sexta-feira, 29 de junho de 2018

Investimentos no Brasil

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Uma dúvida frequente que tenho recebido nos comentários é se mantive meus investimentos no Brasil e se tenho planos de Eurizar (exite essa palavra?) meus investimentos.

Vejo muita gente com o seguinte pensamento: "vou vender tudo que tenho no Brasil e me mandar para o exterior, não deixo 1 real no Brasil...". Sinceramente acho isso um erro. O Brasil é um lugar fantástico para se investir, ainda mais se você mora no exterior. Quer uma prova?

Quando abri minha conta no Activo Bank recebi um cartão que me dá o privilégio de investir entre € 3.000 e € 40.000 à maravilhosa taxa bruta de.... (tambores...) 0,6% AO ANO!!! É amigos, não há milagre, a vida em Portugal é tranquila, você financia um carro zero de € 12.500 em 24 meses e paga € 14.400 no final, compra um apartamento com juros de até 1% ao ano. Agora compare com os 0,4% da Poupança do Brasil...  Estás a entender?


Simulação rápida que fiz. € 12.500 é o preço de
um Ford Ka ou Sandero com kit dignidade
Ainda não parei para estudar renda fixa tampouco renda variável aqui na Europa, mas pelo pouco que sei, é tudo uma bosta quando comparado com o Brasil.

Por enquanto o plano é o seguinte: manter tudo do jeito que está no Brasil porém nos próximos 12 meses pretendo (e já estou fazendo) trazer para Portugal entre € 1.000 e € 1.500 por mês, dinheiro esse que será retirado dos aluguéis dos imóveis que tenho alugados, rendimento de FIIs e cupons de juros do Tesouro. Por que pretendo fazer isso já que Bia e eu temos emprego, recebemos em Euro e o dinheiro é mais que suficiente para nos mantermos? Vejam as razões:

1- Criar um colchão de segurança: Hoje tenho uns € 900 na conta e mais nada, meu colchão de segurança são os cartões de crédito brasileiros, se algo der errado tenho que me amparar neles. Até acredito que isso não seja má ideia porque a verdade verdadeira é que em anos nunca usei muito do colchão de segurança, razão essa que me faz pensar que vale o risco de ter que usar o cartão de crédito, pagar taxas grotescas de conversão mais IOF face à deixar um dinheiro parado num investimento de baixo rendimento e alta liquidez (porém tenho uma boa grana em CDBs diários, sou contraditório mesmo). Porém estou recomeçando minha vida aqui e ter um colchão de segurança é mais uma questão de alívio psicológico que outra coisa, trazer dinheiro do Brasil pode acelerar essa formação do colchão.

2- Criar crédito: hoje se quiser pegar R$ 100.000,00 emprestado no Brasil preciso apenas de alguns cliques, se for financiar um apartamento ou um carro, somente de algumas assinaturas. Aqui em Portugal nasci à alguns meses, foda-se que sou um bom pagador com boa renda no Brasil, aqui não sou porra nenhuma. Estou tendo problemas até para liberar um cartão de crédito com limite de € 500! Como é muito comum o português imigrar e mandar dinheiro pra terra natal, os bancos consideram transferências internacionais como renda, logo ter um boom de € 1.000 e € 1.500 por mês caindo na conta pode me ajudar à criar crédito.

Como sabem sou daqueles que não acredita em dívida boa e dívida ruim, na minha opinião dívida é coisa do demônio (o que nunca me impediu de fazer algumas dívidas controladas quando tinha as lojas, mas isso me tirava o sono mesmo tendo parcelas adiantadas em mais de mês). Acontece que aqui em Portugal os juros são baixos o que acaba me fazendo considerar minha opinião, e como também sabem prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, então posso mudar de ideia e querer comprar um carro novo ou financiar um apartamento. Pelo sim, pelo não acho uma boa ideia formar esse crédito e ter a opção no futuro de usa-lo ou não.

3- Internacionalização de investimentos. Com sobra de caixa aqui, posso começar a pesquisar e testar modalidades de investimentos, lembre-se que ao usar dinheiro proveniente do fluxo de caixa dos investimentos brasileiros não estarei usando capital, logo a vaca continua no curral brasileiro enquanto o leite é exportado para cá. É uma oportunidade de ter algum dinheiro investido fora do Brasil porém sem dilapidar patrimônio.

Ainda não sei como irei alocar esse dinheiro, já que aparentemente as opções mesmo na renda fixa de merda são engessadas. As poupanças funcionam como nossos CDBs, tem prazo para acabar, não pode tirar antes e paga IR, estou até pensando na atrocidade de abrir uma segunda conta corrente em outro banco e deixar a grana parada lá porque colocar numa poupança, engessar o dinheiro com prazos de retirada e ainda por cima não ganhar nada não parece boa ideia... Aceito sugestões, fiquem a vontade.

Muito provavelmente terei que criar vergonha na cara e aprender sobre ações, empurrei de barriga até agora mas acho que essa será a única alternativa para poder ter alguma rentabilidade. Se tratando de valores mais vultuosos um dos investimentos mais comuns aqui é o bom e velho aluguel de imóveis, que pode chegar a 5 e até mesmo 8% líquidos por ano, porém só penso em comprar um imóvel se for para moradia e possível arrendamento (aluguel) somente em caso de decidir fazer outra mudança de vida... Não sei, está tudo muito confuso na minha cabeça, tudo muito novo, muita informação para aprender... Não quero tomar decisões precipitadas...

É isso, resumindo meu patrimônio continuará no Brasil aproveitando a relativa super-rentabilidade da renda fixa brasileira enquanto parte dos rendimentos virará Euros que serão utilizados no futuro para algum investimento europeu ou vou comprar tudo de finos e francesinhas.


Bom fim de semana!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Minha Cabeça Vai Explodir!

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Se tem uma coisa que preciso mudar na minha vida é parar de pensar e ter ideias, minha cabeça sempre foi e continua sendo extremamente poluída de ideias, as vezes parece que vai explodir!

A vida inteira fui assim, quem acompanha o blog já percebeu que tenho várias ideias, mudo de ideia com facilidade, desisto das coisas relativamente fácil, deixo coisas em stand-by por anos, me decepciono, etc...

Essa característica nem sempre é negativa, o fato de mudar de ideia, desistir de coisas em cima da hora já irritou muita gente mas também já me tirou de roubadas, claro que há o efeito colateral, como o prejuízo (como a vez que enfiei R$ 7.000 no cu ao desistir de um negócio que havia dado sinal, 2 anos depois descobri que ia me meter numa furada imensa, assunto pra depois), mas no fim das contas ainda continuo preferindo agir dessa maneira. Se estou desconfortável, pulo fora, foda-se o que vão pensar de mim.

