na mão mesmo... coisas de Portugal.

Eu queria mesmo um diesel e um carrinho com ar condicionado (o meu não tem), porém os diesel nessa faixa de preço tinham dado umas 20 voltas ao redor da terra, sério, vi um Golf com 700.000 Km (SETECENTOS MIL QUILÔMETROS), então mesmo sabendo que os motores a diesel são muito mais duráveis preferi não arriscar num carro tão rodado, afinal, carro não é só motor. Outro fator é que naquela altura não sabia qual uso daria ao carro, se usaria muito ou pouco, então decidi arriscar e pegar esse, caso precisasse trocar o prejuízo seria menor. Poderia ter comprado também um a gasolina mais cansadinho por uns € 500,00 ou € 700,00 mas no fim das contas gostei muito desse, inclusive o modelo me atrai, andar com um carro que você gosta com certeza é mais legal.

Mas você deve estar se perguntando: Corey, seu orçamento não era € 3.000,00? Por que comprar um bem abaixo disso? Pelo mesmo motivo descrito acima: não sabia o uso que daria ao carro mas precisava ao menos ter uma condução, além disso € 3.000,00 não seria o suficiente para comprar um com a mesma Km, diesel e alguns luxos. Falando em luxo, o carrinho tem direção hidráulica, vidro elétrico, limpador e desembaçador traseiro e mais nada. O ar condicionado está fazendo um pouco de falta agora que o tempo está esquentando, mas como não há trânsito e nêgo vindo de assaltar no farol, não é tão essencial assim. Outra razão de ter abaixado o orçamento é a possível necessidade de comprar um segundo carro no inverno para a Bia.



Meu carro é muito econômico, creio que graças à gasolina de boa qualidade e com pouco álcool misturado, além do fato de rodar bastante em auto-estrada. Já atingi consumos de 20 Km/L mas nunca abaixo de 17 Km/L. Estava até pensando em troca-lo por outro à diesel ou GPL devido ao deslocamento diário ao trabalho ser grande, porém arranjei um sistema de "boléias" (carona) e agora só irei com meu carro uma semana no mês. Quando compra carro velho e começa à confiar nele, pensa-se 10x antes de troca-lo.

Vamos às despesas que tive com a compra do carro:

Valor pago pelo carro: € 1.250,00
Transferência de propriedade e novo documento: € 64,00
Seguro para 1 ano: € 80,00 (!!!)
Manutenção (troca de óleo e filtros, conserto do motor de arranque): € 85,00

Despesas anuais futuras:

Inspeção anual: € 31,08
Selo (imposto anual): € 36,38

  • A transferência é feita tanto na Loja do Cidadão (uma espécie de Poupatempo, pra quem é de São Paulo) ou por € 1,00 a mais pode ser feita nas lojas que vendem seguro ou despachantes. O vendedor e comprador assinam um papel simples, impresso no computador e o comprador sai com um documento provisório também impresso no computador. O documento original (livreto) chega por correio dias depois.
    Modelo do documento do carro
  • Fiz o seguro on-line pela seguradora ligada ao Jumbo (grande rede de mercados). É um seguro simples, contra terceiros, somente o obrigatório por lei. Custou € 80,00 para um ano e conversando com meus colegas de trabalho descobri que esse valor é absurdamente caro, acabei pagando "tudo" isso porque ainda não tinha carta portuguesa à altura da contratação nem histórico. Acredito que ano que vem esse valor pode cair para uns € 50,00. Uma curiosidade, se você cotar o seguro para um carro zero, de uns € 12.000,00 o valor será muito próximo, na pior das hipóteses não chegará à € 100,00. No momento da compra é enviado por email um documento provisório do seguro, após alguns dias recebe-se a "carta" verde que é o documento propriamente dito, escrito além de português, em francês e inglês. Somente com esse documento é permitido deixar o país.
  • Deve-se colocar os selos referente à inspeção e seguros no para-brisa do carro. Isso é obrigatório. Os tais selos são impressos junto com o documento da inspeção e a carta verde do seguro, você destaca e cola no para-brisa, as próprias seguradoras fornecem uma espécie de envelope de plástico para essa finalidade.
    Modelo de selos da inspeção e seguro
  • A inspeção e pagamento do selo só saberei como funciona em abril, quando chegar a vez de fazer do meu carro.
Bom, é isso. Dúvidas postem nos comentários. Abraço a todos!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 1

