sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Chilique Nosso de Cada Dia

Disclaimer: não sou analista de investimento, não tenho sequer conhecimento médio sobre política e economia, sou somente um Zé Ninguém falando merda na internet, portanto leve esse post somente como uma opinião e não como tentativas de empurrar a "verdade", ok?

Os dividendos serão tributados e isso será o armagedom dos investimentos brasileiros, vamos todos guardar dinheiro na renda fixa porque não vai compensar o risco de investir em ativos de renda variável que terão yield reduzidos drasticamente do dia para a noite.

Tenho visto muita gente desesperada com a tributação dos dividendos, provavelmente as mesmas pessoas que adotam outras modinhas da vez como tomar banho gelado e acordar às 5 da manhã além, é claro, de comprar ouro e falar sobre estoicismo.

Engraçado que se você já estudou alguma coisa sobre estoicismo deveria ser o primeiro a cagar pra essa treta da tributação dos dividendos. Se você ler meia página de qualquer matéria que trate sobre o assunto tributação de dividendos verá que esse assunto não é novidade, já foi proposto zilhões de vezes no passado, verá que o Brasil é um dos poucos países que não tributa dividendos, verá que o governo está dando tiro para todos os lados em busca de aumentar a arrecadação, o fantasma da CPMF está aí também assombrando a todos (acredito que grande parte da galera que frequenta aqui ainda se lembra dela), etc. O que você, Pacato Cidadão da Silva, pode fazer para controlar isso? PORRA NENHUMA!!! Isso aí amiguinho, você não tem controle sobre absolutamente nada disso, então por que caralhos fica bravinho? Ligue o foda-se e faça aquilo que está ao seu alcance.

Ah, Corey, mas evitar investir em ativos que possam ser tributados está ao meu alcance. Será que isso é certo? Se os dividendos de ações e FIIs forem tributados obviamente o yield deles cairão, logo deixarão de ser interessantes e é melhor investir em outro lugar. Onde? Na renda fixa com juros decrescentes e que em breve deve chegar aos 5% o que se traduz em uma rentabilidade de 0,40% menos IR num TD Selic ou CDB 100%? Você acha que as ações e FIIs deixarão de ser interessantes devido à tributação? Acho que não.

Veja bem, sou um cara cagão pra caralho, que deixou de ganhar rios de dinheiro por ficar fora da renda variável simplesmente por não achar que tinha expertise o suficiente para entrar. Sou um Average Joe que mesmo tendo ganhado a vida como empreendedor, não consegue entender direito a complexidade envolvida em análise de balanços de empresas e isso sempre me afastou da bolsa. Mesmo eu, cagão que sou, sei que agora não dá mais pra se manter fora da renda variável e sei também que se você não quer jogar no nível hard brasileiro com sua total imprevisibilidade, deverá estudar maneiras de investir no exterior. É esse o caminho que estou seguindo. Quando os dividendos forem tributados (e digo QUANDO e não SE forem tributados) vou ficar puto da vida porque o governo como sempre jogará uma Scania de merda nas nossas cabeças porém a vida seguirá, com retorno inferior mas seguirá.

Pessoal, vamos deixar de ter Síndrome de Pitbull e achar que somos fodões, pontos fora da curva e que porque lemos A Bola de Neve somos capazes de superar o mercado, analisar relatórios com perfeição sendo que a maioria de nós nem consegue interpretar uma receita de bolo de fubá. Eu devo ser muito burro mesmo porque vejo analistas de internet o tempo todo discutindo sobre números de relatórios, como se fosse a coisa mais fácil do mundo para se interpretar. Acho que para Zé Ruela como eu e você se dar bem no mundo dos investimentos o caminho é um só: constância, cagar pra coisas intangíveis como valuation e coisas do tipo "se eu tivesse investido 5k em Magazine Luíza no passado hoje seria milionário", se achar viável pagar algum tipo acessoria ou casa de research para auxiliar o processo, não tentar reinventar a roda (já me fodi muito na vida por tentar saídas mirabolantes) e ver as notícias ruins de maneira racional.

Uma coisa importante é aprender com caras tipo Barsi e Buffett mas sem jamais esquecer que eles criaram fortuna numa época pré-internet onde informação era escassa e havia poucos players. Não me conformo quando nêgo que tem 50k de ações quer seguir estratégia de valuation porque o Buffett o faz. Caralho, o Buffett comprava 1 dólar por 50 cents quando não havia site informação ao investidor e as informações tinham que ser garimpadas e mesmo o Buffett parece estar um pouco perdido, vide o tamanho do caixa da Berkshire Hathaway e investidores azedos devido à isso. Brother, valuation não faz muito sentido, aportar com frequência faz. Obviamente que se você conseguir comprar mais barato, vai ajudar, mas ficar esperando fundos é burrice, cague nisso e siga a vida. Pare de querer fazer aquilo que poucos conseguem fazer e siga o caminho da média, você provavelmente terá retornos medianos o que já é muito bom.

Por hoje é isso, compartilhem suas opiniões sobre os chiliques da internet e sobre a treta da tributação dos dividendos. Grande abraço!

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Fundos Imobiliários - Agosto/2019

Hoje venho aqui rapidinho compartilhar minha carteira atual de FIIs e propor algumas reflexões além de pedir algumas sugestões. Vamos lá!

Atualmente minha carteira de FIIs está assim distribuída:

Nos últimos tempos venho aportando mais em fundos de papel com objetivo de chegar à um percentual 50/50%. Fundos de papel me atraem mais nesse momento devido à diversificação. Além disso me desfiz de algumas carniças que tinha na carteira, como por exemplo FVBI e XPMC, não gosto de ficar movimentando a carteira mas também não vou ficar sentado em cima de ativos que não gosto mais. Ainda tenho alguns ativos mono-imóvel ou mono-inquilino, como o NSLU que me incomodam um pouco, mas nesse caso específico fico com dózinha de vender porque me deixa um yield 0,76% (muito próximo ao retorno total carteira que foi de 0,75% em agosto). Também fiz uma possível cagada de comprar SAAG (tenho dúvidas de como o setor se comportará), mas como a parcela é pequena, tá de boa.