Acontece que pensar demais acaba poluindo minha cabeça e me causando imensa confusão, stress desnecessário, perca de sono, ansiedade, depressão... tudo isso sem razão ou motivo aparente, tudo é criado, cultivado e morto dentro da minha cabeça, é uma espécie de auto-destruição cerebral. Difícil de entender né? Vou tentar explicar melhor com um exemplo.

Desde que cheguei em Portugal já tive as seguintes ideias:

1- Mudar para uma cidade maior. Isso já era certo na minha cabeça, iríamos ficar aqui até a documentação ficar toda pronta e depois mudaríamos para Lisboa ou Porto.

2- Comprar um apartamento na cidade onde vivo. Nos apaixonamos pela cidade e decidimos que era aqui que iríamos fincar raízes, comecei a ver anúncios de apartamentos à venda.

3- Comprar um apartamento em Lisboa ou Porto. Porque há opções mais baratas e menores que na cidade onde vivemos, facilitando a compra a vista ou mesmo o financiamento.

4- Mudar para Londres. Aproveitar que ainda é possível (antes do brexit) e nos mudar para Londres, aprender inglês e ganhar em Libras (e morar à 3 horas de trem do trabalho pagando uma fortuna por uma kitnet)

5- Esperar nossos contratos de trabalho acabarem (6 meses) e fazer uma mega road trip de uns 3 ou 4 meses sem pressa pela Europa. Ideia boa da porra, ainda está em processamento...

6- Após a viagem pela Europa fazer o mesmo nos EUA.

7- Após a viagem dos EUA fazer o mesmo na América do Sul.

8- Idem Austrália

9- Formar um dream team com ex funcionários e parceiros, comprar lojas no Brasil e tocar aqui de Portugal, fazendo a parte administrativa e burocrática on-line, visitando as lojas a cada 3 meses. Parece loucura (e é) mas posso provar por A + B a viabilidade disso, ideia não descartada.

10- Somar 5, 6, 7, 8 e 9

11- Fazer validação do meu diploma e trabalhar na área

12- Fazer um mestrado

13- Foda-se o mestrado, fazer outra faculdade

14- Fodam-se os estudos, vou trabalhar no que me der mais qualidade de vida (em curso)

Estão entendendo onde quero chegar? Minha cabeça é uma máquina de pensamento aleatórios que piorou muito desde que cheguei em Portugal, penso eu pela experiência de sair da zona de conforto o que despertou o conceito que tudo que parece impossível pode sim ser realizado. Isso pode não parecer mas é um problema muito grave, já perdi uma caralhada de dinheiro e tempo por ser assim, sem foco.

Saio de manhã com uma ideia na cabeça, na hora do almoço já pensei outra coisa e a tarde ao checar as pesquisas que fiz no Google percebo que nada daquilo faz sentido.

Preciso urgentemente aprender a deixar as coisas fluírem, parar de me preocupar um pouco com o futuro além do próximo fim de semana, aproveitar melhor os momentos. Fazendo uma retrospectiva me lembro que um dos períodos mais felizes da minha vida foi quando fui morar junto com a Bia, nossa diversão de sábado à noite era comer cachorro quente em casa assistindo Super Nanny no SBT (obrigado Super Nanny por nos reafirmar a ideia de ser childfree), estava na faculdade, devendo até as hemorróidas, mas estava deixando a vida fluir, sem me preocupar muito com o futuro. Hoje não tenho dívidas, tenho patrimônio, renda passiva suficiente para me manter, vivo na Europa, estou empregado, acabei de comer camarão e mesmo assim fico preocupado com o futuro. Sou um mal agradecido mesmo!

Percebam que Bia é igualzinha à mim, ou ela concorda com minhas loucuras ou propõe doidices maiores ainda, somos feitos um para o outro mesmo...

Um dos motivos que me fazem manter esse blog e voltar com postagens constantes é tentar trabalhar isso, melhorar a produção de ideias, colocar ordem na coisa. Fazer postagens, compartilhar experiências, conversar com pessoas é uma ajuda fantástica, esse é o rumo que o blog tomará aqui para frente, sintam-se livres para me lembrar disso, dar sugestões e compartilhar seus pensamentos sobre o tema. Abraço a todos!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Onde Morar em Portugal?

Recentemente relatei um pouco como fiz o planejamento e alocação de dinheiro para minha mudança para Portugal, hoje vou falar um pouco sobre como escolhi a cidade para morar.

Uma vez decidido que viríamos para Portugal, nos restava a decisão de escolher a cidade, para isso levamos alguns fatores chave em consideração e separamos algumas opções:

Aí está o mapa de Portugal para
vocês se localizarem e brincarem de
adivinhar onde moro
a) Lisboa ou Porto: as escolhas óbvias para a maioria das pessoas. São cidades grandes e como Bia e eu somos de São Paulo e gostamos do ambiente de cidade grande (sim, eu sei, é gosto de porco) seria natural a escolha de uma dessas duas. Junte a isso a possibilidade de ter mais oportunidades de empregos, possível convivência com gente de todo o mundo, possibilidade de viver sem carro (devido à excelente malha de transporte público dessas duas cidades) e não haveria muito o que pensar, até porque já conhecíamos ambas as cidades e Porto está entre nossas cidades preferidas. Porém alguns contras nos fizeram ponderar melhor essa decisão óbvia: escassez e baixa qualidade de imóveis para locação e demora para legalização de documentos devido à elevada demanda.

Lisboa e Porto são cidades grandes, com imensa quantidade de imóveis porém Portugal passa por um boom imigratório inimaginável para quem vê de fora. Há gente de toda parte do mundo e de toda realidade possível vindo para cá, entre essas pessoas temos inúmeros aposentados franceses e comerciantes chineses que se dispõem a pagar o que for pelo arrendamento (como chamam aluguel aqui), isso inflacionou de sobremaneira os preços dos imóveis, junte a isso o agravante de termos um cachorro, o que não é muito bem visto por algumas pessoas (mais um post prometido: vida de cachorro em Portugal) e a dor de cabeça estaria pronta.

Além disso o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), órgão que cuida dos processos imigratórios está um verdadeiro caos nessas regiões. Para ter uma ideia um agendamento demora cerca de um ano, ou seja, Bia ficaria ilegal mesmo sendo esposa de italiano (o processo de residência de cidadão da UE é feito pela polícia, não passa pelo SEF). Na prática ela fiaria impossibilitada de trabalhar formalmente, sair do país (até ir ali na Espanha poderia ser problema) e não teria cobertura médica (até teria pelo PB4, mas isso é outra história).

b) Faro e Albufeira: morar na Europa já é um privilégio, morar na praia, puta que pariu! A ideia de mudar para o Algarve é tentadora para qualquer um, porém a realidade não é tão bela quanto parece.