Comecei a escrever esse post e acabou ficando grande demais, então dividi em duas partes. A parte 2 sai na sexta (se conseguir editar a tempo). Hoje vou falar um pouco sobre os carros portugueses e na próxima parte o processo de compra do meu carrinho. Vamos lá...

Um dos meus sonhos é não ter carro, sério, mesmo sendo amante de carros, tendo conhecimento acima da média, admirando diversos modelos. Como já disse aqui no blog, carro à muito tempo deixou de ser algo que me atrai para ser somente aquilo que realmente é: uma ferramenta que te leva de A para B. Quando decidi mudar para a Europa, era praticamente certo que não precisaria comprar carro, afinal a imagem que temos é que a Europa inteira é bem servida de transporte público. Em partes...

Como vim parar no interior de Portugal o sonho de não ter carro não pôde ser realizado, o transporte público nas grandes cidades e entre cidades portuguesas é excelente porém aqui pro interior é praticamente inexistente. Aqui na minha região todo mundo tem carro e as ruas são preparadas para isso, há estacionamento a vontade, quase sempre grátis, até parece um pouco com o que acontece nos EUA. Engraçado que não há trânsito! Mais um ponto a favor da baixa concentração demográfica.

Então durante o planejamento para a mudança decidi provisionar uma grana para a compra de um carro, além disso aluguei um para o primeiro mês, peguei esse carro no aeroporto, um Fiat 500, paguei € 90,00 para 27 dias de aluguel por esse site.

Assim que cheguei e as caí dentro da casa, comecei a caça ao carro. Meu orçamento de € 3.000,00 me permitiria escolher um carro dentro de uma gama variadíssima, afinal aqui há carros para todos os gostos e bolsos. Sério, há muito mais opção que no Brasil, creio eu que mesmo sendo um país pequeno Portugal se beneficia por estar dentro da Europa e aproveitar a gama de opções dos outros países.

No momento que escrevia esse texto era possível comprar um Peugeot 96 por € 250
(ok, motor falhando, mas é um carro que anda) - clique na imagem para ampliar

Confesso que fiquei bem perdido e sem saber o que fazer, visitei "stands" (lojas de carros) e percebi que os velhinhos vendidos em lojas são quase sempre bem caros, coisa do dobro do preço praticado por particulares. Mesmo sendo caros a maioria não tem garantia, e se você deseja garantia deve pagar a parte, coisa de € 500,00 por 1 ano de garantia. Desanimei de loja e decidi arriscar e fazer aquilo que muitos podem achar loucura: procurar um carro de particular em anúncio de internet. Aqui em Portugal os principais sites de anúncios de carros são:


Comecei a fuçar todos os sites, filtrando pelos carros da minha região. Mesmo assim a escolha estava muito difícil devido à grande variedade de opções. Meu lado fan boy de carro ficava buzinando na orelha para comprar um carro "da hora", uma BMW ou Mercedes, mas ainda bem que a razão falou mais forte e fugi dessas buchas. Ok, você compra uma BMW por € 3.000,00 mas vamos ser francos, não será uma BOA BMW...