Tenho somente 4 fundos de papel e gostaria de acrescentar mais algum, o que sugerem? A relação papel/tijolo e distribuição dos fundos de papel está assim:

A distribuição dos setores dos fundo de tijolo estão conforme o gráfico abaixo e estou meio perdido, não sei direito pra qual lado ir depois que chegar à proporção 50/50% quando terei que aportar em tijolo novamente. O objetivo é diminuir cada vez mais a participação do setor de desenvolvimento (MFII) além de diluir os outros setores que estão quase todos com um ou dois papéis apenas. Sugestões?


Venho entrado em novas ofertas sempre que possível e isso tem ajudado a baixar meus PMs que estão assim:


Entretanto essas mesmas ofertas que ajudam a baixar meu preço médio estão começando a me incomodar. Todo mundo quer lançar novas ofertas, levantar um caminhão de dinheiro, além disso há novos fundos de papel surgindo todos os dias. Ok, o mercado brasileiro de FIIs tem muito o que crescer e a atual queda dos juros empurra investidores para esses ativos, mas será que com a economia andando de lado há onde investir tanta grana que está sendo colocada nessa modalidade e gerar renda decente no fim das contas? Começo à ficar preocupado... O que acham?

No meu atual momento, dentro dos planos atuais (que estou devendo de compartilhar com vocês), fluxo de caixa periódico é cada vez mais importante e isso tem me levado à aumentar substancialmente minha carteira de FIIs. Tenho alguns CDBs vencendo a partir de janeiro e pretendo finalmente alocar em ações com foco em dividendos além de BDRs com foco em proteção, o objetivo é deixar em renda fixa somente uma reserva de oportunidade e dentro desse âmbito estou pensando em me desfazer dos títulos públicos...

Dentro do preço atual meus TDs estão me pagando cupons na ordem de 0,36% ao mês (...lágrimas...), pensei em vende-los, alocar em FIIs o suficiente para ter renda equivalente ao que os títulos me pagam atualmente e o que sobrar colocar em algum papel do setor elétrico, até para já ir testando meu sentimento em relação às ações. 

É isso por hoje, agradeço as sugestões e incentivo as discussões saudáveis. Na medida do possível vou responder a todos.

Grande abraço e boa semana!

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Não Pulei da Ponte

Bom dia, boa tarde, boa noite à todos, como estão? Antes de mais nada gostaria de agradecer por todas as mensagens no último post, meus leitores são fodas, fico muito contente por poder contar com vocês que me aconselharam, compartilharam suas experiências e me ajudaram na fase complicada onde estava metido. Muito obrigado mesmo, do fundo do coração! Estou aqui, não pulei da ponte Vasco da Gama.



Hoje vim aqui pra atualizar a situação, contar como as coisas correram nesses últimos dois meses desde que vim aqui todo fudido e deprimido. Na verdade não aconteceu nada de diferente, porém parece que as coisas vão se ajeitando na minha cabeça. Desde que comecei a tomar anti-depressivo me sinto bem melhor, parece que consigo pensar com um pouco mais de clareza e racionalidade, outra coisa que tem me ajudado muito são as longas caminhadas que tenho feito aqui na cidade, parece que sair andando ouvindo música ou algum vídeo (salvo em MP3 o áudio de alguns vídeos que tenho interesse e depois ouço no carro ou durante as caminhadas) me ajuda muito a colocar as ideias no lugar. Estou melhor mas longe de estar bem, grande parte do que estava sentindo na altura que escrevi aquele post ainda acontece porém em menor escala e talvez de maneira mais controlável. Não tive mais crises de ansiedade nem dores sinistras na cabeça, também (graças a Deus!) não broxei mais, rsrs. Aliás algo que venho notado é uma oscilação estranha em certos aspectos: tem dias que não consigo dormir direito mesmo tomando melatonina, outros durmo pra cacete; tem dias que estou com zero desejo sexual e em outros estou subindo pelas paredes de tesão; o mesmo acontece pra fome. Obviamente não estou 100%.

Continuo me sentindo mal e culpado por ter meus pais sozinhos no Brasil, por ter abandonado minha profissão, por ter camadas e camadas de complexidade pra resolver devido ao fato de morar no exterior. O que balanceia isso tudo é a vida tranquila e segura que tenho aqui, o business da Bia que está indo muitíssimo bem e o fato dela estar contente por morar aqui (embora esteja sendo uma
santa por me aturar chato pra caralho), porém sei que isso não é sustentável no longo prazo e que provavelmente voltaremos mesmo ao Brasil.

O que me deixou bem pra baixo nesses dois meses é a questão do meu diploma. Corri atrás, gastei dinheiro, passei raiva, mandei emails, enfim, fui atrás de resolver isso mas sem muito sucesso. Documentos da faculdade brasileira continuam dificeis de sair, informações muito desencontradas e extrema má vontade das faculdades portuguesas que podem fazer o reconhecimento. No meio do
caminho um leitor aqui do blog comentou que passou por uma experiência muito semelhante e jogou a toalha após 2 anos, pessoas em grupos de validação de diploma no exterior relatam o mesmo. Cheguei até a mandar currículos para as empresas na tentativa de conseguir um emprego na área
mesmo sem validação da licenciatura. Nada. Parar minha vida 5 anos pra "tirar o curso" novamente não me parece ser muito viável (mais abaixo). Ainda tem água rolando por baixo dessa ponte, mas está cada vez secando mais...