Essa é uma região turística, como se fosse o Nordeste do Brasil porém ao contrário do Brasil, Portugal tem poucos habitantes, não existe a muvuca de gente que há em qualquer cidade nordestina, por exemplo. Então acontece que o Algarve fica lotado durante a temporada de verão porém fora disso vira uma região fantasma. Poucas são as pessoas que vivem full-time lá em baixo. Isso quer dizer que as chances de emprego são enormes no verão e praticamente nulas no inverno. Muita gente tira proveito disso e trabalha o verão todo, 16, 18 horas por dia, tirando férias de 6 meses durante o inverno. Não deixa de ser um bom negócio mas pelo menos por agora não é pra mim. Além disso também há problemas com arrendamento, muita gente não aluga anual porque sabe que é mais lucrativo alugar por temporada e manter o imóvel fechado o resto do ano. O SEF também não é dos mais ágeis.

c) Interior de Portugal: genericamente falando considero o interior como tudo aquilo que não é na costa do pais, ou seja, tudo que é caminho para a Espanha. Arrendamentos mais acessíveis, possibilidade de empregos "normais" fora do ramo turístico, convivência mais forte com a cultura real do país, menos "Ilhas" e imigrantes, muito verde, muito silêncio devido ao espaçamento entre casas e pouca aglomeração populacional, menos poluição, agilidade do SEF, possibilidade de morar numa cidade menor onde as pessoas se conhecem e você recebe um atendimento mais personalizado desde as repartições públicas até no supermercado... tudo isso me trouxe ao interior de Portugal.

De contra posso dizer que há pouca coisa: ausência de transporte público, que obriga a ter carro; necessidade de ir à cidades um pouco maiores para resolver assuntos ou ir em lugares que não estão disponíveis na cidade... (pausa de 5 minutos para pensar em mais contras)... ... ... acho que só!

A verdade é que moro numa cidade excelente, não é uma aldeia como a da foto abaixo (aldeia é como os portugueses chamam as cidadelas, quase sempre milenares que existem espalhadas pelo país)

Não, eu não moro numa casa de pedra datada de 1200.
Aqui onde moro há hipermercados, shopping, todos os bancos do país, todo tipo de comércio que você imaginar, bares (trocentos), restaurantes (zilhões), asfalto (sem buracos), rodovia que corta a cidade, muitos parques públicos, prédios residenciais, rede hospitalar excelente (ao que dizem, nunca usei, ainda bem!), escolas, faculdades... enfim, tudo o que uma cidade precisa oferecer para os moradores terem uma boa qualidade de vida.

O que não há muita oferta é de casas noturnas, algumas lojas específicas (mas nada demais) e praia! Por outro lado há praias fluviais muito estruturadas pertíssimo de casa e também clubes com sistema de day use (fui hoje, paguei 6 euros pra ficar o dia inteiro) e piscinas públicas.

Arrendar imóvel aqui foi mais fácil, mais barato e menos burocrático. Contratei uma assessoria que me ajudou nessa parte e também para fazer as ligações de água, luz, gás e internet. Cheguei no apartamento com tudo funcionando, foi só cair dentro! Vejo gente diariamente discutindo os problemas com a escassez de imóveis em Portugal nos grupos de Face e Whats, não passei por isso.

Escolher cidade pequena também foi fundamental para conseguir trabalho rápido. Há menos oportunidades? Não mesmo! Não parece, mas Portugal é um país industrializado, bem diferente do Brasil onde as fábricas estão concentradas em algumas regiões, aqui é tudo espalhado, o que facilita muito a empregabilidade e melhora a qualidade de vida das pessoas porque milhões de pessoas não precisam morar numa região geográfica pequena (ninguém me tira da cabeça que um dos grandes problemas do Brasil é o aglomerado de gente, puta que pariu, como brasileiro se reproduz!). Sem contar o agronegócio fortíssimo, aqui trabalhar na lavoura não é demérito, não existe a figura do "caipira", muito pelo contrário, existe até um certo status em trabalhar na lavoura porque na visão deles os "peões da roça" na verdade são os que fazem os produtos portugueses de verdade e o português médio é muito orgulhoso e consumidor ávido do que é produzido localmente (patriotismo português tem muito a ver com o "consumir o que é nosso" e menos com futebol).

(Pausa para pensamento bucólico, hoje é sábado, 21:15, estou sentado no sofá, na sala, com o computador no colo, ouvindo "study music" no YouTube, acabo de desligar o ar condicionado (fez mais de 30º hoje) e abri a porta da varanda para entrar um ventinho do fim da tarde. Ouço algum barulho de carros, mas também vários pássaros. Vejo no horizonte alguns prédios, casas e montanhas ao fundo. Me sinto um privilegiado!).

Moro num excelente T1 (T1 é apartamento de 1 dormitório, T2 de 2 dormitórios, assim por diante) numa zona nobre da cidade, pertíssimo do centro. O apartamento é relativamente novo, penso não ter 20 anos, e gigante, tem fácil uns 80m² (o que é uma desvantagem porque não usamos todo esse espaço, preferimos ambientes menores). Veio todo mobilado (sim, mobilado, não mobilhado), só precisamos comprar um micro-ondas e a TV (que ganhamos da operadora de telefonia). A construção é excelente, tem ótimo isolamento térmico e acústico, ar condicionado em todos os cômodos, sistema de aspiração central, tem garagem e está muito bem conservado. Pago € 400 mensais de aluguel. Com € 400 você não aluga nem um T0 (studio) num prédio de 300 anos em Lisboa ou Porto.

De carro estou a 2 minutos de um shopping, 5 do supermercado Continente (o mais forte da região, embora meu preferido seja o Lidl), tenho um excelente parque à 5 minutos à pé de casa. Há muito lugar para estacionar, tanto que nem guardo o carro na garagem, deixo na frente do prédio. Tem um excelente restaurante no meu "rés-de-chão" (térreo dos prédios) onde uma refeição completa, com sopa, prato principal, sobremesa, azeitonas de aperitivo, café e bebida custa € 6. Na rua de trás tem mini mercados, farmácia, talho (açougue), cafés, quitanda, padaria... Enfim, nunca morei tão bem quanto aqui.

