sábado, 21 de julho de 2018

Vídeos da Semana # 4 e Férias

Estou aproveitando uns dias de férias de verão na praia, porque this is the law entre os portugueses e estou fazendo o mesmo. Nos vemos em agosto, abraço!



Não sou só eu sismado com tantas lojas de colchão por aí...





quarta-feira, 18 de julho de 2018

Investimentos Julho/2018

Este post marca o retorno das postagens de divulgação dos investimentos. Quem é velho de blogosfera deve se lembrar que lá nos primórdios de 2012 quando houve o primeiro boom de criação dos blogs de finanças (o meu inclusive) praticamente todos os blogueiros divulgavam a carteira, incluindo o valor. Isso era quase sempre para poder participar do interessantíssimo Ranking do Pobretão, onde todos os meses nosso amigo Pobreta (que Deus o tenha, rsrs) narrava como ninguém a corrida do milhão. Bons tempos...

O tempo passou e muitos pararam com esse tipo de postagem, eu inclusive. O fato é que a divulgação de dados referentes à carteira é importante não só para matar a curiosidade da galera que acompanha os blogs mas também para manter a disciplina do blogueiro. Digo sem sombra de dúvidas que se eu tivesse continuado a divulgação mensal, mesmo sem os valores, eu teria muito, mas muito mais dinheiro hoje. Infelizmente me enfiei num gap tempos atrás onde simplesmente parei de acompanhar meus investimentos, o resultado foi desastroso. Mas isso tudo serviu de experiência e hoje estou aqui de volta com a divulgação.

Infelizmente não divulgarei valores, sei que muitos podem e ficarão decepcionados comigo mas a realidade é que não me sinto confortável com esse tipo de divulgação. Por isso divulgarei apenas métricas, porcentagens e gráficos que com certeza me serão úteis para acompanhar minha evolução como investidor e também para quem está na mesma trilha.

Algumas coisas são legais de serem expostas já agora:

1- Não possuo ainda investimentos em renda variável que não sejam FIIs, nada de ações, ETFs, fundos de ações, nada disso... Minha carteira é bem simples. O caminho natural é ter alguma sofisticação no futuro, mas isso é futuro.

2- Meus investimentos são totalmente focados em fluxo de caixa. Tenho uma parcela pequena de investimentos que não geram fluxo de caixa ou não possam gerar de alguma maneira (como CDBs diários que podem ser parcialmente sacados, "realizando" o lucro). No meu ver, ter trocentas ações XYZ que crescem 100% ao dia não faze muito sentido se você não realiza lucro de alguma forma, ou vendendo parte dos papéis ou recebendo dividendos.

Isto posto, vamos lá... começando pela distribuição da carteira:

Percebam que a % de participação de imóveis físicos na carteira é gigante, e já foi bem maior antes da venda do imóvel micado. Meu objetivo é diminuir cada vez mais essa participação, inclusive muito em breve teremos novidades nesse sentido. 

Gosto muito de imóveis físicos mas não sou imbecil ao ponto de não querer ver os inúmeros contras que esse tipo de investimento tem, infelizmente tenho que desapegar um pouco desse gosto porque imóveis físicos fazem cada vez menos sentido dentro do meu estilo de vida. Desde que cheguei em Portugal minha cabeça vem passando por um processo de amadurecimento e organização como nunca vi antes e isso faz parte do jogo. Aguarde um post futuro onde destrincharei mais minha antiga e atual estratégia com imóveis assim como o destino do dinheiro do aluguel.

Os CDBs são na sua maioria diários porém todos acima de 100% do CDI, alguns são CDBs menores com altas rentabilidades comprados através de corretora. A média da rentabilidade dos meus CDBs é em torno de 115%. Gosto de CDBs por não possuírem volatilidade de valores, serem práticos e no caso dos diários, poderem ser usados para fundo de emergência ou para pôr um dinheiro que ainda não se sabe ao certo o que fazer (como o dinheiro do apartamento micado).

Todos os títulos do tesouro que tenho em carteira são do tipo que distribuem proventos, novamente ter fluxo de caixa é importante pra mim, mesmo que a distribuição seja semestral e não mensal. Os proventos tem sido reinvestidos no próprio Tesouro normalmente no título com distribuição semestral mais atrativo no momento. Tenho aproximadamente 20% de pré-fixados e 80% de IPCA.

Vamos agora aos FIIs:

Essa é a distribuição dos papéis atualmente. Os proventos recebidos desse último mês foram 0,80% do valor investido. Valores esses alocados em NSLU, SDIL e MXRF.


Quero ver as discussões sobre a carteira de FIIs, tenho certeza que surgirá muita coisa interessante, gente que concorda com a distribuição, gente que discorda, dicas, etc. Fique a vontade para argumentar. Pretendo também ao longo de agosto fazer posts sobre cada FII, falando um pouco sobre os critérios de entrada e alocação, etc. Acho que essa volta às origens pode ser muito interessante à blogosfera.

Como disse, estou passando por um processo de amadurecimento geral e isso com certeza se reflete na minha carteira, muita coisa aí provavelmente vai mudar nos próximos meses e essa postagem servirá para acompanhar isso. Sei que minha carteira é boring e a divulgação sem números fica um pouco xôxa, mas é isso que tenho pra hoje.

Recebi várias sugestões de quais dados divulgar nessa postagem. Alguns serão implementados no próximo mês, tive pouco tempo para fazer essa postagem e tive que deixar algumas coisas de fora. Outras infelizmente não conseguirei atender ou porque pode levar à exposição do valor da carteira de alguma maneira ou porque simplesmente não sei como fazer. Tento manter tudo o mais simples possível na minha vida, logo não fico me preocupando com números que não terão utilidade.

No mais, aguardem mais posts sobre investimentos num futuro próximo, acredito que ninguém mais aguenta me ouvir falar sobre Portugal e como tirei Agosto como mês para organizar de vez meus investimentos, esse tema estará bem recorrente aqui no blog. Esse final de julho poderá ter menos postagens devido às férias de verão, Bia e eu teremos alguns dias (mesmo sem ter direito, por lei) e pretendemos queimar um pouco de gasolina pelas estradas da Europa. Abraço a todos!


domingo, 15 de julho de 2018

Meus Investimentos. O que Você quer Saber?

Essa semana faço o fechamento mensal dos meus investimentos e voltarei a fazer a divulgação aqui no blog. Apesar da divulgação de valores estar totalmente fora de questão, gostaria de saber de vocês quais métricas seria legal que eu divulgasse.

Pensei em fazer um gráfico com a % de distribuição dos ativos, outro para os FIIs da carteira e divulgar algumas % como rentabilidade da carteira, % dos rendimentos, etc. E o que mais seria legal? Me ajudem! Abraço!

Vídeos da Semana # 3






sexta-feira, 13 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 2

Continuando o post sobre carros em Portugal, hoje vou detalhar como foi o processo de compra.

Saindo dos combustíveis e voltando à minha busca pelo carro ideal: olhei vários carros de particular, sendo que a maioria deles foi de roleiros de carro, você sabe, a segunda profissão mais antiga do mundo. Olhei "viaturas" à diesel e gasolina, um dos vendedores era o próprio estereótipo de negociante picareta: terno de cor escandalosa, falando pelos cotovelos e teve a cara de pau de aumentar € 100,00 no preço do carro, sim é isso mesmo que você leu, eu barganhei e ele veio com uma história que na verdade o preço do carro era "a partir" de € 2.000,00 mas que na verdade era € 2.100,00. Desnecessário dizer que não comprei.