Nesses últimos dois meses tenho pensado muito sobre alternativas à toda essa bagunça que me enfiei e talvez a única conclusão que cheguei é que preciso de algo desafiador que coloque meu cérebro pra trabalhar. Pensei em tocar o projeto de fazer outra faculdade mas como disse acima, não acho viável por várias razões:

1- O curso superior na minha área possui processo seletivo (como se fosse um vestibular) que engloba matérias que não tive no ensino médio Brasileiro, seria necessário estudar à parte pra passar nisso, sem contar que nem o português brasileiro costuma ser aceito (não respeitam muito o
acordo ortográfico por aqui). Outra alternativa seria usar o Enem que nunca fiz e mesmo se tivesse feito não poderia usa-lo como Italiano, sendo assim teria que pagar as "propinas" (mensalidades) como brasileiro. Sem processo seletivo me resta o equivalente aos cursos técnicos que existem no Brasil onde após 4 anos eu poderia exercer função inferior, com salário também inferior.

2- Parar 4 ou 5 anos da minha vida pra no fim das contas ser um profissional estrangeiro acima de 40 anos sem experiência não me parece muito legal. Difícil saber se isso seria um problema ou não porém é algo que devo ponderar.

3- Financeiramente 4 ou 5 anos comendo minha renda passiva pra viver fará um rombo mais pra frente quando estiver velho e precisar dessa grana pra viver. Não posso jamais esquecer que Bia e eu teremos uma velhice solitária e que seremos totalmente dependentes da gente mesmo (efeito
colateral de não ter filhos).

4- No frigir dos ovos os problemas relacionados à nossos pais envelhecendo no Brasil continuaria e não pode ser mudado.

Esse número 4 também é o principal fator que me impede de tentar alternativas como mudar pra Inglaterra antes do Brexit e tentar algo novo que nem sei ao certo o que, o outro motivo é que Bia não tem a mínima vontade de aprender inglês e fica completamente surtada na ausência de sol. Assim como ela abriria mão de viver aqui em Portugal onde se adaptou bem e tem um business com
números invejaveis, eu abro mão de morar na Inglaterra por ela. Casamento é isso, dois se tornam um só.

Uma alternativa de "desafio cerebral" que tenho pensado muito nos últimos tempos é algo que quem me acompanha a mais tempo irá dizer: "Eu sabia!". Tenho pensado em empreender novamente caso retorne ao Brasil. Empreender aqui em Portugal é fora de questão porque não vejo onde nem como, também não vale a pena investir no negócio da Bia porque é algo bem atípico e que não vira melhor com mais investimento. Por outro lado empreender no Brasil ainda pode ser uma boa ideia, ainda mais fazendo de maneira racional e com pensamento no longo prazo. Basicamente minha ideia seria trabalhar mais um tempo na minha área, sugar o máximo de conhecimento possível e empreender em algo relacionado com foco no longo prazo. Se antes eu empreendi para ganhar no "trade" das lojas, hoje penso em ter um negócio para a vida. Algo pequeno, que não exija muito de mim, que permita longas ausências mas que ao mesmo tempo tenha minha cara. Um projeto de vida mesmo, algo como nunca fiz antes.

Estou lendo um livro muito interessante e que tem me ajudado bastante na formatação dessa ideia, chama-se "Company of One: Why Staying Small Is the Next Big Thing for Business", o título é auto-
explicativo e tem tudo a ver com minha filosofia de vida minimalista. Farei um resumo aqui no blog quando terminar de ler, até para meu próprio estudo posterior. (uma série de posts sobre um novo negócio seria do caralho, não?). Tenho estudado bastante sobre estoicismo (sugestão de alguém aqui no blog) e tem me ajudado muito.

Então é isso, provavelmente voltarei ao Brasil, não tenho um prazo certo mas o que penso é insistir no lance do diploma até o fim do ano, se um milagre acontecer e conseguir trabalhar na área seria legal devido à experiência diferente, mas já não penso como algo pro resto da vida, já não acho que ficaremos aqui por muito tempo. De qualquer maneira estou juntando uma grana no Brasil para me reestabelecer e enquanto isso vou tocando por aqui, aproveitando o que Portugal me oferece. Esses dias Bia e eu fizemos uma viagenzinha de verão e foi gostoso pra desbaratinar a cabeça mas não fiquei com vontade de viajar mais, conhecer mais, sei lá... as coisas mudam.

Mais uma vez agradeço à todos que me ajudaram e fiquem a vontade pra comentar, fazer críticas e sugestões. Abraço!

domingo, 26 de maio de 2019

Um Ano em Portugal, e Aí?

Toc, toc, toc, tem alguém aí? Voltei pra tirar as teias de aranha do blog, acho que nunca fiquei tanto tempo sem escrever, hoje vou falar um pouco de como vai minha vida após um ano que saí do Brasil (na verdade já faz mais de um ano, mas você entendeu, né?). Aviso que esse texto será longo e chato, sinta-se a vontade pra sair agora.

Poderia muito bem vir aqui e dizer o que todos esperam: morar no exterior é uma maravilha, não tenho a mínima vontade de voltar para o Brasil, que minha vida aqui em terras lusitanas vai de vento em popa... mas não, isso não seria verdade. A verdade nua e crua é que minha vida se tornou um verdadeiro caos nesse último ano, mudar para Portugal foi uma decisão acertada da qual provavelmente jamais me arrependerei mas isso não quer dizer que foi a melhor coisa a ser feita e principalmente, o timing não me parece nem um pouco acertado.