Meu trabalho é um pouco longe, cerca de 25 km de distância mas chego em 20 minutos porque as estradas são ótimas e não há trânsito. Bia vai de boléia (carona) e chega no trabalho em 10 minutos. O ponto negativo do país como um todo é o custo para deslocamento de carro, a gasolina é relativamente cara (hoje está € 1,499 no posto do Jumbo, porém tem apenas 6% de etanol o que faz render muito) e há portagens (pedágios) para todos os lados, mas isso é assunto pra outro dia...

Resumindo, a decisão que tomamos por base racional agora virou emocional, estamos completamente apaixonados pela cidade. Claro que é tudo muito novo e toda vassoura nova varre bem, porém so far so good. Não sabemos ainda onde vamos fincar raízes e talvez alguns motivos nos faça mudar daqui, mas isso é coisa pra se pensar depois.

Algum palpite par aonde me mudei? Não vou falar onde é, mas se quiserem tentar, rsrs! Boa semana à todos!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Declaração de Saída Definitiva

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O assunto do post de hoje seria outro porém surgiram tantas dúvidas se fiz a Declaração de Saída Definitiva do Brasil que decidi adiantar o tema...

Vamos começar pelo começo: eu não fiz declaração de saída definitiva e nem pretendo fazer tão cedo se é que vou fazer (sinto cheiro de treta nos comentários...). Vamos aos motivos:

1- Merda, quanto mais mexe, mais fede. Não preciso explicar muito isso... Esse é um assunto complexo, então quanto menos mexer, melhor.

2- Nada na vida é certo. O fato de eu ter vindo para Portugal não quer dizer que comprarei uma quintinha, plantarei oliveiras e uvas até a morte, ou seja, nada me impede de enfiar o rabo no meio das pernas e voltar para o Brasil amanhã, ainda mais por se tratar da primeira experiência de imigração da minha vida. Não há como dizer que tudo dará certo, então decidi não mexer com isso por enquanto.

3- Declaração de Saída Definitiva é igual cabeça de bacalhau, todo mundo sabe que existe mas ninguém nunca viu. Antes de vir para cá consultei umas 15 pessoas do meu círculo social que moram no exterior. Aproximadamente metade sequer ouviu falar disso, a outra metade ouviu falar mas não fez porque não entende o porquê de fazer ou não sabe fazer ou acha que não precisa ou todas as alternativas juntas. O mesmo ocorre nos grupos de Facebook de expatriados.

4- Vamos ser francos, quantos de nós tem a declaração de IR redondinha? A não ser que você tenha sido assalariado a vida toda as chances de seu IR ser bugado são imensas, então o que é um peido para quem está cagado? Deixa rolar e quando a merda estourar corre pra limpar.

5- O site da receita onde consta a informação oficial é extremamente confuso, a maioria da informação é ininteligível até para contadores (o meu sequer havia ouvido falar disso antes de eu questiona-lo), que dirá para caipiras como eu...

6- Pelo pouco que entendi sobre as regras, ainda tenho quase um ano pela frente para fazer o negócio dentro do prazo, então como bom brasileiro vou usar o tempo a meu favor e ir vendo o que aprendo até lá. (aliás, se você quer uma dica de ouro para um processo de imigração é não se prender com detalhes, deixe as coisas acontecerem e aprenda com elas, funciona muito melhor que tentar aprender tudo antecipadamente).

7- TODA minha vida financeira está no Brasil. No dia de hoje todo o patrimônio que tenho em Portugal é um carro de € 1500, um microondas de € 40, um liquidificador de € 10, 4 panelas, 3 pratos, 3 copos e € 900 na conta (salário só cai no último dia útil do mês), logo, ao menos na minha cabeça, as chances de ter problema com algo chamado "saída definitiva" são muito maiores no Brasil que em Portugal.

Bom, é isso. Sei que muitos irão discordar e peço que esses coloquem suas opiniões nos comentários, qualquer ajuda é bem vinda.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Planejamento Financeiro para a Mudança

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Seguindo a novela da minha mudança para Portugal hoje vou falar sobre um assunto que penso ser uma curiosidade de muitos: como fiz meu planejamento financeiro.

Tudo começou à muito tempo atrás quando a vontade de sair do Brasil apareceu, abri uma poupança específica para esse fim onde depositava valores aleatórios como algum dinheiro que entrava extra, restituição do IR, toda a renda extra que Bia tinha no Brasil (coisa que ela sempre fez mais não sabia o que fazer com o dinheiro), os R$ 100,00 que ganhei no bicho uma vez, sobra de salários, etc. Não havia uma frequência nem valores certos à serem depositados, a gente só ia socando dinheiro lá mesmo.

No começo do ano quando decidimos que agora seria a hora e que iríamos para os EUA e posteriormente decidimos por Portugal, já havia uma boa grana lá, dinheiro esse que sinceramente nem vimos como juntamos. Está aí um exemplo de como não precisa de muita sofisticação para juntar dinheiro.

Fiz uma planilha jogando tudo aquilo que me lembrava que poderia ser uma despesa relativa à mudança. Havia basicamente dois grandes grupos de despesas: as feitas ainda no Brasil e as feitas em Portugal.

As despesas no Brasil eram as mais miúdas porém eram várias, nesse grupo tinha de tudo: documentação do cachorro (post específico no futuro), multa do aluguel, multa de fidelidade da Vivo, consultorias que paguei quando ainda estava pensando em ir aos EUA, remédios que compramos para trazer, documentos de escolas (histórico escolar do ensino médio), despesas de cartório (certidões, reconhecimento de firmas, apostilamento, procurações), despesas de Correio, assessoria que contratei em Portugal, passagens aéreas, etc. Essas despesas ficaram em aproximadamente R$ 10.000,00 (não consegui sentar para planilhar tudo certinho, com detalhes)

As despesas em Portugal seriam as mais difíceis de serem calculadas, então joguei um valor meio aleatório, que foi mais ou menos o seguinte:

6 meses de despesas: (6 x € 1.000,00) = € 6.000,00 (posteriormente vi que esse valor foi subestimado porém como não precisei ficar 6 meses sem renda, ficou tudo de boa)
6 meses de depósito caução para o aluguel: (6 x € 500,00) = € 3.000,00 (por outro lado esse foi superestimado, paguei apenas 3 meses de depósito e o aluguel ficou em € 400,00)
1 carro: € 3.000,00 (a cidade para onde vim não é bem servida de transporte público)
Despesas acessórias: € 1.000,00
Total em Euros: € 13.000,00
Total em Reais (€ 1 = R$ 4,00): R$ 52.000,00

Total Planejado em Reais: +- R$ 60.000,00

Eu já tinha esse valor na tal poupança de imigração e uma parte já em Euros na conta do N26 na Alemanha. Como enviei um valor considerável com câmbio à 3 e pouco, consegui fazer uma média e o custo dos Euros enviados para a Europa ainda ficou em torno de R$4/€1.