Combustíveis

Outro problema era o combustível. Ao contrário do Brasil, aqui há carros à diesel, sendo que pelo menos 60% são à diesel, calculo que 30% são à gasolina e os 10% restantes ficam com os à GPL (gás) e híbridos. Diesel sem dúvida é uma excelente opção porque custa mais barato que a gasolina e rende mais. Basicamente um carro que faz 17 Km/L de gasolina (€ 1,50/L) fará 25 Km/L se tiver um motor à diesel (€ 1,30/L), porém a manutenção do diesel é bem mais cara e eles possuem turbinas, filtros de partículas e outras complicações técnicas que podem ser sinônimos de dor de cabeça. Além disso um mesmo modelo à diesel custa até 3x mais caro que à gasolina, o que no frigir dos ovos pode sair mais caro dependendo do tipo de uso que você fará. 

Veja essa comparação, detalhe que o Corsa à diesel além de ser mais caro é também bem mais rodado (desculpe minha edição de imagens tosca feita no paint):



Carro à diesel tende à ser bem mais rodados que um similar à gasolina justamente pelo fato do combustível ser mais barato e render mais. 

Os carros à GPL (gás) também são bem populares e possuem uma vantagem em relação ao Brasil, como o step não é obrigatório, existem kits de gás cujo tanque vai no lugar do step, nesse caso você anda com um kit de reparo (spray com espuma vedante e um compressor que liga no acendedor de cigarros) e não perde espaço no porta-malas.

Interessante, não?
Há também outras diferenças entre o GNV brasileiro. O GPL é na verdade uma mistura de propano e butano, como o GLP (gás de cozinha) brasileiro, ao contrário do GNV que é metano (tá, eu sei, pura nerdice). O GNV é vendido no Brasil ao metro cúbico e tende a ter um rendimento por metro cúbico melhor que a gasolina por litro, por exemplo um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 20 Km/L de GNV. O GPL português é vendido por litro e tem rendimento inferior à gasolina, um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 14 Km/L de GPL. Entretanto o GPL custa menos da metade do preço da gasolina (hoje, € 0,60/L contra € 1,50 da gasolina ). Assim como nos EUA, aqui a maioria dos postos é self-service e inclusive o GPL é você que abastece usando uma válvula que somente agora está sendo padronizada para uso em toda Europa. Os bocais de abastecimento de GPL são sempre junto ao da gasolina, não havendo necessidade de abrir o capot do carro.

As desvantagens do GPL é pagar mais caro pela inspeção anual (não sei ao certo quanto mais caro), ser proibido de estacionar em alguns estacionamentos cobertos e ter que usar um "dístico", um adesivo que deve ser colado na traseira do carro

Que merda, heim?
Porém esse lance do dístico azul está mudando, os carros mais novos saem com um selo verde colado no para-brisa (esteticamente muito melhor) e a proibição do estacionamento coberto está sendo revista. Existem muitos carros zero vendidos com GPL, a Dacia (linha low cost da Renault: Sandero, Logan, Duster) e Opel (Chevrolet: Corsa, Astra, Zafira) oferecem quase toda a linha "bi-fuel" que é como chamam os GPL aqui.

Carros à GPL costuma custar nada ou pouco mais caros que seus semelhantes à gasolina porém as desvantagens estão na alta quilometragem e possíveis tormentos que um kit adaptado antigo pode causar. Esse foi o motivo de não optar por esse combustível num primeiro momento. Sou muito a favor desse combustível, tive carro GNV no Brasil e adorava, não tem nada das viadagens de perca absurda de potência e morte do motor como dizem...

A gasolina "simples" tem 95 octanas, para ter uma ideia, a octanagem da gasolina brasileira e americana é 87. Existe também gasolina 97 que é a mesma octanagem da podium brasileira, essa custa uns € 0,10 a mais. É possível encontrar gasóleo (diesel) e gasolinas aditivadas. O combustível mais barato costuma ser das "gasolineiras Jumbo", postos de combustível do mercado Jumbo, porém as outras redes como Repsol e Galp oferecem descontos de diversos tipos: fim de semana, associados à cartões de supermercado, etc. O bico de gasolina costuma ser sempre verde e o diesel preto, isso para não confundir as pessoas. A gasolina vendida em Portugal é uma das mais caras da Europa, abasteci na Espanha por € 0,15 a menos por litro, o cheiro da gasolina não é "gostoso" como no Brasil (completamente diferente) e é transparente, nada de gasolina amarelinha. A porcentagem de álcool é de no máximo 5%.

