quarta-feira, 18 de julho de 2018

Investimentos Julho/2018

Este post marca o retorno das postagens de divulgação dos investimentos. Quem é velho de blogosfera deve se lembrar que lá nos primórdios de 2012 quando houve o primeiro boom de criação dos blogs de finanças (o meu inclusive) praticamente todos os blogueiros divulgavam a carteira, incluindo o valor. Isso era quase sempre para poder participar do interessantíssimo Ranking do Pobretão, onde todos os meses nosso amigo Pobreta (que Deus o tenha, rsrs) narrava como ninguém a corrida do milhão. Bons tempos...

O tempo passou e muitos pararam com esse tipo de postagem, eu inclusive. O fato é que a divulgação de dados referentes à carteira é importante não só para matar a curiosidade da galera que acompanha os blogs mas também para manter a disciplina do blogueiro. Digo sem sombra de dúvidas que se eu tivesse continuado a divulgação mensal, mesmo sem os valores, eu teria muito, mas muito mais dinheiro hoje. Infelizmente me enfiei num gap tempos atrás onde simplesmente parei de acompanhar meus investimentos, o resultado foi desastroso. Mas isso tudo serviu de experiência e hoje estou aqui de volta com a divulgação.

Infelizmente não divulgarei valores, sei que muitos podem e ficarão decepcionados comigo mas a realidade é que não me sinto confortável com esse tipo de divulgação. Por isso divulgarei apenas métricas, porcentagens e gráficos que com certeza me serão úteis para acompanhar minha evolução como investidor e também para quem está na mesma trilha.

Algumas coisas são legais de serem expostas já agora:

1- Não possuo ainda investimentos em renda variável que não sejam FIIs, nada de ações, ETFs, fundos de ações, nada disso... Minha carteira é bem simples. O caminho natural é ter alguma sofisticação no futuro, mas isso é futuro.

2- Meus investimentos são totalmente focados em fluxo de caixa. Tenho uma parcela pequena de investimentos que não geram fluxo de caixa ou não possam gerar de alguma maneira (como CDBs diários que podem ser parcialmente sacados, "realizando" o lucro). No meu ver, ter trocentas ações XYZ que crescem 100% ao dia não faze muito sentido se você não realiza lucro de alguma forma, ou vendendo parte dos papéis ou recebendo dividendos.

Isto posto, vamos lá... começando pela distribuição da carteira:

Percebam que a % de participação de imóveis físicos na carteira é gigante, e já foi bem maior antes da venda do imóvel micado. Meu objetivo é diminuir cada vez mais essa participação, inclusive muito em breve teremos novidades nesse sentido. 

Gosto muito de imóveis físicos mas não sou imbecil ao ponto de não querer ver os inúmeros contras que esse tipo de investimento tem, infelizmente tenho que desapegar um pouco desse gosto porque imóveis físicos fazem cada vez menos sentido dentro do meu estilo de vida. Desde que cheguei em Portugal minha cabeça vem passando por um processo de amadurecimento e organização como nunca vi antes e isso faz parte do jogo. Aguarde um post futuro onde destrincharei mais minha antiga e atual estratégia com imóveis assim como o destino do dinheiro do aluguel.

Os CDBs são na sua maioria diários porém todos acima de 100% do CDI, alguns são CDBs menores com altas rentabilidades comprados através de corretora. A média da rentabilidade dos meus CDBs é em torno de 115%. Gosto de CDBs por não possuírem volatilidade de valores, serem práticos e no caso dos diários, poderem ser usados para fundo de emergência ou para pôr um dinheiro que ainda não se sabe ao certo o que fazer (como o dinheiro do apartamento micado).

Todos os títulos do tesouro que tenho em carteira são do tipo que distribuem proventos, novamente ter fluxo de caixa é importante pra mim, mesmo que a distribuição seja semestral e não mensal. Os proventos tem sido reinvestidos no próprio Tesouro normalmente no título com distribuição semestral mais atrativo no momento. Tenho aproximadamente 20% de pré-fixados e 80% de IPCA.