Por fim achei um carrinho aparentemente muito bom, um hatch pequeno europeu, 2003, à gasolina, com 150.000 km por € 1.350,00, barganhei e esse sim abaixou € 100,00. Fechamos em € 1.250,00. Assim como meu carro de R$ 12.000,00 acabei por pagar um pouco mais que a média (uns € 200,00 a mais) por acreditar que o carro estava em bom estado e devido à baixa quilometragem, que creio eu pela pouca experiência que tenho, ser verdadeira. Sim aqui também se volta o velocímetro. O vendedor me pareceu ser honesto e me disse o que havia de problemas no carro: o motor de arranque estava falhando e estava quase na hora de trocar óleo e filtros. Por outro lado a inspeção anual e o "selo" (imposto anual) estavam em dia e com um ano de validade então acabei achando que valeria a pena por ficar um ano sem se preocupar com isso.

A compra foi realizada em cash, porque afinal não é só no Brasil que se sonega um cadim e o vendedor pediu que fosse assim. Fomos até a loja para fazer a transferência e então o paguei lá dentro. O cara largou o envelope com dinheiro em cima da mesa e foi tomar café e conversar com um amigo, depois saiu com esse envelope na mão mesmo... coisas de Portugal.

Eu queria mesmo um diesel e um carrinho com ar condicionado (o meu não tem), porém os diesel nessa faixa de preço tinham dado umas 20 voltas ao redor da terra, sério, vi um Golf com 700.000 Km (SETECENTOS MIL QUILÔMETROS), então mesmo sabendo que os motores a diesel são muito mais duráveis preferi não arriscar num carro tão rodado, afinal, carro não é só motor. Outro fator é que naquela altura não sabia qual uso daria ao carro, se usaria muito ou pouco, então decidi arriscar e pegar esse, caso precisasse trocar o prejuízo seria menor. Poderia ter comprado também um a gasolina mais cansadinho por uns € 500,00 ou € 700,00 mas no fim das contas gostei muito desse, inclusive o modelo me atrai, andar com um carro que você gosta com certeza é mais legal.

Mas você deve estar se perguntando: Corey, seu orçamento não era € 3.000,00? Por que comprar um bem abaixo disso? Pelo mesmo motivo descrito acima: não sabia o uso que daria ao carro mas precisava ao menos ter uma condução, além disso € 3.000,00 não seria o suficiente para comprar um com a mesma Km, diesel e alguns luxos. Falando em luxo, o carrinho tem direção hidráulica, vidro elétrico, limpador e desembaçador traseiro e mais nada. O ar condicionado está fazendo um pouco de falta agora que o tempo está esquentando, mas como não há trânsito e nêgo vindo de assaltar no farol, não é tão essencial assim. Outra razão de ter abaixado o orçamento é a possível necessidade de comprar um segundo carro no inverno para a Bia.



Meu carro é muito econômico, creio que graças à gasolina de boa qualidade e com pouco álcool misturado, além do fato de rodar bastante em auto-estrada. Já atingi consumos de 20 Km/L mas nunca abaixo de 17 Km/L. Estava até pensando em troca-lo por outro à diesel ou GPL devido ao deslocamento diário ao trabalho ser grande, porém arranjei um sistema de "boléias" (carona) e agora só irei com meu carro uma semana no mês. Quando compra carro velho e começa à confiar nele, pensa-se 10x antes de troca-lo.

Vamos às despesas que tive com a compra do carro:

Valor pago pelo carro: € 1.250,00
Transferência de propriedade e novo documento: € 64,00
Seguro para 1 ano: € 80,00 (!!!)
Manutenção (troca de óleo e filtros, conserto do motor de arranque): € 85,00

Despesas anuais futuras:

Inspeção anual: € 31,08
Selo (imposto anual): € 36,38

  • A transferência é feita tanto na Loja do Cidadão (uma espécie de Poupatempo, pra quem é de São Paulo) ou por € 1,00 a mais pode ser feita nas lojas que vendem seguro ou despachantes. O vendedor e comprador assinam um papel simples, impresso no computador e o comprador sai com um documento provisório também impresso no computador. O documento original (livreto) chega por correio dias depois.
    Modelo do documento do carro
  • Fiz o seguro on-line pela seguradora ligada ao Jumbo (grande rede de mercados). É um seguro simples, contra terceiros, somente o obrigatório por lei. Custou € 80,00 para um ano e conversando com meus colegas de trabalho descobri que esse valor é absurdamente caro, acabei pagando "tudo" isso porque ainda não tinha carta portuguesa à altura da contratação nem histórico. Acredito que ano que vem esse valor pode cair para uns € 50,00. Uma curiosidade, se você cotar o seguro para um carro zero, de uns € 12.000,00 o valor será muito próximo, na pior das hipóteses não chegará à € 100,00. No momento da compra é enviado por email um documento provisório do seguro, após alguns dias recebe-se a "carta" verde que é o documento propriamente dito, escrito além de português, em francês e inglês. Somente com esse documento é permitido deixar o país.
  • Deve-se colocar os selos referente à inspeção e seguros no para-brisa do carro. Isso é obrigatório. Os tais selos são impressos junto com o documento da inspeção e a carta verde do seguro, você destaca e cola no para-brisa, as próprias seguradoras fornecem uma espécie de envelope de plástico para essa finalidade.
    Modelo de selos da inspeção e seguro
  • A inspeção e pagamento do selo só saberei como funciona em abril, quando chegar a vez de fazer do meu carro.
Bom, é isso. Dúvidas postem nos comentários. Abraço a todos!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Carro em Portugal - Parte 1

Comecei a escrever esse post e acabou ficando grande demais, então dividi em duas partes. A parte 2 sai na sexta (se conseguir editar a tempo). Hoje vou falar um pouco sobre os carros portugueses e na próxima parte o processo de compra do meu carrinho. Vamos lá...

Um dos meus sonhos é não ter carro, sério, mesmo sendo amante de carros, tendo conhecimento acima da média, admirando diversos modelos. Como já disse aqui no blog, carro à muito tempo deixou de ser algo que me atrai para ser somente aquilo que realmente é: uma ferramenta que te leva de A para B. Quando decidi mudar para a Europa, era praticamente certo que não precisaria comprar carro, afinal a imagem que temos é que a Europa inteira é bem servida de transporte público. Em partes...

Como vim parar no interior de Portugal o sonho de não ter carro não pôde ser realizado, o transporte público nas grandes cidades e entre cidades portuguesas é excelente porém aqui pro interior é praticamente inexistente. Aqui na minha região todo mundo tem carro e as ruas são preparadas para isso, há estacionamento a vontade, quase sempre grátis, até parece um pouco com o que acontece nos EUA. Engraçado que não há trânsito! Mais um ponto a favor da baixa concentração demográfica.

Então durante o planejamento para a mudança decidi provisionar uma grana para a compra de um carro, além disso aluguei um para o primeiro mês, peguei esse carro no aeroporto, um Fiat 500, paguei € 90,00 para 27 dias de aluguel por esse site.

Assim que cheguei e as caí dentro da casa, comecei a caça ao carro. Meu orçamento de € 3.000,00 me permitiria escolher um carro dentro de uma gama variadíssima, afinal aqui há carros para todos os gostos e bolsos. Sério, há muito mais opção que no Brasil, creio eu que mesmo sendo um país pequeno Portugal se beneficia por estar dentro da Europa e aproveitar a gama de opções dos outros países.

No momento que escrevia esse texto era possível comprar um Peugeot 96 por € 250
(ok, motor falhando, mas é um carro que anda) - clique na imagem para ampliar

Confesso que fiquei bem perdido e sem saber o que fazer, visitei "stands" (lojas de carros) e percebi que os velhinhos vendidos em lojas são quase sempre bem caros, coisa do dobro do preço praticado por particulares. Mesmo sendo caros a maioria não tem garantia, e se você deseja garantia deve pagar a parte, coisa de € 500,00 por 1 ano de garantia. Desanimei de loja e decidi arriscar e fazer aquilo que muitos podem achar loucura: procurar um carro de particular em anúncio de internet. Aqui em Portugal os principais sites de anúncios de carros são:


Comecei a fuçar todos os sites, filtrando pelos carros da minha região. Mesmo assim a escolha estava muito difícil devido à grande variedade de opções. Meu lado fan boy de carro ficava buzinando na orelha para comprar um carro "da hora", uma BMW ou Mercedes, mas ainda bem que a razão falou mais forte e fugi dessas buchas. Ok, você compra uma BMW por € 3.000,00 mas vamos ser francos, não será uma BOA BMW...