Na segunda parte, explico como foi a compra do meu carro, até lá...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Carro de R$ 12.000,00, Season Finale

Quem me acompanha deve se lembrar que de quase 3 anos para cá, mais precisamente até deixar o Brasil, eu estava usando um carro velho que paguei R$ 12.000,00. Hoje o post é sobre o desfecho do pau véio, incluindo o que todos adoram: números.

Para entender melhor como tudo começou leia esse post:

O Carro de R$ 12 mil

Para entender minha opinião atual sobre carros, leia estes:

Manual de Uso do Carro Velho
Carro (Revisited, versão 2017)

Um beater não precisa ser todo destruído, meu pau véio até que
estava bonito, melhor que esse da foto (aliás, seria essa foto
uma mensagem subliminar sobre o modelo do meu carro?)
Mas se você não quiser ler, vou resumir em duas linhas: em 2015 eu havia entrado num negócio e estava descapitalizado e sem carro, meu carro na época custava uns R$ 30.000,00 e entrou no rolo, fiquei só com a moto porém precisava de um carro. Ponderei se devia entrar num financiamento porém acabei optando por comprar um pau véio à vista. Me apaixonei pelo carro e virei advogado de carro velho. (ok, foram mais de duas linhas).

Bem, antes de vir para Portugal me desfiz de tudo, inclusive do meu amado "beater car". Posso dizer que além de ter sido um dos melhores carros que já tive (por diversos motivos), foi também um dos melhores negócios que já fiz, entenda o porquê com números.

Total rodado em aproximadamente 36 meses: 22.000 Km (600 Km/mês em média)

Preço pago pelo carro: R$ 12.000,00
Preço vendido: 24 x R$ 500,00 = R$ 12.000,00: vendi o carro fiado, somente pelo fio do bigode à um amigo, acabei ajudando o cara que estava sem grana e precisava de uma condução e conseguirei recuperar 100% (sem contar a inflação) do valor que paguei no carro.
Despesas com IPVA: R$ 0,00
Despesas com seguro: R$ 0,00

Esse carro me deu pouquíssima despesa de manutenção, lembre-se que sou daquelas pessoas que não tem muito carinho com carro, acredito que carro é pra usar e não pra lamber como cria. Não fico caçando defeito, não faço manutenções preventivas mirabolantes nem arrumo tudo o que quebra, portanto meu gasto tende a ser bem menor mesmo. Veja os números:

Manutenção preventiva:

Troca de óleo nº 1: R$ 80,00 (óleo e filtro)
Troca de óleo nº 2: R$ 93,00 (óleo e filtro)
Compra de óleo para reposição: R$ 40,00 (4 litros, carro velho queima óleo)
Lavagem: R$ 5,00 (lavei o carro (ou melhor, dei uma ducha grátis) uma única vez  porque estava muito sujo de lama por ter ido à um sítio, valorizei o trabalho do lavador do posto e dei R$ 5,00 de caixinha)

Manutenção corretiva:

Lanterna: R$ 15,00 (fiquei desesperado quando Bia navalhou e quebrou uma lanterna do carro, achei que jamais iria encontrar tal peça à venda já que importados dos anos 90 tem fama de não existir peça disponível no mercado, que nada, no primeiro desmanche achei uma lanterna compatível. Sorte?)
Mangueira: R$ 90,00 (uma mangueira de água furou e o motor virou um chafariz de água quente, sorte que aconteceu perto de casa, caso contrário a dor de cabeça seria certa)
Alternador: R$ 85,00 (precisei retificar o alternador que não estava carregando direito a bateria)
Ar Condicionado: R$ 90,00 (ao consertar o alternador o ar condicionado pifou por algum motivo, noventinha para arruma-lo, porém ficou tão gelado que parecia Boston em dezembro)
Espelho: R$ 9,00 (o vidro do espelho retrovisor do lado direito simplesmente caiu com o carro em movimento, como não achei pra comprar (óbvio), precisei mandar um vidraceiro cortar sob medida)
Vela: R$ 0,00 (uma das velas pifou, o mecânico substituiu gratuitamente por uma velha para eu "rodar até segunda feira". Andei mais uns 10.000 Km)

Total gasto com manutenções: R$ 507,00

Considero que as despesas que esse carro me deu foram bem baixas, ainda mais se você considerar que se trata de um carro "de luxo" importado dos anos 90, automático e com motor relativamente potente que fazia a média de 10km/L de gasolina comum (sou pé leve, os carros tendem à gastar pouco comigo, esse consumo despencava pra 7 quando a Bia dirigia). Talvez você não concorde e queria me convencer que proporcionalmente o carro me custou caro, que carro velho é imprevisível (concordo mais ou menos) ou usando qualquer outro argumento, ok, sem problemas. Não estou aqui pra convencer ninguém a andar de carro velho, só estou mostrando os números, blz?

Antes que me atirem pedras, o cara que comprou o carro é meu amigo e sabe exatamente a maneira que tratava o poisé, aliás entreguei o carro sujo e com o tanque na reserva. Ele está pagando certinho as prestações e acredito que não terei problemas com isso, vender um carro um ano e meio depois de compra-lo e perder somente a inflação é uma sensação muito boa, é a primeira vez que não introduzo uma quantidade enorme de dinheiro no orifício anal ao negociar um carro.

Continuo advogando pelo uso de pau véio e para vender meu argumento vou dar algumas razões:

1- Total desprendimento em relação à pequenos acidentes: carrinhos de mercado, batidas misteriosas que acontecem com o carro estacionado, raladas no trânsito, nada disso me preocupa. Se ralar vai ficar ralado, são cicatrizes que demonstram a experiência.

2- Segurança: questão importantíssima no Brasil, se você dirige um pau véio nem os vendedores de farol te enchem o saco, que dirá nêgo querer te roubar. Estar dentro de um carro velho dá mais sensação de segurança que num blindado.

3- Passar totalmente desapercebido: se você gosta de discrição, ter um carrinho velho é ótimo, as pessoas nem reparam em você e se repararem vão te ver como um quebrado, o que infelizmente é algo muito bom no Brasil.

4- Liberdade de manutenção: se você tem um carro zero, fica sempre preocupado em fazer as revisões overpriced da concessionária com medo de perder a garantia, carro velho você escolhe a frequência das revisões ou escolhe não fazer revisão alguma e andar até o carro desmanchar.

Aqui em Portugal também comprei um pau véio, o melhor que consegui encontrar por € 1.200,00 (post específico em breve), estou muito contente com o bichinho, é divertido de dirigir e continuo desapegado, inclusive já bateram uma vez nele enquanto estava no estacionamento da empresa e olha minha cara de preocupação:

"Aimm, encostaram no meu carro, vou agora no
martelinho de ouro"



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Trabalho em Portugal

Hoje vou falar sobre um tema que muitos estão curiosos: como Bia e eu arrumamos trabalho e como é trabalhar em Portugal. Vou dividir em duas partes, trabalho da Bia e meu trabalho, mas antes vou dar uma pincelada nas minhas primeiras impressões sobre trabalho assim que chegamos no país.

Nos primeiros dias que chegamos à cidade andamos muito a pé para desbravar e nos localizar geograficamente, nessas andanças vimos muitos comércios precisando de funcionários, plaquinhas de "precisa-se de empregado de mesa" estavam em quase todos os restaurantes. Era a preparação para o verão, onde aumenta o movimento nesses estabelecimentos.