Vamos agora aos FIIs:

Essa é a distribuição dos papéis atualmente. Os proventos recebidos desse último mês foram 0,80% do valor investido. Valores esses alocados em NSLU, SDIL e MXRF.


Quero ver as discussões sobre a carteira de FIIs, tenho certeza que surgirá muita coisa interessante, gente que concorda com a distribuição, gente que discorda, dicas, etc. Fique a vontade para argumentar. Pretendo também ao longo de agosto fazer posts sobre cada FII, falando um pouco sobre os critérios de entrada e alocação, etc. Acho que essa volta às origens pode ser muito interessante à blogosfera.

Como disse, estou passando por um processo de amadurecimento geral e isso com certeza se reflete na minha carteira, muita coisa aí provavelmente vai mudar nos próximos meses e essa postagem servirá para acompanhar isso. Sei que minha carteira é boring e a divulgação sem números fica um pouco xôxa, mas é isso que tenho pra hoje.

Recebi várias sugestões de quais dados divulgar nessa postagem. Alguns serão implementados no próximo mês, tive pouco tempo para fazer essa postagem e tive que deixar algumas coisas de fora. Outras infelizmente não conseguirei atender ou porque pode levar à exposição do valor da carteira de alguma maneira ou porque simplesmente não sei como fazer. Tento manter tudo o mais simples possível na minha vida, logo não fico me preocupando com números que não terão utilidade.

No mais, aguardem mais posts sobre investimentos num futuro próximo, acredito que ninguém mais aguenta me ouvir falar sobre Portugal e como tirei Agosto como mês para organizar de vez meus investimentos, esse tema estará bem recorrente aqui no blog. Esse final de julho poderá ter menos postagens devido às férias de verão, Bia e eu teremos alguns dias (mesmo sem ter direito, por lei) e pretendemos queimar um pouco de gasolina pelas estradas da Europa. Abraço a todos!


domingo, 15 de julho de 2018

Meus Investimentos. O que Você quer Saber?

Essa semana faço o fechamento mensal dos meus investimentos e voltarei a fazer a divulgação aqui no blog. Apesar da divulgação de valores estar totalmente fora de questão, gostaria de saber de vocês quais métricas seria legal que eu divulgasse.

Pensei em fazer um gráfico com a % de distribuição dos ativos, outro para os FIIs da carteira e divulgar algumas % como rentabilidade da carteira, % dos rendimentos, etc. E o que mais seria legal? Me ajudem! Abraço!

Vídeos da Semana # 3






sexta-feira, 13 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 2

Continuando o post sobre carros em Portugal, hoje vou detalhar como foi o processo de compra.

Saindo dos combustíveis e voltando à minha busca pelo carro ideal: olhei vários carros de particular, sendo que a maioria deles foi de roleiros de carro, você sabe, a segunda profissão mais antiga do mundo. Olhei "viaturas" à diesel e gasolina, um dos vendedores era o próprio estereótipo de negociante picareta: terno de cor escandalosa, falando pelos cotovelos e teve a cara de pau de aumentar € 100,00 no preço do carro, sim é isso mesmo que você leu, eu barganhei e ele veio com uma história que na verdade o preço do carro era "a partir" de € 2.000,00 mas que na verdade era € 2.100,00. Desnecessário dizer que não comprei.

Por fim achei um carrinho aparentemente muito bom, um hatch pequeno europeu, 2003, à gasolina, com 150.000 km por € 1.350,00, barganhei e esse sim abaixou € 100,00. Fechamos em € 1.250,00. Assim como meu carro de R$ 12.000,00 acabei por pagar um pouco mais que a média (uns € 200,00 a mais) por acreditar que o carro estava em bom estado e devido à baixa quilometragem, que creio eu pela pouca experiência que tenho, ser verdadeira. Sim aqui também se volta o velocímetro. O vendedor me pareceu ser honesto e me disse o que havia de problemas no carro: o motor de arranque estava falhando e estava quase na hora de trocar óleo e filtros. Por outro lado a inspeção anual e o "selo" (imposto anual) estavam em dia e com um ano de validade então acabei achando que valeria a pena por ficar um ano sem se preocupar com isso.