Vou começar pelos sintomas e depois vou falar um pouco das causas. Embora esteja magro, com um corpo legal que jamais tive, minha saúde está um lixo. Estou tomando remédios para a pressão, antidepressivos e de vez em quando remédio pra dormir. Tenho hipertensos na família e não é a primeira vez que tenho que confrontar isso, no Brasil, na época que tinha as lojas cheguei a parar no hospital com a pressão na puta que pariu e começo de infarto, aqui não chegou a tanto, mas dores de cabeça matinais me despertaram pra esse velho problema. Quanto ao antidepressivo foi meio uma decisão minha ao perceber que não andava nem um pouco bem do ponto de vista psicológico, cheguei ao ponto de ter até pensamentos suicidas (estou expondo isso aqui porque acredito ser algo muito sério e que se alguém está passando pelo mesmo deve procurar ajuda imediatamente), conversei com um amigo médico brasileiro que me orientou nesse sentido. Meu sono sempre foi bagunçado mas desde que mudei pra cá é difícil uma noite que consigo dormir sem ao menos tomar uma melatonina, sendo que por vezes é necessário tomar algo mais forte. Outro problema de saúde importantíssimo que comecei a ter foram problemas sexuais, andei a brochar mais que o normal para minha idade e quem é homem sabe que isso é mais assustador que perder um braço. Tudo isso está sendo controlado com medicação mas isso não me deixa nenhum pouco feliz. A hipertensão eu sei que é algo que convevirei pro resto da vida, mas o resto não.

O que está causando tudo isso? Difícil responder de forma objetiva, acredito que é uma somatória de fatores relacionados à mudança para Portugal. Mudar muda você, faz exacerbar problemas, te dá uma alta dose de auto-conhecimento que chega a ser assustador. Ao mudar de país você se dá conta dos seus limites, do que te traz segurança e o que destroi sua mente. Isso me atingiu como um golpe do Balboa. A vida em Portugal é maravilhosa, vivo numa cidade linda, tranquila e segura, as pessoas são amigáveis, a comida é boa, o custo de vida acessível... o que mais eu quero pra vida? Muita coisa...

Hoje estou mais próximo dos 40 anos que dos 30 e começo a me dar conta do que realmente tem valor e importa na minha vida e entre elas está o trabalho. O trabalho que nós aqui na blogosfera tentamos excluir de nossas vidas a qualquer preço através do tal FIRE (Financial Independence, Retire Early), o trabalho que todos nós usamos como alavanca tão somente para a sonhada independência financeira é o mesmo trabalho que nos faz gente e muitas vezes não nos damos conta disso. A velha frase "o trabalho dignifica o homem" é talvez o ditado mais simples e objetivo de todos. O fator trabalho é talvez o que está destruindo minha vida.

Um breve histórico da minha vida profissional: vim de uma família classe média baixa, onde meu pai sempre viveu de rolos e considerou como fracassado toda e qualquer pessoa que trabalhasse pra outra pessoa, na cabeça dele você só é gente se for "seu próprio patrão", mesmo que isso signifique ter 465 altos e baixos durante a vida colocando sua família em stress constantemente. Minha mãe tem curso superior mas nunca exerceu direito a profissão por preguiça mesmo. Aos 16 anos eu comecei a trabalhar de verdade, com carteira assinada e tudo (até então tinha feito alguns bicos), aos 19 já era gerente. Aos 21 comprei uma loja e entrei na faculdade, a ideia era trabalhar naquilo que estava estudando logo após concluir a faculdade, momento esse que venderia a loja. Ter a loja era bom por dois lados: eu não seria "fracassado" enquanto estivesse na faculdade, além de ganhar um bom dinheiro. Dinheiro esse que me manteve como empreendedor durante mais de uma década me impedindo de trabalhar na área de formação que tanto gostei. Quando chutei o pau e deixei de ser empreendedor fui trabalhar na área de formação e rapidamente de adaptei a tal ponto de conseguir promoções rápidas e ser reconhecido no ambiente de trabalho como um profissional de grande qualificação. 3 anos nessa vida, passei o facão e vim morar em Portugal onde tenho um trabalho que não agrega em nada a minha vida e a vida das outras pessoas. Entende de onde vem a depressão relacionada à vida profissional?

Durante os anos de empreendedor eu não gostava do que fazia (basta ler os posts antigos do blog e perceberá) porém aquilo ocupava minha cabeça, me desafiava todos os dias e principalmente, me trazia dinheiro. Esse dinheiro das lojas me proporcionou a independência financeira e a possibilidade de me aposentar com menos de 35 anos de idade, mas também me proporcionou a segurança suficiente para que eu me aventurasse na minha área de formação e foi isso que fiz. Essa mesma independência financeira me proporcionou a maravilhosa chance de morar no exterior legalmente e sem grandes preocupações com relação à grana. E isso fodeu tudo!

FIRE

Eu sei, eu sei, se você que está lendo é uma pessoa endividada ou tem seus 50k investidos e pensa todos os dias em parar de trabalhar provavelmente vai discordar de mim mas a verdade é que o trabalho não é tão ruim quanto parece ao mesmo tempo que se aposentar cedo é muito mais perigoso que comer traveco sem camisinha. Vou repetir mais uma frase mela cueca: "encontre um trabalho que você ame e nunca mais terá que trabalhar um dia na vida", essa frase não pode ser levada ao pé da letra mas não pode ser ignorada.

Se você tem 30, 40 ou 50 anos e pensa em se aposentar, pense novamente. Isso vai destruir sua vida. Ao invés disso é muito melhor achar um trabalho que lhe traga certo prazer e bem estar, uma rotina tolerável e uma grana razoável. Difícil? Não sei, depende de você, mas pra mim isso foi extremamente fácil... no Brasil. Veja como estava no Brasil e agora em Portugal:


  • Trabalhava na minha área de formação, tinha uma rotina meio fodida porque isso é intrínseco da profissão, todos os dias me sentia realizado por realizar meu trabalho, aquilo me fazia bem. Conversava com muitas pessoas todos os dias, ou seja, tinha uma socialização bacana o que é importante para alguém introspectivo e tímido como eu. Ganhava meus R$ 5.000,00 o que pode não parecer muito dinheiro mas é mais que suficiente para o estilo de vida que Bia e eu temos. Resumindo: o trabalho era legal, a rotina tolerável, o dinheiro razoável a ponto de não precisar usar renda passiva. (lembrando que Bia também trabalhava e o household income era coisa de R$ 8.000,00 à R$ 10.000,00 mensais).
  • Em Portugal a rotina é ótima, tenho folga pra caramba, o trabalho não exige absolutamente nada de mim além de certo preparo físico, o dinheiro é ok porém me sinto um robô humano que chega pra trabalhar, bate o dedo, trabalha, bate o dedo e vai pra casa sem aprender ou ensinar absolutamente nada.
Você deve estar pensado: Corey, você tá com frescura, esse negócio de realização pessoal é viadagem, o importante é dinheiro no bolso. Concordo em partes porém sou daqueles bobões que ainda acreditam que devemos fazer algo bom pra sociedade.