No Mc Donald's percebemos que o papel que vem na bandeja na verdade era uma ficha de cadastro para emprego e que haviam diversos banners com referência à trabalho espalhados pela loja. Em todos os mercados de rede haviam placas referentes aos processos seletivos, nos grupos de Facebook da cidade pipocavam propostas de emprego dos mais variados: garçom, ajudante de cozinha, entregadores diversos, vendedores de loja, etc.

Nós não estávamos esperando arrumar trabalho rápido, tanto que havíamos programado algumas viagens curtas antes de começar a trabalhar, então deixamos passar todas essas oportunidades porém isso nos alegrou, seria Portugal tão ruim de trabalho como pintam?

Trabalho da Bia

No terceiro dia em Portugal, fomos numa "loja de chinês" (lojão popular, tipo 1,99) e conhecemos uma brasileira que lá trabalha. Papo vai papo vem, a brasileira perguntou se a Bia já tinha algum emprego em vista porque lá na loja estavam contratando e se caso ela quisesse poderia conversar com a gerente naquele momento mesmo. Bia ficou meio sem ação porque jamais esperava tal proposta, disse que ainda tinha que resolver a documentação, agradeceu e disse que se necessário voltaria para uma entrevista.

O fato de vir para uma cidade pequena fez com que nossa documentação saísse rápido, cerca de 40 dias já estávamos com tudo na mão e então decidimos que seria a hora de começar a procurar algum trabalho, afinal não sabíamos quanto tempo iria demorar para achar.

Bia decidiu fazer um teste e enviou um in-box para uma das propostas do Facebook, era um restaurante, vaga de "empregado de mesa" (garçom). No dia seguinte foi fazer uma entrevista e no outro dia faria um teste, chegou até a comprar roupa para trabalhar. Acontece que nesse mesmo dia da entrevista ela estava passeando aqui perto de casa quando decidiu entrar numa empresa do ramo de trabalho dela no Brasil, somente para conhecer. Como Bia é muito conversadeira, comentou que fazia aquele trabalho no Brasil, que tinha tanto tempo de experiência, blá, blá, blá... Saiu de lá contratada. Salário bom, de segunda à sexta, vai à pé (ou de carona, depende da unidade onde trabalha no dia).

Trabalho do Corey

Quando chegamos no país alugamos um carro por 30 dias, a ideia era comprar o nosso dentro desse tempo. Comecei à ver carros em lojas e anúncios de internet (post sobre carros num futuro próximo, onde contarei detalhadamente como foi a compra do carro). Um desses carros que fui ver era do dono de uma oficina mecânica, papo vai, papo vem, ele me perguntou se estava trabalhando, disse que ainda não e então me ofereceu emprego de auxiliar geral lá na oficina. Palavras dele: "não é o melhor emprego mas é um dinheiro que entra até arrumar algo melhor". Educadamente agradeci, disse que ainda ficaria uns dias sem trabalhar.

Após ter a documentação em mãos decidi que iria fazer um teste e me candidatar para alguma vaga aleatória. Achei o anúncio de uma agência de empregos que recrutava para uma fábrica numa cidade vizinha, fui lá, fiz o cadastro, no dia seguinte me ligaram marcando uma entrevista, fiz a entrevista, fui aprovado, fiz testes físicos, fui aprovado, fiz exame médico, fui aprovado... estou esperando me chamarem para começar a trabalhar até hoje... Engraçado que a empresa continua recrutando para a mesma vaga... Será que rolou algum tipo de preconceito por ser brasileiro? Nunca saberei!