A compra foi realizada em cash, porque afinal não é só no Brasil que se sonega um cadim e o vendedor pediu que fosse assim. Fomos até a loja para fazer a transferência e então o paguei lá dentro. O cara largou o envelope com dinheiro em cima da mesa e foi tomar café e conversar com um amigo, depois saiu com esse envelope na mão mesmo... coisas de Portugal.

Eu queria mesmo um diesel e um carrinho com ar condicionado (o meu não tem), porém os diesel nessa faixa de preço tinham dado umas 20 voltas ao redor da terra, sério, vi um Golf com 700.000 Km (SETECENTOS MIL QUILÔMETROS), então mesmo sabendo que os motores a diesel são muito mais duráveis preferi não arriscar num carro tão rodado, afinal, carro não é só motor. Outro fator é que naquela altura não sabia qual uso daria ao carro, se usaria muito ou pouco, então decidi arriscar e pegar esse, caso precisasse trocar o prejuízo seria menor. Poderia ter comprado também um a gasolina mais cansadinho por uns € 500,00 ou € 700,00 mas no fim das contas gostei muito desse, inclusive o modelo me atrai, andar com um carro que você gosta com certeza é mais legal.

Mas você deve estar se perguntando: Corey, seu orçamento não era € 3.000,00? Por que comprar um bem abaixo disso? Pelo mesmo motivo descrito acima: não sabia o uso que daria ao carro mas precisava ao menos ter uma condução, além disso € 3.000,00 não seria o suficiente para comprar um com a mesma Km, diesel e alguns luxos. Falando em luxo, o carrinho tem direção hidráulica, vidro elétrico, limpador e desembaçador traseiro e mais nada. O ar condicionado está fazendo um pouco de falta agora que o tempo está esquentando, mas como não há trânsito e nêgo vindo de assaltar no farol, não é tão essencial assim. Outra razão de ter abaixado o orçamento é a possível necessidade de comprar um segundo carro no inverno para a Bia.



Meu carro é muito econômico, creio que graças à gasolina de boa qualidade e com pouco álcool misturado, além do fato de rodar bastante em auto-estrada. Já atingi consumos de 20 Km/L mas nunca abaixo de 17 Km/L. Estava até pensando em troca-lo por outro à diesel ou GPL devido ao deslocamento diário ao trabalho ser grande, porém arranjei um sistema de "boléias" (carona) e agora só irei com meu carro uma semana no mês. Quando compra carro velho e começa à confiar nele, pensa-se 10x antes de troca-lo.

Vamos às despesas que tive com a compra do carro:

Valor pago pelo carro: € 1.250,00
Transferência de propriedade e novo documento: € 64,00
Seguro para 1 ano: € 80,00 (!!!)
Manutenção (troca de óleo e filtros, conserto do motor de arranque): € 85,00

Despesas anuais futuras:

Inspeção anual: € 31,08
Selo (imposto anual): € 36,38

  • A transferência é feita tanto na Loja do Cidadão (uma espécie de Poupatempo, pra quem é de São Paulo) ou por € 1,00 a mais pode ser feita nas lojas que vendem seguro ou despachantes. O vendedor e comprador assinam um papel simples, impresso no computador e o comprador sai com um documento provisório também impresso no computador. O documento original (livreto) chega por correio dias depois.
    Modelo do documento do carro
  • Fiz o seguro on-line pela seguradora ligada ao Jumbo (grande rede de mercados). É um seguro simples, contra terceiros, somente o obrigatório por lei. Custou € 80,00 para um ano e conversando com meus colegas de trabalho descobri que esse valor é absurdamente caro, acabei pagando "tudo" isso porque ainda não tinha carta portuguesa à altura da contratação nem histórico. Acredito que ano que vem esse valor pode cair para uns € 50,00. Uma curiosidade, se você cotar o seguro para um carro zero, de uns € 12.000,00 o valor será muito próximo, na pior das hipóteses não chegará à € 100,00. No momento da compra é enviado por email um documento provisório do seguro, após alguns dias recebe-se a "carta" verde que é o documento propriamente dito, escrito além de português, em francês e inglês. Somente com esse documento é permitido deixar o país.
  • Deve-se colocar os selos referente à inspeção e seguros no para-brisa do carro. Isso é obrigatório. Os tais selos são impressos junto com o documento da inspeção e a carta verde do seguro, você destaca e cola no para-brisa, as próprias seguradoras fornecem uma espécie de envelope de plástico para essa finalidade.
    Modelo de selos da inspeção e seguro
  • A inspeção e pagamento do selo só saberei como funciona em abril, quando chegar a vez de fazer do meu carro.
Bom, é isso. Dúvidas postem nos comentários. Abraço a todos!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 1

Comecei a escrever esse post e acabou ficando grande demais, então dividi em duas partes. A parte 2 sai na sexta (se conseguir editar a tempo). Hoje vou falar um pouco sobre os carros portugueses e na próxima parte o processo de compra do meu carrinho. Vamos lá...

Um dos meus sonhos é não ter carro, sério, mesmo sendo amante de carros, tendo conhecimento acima da média, admirando diversos modelos. Como já disse aqui no blog, carro à muito tempo deixou de ser algo que me atrai para ser somente aquilo que realmente é: uma ferramenta que te leva de A para B. Quando decidi mudar para a Europa, era praticamente certo que não precisaria comprar carro, afinal a imagem que temos é que a Europa inteira é bem servida de transporte público. Em partes...

Como vim parar no interior de Portugal o sonho de não ter carro não pôde ser realizado, o transporte público nas grandes cidades e entre cidades portuguesas é excelente porém aqui pro interior é praticamente inexistente. Aqui na minha região todo mundo tem carro e as ruas são preparadas para isso, há estacionamento a vontade, quase sempre grátis, até parece um pouco com o que acontece nos EUA. Engraçado que não há trânsito! Mais um ponto a favor da baixa concentração demográfica.

Então durante o planejamento para a mudança decidi provisionar uma grana para a compra de um carro, além disso aluguei um para o primeiro mês, peguei esse carro no aeroporto, um Fiat 500, paguei € 90,00 para 27 dias de aluguel por esse site.

Assim que cheguei e as caí dentro da casa, comecei a caça ao carro. Meu orçamento de € 3.000,00 me permitiria escolher um carro dentro de uma gama variadíssima, afinal aqui há carros para todos os gostos e bolsos. Sério, há muito mais opção que no Brasil, creio eu que mesmo sendo um país pequeno Portugal se beneficia por estar dentro da Europa e aproveitar a gama de opções dos outros países.

No momento que escrevia esse texto era possível comprar um Peugeot 96 por € 250
(ok, motor falhando, mas é um carro que anda) - clique na imagem para ampliar

Confesso que fiquei bem perdido e sem saber o que fazer, visitei "stands" (lojas de carros) e percebi que os velhinhos vendidos em lojas são quase sempre bem caros, coisa do dobro do preço praticado por particulares. Mesmo sendo caros a maioria não tem garantia, e se você deseja garantia deve pagar a parte, coisa de € 500,00 por 1 ano de garantia. Desanimei de loja e decidi arriscar e fazer aquilo que muitos podem achar loucura: procurar um carro de particular em anúncio de internet. Aqui em Portugal os principais sites de anúncios de carros são:


Comecei a fuçar todos os sites, filtrando pelos carros da minha região. Mesmo assim a escolha estava muito difícil devido à grande variedade de opções. Meu lado fan boy de carro ficava buzinando na orelha para comprar um carro "da hora", uma BMW ou Mercedes, mas ainda bem que a razão falou mais forte e fugi dessas buchas. Ok, você compra uma BMW por € 3.000,00 mas vamos ser francos, não será uma BOA BMW...