Você também me questionaria: Caralho Corey, se trabalhar na sua área é tão importante pra você, por que não corre atrás de fazer isso aí em Portugal? A resposta é que não é tão simples quanto parece, basicamente são necessários 3 anos de estudos além de uma enxorrada de papelada que está bem difícil de conseguir. Resumindo: possível porém inviável.

Mais uma questão que você me faz: Porra Corey, você tem independência financeira, vai viajar o mundo, esquece isso de carteira assinada. Resposta: tanto pra mim quanto pra Bia viajar tem perdido a graça! As cidades européias parecem todas iguais, o planejamento de viagem parece cansativo demais perante o benefício (lembrando que vivemos numa cidade 150km longe do aeroporto mais próximo e temos um cachorro que não temos onde deixar, então a alternativa mais viável pe viajar de carro). Lembra que falei de auto-conhecimento no começo do texto? Pois é, aqui vai um exemplo: descobrimos que nosso estilo de viagem é bem simples: cruzeiro ou Orlando (taquem as pedras).

Bia e eu somos simplões, ela vem de uma origem ainda mais humilde que a minha. Já fizemos muitas coisas diferentes na vida, inclusive provar coisas mais sofisticadas mas quer saber, nossa felicidade está mesmo nas coisas simples. Ter uma rotina de trabalho, dinheiro suficiente pra ir no restaurante e comer o que temos vontade, um carro simples e confortável são coisas que valorizamos mais que viagens luxuosas, casa enorme e cacarecos de "gente rica".

Adendo: Bia, minha esposa, se adaptou muito melhor porque ela tem um perfil profissional menos intelectual e acabou trabalhando aqui com a mesma coisa que fazia no Brasil, além disso ela é uma pessoa extrovertida o que facilita muito a adaptação em qualquer lugar.

Voltando aos problemas que surgiram pela mudança para Portugal. O principal é relacionado ao trabalho, não me sinto nenhum pouco realizado, sei que tenho muita lenha pra queimar antes de parar de trabalhar e me sinto muito subutilizado mas além disso há outras coisas que pegam:
  • Família: bem ou mal Bia e eu temos nossos pais no Brasil. Por pior que seja minha relação com eles eu sei que devo honra-los e tomar a responsabilidade de ajuda-los na velhice. Acredito que do ponto de vista financeiro não será necessário ajuda, mas de resto sinto-me mal por não estar presente. Isso é algo que me martela a cabeça todos os dias. Mais uma vez, o auto-aprendizado.
  • "Amigos": coloco entre parentes porque não temos amigos de verdade mas temos uma rede de gente conhecida e querida da qual sentimos falta. No meu caso são quase todas pessoas relacionadas ao trabalho onde piadas internas são engraçadas e onde conhecimento técnico é trocado. Sinto falta.
  • Tranquilo até demais: Brasil é caótico, isso não é novidade, ainda mais pra quem é de Sampa como eu, mas quer saber, o sossego demasiado que temos aqui chega à irritar. Porra, moro numa cidade até que grande, estruturada e às 15h é impossível almoçar, simplesmente não existem restaurantes abertos a não ser no shopping. Pra ir numa balada tenho que dirigir 95km e mesmo assim é uma balada caída pra caralho.
  • Complexidade: morar no exterior traz muita complexidade. Exemplo 1: precisei de um documento brasileiro, pra conseguir esse documento fiz um requerimento on-line, ok até aqui, porém pra retirar esse documento foi necessário alguém com uma autorização à próprio punho, enviei essa autorização via correio, a pessoa foi lá e buscou o documento. Paguei R$ 250 para enviar esse papel para Portugal, chegando aqui, o papel não era suficiente, deve ser refeito, aí volto à estaca zero. Exemplo 2: Tenho uma conta do Itaú que é necessário desbloquear um itoken pelo caixa eletrônico toda vez que o App é reinstalado ou por vezes até quando é atualizado, acontece que não há caixa do Itaú aqui e o banco não está preparado para lidar com cliente que moram no exterior, a única maneira de desbloquear saporra é fazer uma reclamação forma no ReclameAqui ou no Procon. Ok, não uso mais o Itaú e sim o Inter que é mais simples, mas deu pra entender como a complexidade aparece...
  • Eurizar ou não. Moro na Europa, meus investimentos estão no Brasil. Trago dinheiro para a Europa pagando câmbio cada dia pior e invisto em ativos europeus que possuem rendimentos que mais parecem piada e risco duvidoso ou mantenho no Brasil onde temos bons rendimentos e onde o rendimento dos investimentos é mais que suficiente pra me dar um padrão de vida legal? Pulverizo entre as duas opções e não ganho nem a rentabilidade brasileira nem a proteção do Euro? Complicado isso... penso em efetivamente usar o dinheiro dos meus investimentos quando me aposentar de verdade mas e até lá, o que fazer? E onde estarei na aposentadoria? Como estará o câmbio? Punk!
Mano, morar fora é fácil pra quem tem 20 e poucos anos, tá perdido no Brasil, sem saber pra onde ir, o que fazer, está desempregado porque cursou ciências sociais ou turismo, não tem um Real no bolso. Agora pra quem já tem quase 40, tem uma situação financeira muito confortável no Brasil, boa empregabilidade, possibilidade de trabalhar com algo que gosta o buraco é mais em baixo.