Combustíveis

Outro problema era o combustível. Ao contrário do Brasil, aqui há carros à diesel, sendo que pelo menos 60% são à diesel, calculo que 30% são à gasolina e os 10% restantes ficam com os à GPL (gás) e híbridos. Diesel sem dúvida é uma excelente opção porque custa mais barato que a gasolina e rende mais. Basicamente um carro que faz 17 Km/L de gasolina (€ 1,50/L) fará 25 Km/L se tiver um motor à diesel (€ 1,30/L), porém a manutenção do diesel é bem mais cara e eles possuem turbinas, filtros de partículas e outras complicações técnicas que podem ser sinônimos de dor de cabeça. Além disso um mesmo modelo à diesel custa até 3x mais caro que à gasolina, o que no frigir dos ovos pode sair mais caro dependendo do tipo de uso que você fará. 

Veja essa comparação, detalhe que o Corsa à diesel além de ser mais caro é também bem mais rodado (desculpe minha edição de imagens tosca feita no paint):



Carro à diesel tende à ser bem mais rodados que um similar à gasolina justamente pelo fato do combustível ser mais barato e render mais. 

Os carros à GPL (gás) também são bem populares e possuem uma vantagem em relação ao Brasil, como o step não é obrigatório, existem kits de gás cujo tanque vai no lugar do step, nesse caso você anda com um kit de reparo (spray com espuma vedante e um compressor que liga no acendedor de cigarros) e não perde espaço no porta-malas.

Interessante, não?
Há também outras diferenças entre o GNV brasileiro. O GPL é na verdade uma mistura de propano e butano, como o GLP (gás de cozinha) brasileiro, ao contrário do GNV que é metano (tá, eu sei, pura nerdice). O GNV é vendido no Brasil ao metro cúbico e tende a ter um rendimento por metro cúbico melhor que a gasolina por litro, por exemplo um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 20 Km/L de GNV. O GPL português é vendido por litro e tem rendimento inferior à gasolina, um carro que faz 17 Km/L de gasolina fará uns 14 Km/L de GPL. Entretanto o GPL custa menos da metade do preço da gasolina (hoje, € 0,60/L contra € 1,50 da gasolina ). Assim como nos EUA, aqui a maioria dos postos é self-service e inclusive o GPL é você que abastece usando uma válvula que somente agora está sendo padronizada para uso em toda Europa. Os bocais de abastecimento de GPL são sempre junto ao da gasolina, não havendo necessidade de abrir o capot do carro.

As desvantagens do GPL é pagar mais caro pela inspeção anual (não sei ao certo quanto mais caro), ser proibido de estacionar em alguns estacionamentos cobertos e ter que usar um "dístico", um adesivo que deve ser colado na traseira do carro

Que merda, heim?
Porém esse lance do dístico azul está mudando, os carros mais novos saem com um selo verde colado no para-brisa (esteticamente muito melhor) e a proibição do estacionamento coberto está sendo revista. Existem muitos carros zero vendidos com GPL, a Dacia (linha low cost da Renault: Sandero, Logan, Duster) e Opel (Chevrolet: Corsa, Astra, Zafira) oferecem quase toda a linha "bi-fuel" que é como chamam os GPL aqui.

Carros à GPL costuma custar nada ou pouco mais caros que seus semelhantes à gasolina porém as desvantagens estão na alta quilometragem e possíveis tormentos que um kit adaptado antigo pode causar. Esse foi o motivo de não optar por esse combustível num primeiro momento. Sou muito a favor desse combustível, tive carro GNV no Brasil e adorava, não tem nada das viadagens de perca absurda de potência e morte do motor como dizem...

A gasolina "simples" tem 95 octanas, para ter uma ideia, a octanagem da gasolina brasileira e americana é 87. Existe também gasolina 97 que é a mesma octanagem da podium brasileira, essa custa uns € 0,10 a mais. É possível encontrar gasóleo (diesel) e gasolinas aditivadas. O combustível mais barato costuma ser das "gasolineiras Jumbo", postos de combustível do mercado Jumbo, porém as outras redes como Repsol e Galp oferecem descontos de diversos tipos: fim de semana, associados à cartões de supermercado, etc. O bico de gasolina costuma ser sempre verde e o diesel preto, isso para não confundir as pessoas. A gasolina vendida em Portugal é uma das mais caras da Europa, abasteci na Espanha por € 0,15 a menos por litro, o cheiro da gasolina não é "gostoso" como no Brasil (completamente diferente) e é transparente, nada de gasolina amarelinha. A porcentagem de álcool é de no máximo 5%.

Na segunda parte, explico como foi a compra do meu carro, até lá...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Carro de R$ 12.000,00, Season Finale

Quem me acompanha deve se lembrar que de quase 3 anos para cá, mais precisamente até deixar o Brasil, eu estava usando um carro velho que paguei R$ 12.000,00. Hoje o post é sobre o desfecho do pau véio, incluindo o que todos adoram: números.

Para entender melhor como tudo começou leia esse post:

O Carro de R$ 12 mil

Para entender minha opinião atual sobre carros, leia estes:

Manual de Uso do Carro Velho
Carro (Revisited, versão 2017)

Um beater não precisa ser todo destruído, meu pau véio até que
estava bonito, melhor que esse da foto (aliás, seria essa foto
uma mensagem subliminar sobre o modelo do meu carro?)
Mas se você não quiser ler, vou resumir em duas linhas: em 2015 eu havia entrado num negócio e estava descapitalizado e sem carro, meu carro na época custava uns R$ 30.000,00 e entrou no rolo, fiquei só com a moto porém precisava de um carro. Ponderei se devia entrar num financiamento porém acabei optando por comprar um pau véio à vista. Me apaixonei pelo carro e virei advogado de carro velho. (ok, foram mais de duas linhas).

Bem, antes de vir para Portugal me desfiz de tudo, inclusive do meu amado "beater car". Posso dizer que além de ter sido um dos melhores carros que já tive (por diversos motivos), foi também um dos melhores negócios que já fiz, entenda o porquê com números.

Total rodado em aproximadamente 36 meses: 22.000 Km (600 Km/mês em média)

Preço pago pelo carro: R$ 12.000,00
Preço vendido: 24 x R$ 500,00 = R$ 12.000,00: vendi o carro fiado, somente pelo fio do bigode à um amigo, acabei ajudando o cara que estava sem grana e precisava de uma condução e conseguirei recuperar 100% (sem contar a inflação) do valor que paguei no carro.
Despesas com IPVA: R$ 0,00
Despesas com seguro: R$ 0,00

Esse carro me deu pouquíssima despesa de manutenção, lembre-se que sou daquelas pessoas que não tem muito carinho com carro, acredito que carro é pra usar e não pra lamber como cria. Não fico caçando defeito, não faço manutenções preventivas mirabolantes nem arrumo tudo o que quebra, portanto meu gasto tende a ser bem menor mesmo. Veja os números:

Manutenção preventiva:

Troca de óleo nº 1: R$ 80,00 (óleo e filtro)
Troca de óleo nº 2: R$ 93,00 (óleo e filtro)
Compra de óleo para reposição: R$ 40,00 (4 litros, carro velho queima óleo)
Lavagem: R$ 5,00 (lavei o carro (ou melhor, dei uma ducha grátis) uma única vez  porque estava muito sujo de lama por ter ido à um sítio, valorizei o trabalho do lavador do posto e dei R$ 5,00 de caixinha)