Combustíveis

Outro problema era o combustível. Ao contrário do Brasil, aqui há carros à diesel, sendo que pelo menos 60% são à diesel, calculo que 30% são à gasolina e os 10% restantes ficam com os à GPL (gás) e híbridos. Diesel sem dúvida é uma excelente opção porque custa mais barato que a gasolina e rende mais. Basicamente um carro que faz 17 Km/L de gasolina (€ 1,50/L) fará 25 Km/L se tiver um motor à diesel (€ 1,30/L), porém a manutenção do diesel é bem mais cara e eles possuem turbinas, filtros de partículas e outras complicações técnicas que podem ser sinônimos de dor de cabeça. Além disso um mesmo modelo à diesel custa até 3x mais caro que à gasolina, o que no frigir dos ovos pode sair mais caro dependendo do tipo de uso que você fará. 

Veja essa comparação, detalhe que o Corsa à diesel além de ser mais caro é também bem mais rodado (desculpe minha edição de imagens tosca feita no paint):



Carro à diesel tende à ser bem mais rodados que um similar à gasolina justamente pelo fato do combustível ser mais barato e render mais. 

Os carros à GPL (gás) também são bem populares e possuem uma vantagem em relação ao Brasil, como o step não é obrigatório, existem kits de gás cujo tanque vai no lugar do step, nesse caso você anda com um kit de reparo (spray com espuma vedante e um compressor que liga no acendedor de cigarros) e não perde espaço no porta-malas.

Interessante, não?
Há também outras diferenças entre o GNV brasileiro. O GPL é na verdade uma mistura de propano e butano, como o GLP (gás de cozinha) brasileiro, ao contrário do GNV que é metano (tá, eu sei, pura nerdice). O GNV é vendido no Brasil ao metro cúbico e tende a ter um rendimento por metro cúbico melhor que a gasolina por litro, por exemplo um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 20 Km/L de GNV. O GPL português é vendido por litro e tem rendimento inferior à gasolina, um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 14 Km/L de GPL. Entretanto o GPL custa menos da metade do preço da gasolina (hoje, € 0,60/L contra € 1,50 da gasolina ). Assim como nos EUA, aqui a maioria dos postos é self-service e inclusive o GPL é você que abastece usando uma válvula que somente agora está sendo padronizada para uso em toda Europa. Os bocais de abastecimento de GPL são sempre junto ao da gasolina, não havendo necessidade de abrir o capot do carro.

As desvantagens do GPL é pagar mais caro pela inspeção anual (não sei ao certo quanto mais caro), ser proibido de estacionar em alguns estacionamentos cobertos e ter que usar um "dístico", um adesivo que deve ser colado na traseira do carro

Que merda, heim?
Porém esse lance do dístico azul está mudando, os carros mais novos saem com um selo verde colado no para-brisa (esteticamente muito melhor) e a proibição do estacionamento coberto está sendo revista. Existem muitos carros zero vendidos com GPL, a Dacia (linha low cost da Renault: Sandero, Logan, Duster) e Opel (Chevrolet: Corsa, Astra, Zafira) oferecem quase toda a linha "bi-fuel" que é como chamam os GPL aqui.

Carros à GPL costuma custar nada ou pouco mais caros que seus semelhantes à gasolina porém as desvantagens estão na alta quilometragem e possíveis tormentos que um kit adaptado antigo pode causar. Esse foi o motivo de não optar por esse combustível num primeiro momento. Sou muito a favor desse combustível, tive carro GNV no Brasil e adorava, não tem nada das viadagens de perca absurda de potência e morte do motor como dizem...