Vir pra Europa me proporcionou coisas maravilhosas e como já disse, provavelmente não me arrependerei, mais coisas aconteceram nesse último ano que em mais de uma década no Brasil, entre elas foi a quebra de certos paradigmas que até então cultuavam minha cabeça:
  • FIRE: aposentadoria precoce não é pra mim. Trabalhar em algo mais fácil só pra ter uma ocupação também não é pra mim. Se dedicar à hobbies também não é pra mim. Gosto de ter um trabalho de verdade, de no fim do dia pôr a cabeça no travesseiro e ter a certeza que fiz coisas úteis para a humanidade através do meu conhecimento e meu trabalho. Marcenaria é legal, mas fazer banquinho e mesinha não vai me trazer grandes benefícios.
  • Independência financeira como um destino: ter independência financeira é lindo e digo pra qualquer um que esse objetivo deve ser atingido por todos, saber que você não depende do trabalho para comer é libertador, entretanto IF não é um fim e sim uma ferramenta de melhora de qualidade de vida. 
  • Morar na Europa é muito melhor que no Brasil. Mentira! Isso pode ou não ser verdade mas o fato é que morar no exterior é o novo símbolo de status da classe média brasileira e eu caí nisso! Justo eu que sempre me gabei por não seguir normas sociais caí na armadilha mais cara e perigosa da sociedade onde estou inserido
No fim das contas a única coisa incontestávelmente positiva que há em morar em Portugal é a segurança. Isso é indiscutível e talvez o único fator que ainda me segure por aqui. Acho que se eu voltar ao Brasil terei alguns problemas de adaptação em relação à isso mas no fim das contas, toda minha família e rede de conhecidos tá no Brasil se desviando das balas perdidas. 

O resumo da ópera é que não sei exatamente qual rumo tomarei, existe a grande possibilidade de retornar ao Brasil mas ainda não tenho nada decidido. Bia e eu estamos conversando muito mas ainda está difícil ver o que é mais certo a fazer. Agredeço muito qualquer comentário que me ajude a abrir os olhos para a decisão certa, a opinião de quem está de fora é sempre importante.

Acho que passou da hora de finalizar isso, peço desculpas pelo texto meio mal feito e sem nexo mas hoje senti uma necessidade imensa de organizar meus pensamentos, por isso achei que escrever aqui poderia ser legal... e realmente foi, agradeço pela compreensão de todos e deixo aqui algumas frases nas quais tenho pensado muito:

"Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom." (Tom Jobim)
"At the end of the day, you are who you are" (não sei onde ouvi isso)

Deixo também um vídeo cujo tema tenho pensado muito: Zona de Conforto. Será que é tão ruim assim viver dentro de uma zona de conforto e não "sair da caixa"?



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Meu Plano de Emagrecimento

Então, como é que é? Bem dispostos? (típica saudação portuguesa, o objetivo era ser engraçado mas acho que não rolou). Só agora me dei conta que não escrevi porra nenhuma esse ano, porra. 2019 mal começou e já está acelerado.

Ando sem assunto, a vida vai bem, obrigado, porém tranquila até demais. Estou numa rotina saudável o que significa equilíbrio entre trabalho, dinheiro e vida pessoal. Diria que é um dos melhores momentos da minha vida, mesmo com várias coisas rolando dentro da minha caxola (foda, não tem jeito, sou um cara muito pensador mesmo, rsrs).

Não tenho muito o que falar, parei de fazer a divulgação das despesas mensais e dos investimentos porque tudo anda na mesma, sem grandes alterações, logo acho sem graça ficar postando fechamento. A única grande novidade que tenho para compartilhar é o assunto do post de hoje: meu plano de emagrecimento e como perdi 10% do peso de 1 de janeiro até hoje (cerca de 50 dias).

Acho que cheguei a comentar que estava acima do peso devido à despirocada que dei na comida desde que cheguei em Portugal. Ano passado foi uma verdadeira orgia alimentar, comi tudo o que tinha direito em quantidades pornográficas e como "tudo o que tinha direito" traduz-se como tudo o que leva grande quantidades de açúcar, farinhas e gorduras, o resultado não podia ser outro: banha pra caralho acumulada na pança de "imperial" (ou "fino" se você estiver no norte de Portugal ou "chopp" se estiver no Brasil mesmo). Calculo que essa foi a terceira vez na vida adulta que fiquei gordo dessa maneira, atingi inclusive recorde histórico de peso (0,5 Kg a mais da última vez). Óbvio que não estava satisfeito com isso entretanto fora algo que fiz com uma certa consciência, sabia que estava comendo descontroladamente e que em breve devia parar. E parei. Ao voltar do reveillon iniciei minha dieta, aliás, meu plano de emagrecimento.

Acredito que sou uma pessoa sortuda porque normalmente não tenho grande dificuldade para perder peso, lembro que em outras duas ocasiões consegui chegar ao peso ideal, mas o que aconteceu dessa vez foi um tanto diferente. Na minha cabeça eu ia fracassar imensamente nesse projeto emagracimento, primeiro porque já estou mais velho e reza a lenda que quanto mais velho, mais difícil perder peso, e em segundo porque dessa vez não faria uso de nenhum suplemento para agilizar o emgragrecimento. Das outras vezes utilizei suplementos naturebas e mais precisamente em 2016 usei um composto gringo que meu médico me indicou, caro pra caralho, com alguns efeitos colaterais sinistros porém eficaz (basicamente é uma mistura de antidrepessivo e uma substância usada para tratar viciados em álcool e drogas (açúcar é droga)). Dessa vez ia ser na raça, careta mesmo. Surpreendentemente tive uma perda de peso muito rápida, 4 quilos na primeira semana.