Manutenção corretiva:

Lanterna: R$ 15,00 (fiquei desesperado quando Bia navalhou e quebrou uma lanterna do carro, achei que jamais iria encontrar tal peça à venda já que importados dos anos 90 tem fama de não existir peça disponível no mercado, que nada, no primeiro desmanche achei uma lanterna compatível. Sorte?)
Mangueira: R$ 90,00 (uma mangueira de água furou e o motor virou um chafariz de água quente, sorte que aconteceu perto de casa, caso contrário a dor de cabeça seria certa)
Alternador: R$ 85,00 (precisei retificar o alternador que não estava carregando direito a bateria)
Ar Condicionado: R$ 90,00 (ao consertar o alternador o ar condicionado pifou por algum motivo, noventinha para arruma-lo, porém ficou tão gelado que parecia Boston em dezembro)
Espelho: R$ 9,00 (o vidro do espelho retrovisor do lado direito simplesmente caiu com o carro em movimento, como não achei pra comprar (óbvio), precisei mandar um vidraceiro cortar sob medida)
Vela: R$ 0,00 (uma das velas pifou, o mecânico substituiu gratuitamente por uma velha para eu "rodar até segunda feira". Andei mais uns 10.000 Km)

Total gasto com manutenções: R$ 507,00

Considero que as despesas que esse carro me deu foram bem baixas, ainda mais se você considerar que se trata de um carro "de luxo" importado dos anos 90, automático e com motor relativamente potente que fazia a média de 10km/L de gasolina comum (sou pé leve, os carros tendem à gastar pouco comigo, esse consumo despencava pra 7 quando a Bia dirigia). Talvez você não concorde e queria me convencer que proporcionalmente o carro me custou caro, que carro velho é imprevisível (concordo mais ou menos) ou usando qualquer outro argumento, ok, sem problemas. Não estou aqui pra convencer ninguém a andar de carro velho, só estou mostrando os números, blz?

Antes que me atirem pedras, o cara que comprou o carro é meu amigo e sabe exatamente a maneira que tratava o poisé, aliás entreguei o carro sujo e com o tanque na reserva. Ele está pagando certinho as prestações e acredito que não terei problemas com isso, vender um carro um ano e meio depois de compra-lo e perder somente a inflação é uma sensação muito boa, é a primeira vez que não introduzo uma quantidade enorme de dinheiro no orifício anal ao negociar um carro.

Continuo advogando pelo uso de pau véio e para vender meu argumento vou dar algumas razões:

1- Total desprendimento em relação à pequenos acidentes: carrinhos de mercado, batidas misteriosas que acontecem com o carro estacionado, raladas no trânsito, nada disso me preocupa. Se ralar vai ficar ralado, são cicatrizes que demonstram a experiência.

2- Segurança: questão importantíssima no Brasil, se você dirige um pau véio nem os vendedores de farol te enchem o saco, que dirá nêgo querer te roubar. Estar dentro de um carro velho dá mais sensação de segurança que num blindado.

3- Passar totalmente desapercebido: se você gosta de discrição, ter um carrinho velho é ótimo, as pessoas nem reparam em você e se repararem vão te ver como um quebrado, o que infelizmente é algo muito bom no Brasil.

4- Liberdade de manutenção: se você tem um carro zero, fica sempre preocupado em fazer as revisões overpriced da concessionária com medo de perder a garantia, carro velho você escolhe a frequência das revisões ou escolhe não fazer revisão alguma e andar até o carro desmanchar.

Aqui em Portugal também comprei um pau véio, o melhor que consegui encontrar por € 1.200,00 (post específico em breve), estou muito contente com o bichinho, é divertido de dirigir e continuo desapegado, inclusive já bateram uma vez nele enquanto estava no estacionamento da empresa e olha minha cara de preocupação:

"Aimm, encostaram no meu carro, vou agora no
martelinho de ouro"



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Trabalho em Portugal

Hoje vou falar sobre um tema que muitos estão curiosos: como Bia e eu arrumamos trabalho e como é trabalhar em Portugal. Vou dividir em duas partes, trabalho da Bia e meu trabalho, mas antes vou dar uma pincelada nas minhas primeiras impressões sobre trabalho assim que chegamos no país.

Nos primeiros dias que chegamos à cidade andamos muito a pé para desbravar e nos localizar geograficamente, nessas andanças vimos muitos comércios precisando de funcionários, plaquinhas de "precisa-se de empregado de mesa" estavam em quase todos os restaurantes. Era a preparação para o verão, onde aumenta o movimento nesses estabelecimentos.

No Mc Donald's percebemos que o papel que vem na bandeja na verdade era uma ficha de cadastro para emprego e que haviam diversos banners com referência à trabalho espalhados pela loja. Em todos os mercados de rede haviam placas referentes aos processos seletivos, nos grupos de Facebook da cidade pipocavam propostas de emprego dos mais variados: garçom, ajudante de cozinha, entregadores diversos, vendedores de loja, etc.

Nós não estávamos esperando arrumar trabalho rápido, tanto que havíamos programado algumas viagens curtas antes de começar a trabalhar, então deixamos passar todas essas oportunidades porém isso nos alegrou, seria Portugal tão ruim de trabalho como pintam?

Trabalho da Bia

No terceiro dia em Portugal, fomos numa "loja de chinês" (lojão popular, tipo 1,99) e conhecemos uma brasileira que lá trabalha. Papo vai papo vem, a brasileira perguntou se a Bia já tinha algum emprego em vista porque lá na loja estavam contratando e se caso ela quisesse poderia conversar com a gerente naquele momento mesmo. Bia ficou meio sem ação porque jamais esperava tal proposta, disse que ainda tinha que resolver a documentação, agradeceu e disse que se necessário voltaria para uma entrevista.

O fato de vir para uma cidade pequena fez com que nossa documentação saísse rápido, cerca de 40 dias já estávamos com tudo na mão e então decidimos que seria a hora de começar a procurar algum trabalho, afinal não sabíamos quanto tempo iria demorar para achar.

Bia decidiu fazer um teste e enviou um in-box para uma das propostas do Facebook, era um restaurante, vaga de "empregado de mesa" (garçom). No dia seguinte foi fazer uma entrevista e no outro dia faria um teste, chegou até a comprar roupa para trabalhar. Acontece que nesse mesmo dia da entrevista ela estava passeando aqui perto de casa quando decidiu entrar numa empresa do ramo de trabalho dela no Brasil, somente para conhecer. Como Bia é muito conversadeira, comentou que fazia aquele trabalho no Brasil, que tinha tanto tempo de experiência, blá, blá, blá... Saiu de lá contratada. Salário bom, de segunda à sexta, vai à pé (ou de carona, depende da unidade onde trabalha no dia).

Trabalho do Corey

Quando chegamos no país alugamos um carro por 30 dias, a ideia era comprar o nosso dentro desse tempo. Comecei à ver carros em lojas e anúncios de internet (post sobre carros num futuro próximo, onde contarei detalhadamente como foi a compra do carro). Um desses carros que fui ver era do dono de uma oficina mecânica, papo vai, papo vem, ele me perguntou se estava trabalhando, disse que ainda não e então me ofereceu emprego de auxiliar geral lá na oficina. Palavras dele: "não é o melhor emprego mas é um dinheiro que entra até arrumar algo melhor". Educadamente agradeci, disse que ainda ficaria uns dias sem trabalhar.

Após ter a documentação em mãos decidi que iria fazer um teste e me candidatar para alguma vaga aleatória. Achei o anúncio de uma agência de empregos que recrutava para uma fábrica numa cidade vizinha, fui lá, fiz o cadastro, no dia seguinte me ligaram marcando uma entrevista, fiz a entrevista, fui aprovado, fiz testes físicos, fui aprovado, fiz exame médico, fui aprovado... estou esperando me chamarem para começar a trabalhar até hoje... Engraçado que a empresa continua recrutando para a mesma vaga... Será que rolou algum tipo de preconceito por ser brasileiro? Nunca saberei!