Nesse meio tempo que aguardava a empresa chamar decidi fazer outro teste e enviei alguns currículos para empresas relativas à minha área de formação, tive duas respostas, uma agradeceu por email o envio do CV e disse que o quadro estava completo, a outra me chamou para uma entrevista. O entrevistador queria entender melhor como estava a minha situação de documentos no país, expliquei que estava legalmente, tinha todos os papéis necessários porém não tinha validado meu diploma ainda. Ele disse-me que embora possível me contratar sem diploma, isso economicamente não seria viável para a empresa (com razão) e me orientou como fazer a validação, fez algumas ligações para conseguir informações concretas e até me ofereceu um estágio não remunerado. Agradeci muito a ajuda e saí. Foi uma experiência muito útil para entender melhor como funciona minha categoria aqui em Portugal.

Então, de volta à estaca zero, mandei alguns CVs para anúncios da OLX, entre eles para uma empresa do setor industrial que, por intermédio de uma agência, me chamou para uma entrevista. A entrevista foi bem simples, sem aquelas frescuras de "onde você se vê em 5 anos?", "quais qualidades você tem para oferecer a empresa?", viram meus documentos, e disseram que ligariam em 2 dias, se não ligassem era porque não tinha sido aprovado. Ligaram na sexta, segunda estava trabalhando.

Detalhes

Desde que fui contratado outras empresas me ligaram ou mandaram email querendo marcar entrevistas, percebo que aqui o processo de recrutamento é meio moroso e esse talvez seja o motivo que vários anúncios destacam "entrada imediata". Acho que as empresas no geral não possuem pressa para contratação e vão fazendo banco de CVs ou coisa assim, acho que por isso demoram para entrar em contato.

Uma vez dentro da empresa percebo que eles cagam e andam para o fato de eu ser brasileiro. Obviamente eles percebem assim que começamos à falar mas em 99% dos casos eles continuam falando naturalmente. Um ou outro depois acaba perguntando quanto tempo estou em Portugal, o porquê de ter vindo, de qual "zona" do Brasil sou, etc. Mesmo aqui no interior o português médio está acostumado com imigrantes, esse negócio de tratar estrangeiro diferente é coisa de brasileiro.

Não notei preconceito algum pelo fato de ser brasileiro. O que acontece é que pelo fato de ser introvertido e a língua ser uma barreira (sim, isso acontece, como disse é bem difícil entender o português falando em ritmo normal, num ambiente com barulho) sinto mais dificuldade de socialização, porém imagino que dentro da mesma situação no Brasil, aconteceria a mesma coisa ou talvez até pior. Meu trabalho é bem diferente do que já fiz no Brasil, o tipo de pessoa que lá trabalha também é diferente do que estou acostumado à conviver, enfim...

Por outro lado, Bia que é extrovertida, já fez amizade com todos no trabalho. Outro dia saímos com colegas dela e foi bem divertido. O perfil de pessoas que trabalham com ela tem mais a ver com o que estamos acostumados, logo a interação é mais fácil.

Vale lembrar que nem Bia nem eu temos colegas de trabalho brasileiros, são todos portugueses.

Meu trabalho é por "dedo picado", ou seja, bato ponto certinho e tudo que passar da hora é pago certinho como extra. Por outro lado Bia fica um pouco à mercê das necessidades da empresa, muitas vezes fazendo mais horas que o combinado. Exploração? Penso que não, isso é inerente do ramo de atuação dela, por outro lado há parte da renda que é variável o que ajuda a compensar. Ainda não sabemos como serão os benefícios e os 13º e 14º salários, quando chegar lá contarei como funciona.

No meu caso as férias são picadas no decorrer do ano, então aquele lance de 30 dias corridos de férias que existe no Brasil aqui não funciona. A empresa tem um calendário de férias e coisas tipo emenda de feriado (que aqui tem muitos) conta como férias. Por outro lado ao fazer hora extra ganho também horas no banco de horas que posso negociar da maneira que for melhor, podendo muitas vezes juntar essas horas com dias de férias. Bia ainda não sabe como serão as férias dela.

Bem, basicamente é isso que tenho pra falar, se tiverem dúvidas postem nos comentários.
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