Mas Corey, qual sua super dieta? Keto, low-carb, da lua, do sol, da pqp? Sinto dizer mas o que faço pra emagrecer é estremamente simples e óbvio: como menos calorias que preciso, queimo mais calorias do que preciso. MInha abordagem é basicamente o que o Izzy Nobre diz nesse vídeo:


Meu plano alimentar se resume à: 
1- Comer até 1800 Kcal por dia
2- Caminhar ao menos 1h:30mim por dia

A matemática é extremamente simples e inversamente proporcional ao que, nós da comunidade de finanças, costuma fazer. Nós procuramos gastar menos que ganhamos e investir o restante para fazer o bolo crescer. Para emagrecer eu gasto mais que ganho e caminho para fazer o bolo diminuir. Simples.

E acredite, eu continuo comendo praticamente as mesmas coisas de sempre, até porque sou o que os gringos costumam chamar de "picky eater", ou no poruguês claro: "fresco pra comer". Tenho restrições alimentares que só outro idiota como eu consegue entender. Há certas comidas que meu cérebro simplesmente não entende como comida e é impossível que eu coloque na boca: todas as verduras (não sou cavalo pra comer capim), todos os legumes (exceto batata e quase sempre cenoura), comidas cruas em geral, comidas frias, molhos como ketchup e mostarda (barbecue ok), cebola (exceto onion rings e blooming onion), muitas frutas, ovo quando preparado isoladamente, etc. Ok, me julguem, já estou acostumado.

Minha dieta basicamente se resume à:

CAFÉ DA MANHÃ: bolacha maria, pão (integral até desce, mas não todos os dias), geléia de morango, manteiga de amendoim (manteiga e margarina nem pensar, não sou motor velho pra queimar óleo), chá, leite semi-desnatado, achocolatado, café solúvel

ALMOÇO: arroz (branco, porque não sou cachorro pra comer integral), feijão (sou brasileiro, porra!), batata de qualquer maneira (batata é vida, mas batata doce é ruim pra caralho, vamos combinar), macarrão com molho vermelho ou alho e óleo (pesto e carbonara jamais), polenta (sangue italiano é foda) e de proteínas alcatra grelhado, peito de frango de qualquer jeito (a proteína que comeria todos os dias se possível), carne de porco grelhada, peixe (pescada) grelhado ou empanado (fritura de imersão de vez em quando não mata ninguém).

JANTAR: se almoço, não janto. Se janto, não almoço.

LANCHES: banana, maçã, melão, pêssego, pão, queijo, frios (presunto (fiambre em PT-PT), salame, salsichão (chourição em PT-PT), presunto parma (presunto em PT-PT).

SOBREMESAS: bolacha recheada, chocolate ao leite (porque chocolate dark é igual cerveja sem álcool e trepar com camisinha) e basicamente o que estiver disponível.

NOTAS:
  • Não estou bebendo álcool além de uma garrafa de vinho por semana dividida com a Bia
  • Além desse vinho e de leite bebo somente café sem açúcar e água
  • Ok, bebi Coca Zero duas vezes no cinema
  • Me peso uma vez por semana, pelado, ao acordar
  • Bia está me acompanhando no plano de reeducação alimentar e embora tenha resultados mais discretos (4% de perda de peso desde o começo do ano), está feliz
  • Utilizo uma balança e peso todos os alimentos antes de consumir
Instrumento extremamente útil para qualquer pessoa que quer emagrecer
Porra, todos nós sabemos que para se ter controle sobre qualquer coisa é necessário ter dados, fazer medidas e estimativas. Todos nós nos gabamos de seguir orçamentos, de fazer planilhas fodidas para controlar nosso dinheiro mas quantos sabemos a quantidade de comida que ingerimos diariamente? É óbvio, mas devemos controlar isso sim.

Ok, as vezes enche o saco ter que pesar a comida mas quase sempre acho uma tarefa até divertida e obviamente não o faço quando vou à um restaurante, porém quandoi você começa a pesar, logo já tem uma base de quanto está comendo. 

Tenho uma média de quanto devo comer de cada alimento e sigo isso bem à risca, com pouca variação. Ok, mas o que fazer com esses dados? 
  • Uso um app de dieta. De nada adianta saber que como 200g de proteína no almoço se esse número ficar jogado. Para ter um controle, utilizo um app chamado Vitamenu. Não sei até que ponto saporra é precisa mas o importante é que me ajuda à traquear a quantidade de calorias ingeridas e acompanhar o peso. É somente isso que preciso dele e me serve muito bem (paga nois Vitamenu)
  • Outro App que utilizo é um pedômetro. É bem simples, fica ativo 24h por dia e mede meus passos (infomação totalmente inútil, para que serve saber a quantidade de passos?), o tempo e os Km andados (essas sim, infomações relevantes). Tenho feito caminhada em ritmo forte durante uma hora sem parar pelo menos 4 vezes na semana (incluindo domingo, em baixo de uma "semi-neve" e -1ºC, raça pra carai, fala a verdade...) e durante meu trabalho dá mais uns 40 a 60 minutos por dia, o que considero caminhada leve porque normalmente eu mais me movimento do que ando).

Tenho caminhado entre 35 e 50km por semana, o que considero um bom número e principal: está surtindo efeito.
  • Quando disse que estou comendo de tudo não é mentira, a grande sacada é a quantidade. Por exemplo, aqui em Portugal tem o que costumo chamar de "bolacha do demônio", porque você come uma e o demônio te faz comer o resto do pacote. Estou controlado e consigo comer apenas 2 após o almoço, essa quantidade é o suficiente para matar a vontade de açúcar e não compromete minha dieta, sendo algo sustentável no longo prazo.
Foda-se, bolacha bué boa, opá!
  • No geral não tem sido difícil manter a dieta, um ou outro dia dá vontade de comer mais um pouco ou algo diferente, o que faço? Como mesmo, foda-se. Considero um "momento do lixo", porque não faço "dia do lixo"
  • Aos fins de semana Bia e eu temos feito comidinhas mais elaboradas incluindo gordices e foda-se, como do mesmo jeito, porém em porções menores que minha vontade
  • Cago e ando para o tal "coma de 3 em 3 horas". Como somente quando tenho fome, se não tenho fome, não como, simples assim.
A sustentabilidade é a grande sacada da parada. Poderia fazer uma dieta low-carb e hiper-proteica? Poderia, mas quanto tempo isso seria sustentável? Estou disposto à abrir mão completamente de açúcar e amido podrão pra me manter no peso? A resposta é não! Comida gostosa tem um peso enorme na minha qualidade de vida, então me resta apenas equilibrar a quantidade para que eu consiga comer tudo o que gosto.