Nesse meio tempo que aguardava a empresa chamar decidi fazer outro teste e enviei alguns currículos para empresas relativas à minha área de formação, tive duas respostas, uma agradeceu por email o envio do CV e disse que o quadro estava completo, a outra me chamou para uma entrevista. O entrevistador queria entender melhor como estava a minha situação de documentos no país, expliquei que estava legalmente, tinha todos os papéis necessários porém não tinha validado meu diploma ainda. Ele disse-me que embora possível me contratar sem diploma, isso economicamente não seria viável para a empresa (com razão) e me orientou como fazer a validação, fez algumas ligações para conseguir informações concretas e até me ofereceu um estágio não remunerado. Agradeci muito a ajuda e saí. Foi uma experiência muito útil para entender melhor como funciona minha categoria aqui em Portugal.

Então, de volta à estaca zero, mandei alguns CVs para anúncios da OLX, entre eles para uma empresa do setor industrial que, por intermédio de uma agência, me chamou para uma entrevista. A entrevista foi bem simples, sem aquelas frescuras de "onde você se vê em 5 anos?", "quais qualidades você tem para oferecer a empresa?", viram meus documentos, e disseram que ligariam em 2 dias, se não ligassem era porque não tinha sido aprovado. Ligaram na sexta, segunda estava trabalhando.

Detalhes

Desde que fui contratado outras empresas me ligaram ou mandaram email querendo marcar entrevistas, percebo que aqui o processo de recrutamento é meio moroso e esse talvez seja o motivo que vários anúncios destacam "entrada imediata". Acho que as empresas no geral não possuem pressa para contratação e vão fazendo banco de CVs ou coisa assim, acho que por isso demoram para entrar em contato.

Uma vez dentro da empresa percebo que eles cagam e andam para o fato de eu ser brasileiro. Obviamente eles percebem assim que começamos à falar mas em 99% dos casos eles continuam falando naturalmente. Um ou outro depois acaba perguntando quanto tempo estou em Portugal, o porquê de ter vindo, de qual "zona" do Brasil sou, etc. Mesmo aqui no interior o português médio está acostumado com imigrantes, esse negócio de tratar estrangeiro diferente é coisa de brasileiro.

Não notei preconceito algum pelo fato de ser brasileiro. O que acontece é que pelo fato de ser introvertido e a língua ser uma barreira (sim, isso acontece, como disse é bem difícil entender o português falando em ritmo normal, num ambiente com barulho) sinto mais dificuldade de socialização, porém imagino que dentro da mesma situação no Brasil, aconteceria a mesma coisa ou talvez até pior. Meu trabalho é bem diferente do que já fiz no Brasil, o tipo de pessoa que lá trabalha também é diferente do que estou acostumado à conviver, enfim...

Por outro lado, Bia que é extrovertida, já fez amizade com todos no trabalho. Outro dia saímos com colegas dela e foi bem divertido. O perfil de pessoas que trabalham com ela tem mais a ver com o que estamos acostumados, logo a interação é mais fácil.

Vale lembrar que nem Bia nem eu temos colegas de trabalho brasileiros, são todos portugueses.

Meu trabalho é por "dedo picado", ou seja, bato ponto certinho e tudo que passar da hora é pago certinho como extra. Por outro lado Bia fica um pouco à mercê das necessidades da empresa, muitas vezes fazendo mais horas que o combinado. Exploração? Penso que não, isso é inerente do ramo de atuação dela, por outro lado há parte da renda que é variável o que ajuda a compensar. Ainda não sabemos como serão os benefícios e os 13º e 14º salários, quando chegar lá contarei como funciona.

No meu caso as férias são picadas no decorrer do ano, então aquele lance de 30 dias corridos de férias que existe no Brasil aqui não funciona. A empresa tem um calendário de férias e coisas tipo emenda de feriado (que aqui tem muitos) conta como férias. Por outro lado ao fazer hora extra ganho também horas no banco de horas que posso negociar da maneira que for melhor, podendo muitas vezes juntar essas horas com dias de férias. Bia ainda não sabe como serão as férias dela.

Bem, basicamente é isso que tenho pra falar, se tiverem dúvidas postem nos comentários.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Comentando os Comentários do Post Anterior

No meu último post, sobre receitas e despesas de junho, surgiram vários comentários interessantes que gostaria de explanar melhor.

O fato de estar morando em Portugal fez com que aparecesse vários comentários comparativos, pessoas querendo me convencer que fiz mal negócio em ter vindo para Portugal invés da Irlanda ou Alemanha.

Neste post recente explico os porquês que me trouxeram à Portugal:

Portugal: Legalização e o Porquê de Portugal

Se você não leu, vou resumir aqui: Vim pra Portugal devido à qualidade de vida que o país pode me proporcionar. O conceito de "qualidade de vida" é muito subjetivo e totalmente pessoal. O que Portugal me oferece e que considero qualidade de vida?

1- Custo de vida compatível com a renda. Ganha-se mal em Portugal, isso é fato. Se comparar com outros países da Europa, Portugal é o que menos paga, porém o custo de vida é PROPORCIONAL ao que se ganha. Ok, o aluguel é caro e desproporcional, mas todo o resto é barato. Você tem ideia do que é ir num restaurante top e gastar € 20 o casal, incluindo vinho? Pagar € 1 na cerveja na balada? € 0,15 de estacionamento no shopping? Existem países onde o aluguel custa o mesmo que aqui e ganha-se mais? Claro que sim! O Brasil é um deles...

2- Idioma. Sou preguiçoso sim, não tenho a menor vontade de aprender idiomas exóticos como alemão ou mesmo o italiano (o qual tenho obrigação moral de saber). Morar em Portugal ajuda bastante nesse aspecto porém nem tanto como a maioria imagina. O Português-PT e Português-BR são MUITO diferentes, os portugueses nos entendem bem devido à forte influência cultural brasileira (metade do conteúdo da televisão aberta é produzido no Brasil, algumas rádios parecem mais Nova Brasil que outra coisa...), mas a gente entender o que eles falam é outros quinhentos. É dificílimo entender os portugueses falando, principalmente quando falam rápido e cheio de gírias. Digo categoricamente que entendo melhor o inglês norte-americano que o português-PT.

2.1. Ter o idioma próximo abre trocentas portas. Imagine que eu fosse morar em Berlin como um anônimo sugeriu. Teria que aprender alemão, o que pode levar anos na melhor das hipóteses, aí sim poderia ir atrás de uma vaga de trabalho. Quantos ANOS ficaria sem trabalhar, sem interagir na sociedade? E pra resolver os problemas do dia-a-dia, tirar documentos, ir ao médico, pedir comida no restaurante? Falar o idioma local é fundamental para viver bem na sociedade, isso é tão óbvio que me parece nem ser necessário explicar.

3- Segurança. Não tenho números mas a cidade mais perigosa de Portugal deve ter metade dos crimes per capita que a cidade mais pacífica no Brasil. E mesmo comparando com Europa, cidades grandes como Londres ou Dublin não são necessariamente exemplos de cidades seguras, possuem guetos, pessoas, digamos, estranhas... Aqui não há nada disso! Como o CF uma vez disse, o brasileiro médio é mais cascudo que o bandido português. Só estando aqui pra entender isso...

4- Ausência de trânsito e poluição, presença de áreas de lazer, parques e verde. Sai de São Paulo, não queria ter que conviver com trânsito e fuligem de carro, esse foi um dos motivos que me trouxe ao interior de Portugal.

Mas como disse nesse outro post, não estou aqui pra tecer elogios idiotas ao país, nenhum lugar é perfeito e Portugal está longe de ser, há coisas aqui que não gosto porém POR ENQUANTO o bônus superam o ônus.