Os Bancos Europeus: N26 e Leupay

Voltando um bocadinho no tempo, mesmo antes de saber para onde iríamos nos mudar, decidi que era viável abrir uma conta em Euro. Já tinha (e continuo tendo) uma conta em USD no Bank of America, mas por via das dúvidas decidi abrir essa conta no N26, da Alemanha, e ir enviando uns trocados.

Abrir a conta no N26 foi extremamente simples, ele é um banco com sede na Alemanha porém é tipo o Inter, 100% digital. Preenchi uma ficha de cadastro, fiz uma validação de identidade utilizando meu passaporte brasileiro por video conferência pelo celular (em inglês) e alguns dias depois o cartão de débito chegou no meu endereço em Portugal. Para abrir a conta é necessário ter um endereço na Europa, como não gosto de pedir favores decidi por usar um redirecionador de correspondência chamado Clevvermail, essa empresa "aluga" endereços ao redor do mundo, decidi pegar o meu em Lisboa. Quer ter um escritório em Hong Kong? Seus problemas acabaram, alugue um endereço lá! Após mais alguns dias a Clevvermail enviou o cartão ao Brasil, a título de curiosidade essa intermediação me custou a bagatela de R$ 178,00.

Após isso utilizei a Transferwise para enviar os recursos à Alemanha. Impressionante como o sistema bancário evoluiu rapidamente nos últimos anos, lembro-me que uns 2 anos atrás precisei fechar minha conta no Banco do Brasil Americas (não recomendo) e para isso precisava enviar coisa de USD 30 para lá. A maneira mais barata que achei foi fazer duas contas do Paypal e mandar de uma para outra através de pagamento com cartão, no frigir dos ovos esses USD 30 deve ter me custado uns R$ 200... Hoje em dia Transferwise, Remessa On Line e os N26 da vida facilitaram e baratiaram absurdamente as transferências de recursos.

Então um pouco antes de vir para Portugal descobri o tal do LeuPay, que é um banco tipo suco do Chaves: é de Malta, pertence à um grupo Inglês mas na verdade é sediado em Luxemburgo (não necessariamente nessa mesma ordem). Basicamente é a mesma coisa do N26 com a vantagem de não precisar ter endereço europeu (eles mandam os cartões para o Brasil sem custo mas demora uma eternidade porque deve fazer escala na lua), conseguir fazer a validação por conferência em português (fiz em inglês mesmo porque na hora que consegui ligar não havia atendente em português) e ter uma só conta vinculada em USD e €. Abri essa conta mais como back-up mesmo porém acabei enviando dinheiro para ela um dia antes do embarque porque recebi o cartão muito em cima da hora.

ATENÇÃO: parece que o N26 está dificultando a abertura de contas com o uso de redirecionadores como o Clevvermail, mas não sei se isso procede. Até a data dessa postagem não tenho informações sobre problemas com o LeuPay.

Para mais informações sobre o assunto abertura de conta no exterior e coisas relacionadas recomendo a leitura do site do nosso amigo Viver de Dividendos.

Uma vez que todas as despesas no Brasil inerentes à imigração estivessem pagas o caminho natural seria enviar todo o restante para a Europa, porém decidi por não fazer isso. Cheguei em Portugal com cerca de € 5.000,00 entre a conta no N26 e Leupay, a ideia era enviar o restante após abrir uma conta em Portugal mesmo. E assim o foi, ao chegar uma das primeiras coisas que fiz foi abrir uma conta no banco digital e sem tarifas daqui, o ActivoBank (fala-se ativo e não "aquitivo"), transferi o saldo do N26 e do LeuPay para lá e as demais transferências tem sido feitas para essa conta. Entretanto não transferi todo o resto, fiquei "esperando o Euro cair", o que obviamente não aconteceu e tomei no cu, mas faz parte...

No fim das contas gastei com todo o processo de imigração "apenas" cerca R$ 45.000,00 (sem contar o custo da cidadania), ficou uma quirela lá no Brasil que estou mandando aos poucos. Já que Bia e eu estamos empregados e nosso salário é mais que suficiente para nos manter e ainda sobra uns cêntimos decidi continuar enviando mensalmente um pouco de dinheiro com o objetivo de formar um crédito, mas isso é assunto para outro dia...

Resumi o máximo possível para essa postagem não ficar cansativa, se ficou alguma dúvida, coloque nos comentário que tentarei esclarecer. Abraço a todos!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O Apartamento Micado - Season Finale

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Hoje vou dar um tempo nas postagens sobre Portugal, mudar completamente de assunto e falar um pouquinho sobre o meu imóvel micado, para entender melhor veja os links:

Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?
Updates do Apartamento Micado

Mas se você não tiver paciência de ler, vou dar um resumão. Peguei um apartamento para facilitar um negócio porém esse imóvel era micado, planta ruim, localização meia boca, enfim, uma bosta. Logo que o peguei consegui aluga-lo muito bem, o que me deixou super feliz afinal era um excelente contrato, até que o inquilino saiu... O apartamento ficou vago durante uns meses até que aluguei por um valor somente razoável, dei graças a Deus porque ao menos parei de ter despesas de vacância.

Esse episódio serviu para me abrir os olhos e percebi que não tenho muito estômago para lidar com um dos principais problemas de quem tem imóveis de locação: a vacância. Até então não havia passado por isso, os outros aparatamentos que tenho estão todos alugados e quando um inquilino saiu, praticamente outro entrou no mesmo dia, pagando valores interessantes o que me proporciona um retorno muito bom. Isso me fez repensar a estratégia...

Bom, o apartamento estava alugado porém estava rolando o segundo principal problema de quem tem imóvel de locação: inadimplência. Não inadimplência propriamente dita, mas o inquilino estava pagando todos os meses com atraso. Mal sinal. Estava apenas Ok com a situação, não estava confortável, na verdade estava chateado por ter problemas frequentes com esse imóvel.

Durante a fase de vacância anunciei o imóvel para aluguel ou venda e como de costume vários corretores ligaram querendo trabalhar o bendito. Claro que deixei, sou das pessoas que não se importam em pagar comissão, assessorias, serviços... Acredito que certos trabalhos por mais simples que pareçam e por mais que você acredite ser capaz de fazer sozinho, serão muito melhor realizados por um profissional. Um desses corretores em especial, vou chama-lo de Pedro, demonstrou mais energia nesse trabalho, levou umas três pessoas para visitar porém acabou não dando certo, aluguei por conta própria e a coisa seguiu.