A gasolina "simples" tem 95 octanas, para ter uma ideia, a octanagem da gasolina brasileira e americana é 87. Existe também gasolina 97 que é a mesma octanagem da podium brasileira, essa custa uns € 0,10 a mais. É possível encontrar gasóleo (diesel) e gasolinas aditivadas. O combustível mais barato costuma ser das "gasolineiras Jumbo", postos de combustível do mercado Jumbo, porém as outras redes como Repsol e Galp oferecem descontos de diversos tipos: fim de semana, associados à cartões de supermercado, etc. O bico de gasolina costuma ser sempre verde e o diesel preto, isso para não confundir as pessoas. A gasolina vendida em Portugal é uma das mais caras da Europa, abasteci na Espanha por € 0,15 a menos por litro, o cheiro da gasolina não é "gostoso" como no Brasil (completamente diferente) e é transparente, nada de gasolina amarelinha. A porcentagem de álcool é de no máximo 5%.

Na segunda parte, explico como foi a compra do meu carro, até lá...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Carro de R$ 12.000,00, Season Finale

Quem me acompanha deve se lembrar que de quase 3 anos para cá, mais precisamente até deixar o Brasil, eu estava usando um carro velho que paguei R$ 12.000,00. Hoje o post é sobre o desfecho do pau véio, incluindo o que todos adoram: números.

Para entender melhor como tudo começou leia esse post:

O Carro de R$ 12 mil

Para entender minha opinião atual sobre carros, leia estes:

Manual de Uso do Carro Velho
Carro (Revisited, versão 2017)

Um beater não precisa ser todo destruído, meu pau véio até que
estava bonito, melhor que esse da foto (aliás, seria essa foto
uma mensagem subliminar sobre o modelo do meu carro?)
Mas se você não quiser ler, vou resumir em duas linhas: em 2015 eu havia entrado num negócio e estava descapitalizado e sem carro, meu carro na época custava uns R$ 30.000,00 e entrou no rolo, fiquei só com a moto porém precisava de um carro. Ponderei se devia entrar num financiamento porém acabei optando por comprar um pau véio à vista. Me apaixonei pelo carro e virei advogado de carro velho. (ok, foram mais de duas linhas).

Bem, antes de vir para Portugal me desfiz de tudo, inclusive do meu amado "beater car". Posso dizer que além de ter sido um dos melhores carros que já tive (por diversos motivos), foi também um dos melhores negócios que já fiz, entenda o porquê com números.

Total rodado em aproximadamente 36 meses: 22.000 Km (600 Km/mês em média)

Preço pago pelo carro: R$ 12.000,00
Preço vendido: 24 x R$ 500,00 = R$ 12.000,00: vendi o carro fiado, somente pelo fio do bigode à um amigo, acabei ajudando o cara que estava sem grana e precisava de uma condução e conseguirei recuperar 100% (sem contar a inflação) do valor que paguei no carro.
Despesas com IPVA: R$ 0,00
Despesas com seguro: R$ 0,00

Esse carro me deu pouquíssima despesa de manutenção, lembre-se que sou daquelas pessoas que não tem muito carinho com carro, acredito que carro é pra usar e não pra lamber como cria. Não fico caçando defeito, não faço manutenções preventivas mirabolantes nem arrumo tudo o que quebra, portanto meu gasto tende a ser bem menor mesmo. Veja os números:

Manutenção preventiva:

Troca de óleo nº 1: R$ 80,00 (óleo e filtro)
Troca de óleo nº 2: R$ 93,00 (óleo e filtro)
Compra de óleo para reposição: R$ 40,00 (4 litros, carro velho queima óleo)
Lavagem: R$ 5,00 (lavei o carro (ou melhor, dei uma ducha grátis) uma única vez  porque estava muito sujo de lama por ter ido à um sítio, valorizei o trabalho do lavador do posto e dei R$ 5,00 de caixinha)