Sempre tem alguém contestando minha possível independência financeira, como se eu estivesse mentindo sobre isso. Gente, vamos ser francos, porque caralhos eu, um anônimo de internet, mentiria sobre isso? O que ganharia com isso? Tenho sim independência financeira, o que nada mais significa que minha renda passiva é suficiente para cobrir meus gastos BÁSICOS, ou seja, sem extravagância, no BRASIL. Uma vez que imigrei o fator câmbio já fode com meus números e minha IF não quer dizer mais nada. Embora com a conversão atual eu tenha sim renda passiva suficiente para viver em Portugal, nada me garante que o Euro não bata 6 reais e me foda imensamente, por isso prefiro considerar que não tenho IF porra nenhuma (aqui na Europa).

Atingir a IF no Brasil me trouxe vários benefícios sendo que o melhor deles é psicológico e não financeiro, já disse mais de mil vezes que ter IF e parar de trabalhar não são necessariamente complementares, no meu caso não pretendo parar de trabalhar tão cedo. Porra, tenho trinta e poucos anos, já me sinto um inútil por estar fazendo um trabalho no-brainer, imagine se simplesmente parar e ficar o dia inteiro assistindo TV... Morro de depressão!

Mudar para um país onde o Real seja mais forte que a moeda local também não me parece grande negócio, morar na Argentina por exemplo, é uma coisa que não tenho a menor vontade. Se fosse morar em outro país da América do Sul sem ser o Brasil eu iria empreender no Paraguai, país acolhedor, cheio de oportunidades... Ah, mas Portugal é uma bosta, os portugueses vão morar na Alemanha e na França... Sim, da mesma maneira que o Brasil é uma bosta e os haitianos vão morar lá, do mesmo jeito que os EUA são uma bosta e os americanos vão morar nas Filipinas, do mesmo jeito que as Filipinas são uma bosta e os filipinos vão morar nos EUA (looping infinito).

Quem muda de país não pode faze-lo somente por um motivo: custo de vida ou qualidade de vida ou poder de compra ou clima ou idioma... Tem que colocar tudo isso na balança e ver o que pesa mais no atual momento da vida da família, muitas vezes a conclusão é que não se deve mudar e isso não tem nada de errado! Veja, se fosse solteiro, com vinte e poucos anos e nenhum patrimônio eu iria sem pensar duas vezes morar num quarto e trabalhar 18 horas por dia ilegalmente nos EUA. Se tivesse uns 60 anos e renda passiva gorda pensaria seriamente na hipótese de viver no Panamá ou algum país do Caribe... Não tenho uma corrente amarrada no meu pé e à nenhum país do mundo! Hoje Portugal está ótimo pra mim, se amanhã não estiver mais simplesmente pego a Bia, o cachorro e minhas 3 malas e me mando assim como fiz do Brasil.

Comparar países e experiências de vida, dizer que lugar X é melhor que Y porque o aluguel é mais barato ou porque há menos gatos vira-lata nas ruas é uma análise muito superficial, precisamos ter cuidado com esse tipo de coisa, não existe verdade absoluta, ainda mais quando o assunto é imigração. Como já disse aqui, vim preparado para o apocalipse do mercado de trabalho, sendo que me foi oferecido emprego na primeira semana que estava aqui e por fim estou ganhando acima do salário mínimo trabalhando de segunda à sexta o que muitos dizem ser impossível. Cada um tem uma experiência diferente, cada um quer uma coisa diferente da vida...

P.S. O post já estava escrito mas tenho um complemento pertinente. Hoje no trabalho um rapaz que começou essa semana me disse que entrou um brasileiro junto com ele. Segundo me disse o tal zuca morava na Alemanha e mudou-se pra Portugal porque "na Alemanha se ganha bem mas se paga tudo". Pra pensar...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Receitas e Despesas Junho/2018

A partir desse mês voltarei com as postagens de acompanhamento de receitas, despesas e investimentos. A de receitas e despesas sairão todo começo de mês e a de investimentos após o dia 16, que é quando faço o remanejo dos aluguéis dos FIIs. Sem muita enrolação, vamos lá:






























Junho foi um mês atípico, tive despesas altas que não devem (espero que não) se repetir nos próximos meses, destaque para a bolada de quase € 400 que gastei no dentista. Infelizmente a genética não me favoreceu (tampouco os quilos de antibióticos que tomei na infância) e meus dentes são zoados, é praticamente impossível passar mais de 6 meses sem algum tipo de intervenção, pra completar precisei de uma coroa, o que encareceu bastante. Vou fazer um post a respeito de dentistas em Portugal. Houve também uma despesa com manutenção regular do carro, compra de alguns artigos para o pet e despesas com a carta de condução da Bia (despesas essas que estão na categoria "outros"). Além disso tive uma paulada de gás para pagar, já que acumulou tudo desde que cheguei aqui e somente agora fui ter acesso à conta para pagar, paciência... O lazer também foi puxado porque fizemos alguns passeios e compramos ingressos para um show que iremos mês que vem, as despesas de lazer não devem diminuir, afinal é algo que queremos focar.

Esse foi o primeiro mês que Bia e eu recebemos nossos salários integrais, porém para julho devo receber um pouco mais referente à algumas horas extras que realizei. Devido às despesas altas não foi possível atingir o break-even, mas paciência...

Esse mês mandei € 1.500,00 do Brasil seguindo a estratégia de formar um bom colchão em Euros e estimular a formação de crédito, esse valor deve permanecer igual nos próximos 3 meses depois irei diminuir para € 1.000,00. É muito difícil tirar dinheiro do Brasil onde posso reinvestir e aumentar o bolo e mandar pra cá onde ficará parado na conta corrente ou rendendo 0,00000000000001% na poupança, ainda não sei como trabalhar isso... Aliás nem sei ao certo o que fazer com esse dinheiro que encontra-se parado na conta, provavelmente vou abrir outra conta e colocar esse excedente lá até decidir o que fazer. Ia colocar na poupança mas pra render nada e ainda por cima imobilizar esse dinheiro por meses acaba sendo preferível deixar numa conta corrente mesmo.

No geral estou tranquilo em relação à receitas e despesas.

domingo, 1 de julho de 2018

Vídeos da Semana #1


Os vídeos do Tavião costumam ser muito carregados de sentimento e profundidade, esse não é diferente.


Uma interessante visão sobre o Brasil de 1994 pelos olhos de alguém que, assim como eu, não curte futebol, vale a pena assistir.



sexta-feira, 29 de junho de 2018

Investimentos no Brasil

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Uma dúvida frequente que tenho recebido nos comentários é se mantive meus investimentos no Brasil e se tenho planos de Eurizar (exite essa palavra?) meus investimentos.

Vejo muita gente com o seguinte pensamento: "vou vender tudo que tenho no Brasil e me mandar para o exterior, não deixo 1 real no Brasil...". Sinceramente acho isso um erro. O Brasil é um lugar fantástico para se investir, ainda mais se você mora no exterior. Quer uma prova?

Quando abri minha conta no Activo Bank recebi um cartão que me dá o privilégio de investir entre € 3.000 e € 40.000 à maravilhosa taxa bruta de.... (tambores...) 0,6% AO ANO!!! É amigos, não há milagre, a vida em Portugal é tranquila, você financia um carro zero de € 12.500 em 24 meses e paga € 14.400 no final, compra um apartamento com juros de até 1% ao ano. Agora compare com os 0,4% da Poupança do Brasil...  Estás a entender?


Simulação rápida que fiz. € 12.500 é o preço de
um Ford Ka ou Sandero com kit dignidade
Ainda não parei para estudar renda fixa tampouco renda variável aqui na Europa, mas pelo pouco que sei, é tudo uma bosta quando comparado com o Brasil.