Então um belo de um dia estava eu na fila da padaria quando recebo uma mensagem de voz de Pedro, dizendo que tinha um cliente interessado na compra do apartamento e perguntando se ainda estava interessado em vende-lo. Disse que sim porém o imóvel estava alugado. Pedro se prontificou a fazer todo o trâmite, inclusive de negociar a visita com meu inquilino.

Resumindo a conversa: o apartamento foi vendido, amarguei um prejuízo de cerca de R$ 50.000,00 porém soquei a grana num CDB e estou feliz da vida. Tive prejuízo sim, mas tirei um peso enorme da minha cabeça, pelo menos agora sei que ao menos o dinheiro está rendendo um cadim nesse CDB. No fim das contas o tal apartamento foi um excelente negócio, nem tanto do ponto de vista financeiro e sim do ponto de vista de aprendizagem.

Na média durante o período que fiquei com ele me rendeu 0,5% o que é uma bosta porém é alguma coisa. Tomei no forevis com uma bela grana mas aprendi a ter mais cautela e não sair fazendo qualquer coisa pra facilitar um negócio. Nem tudo são flores na vida, as vezes ganhamos, as vezes perdemos, sou grato por ter ganho muito mais que perdido.

Não sou hipócrita para dizer que continuo apaixonado pelo investimento em imóveis físicos, ainda mais agora que estou fora do Brasil e qualquer problema desses será um tormento para resolver, tanto é que estou negociando a venda de um dos apartamentos para o próprio inquilino, se o negócio sair minha exposição à esse tipo de investimento desabará mais ainda, o que é muito bom.

Ainda não sei o que farei com esse dinheiro, por isso deixei num CDB diário. Algumas ideias são usar na compra de um apartamento para moradia aqui em Portugal (assunto para outro post), entrar como sócio investidor em algum negócio no Brasil (também outro post específico no futuro) ou tacar tudo no TD mesmo. Aceito sugestões.

É isso, esse é o capítulo final dessa novelinha, se bem que pode ocorrer um remake em breve quando eu disser no que usei o dinheiro. Abraço a todos, boa semana!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sugira um Tema

Esse post será fixo no blog, use os comentários para sugerir temas para os próximos posts.

Conforme for aceitando e escrevendo os temas, os comentários serão apagados para não poluir o post. Comentários fora do contexto "sugestões" também serão apagados.

Portugal: Legalização e o Porquê de Portugal

Passaporto rosso, la chiave del mondo
É impressionante o poder de certas coisas. Reza a lenda que em algum lugar do mundo existe um botão vermelho que se acionado provocaria o fim do mundo com uma grande explosão atômica. Uma camisinha, simples objeto de borracha e que custa alguns centavos (centavos no Brasil porque no resto do mundo camisinha é um trem caro pra cacete) pode literalmente salvar sua vida, seja prevenindo de pegar uma doença sinistra ou engravidando uma doida qualquer que irá sugar seus rins no tribunal. Um livrinho de capa vermelha emitido pelo governo da Itália é um desses objetos que possuem super poderes. Hoje vou falar um pouco sobre a saga da cidadania italiana.

Desde criança ouvi do meu pai e familiares que "somos descendentes de italiano", que "seu bisavô veio da Itália ainda criança". As frequentes discussões entre os familiares, os tios que não se falam à décadas, a gritaria e abraços chorosos nas poucas reuniões na casa do meu avô, o pão caseiro da minha avó... tudo isso eram sinais que confirmavam a ascendência. Quando a ideia de sair do Brasil começou a brotar na cabeça, a primeira coisa que fiz foi correr atrás da possibilidade de "tirar" a cidadania italiana, coisa que aparentemente me permitiria muita coisa. Naquele momento não sabia que na verdade não se "tira" cidadania italiana, se "reconhece", porque pelo princípio jus sanguinis que rege a cidadania italiana, todo filho de italiano é também italiano, só precisa comprovar isso. Então meu avô é italiano por ser filho do meu bisavô que efetivamente nasceu na Itália, meu pai o é por ser filho do meu avô e assim por diante... Também não sabia do poder que a cidadania italiana possui, mas aos poucos fui descobrindo. Além de morar legalmente em qualquer país da União Européia eu poderia ainda morar nos Estados Unidos através do visto de investidor E2 que requer um investimento relativamente baixo, se tivesse menos de 30 anos poderia morar na Austrália através de um visto de trabalho temporário, e por aí vai...

Não vou me estender muito no assunto cidadania porque há muito material na internet mas basicamente para se reconhecer a cidadania italiana é necessário reunir as certidões de nascimento/casamento/óbito que comprovem a ascendência, ou seja, tive que juntar as certidões desde as minhas até as do meu bisavô italiano. Depois disso há dois caminhos: você dá entrada no processo no consulado da Itália de sua jurisdição e espera pelo menos 10 anos ou vai à Itália, estabelece residência e abre o processo na prefeitura da cidade (comune) que está morando, nesse caso demora cerca de 6 meses.

A coleta das certidões foram relativamente fácil, fui nos cartórios, paguei e consegui todas as certidões brasileiras, tive sorte por saber onde meus antepassados viveram e fui direto à essas cidades. Não houve problema algum, impedimento algum, achei todas as certidões tranquilamente. Entretanto faltava apenas um "detalhe": a certidão de nascimento italiana do meu bisavô. Onde encontrar saporra?! A Itália é um país grande e as informações que tive na família sobre a origem do antenato (meu bisavô) eram desencontradas, diziam que ele era de diversas regiões, de norte a sul do país passando inclusive pela Sicília. A coisa travou aí, foi nessa época que eu estava pensando em ir para os EUA com L1 e acabei deixando isso de lado, até comentei aqui no blog que tinha direito à cidadania européia mas meu caso era um desses "impossíveis".

Realmente seria impossível, mas Bia um dia fuçando no Facebook achou uma comunidade sobre o assunto e acabou se deparando com uma pessoa que fazia busca de certidões na Itália. A pessoa cobrava 500 euros para usar a bola de cristal, achar a certidão e enviar ao Brasil.


Como costumo dizer, problema que pode ser resolvido com dinheiro não é problema. Paguei os 500tão e 2 meses depois a certidão estava na minha caixa do correio.