Manutenção corretiva:

Lanterna: R$ 15,00 (fiquei desesperado quando Bia navalhou e quebrou uma lanterna do carro, achei que jamais iria encontrar tal peça à venda já que importados dos anos 90 tem fama de não existir peça disponível no mercado, que nada, no primeiro desmanche achei uma lanterna compatível. Sorte?)
Mangueira: R$ 90,00 (uma mangueira de água furou e o motor virou um chafariz de água quente, sorte que aconteceu perto de casa, caso contrário a dor de cabeça seria certa)
Alternador: R$ 85,00 (precisei retificar o alternador que não estava carregando direito a bateria)
Ar Condicionado: R$ 90,00 (ao consertar o alternador o ar condicionado pifou por algum motivo, noventinha para arruma-lo, porém ficou tão gelado que parecia Boston em dezembro)
Espelho: R$ 9,00 (o vidro do espelho retrovisor do lado direito simplesmente caiu com o carro em movimento, como não achei pra comprar (óbvio), precisei mandar um vidraceiro cortar sob medida)
Vela: R$ 0,00 (uma das velas pifou, o mecânico substituiu gratuitamente por uma velha para eu "rodar até segunda feira". Andei mais uns 10.000 Km)

Total gasto com manutenções: R$ 507,00

Considero que as despesas que esse carro me deu foram bem baixas, ainda mais se você considerar que se trata de um carro "de luxo" importado dos anos 90, automático e com motor relativamente potente que fazia a média de 10km/L de gasolina comum (sou pé leve, os carros tendem à gastar pouco comigo, esse consumo despencava pra 7 quando a Bia dirigia). Talvez você não concorde e queria me convencer que proporcionalmente o carro me custou caro, que carro velho é imprevisível (concordo mais ou menos) ou usando qualquer outro argumento, ok, sem problemas. Não estou aqui pra convencer ninguém a andar de carro velho, só estou mostrando os números, blz?

Antes que me atirem pedras, o cara que comprou o carro é meu amigo e sabe exatamente a maneira que tratava o poisé, aliás entreguei o carro sujo e com o tanque na reserva. Ele está pagando certinho as prestações e acredito que não terei problemas com isso, vender um carro um ano e meio depois de compra-lo e perder somente a inflação é uma sensação muito boa, é a primeira vez que não introduzo uma quantidade enorme de dinheiro no orifício anal ao negociar um carro.

Continuo advogando pelo uso de pau véio e para vender meu argumento vou dar algumas razões:

1- Total desprendimento em relação à pequenos acidentes: carrinhos de mercado, batidas misteriosas que acontecem com o carro estacionado, raladas no trânsito, nada disso me preocupa. Se ralar vai ficar ralado, são cicatrizes que demonstram a experiência.

2- Segurança: questão importantíssima no Brasil, se você dirige um pau véio nem os vendedores de farol te enchem o saco, que dirá nêgo querer te roubar. Estar dentro de um carro velho dá mais sensação de segurança que num blindado.

3- Passar totalmente desapercebido: se você gosta de discrição, ter um carrinho velho é ótimo, as pessoas nem reparam em você e se repararem vão te ver como um quebrado, o que infelizmente é algo muito bom no Brasil.

4- Liberdade de manutenção: se você tem um carro zero, fica sempre preocupado em fazer as revisões overpriced da concessionária com medo de perder a garantia, carro velho você escolhe a frequência das revisões ou escolhe não fazer revisão alguma e andar até o carro desmanchar.

Aqui em Portugal também comprei um pau véio, o melhor que consegui encontrar por € 1.200,00 (post específico em breve), estou muito contente com o bichinho, é divertido de dirigir e continuo desapegado, inclusive já bateram uma vez nele enquanto estava no estacionamento da empresa e olha minha cara de preocupação:

"Aimm, encostaram no meu carro, vou agora no
martelinho de ouro"



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