Por enquanto o plano é o seguinte: manter tudo do jeito que está no Brasil porém nos próximos 12 meses pretendo (e já estou fazendo) trazer para Portugal entre € 1.000 e € 1.500 por mês, dinheiro esse que será retirado dos aluguéis dos imóveis que tenho alugados, rendimento de FIIs e cupons de juros do Tesouro. Por que pretendo fazer isso já que Bia e eu temos emprego, recebemos em Euro e o dinheiro é mais que suficiente para nos mantermos? Vejam as razões:

1- Criar um colchão de segurança: Hoje tenho uns € 900 na conta e mais nada, meu colchão de segurança são os cartões de crédito brasileiros, se algo der errado tenho que me amparar neles. Até acredito que isso não seja má ideia porque a verdade verdadeira é que em anos nunca usei muito do colchão de segurança, razão essa que me faz pensar que vale o risco de ter que usar o cartão de crédito, pagar taxas grotescas de conversão mais IOF face à deixar um dinheiro parado num investimento de baixo rendimento e alta liquidez (porém tenho uma boa grana em CDBs diários, sou contraditório mesmo). Porém estou recomeçando minha vida aqui e ter um colchão de segurança é mais uma questão de alívio psicológico que outra coisa, trazer dinheiro do Brasil pode acelerar essa formação do colchão.

2- Criar crédito: hoje se quiser pegar R$ 100.000,00 emprestado no Brasil preciso apenas de alguns cliques, se for financiar um apartamento ou um carro, somente de algumas assinaturas. Aqui em Portugal nasci à alguns meses, foda-se que sou um bom pagador com boa renda no Brasil, aqui não sou porra nenhuma. Estou tendo problemas até para liberar um cartão de crédito com limite de € 500! Como é muito comum o português imigrar e mandar dinheiro pra terra natal, os bancos consideram transferências internacionais como renda, logo ter um boom de € 1.000 e € 1.500 por mês caindo na conta pode me ajudar à criar crédito.

Como sabem sou daqueles que não acredita em dívida boa e dívida ruim, na minha opinião dívida é coisa do demônio (o que nunca me impediu de fazer algumas dívidas controladas quando tinha as lojas, mas isso me tirava o sono mesmo tendo parcelas adiantadas em mais de mês). Acontece que aqui em Portugal os juros são baixos o que acaba me fazendo considerar minha opinião, e como também sabem prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, então posso mudar de ideia e querer comprar um carro novo ou financiar um apartamento. Pelo sim, pelo não acho uma boa ideia formar esse crédito e ter a opção no futuro de usa-lo ou não.

3- Internacionalização de investimentos. Com sobra de caixa aqui, posso começar a pesquisar e testar modalidades de investimentos, lembre-se que ao usar dinheiro proveniente do fluxo de caixa dos investimentos brasileiros não estarei usando capital, logo a vaca continua no curral brasileiro enquanto o leite é exportado para cá. É uma oportunidade de ter algum dinheiro investido fora do Brasil porém sem dilapidar patrimônio.

Ainda não sei como irei alocar esse dinheiro, já que aparentemente as opções mesmo na renda fixa de merda são engessadas. As poupanças funcionam como nossos CDBs, tem prazo para acabar, não pode tirar antes e paga IR, estou até pensando na atrocidade de abrir uma segunda conta corrente em outro banco e deixar a grana parada lá porque colocar numa poupança, engessar o dinheiro com prazos de retirada e ainda por cima não ganhar nada não parece boa ideia... Aceito sugestões, fiquem a vontade.

Muito provavelmente terei que criar vergonha na cara e aprender sobre ações, empurrei de barriga até agora mas acho que essa será a única alternativa para poder ter alguma rentabilidade. Se tratando de valores mais vultuosos um dos investimentos mais comuns aqui é o bom e velho aluguel de imóveis, que pode chegar a 5 e até mesmo 8% líquidos por ano, porém só penso em comprar um imóvel se for para moradia e possível arrendamento (aluguel) somente em caso de decidir fazer outra mudança de vida... Não sei, está tudo muito confuso na minha cabeça, tudo muito novo, muita informação para aprender... Não quero tomar decisões precipitadas...

É isso, resumindo meu patrimônio continuará no Brasil aproveitando a relativa super-rentabilidade da renda fixa brasileira enquanto parte dos rendimentos virará Euros que serão utilizados no futuro para algum investimento europeu ou vou comprar tudo de finos e francesinhas.


Bom fim de semana!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Minha Cabeça Vai Explodir!

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Se tem uma coisa que preciso mudar na minha vida é parar de pensar e ter ideias, minha cabeça sempre foi e continua sendo extremamente poluída de ideias, as vezes parece que vai explodir!

A vida inteira fui assim, quem acompanha o blog já percebeu que tenho várias ideias, mudo de ideia com facilidade, desisto das coisas relativamente fácil, deixo coisas em stand-by por anos, me decepciono, etc...

Essa característica nem sempre é negativa, o fato de mudar de ideia, desistir de coisas em cima da hora já irritou muita gente mas também já me tirou de roubadas, claro que há o efeito colateral, como o prejuízo (como a vez que enfiei R$ 7.000 no cu ao desistir de um negócio que havia dado sinal, 2 anos depois descobri que ia me meter numa furada imensa, assunto pra depois), mas no fim das contas ainda continuo preferindo agir dessa maneira. Se estou desconfortável, pulo fora, foda-se o que vão pensar de mim.

Acontece que pensar demais acaba poluindo minha cabeça e me causando imensa confusão, stress desnecessário, perca de sono, ansiedade, depressão... tudo isso sem razão ou motivo aparente, tudo é criado, cultivado e morto dentro da minha cabeça, é uma espécie de auto-destruição cerebral. Difícil de entender né? Vou tentar explicar melhor com um exemplo.

Desde que cheguei em Portugal já tive as seguintes ideias:

1- Mudar para uma cidade maior. Isso já era certo na minha cabeça, iríamos ficar aqui até a documentação ficar toda pronta e depois mudaríamos para Lisboa ou Porto.

2- Comprar um apartamento na cidade onde vivo. Nos apaixonamos pela cidade e decidimos que era aqui que iríamos fincar raízes, comecei a ver anúncios de apartamentos à venda.

3- Comprar um apartamento em Lisboa ou Porto. Porque há opções mais baratas e menores que na cidade onde vivemos, facilitando a compra a vista ou mesmo o financiamento.

4- Mudar para Londres. Aproveitar que ainda é possível (antes do brexit) e nos mudar para Londres, aprender inglês e ganhar em Libras (e morar à 3 horas de trem do trabalho pagando uma fortuna por uma kitnet)

5- Esperar nossos contratos de trabalho acabarem (6 meses) e fazer uma mega road trip de uns 3 ou 4 meses sem pressa pela Europa. Ideia boa da porra, ainda está em processamento...

6- Após a viagem pela Europa fazer o mesmo nos EUA.

7- Após a viagem dos EUA fazer o mesmo na América do Sul.

8- Idem Austrália

9- Formar um dream team com ex funcionários e parceiros, comprar lojas no Brasil e tocar aqui de Portugal, fazendo a parte administrativa e burocrática on-line, visitando as lojas a cada 3 meses. Parece loucura (e é) mas posso provar por A + B a viabilidade disso, ideia não descartada.

10- Somar 5, 6, 7, 8 e 9

11- Fazer validação do meu diploma e trabalhar na área

12- Fazer um mestrado

13- Foda-se o mestrado, fazer outra faculdade

14- Fodam-se os estudos, vou trabalhar no que me der mais qualidade de vida (em curso)

Estão entendendo onde quero chegar? Minha cabeça é uma máquina de pensamento aleatórios que piorou muito desde que cheguei em Portugal, penso eu pela experiência de sair da zona de conforto o que despertou o conceito que tudo que parece impossível pode sim ser realizado. Isso pode não parecer mas é um problema muito grave, já perdi uma caralhada de dinheiro e tempo por ser assim, sem foco.