Agora eu tinha todos os papéis que precisava, mas a vida estava correndo, tocando os negócios e perdido no que fazer da vida, acabei deixando tudo dentro de uma pasta verde e vermelha numa gaveta. Tinha a certeza que iria correr atrás disso mas naquele momento não ia rolar. O tempo passou, acabei negociando um desconto na assessoria para o processo na Itália, consegui uma passagem baratíssima para Milão e fui fazer meu processo...

(nesse meio de tempo tive que tirar novas vias das certidões brasileiras, traduzir, apostilar, enfim, houve um grande processo, estou resumindo tudo aqui)

Cheguei na Itália, a assessoria cumpriu o que prometeu (ainda bem porque o máximo que sei em Italiano é contar até dez, sinistra, destra, va bene, prego, grazie, catzo e porca madonna), estabeleci minha residência, dei entrada nos papéis, assinei um monte de coisa que pediram, fiquei alguns dias turistando na Europa e voltei ao Brasil. Deixei uma procuração para a finalização do processo. Alguns meses depois o escritório me liga dizendo: Corey, você é cidadão italiano! O processo tinha acabado. Dei entrada no meu passaporte italiano no consulado de São Paulo, Bia e eu choramos de emoção ao receber o danado em casa, a gente sabia que aquele objeto mudaria nossas vidas.

O processo todo custou exatos R$ 17.221,62 dinheiro esse que considero um investimento.

E por que Portugal e não a Itália, Inglaterra ou outro país da Europa?

Simples. Itália era fora de cogitação porque nem Bia nem eu falamos italiano (sei que tenho obrigação moral de aprender italiano, mas esse é um compromisso que ainda estou em falta), até pensamos na Inglaterra porém teríamos problemas para entrar com o cachorro e além disso acredito que não teríamos a mesma qualidade de vida que temos aqui em Portugal, embora ainda não descartamos ir para lá antes do possível Brexit, o problema do cachorro (deve ter documentação européia para entrar no UK)  já foi resolvido.

Então na verdade a questão não é porquê de não termos escolhido outro país "mais desenvolvido" e sim os porquês de termos escolhido Portugal. A resposta clara e objetiva é uma só: QUALIDADE DE VIDA. A gente saiu do Brasil, daquela loucura e balburdia, e vir para Portugal é quase um sabático de tudo isso. Qualidade de vida se traduz por muitas coisas: baixo custo de vida, salários compatíveis com despesas, pouco trânsito, pouca poluição, muito verde, tranquilidade, silêncio, facilidade com idioma, etc. Até agora a decisão tem sido muito acertada. Portugal não é perfeito, tem problemas, nem tudo são flores, mas é um país equilibrado. Equilíbrio resume praticamente tudo nesse país.

Bom, é isso, agora já sabem como me legalizei e o motivo principal para ter escolhido Portugal. Nos vemos nos próximos capítulos.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Portugal, o Paraíso na Terra?

Daqui em diante escreverei bastante sobre a odisseia que é mudar de país, mas antes de mais nada decidi escrever esse post para deixar algumas coisas bem claras.

Quando você está em busca de informações para imigrar se depara com todo tipo de coisa, normalmente as informações sobre um mesmo tópico são completamente opostas e a tendência é que as pessoas tomem partido pelo lado otimista ou pelo lado pessimista, são raros os relatos equilibrados.

Exemplo 1: Emprego em Portugal.

Experiência do João: "não existe trabalho em Portugal, e quando você consegue será explorado pelo patrão, trabalhará 18 horas por dia pra fazer serviço braçal e sequer vai receber salário. Um advogado não ganha nem 1000 euros, médicos ganham 1500..."

Experiência da Maria: "há trabalho em todo lado, se você escorregar na frente de um restaurante consegue emprego ao menos de lava pratos, e o salário nem é tão ruim. Se você conciliar com outro trabalho consegue fácil tirar 1000 euros por mês".

Experiência do Corey: "após uma semana que chegamos em Portugal Bia já tinha 2 propostas de emprego, eu consegui proposta de emprego até do vendedor do meu carro, fiz 3 entrevistas e fui chamada para as 3, acabei escolhendo aquela que deixa os finais de semana livres."

Perceba que nesse caso João é o pessimista, Maria é otimista e o meu relato ficou mais para o otimista (sim, o relato é real, detalharei mais no futuro).

Exemplo 2: Custo de Vida em Portugal

Experiência do João: "impossível um casal viver com menos de 2 mil euros por mês, gasolina é muito cara, há pedágios até pra ir na esquina, carne bovina é um absurdo de caro, carros são caros, pago 900 euros de aluguel no meu T0 em Cascais, enfim, tudo é caro!"

Experiência da Maria: "nossa, é de graça viver em Portugal, com 100 euros você faz mercado para um casal e ainda consegue comer umas besteiras, meu marido e eu pagamos apenas 150 euros no aluguel de um quarto aqui no Algarve (com despesas incluídas), dá pra sobrar muito dinheiro.

Experiência do Corey: "não é tão barato viver em Portugal como muitos dizem, gasolina é cara, há pedágios em quase todas as rodovias, a carne bovina é mais cara (nem tanto) porém porco, peru e peixes são muito baratos e de qualidade. Moro numa cidade no interior, pago 400 euros num excelente T1 na zona nobre da cidade. Pra quem tem filhos e paga escola e plano de saúde no Brasil, aí sim aqui é praticamente de graça"

Agora fiquei para o lado pessimista do grupo porém percebam que ponderei o porquê disso (a carne é questão de hábitos de consumo, o aluguel é questão de região onde se escolhe para morar e o custo de vida geral é relativo ao padrão que a pessoa tinha no Brasil).

Vejam que tudo é questão de ponto de vista e não podemos usar nossa realidade como verdade absoluta. João provavelmente quer trabalhar na sua área, afinal tocou no assunto serviço braçal, mora em Cascais que é uma cidade praiana das mais caras do país, quer continuar comendo carne vermelha todos os dias, não está disposto à mudar hábitos.

Maria, por outro lado, parece deslumbrada e disposta à sacrifícios pra fazer a vida girar. Não se importa pelo tipo de trabalho que irá fazer, mora num quarto e provavelmente tem uma alimentação bem simples. Tudo ela vê pelo lado otimista da coisa.