Outro aspecto em relação à sustentabilidade do plano de emagrecimento é o exercício. Poderia ir pra academia, obter ganho de massa muscular, tonificar e definir os músculos? Claro que sim, e talvez eu até faça isso num segundo momento, porém no dia de hoje 1h, 4x por semana de caminhada intensa, ouvindo podcasts e andando pelas lindas ruas da minha cidade me proporcionam um bem estar incrível e resultados no que efetivamente quero: me manter magro e sem buxada.

Ah, pra não dizer que estou 100% careta, continuo tomando alguns suplementos que costumo tomar e que estão me ajudando muito:

TRIBULUS TERRESTRIS

De vez em quando faço um "ciclo" dessa porra, acredito que dessa vez está ajudando no emagrecimento por elevar os níveis de testosterona o que sabemos ser algo que ajuda homens a se manterem magros. Outra coisa que contribui positivamente pra testo é a diminuição da ingestão de amido podrão e de derivados de soja. Como "efeito colateral" ando bem mais bem disposto, o pau mais duro e com mais força física no trabalho.

Tenho comprado desse, pelo E-bay, baratinho e bom, vem da Tailândia

ERVA DE SÃO JOÃO

Recomendação do meu amigo médico, essa erva tem ação anti-depressiva, faz a sopa de neurotransmissores funcionar de maneira mais positiva deixando o cabra menos triste e mais positivo em relação às merdas da vida. 

Também compro pelo E-bay, vem dos
EUA, por isso não é tão baratinho

POLIVITAMÍNICO

Vitaminas podem não servir de nada mas pelo menos psicologicamente me engano que são "saladas em compimidos". Sempre fiz uso disso e gosto bastante, não tenho efeitos colaterais aparentes.

Quase de graça, custou mais caro o frete dos EUA pra
Portugal que o produto em si. Vende no Cotsco.


ATENÇÃO: não estou recomendando nada, apenas estou relatando minha experiência, ok?

Ainda faltam alguns quilinhos pra chegar na meta mas já me sinto mais disposto, mais forte e de bem com meu corpo. Acredito que não terei grandes problemas em manter o peso no longo prazo porque não faço nada radical. Então é isso por hoje, e você satisfeito com o bucho? Abraço à todos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Receitas e Despesas Dezembro/2018 + Investimentos + Vida Pessoal

Receitas e Despesas
Ano novo, vida nova, presidente novo... Puta que pariu, confesso que chorei no discurso de posse, discurso da primeira dama em Libras, beijo do casal em plena tribuna, presidente falando em Deus, fim do politicamente correto e da inversão de valores que a sociedade brasileira passa... Foi de arrepiar! Estou cheio de esperança que o Brasil ao menos pare de piorar, principalmente no que diz respeito à segurança pública.

Dezembro foi novamente um mês atípico em relação às despesas, fizemos algumas viagens o que acabou encarecendo muito esse ítem, novamente fechamos "no vermelho" porque as despesas ultrapassaram muito as receitas, coisa que foi totalmente prevista. Meu ordenado diminuiu devido às férias, período no qual não recebo o subsídio alimentação e por não ter feito horas extras. A tendência é que meu ordenado aumente uma merreca nos próximos meses porque houve aumento no salário mínimo português, a empresa reajusta os salários todo janeiro (diretor avisou que vai ser acima da inflação, 1,5% ao ano, rsrs!) e estou pra receber uma promoção. Nada mal. Bia encontra-se desempregada e provavelmente irá continuar assim nos próximos meses. Muito bom ter esposa em casa, comidinha fresca todos os dias, casa arrumada... Aqui em casa essas tarefas sempre foram divididas ou aquele que tem mais tempo é quem faz, como ela não está trabalhando (somente fazendo os extras de sempre), fica encarregada disso.

Investimentos

Como sempre sem muitas novidades. A única coisa que fiz diferente do piloto automático foi transferir R$ 10.000,00 (€ 2.224,00) porque estou com ideia de comprar um segundo carro. Embora o inverno ainda não disse para o que veio (médias agradabilicimas de 10ºC), quando o frio e chuva chegarem pra valer será complicado ficar com um carro só, embora Bia não esteja trabalhando, tem que fazer deslocamentos para seus extras e como o transporte público na minha zona é praticamente inexistente, quando está muito frio ou chuva fica complicado sem carro e uso o carro todos os dias para ir ao trabalho ou para encontrar com minha turma da carona. Então provavelmente deixaremos o pau véio atual com ela e comprarei um carrinho melhor pra mim (até € 5.000,00), pretendo financiar a diferença como ferramenta de criação de crédito.

Vida Pessoal

Bia e eu tivemos conversas durante o mês para planejar 2019, decidimos levar esse ano bem a sério e fizemos boas resoluções de ano novo, as quais pretendo compartilhar até semana que vem junto com o fechamento anual de 2018. Spoiler: vamos viajar menos, comer melhor, nos exercitar mais, perder peso e gastar menos dinheiro. Aguardem...

A bad da imigração bate de vez em quando, mas tem passado rapidamente, sem grandes prejuízos psicológicos, no geral a adaptação segue forte e cada dia que passa vejo que meu lugar, ao menos por enquanto, é por aqui mesmo.

É isso por enquanto, bom 2019 a todos!
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