E aí tem eu, que vou tentar de qualquer maneira ser o mais imparcial possível, elogiando quando necessário e descendo o cacete se for preciso. Não quero que o leitor pense que estou deslumbrado por agora ser europeu (!?) e também não quero que pensem que estou desdenhando do país que escolhi para viver. A verdade é uma só, não existe paraíso na terra, nenhum lugar é perfeito assim como nenhum lugar é um completo lixo, nem o Brasil. Vou passar  minhas experiências sempre contextualizando mas tenho certeza absoluta que muitos virão descer a lenha me acusando de ser puxa saco do Brasil/Portugal, se desdenhar o Brasil/Portugal, de ter esquerdado ou de ter endireitado. Enfim, sabemos como vai o nível de interpretação das pessoas e ao tratar de um assunto que exige mais de 2 neurônios para ser compreendido pode bugar o cérebro de muita gente que sairá vomitando merda nos comentários, é justamente isso que pretendo minimizar com esse post explicativo.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Imigrar para Portugal

No último capítulo da novela "Grande Projeto em Andamento", Corey revelou a decisão de imigrar para os EUA, veja hoje a reviravolta...

E aí amiguinhos, como estão? Passaram bem o fim de semana? Espero que sim! Sexta paramos a história da minha imigração no ponto de decisão sobre qual visto usar e para qual região dos EUA Bia e eu iríamos. E o escolhido foi...

INTERIOR DE PORTUGAL!!!

Sim amiguinhos, assim como uma boa novela mexicana dos anos 90, minha imigração teve uma grande reviravolta e tomou um rumo "surpreendente" (nem tanto, rs).

Pessoal pescou as dicas que dei no penúltimo post e peço desculpas por ter confundido a todos com a história dos EUA mas não é mentira, nós realmente iríamos nos mudar para os EUA, porém após muitas conversas, contas e pesquisas decidimos que os EUA não seria a melhor opção para nós, ao menos não nesse momento de nossas vidas. E aqui vai uma explicação resumida:

Em primeiro lugar temos a questão imigratória. Estou numa fase da vida onde não faz sentido fazer as coisas na orelhada e de maneira totalmente inconsequente (um pouco de loucura é saudável e necessário porém nem tanto). Logo ir para os EUA com visto de turista e ficar preso no país estaria fora de cogitação. Também não estamos com saco para encarar estudos e sacrifícios extremos, o que seria necessário para manter o visto de estudante, então essa opção também não seria interessante. O visto L1 então nem se fala, não quero arriscar todo meu patrimônio em uma só coisa que é totalmente incerta, nem pensar. Surgiu uma outra alternativa que não é de todo ruim porém também concluímos que agora não seria a hora (talvez num futuro), essa alternativa será detalhada num post futuro.

Ok, a vida de imigrante "fora de status" (qualquer um que trabalhe sem autorização de trabalho) não é tão ruim como alguns pregam, é plenamente possível trabalhar sem documentos ter uma vida tranquila porém cheguei à um ponto na vida onde isso me apela cada vez menos. Sem contar na trambicagem que isso provoca. Para trabalhar como Uber em Boston, por exemplo, você deve tirar sua carteira de motorista na Flórida (porque a de Massachusetts não é aceita pela plataforma), aí para você ter essa carteira deve estabelecer residência na Flórida, então você paga alguém pra fazer isso pra você, pega um avião, desce pra Miami e 500 dólares e 3 dias depois você tem sua DL da Flórida. Ou então você usa a conta de um outro motorista, pagando por isso, claro. Enfim, é muita trambicagem e cheguei à um ponto da vida que não tolero muito isso (por outro lado me arrependo de não ter sido mais trambiqueiro no Brasil, assunto para outro dia).

Não vou mentir, Bia e eu temos muita vontade de morar nos EUA e Portugal acabou sendo o plano B, a segunda opção mesmo, porém tudo está indo muito bem para nós, de tal maneira que até me envergonho de ter tratado Portugal como "quebra galho". A decisão de vir para Portugal foi totalmente racional dentro de um contexto totalmente emocional que é a mudança de país, o simples fato de conseguir legalização de maneira muito fácil já é mais de 50% do peso da decisão.

Vamos voltar um pouquinho e entender um pouco dos porquês que nos fizeram tomar a decisão de imigrar:


Como alguns devem se lembrar Bia e eu estávamos numa fase bem legal no Brasil: independência financeira conquistada, bons retornos de investimentos, eu estava trabalhando na minha área de formação, tendo uma rápida promoção de carreira e muito feliz com esse trabalho. Porém como contei tempos atrás não achava que o plano de imigrar estava morto, acreditava apenas que estava adormecido até chegar um momento mais oportuno, afinal estava tudo muito bom no Brasil e pensando bem não havia motivos pra tal mudança radical senão loucura mesmo, embora Bia não estava 100% contente com o trabalho como eu estava, chegamos numa situação bem confortável do ponto de vista não só financeiro mas também e principalmente em relação à nossas vidas pessoais. O momento oportuno parecia um tanto longe, até...
 
Bem amiguinhos, como todos nós sabemos a situação de segurança pública do Brasil passou do ponto de absurda, todos temos histórias tristes para contar de crimes bizarros em nossas famílias ou entre amigos. Infelizmente e mais uma vez isso aconteceu perto da gente, perdi uma pessoa meio que próxima numa situação grotesca. Foi algo muito pesado, nem tinha muito contato direto com a pessoa mas o fato é que me abati muito com essa perda. O momento oportuno de emigrar estava ali, não poderia ser o próximo, ao menos seria possível tirar o que já de mais precioso na minha vida daquele inferno, e assim Bia e eu decidimos finalmente pôr nossos planos em prática. Um monte de gente está fazendo loucura, saindo do Brasil de maneira fugida, com pouco dinheiro, indo sem documentos, somente com a esperança de conseguir algo melhor. Minha situação era extremamente mais confortável: dinheiro mais que suficiente, possibilidade de legalização, então não havia mais desculpas para continuar sofrendo as mazelas no Brasil.

O ser humano não aprende, em 2010 passei um puta sufoco (que nunca contei mais vou contar em breve) que me fez repensar toda minha vida e devido à isso consegui equilibrar minha vida e atingir a independência financeira poucos anos depois. Foi preciso passar por problemas de saúde relacionados à vida de empreendedor, quase infartar com 30 e poucos anos para criar vergonha na cara e parar com o “crime”. Mais uma vez foi preciso tomar um susto para enfim colocar um sonho em prática e mudar de vida... Ok, não sou tão sábio quanto gostaria de ser mas estou tentando melhorar a cada dia, pode ter demorado, mas está tudo muito caprichado.

Tenho muita, mas muita coisa mesmo pra contar sobre minha mudança para Portugal, farei algumas séries de posts para narrar a odisseia. Pretendo alternar os posts específicos sobre o assunto com outros mais genéricos para que o blog não vire um relato de viagem sem fim, porém mais uma vez repito que esse é um site pessoal e espelha minha vida, logo o assunto imigração será muito abordado daqui pra frente. Deixem nos comentários o que estão achando, grande abraço!

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