Saio de manhã com uma ideia na cabeça, na hora do almoço já pensei outra coisa e a tarde ao checar as pesquisas que fiz no Google percebo que nada daquilo faz sentido.

Preciso urgentemente aprender a deixar as coisas fluírem, parar de me preocupar um pouco com o futuro além do próximo fim de semana, aproveitar melhor os momentos. Fazendo uma retrospectiva me lembro que um dos períodos mais felizes da minha vida foi quando fui morar junto com a Bia, nossa diversão de sábado à noite era comer cachorro quente em casa assistindo Super Nanny no SBT (obrigado Super Nanny por nos reafirmar a ideia de ser childfree), estava na faculdade, devendo até as hemorróidas, mas estava deixando a vida fluir, sem me preocupar muito com o futuro. Hoje não tenho dívidas, tenho patrimônio, renda passiva suficiente para me manter, vivo na Europa, estou empregado, acabei de comer camarão e mesmo assim fico preocupado com o futuro. Sou um mal agradecido mesmo!

Percebam que Bia é igualzinha à mim, ou ela concorda com minhas loucuras ou propõe doidices maiores ainda, somos feitos um para o outro mesmo...

Um dos motivos que me fazem manter esse blog e voltar com postagens constantes é tentar trabalhar isso, melhorar a produção de ideias, colocar ordem na coisa. Fazer postagens, compartilhar experiências, conversar com pessoas é uma ajuda fantástica, esse é o rumo que o blog tomará aqui para frente, sintam-se livres para me lembrar disso, dar sugestões e compartilhar seus pensamentos sobre o tema. Abraço a todos!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Onde Morar em Portugal?

Recentemente relatei um pouco como fiz o planejamento e alocação de dinheiro para minha mudança para Portugal, hoje vou falar um pouco sobre como escolhi a cidade para morar.

Uma vez decidido que viríamos para Portugal, nos restava a decisão de escolher a cidade, para isso levamos alguns fatores chave em consideração e separamos algumas opções:

Aí está o mapa de Portugal para
vocês se localizarem e brincarem de
adivinhar onde moro
a) Lisboa ou Porto: as escolhas óbvias para a maioria das pessoas. São cidades grandes e como Bia e eu somos de São Paulo e gostamos do ambiente de cidade grande (sim, eu sei, é gosto de porco) seria natural a escolha de uma dessas duas. Junte a isso a possibilidade de ter mais oportunidades de empregos, possível convivência com gente de todo o mundo, possibilidade de viver sem carro (devido à excelente malha de transporte público dessas duas cidades) e não haveria muito o que pensar, até porque já conhecíamos ambas as cidades e Porto está entre nossas cidades preferidas. Porém alguns contras nos fizeram ponderar melhor essa decisão óbvia: escassez e baixa qualidade de imóveis para locação e demora para legalização de documentos devido à elevada demanda.

Lisboa e Porto são cidades grandes, com imensa quantidade de imóveis porém Portugal passa por um boom imigratório inimaginável para quem vê de fora. Há gente de toda parte do mundo e de toda realidade possível vindo para cá, entre essas pessoas temos inúmeros aposentados franceses e comerciantes chineses que se dispõem a pagar o que for pelo arrendamento (como chamam aluguel aqui), isso inflacionou de sobremaneira os preços dos imóveis, junte a isso o agravante de termos um cachorro, o que não é muito bem visto por algumas pessoas (mais um post prometido: vida de cachorro em Portugal) e a dor de cabeça estaria pronta.

Além disso o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), órgão que cuida dos processos imigratórios está um verdadeiro caos nessas regiões. Para ter uma ideia um agendamento demora cerca de um ano, ou seja, Bia ficaria ilegal mesmo sendo esposa de italiano (o processo de residência de cidadão da UE é feito pela polícia, não passa pelo SEF). Na prática ela fiaria impossibilitada de trabalhar formalmente, sair do país (até ir ali na Espanha poderia ser problema) e não teria cobertura médica (até teria pelo PB4, mas isso é outra história).

b) Faro e Albufeira: morar na Europa já é um privilégio, morar na praia, puta que pariu! A ideia de mudar para o Algarve é tentadora para qualquer um, porém a realidade não é tão bela quanto parece.

Essa é uma região turística, como se fosse o Nordeste do Brasil porém ao contrário do Brasil, Portugal tem poucos habitantes, não existe a muvuca de gente que há em qualquer cidade nordestina, por exemplo. Então acontece que o Algarve fica lotado durante a temporada de verão porém fora disso vira uma região fantasma. Poucas são as pessoas que vivem full-time lá em baixo. Isso quer dizer que as chances de emprego são enormes no verão e praticamente nulas no inverno. Muita gente tira proveito disso e trabalha o verão todo, 16, 18 horas por dia, tirando férias de 6 meses durante o inverno. Não deixa de ser um bom negócio mas pelo menos por agora não é pra mim. Além disso também há problemas com arrendamento, muita gente não aluga anual porque sabe que é mais lucrativo alugar por temporada e manter o imóvel fechado o resto do ano. O SEF também não é dos mais ágeis.

c) Interior de Portugal: genericamente falando considero o interior como tudo aquilo que não é na costa do pais, ou seja, tudo que é caminho para a Espanha. Arrendamentos mais acessíveis, possibilidade de empregos "normais" fora do ramo turístico, convivência mais forte com a cultura real do país, menos "Ilhas" e imigrantes, muito verde, muito silêncio devido ao espaçamento entre casas e pouca aglomeração populacional, menos poluição, agilidade do SEF, possibilidade de morar numa cidade menor onde as pessoas se conhecem e você recebe um atendimento mais personalizado desde as repartições públicas até no supermercado... tudo isso me trouxe ao interior de Portugal.

De contra posso dizer que há pouca coisa: ausência de transporte público, que obriga a ter carro; necessidade de ir à cidades um pouco maiores para resolver assuntos ou ir em lugares que não estão disponíveis na cidade... (pausa de 5 minutos para pensar em mais contras)... ... ... acho que só!

A verdade é que moro numa cidade excelente, não é uma aldeia como a da foto abaixo (aldeia é como os portugueses chamam as cidadelas, quase sempre milenares que existem espalhadas pelo país)

Não, eu não moro numa casa de pedra datada de 1200.
Aqui onde moro há hipermercados, shopping, todos os bancos do país, todo tipo de comércio que você imaginar, bares (trocentos), restaurantes (zilhões), asfalto (sem buracos), rodovia que corta a cidade, muitos parques públicos, prédios residenciais, rede hospitalar excelente (ao que dizem, nunca usei, ainda bem!), escolas, faculdades... enfim, tudo o que uma cidade precisa oferecer para os moradores terem uma boa qualidade de vida.

O que não há muita oferta é de casas noturnas, algumas lojas específicas (mas nada demais) e praia! Por outro lado há praias fluviais muito estruturadas pertíssimo de casa e também clubes com sistema de day use (fui hoje, paguei 6 euros pra ficar o dia inteiro) e piscinas públicas.

Arrendar imóvel aqui foi mais fácil, mais barato e menos burocrático. Contratei uma assessoria que me ajudou nessa parte e também para fazer as ligações de água, luz, gás e internet. Cheguei no apartamento com tudo funcionando, foi só cair dentro! Vejo gente diariamente discutindo os problemas com a escassez de imóveis em Portugal nos grupos de Face e Whats, não passei por isso.

Escolher cidade pequena também foi fundamental para conseguir trabalho rápido. Há menos oportunidades? Não mesmo! Não parece, mas Portugal é um país industrializado, bem diferente do Brasil onde as fábricas estão concentradas em algumas regiões, aqui é tudo espalhado, o que facilita muito a empregabilidade e melhora a qualidade de vida das pessoas porque milhões de pessoas não precisam morar numa região geográfica pequena (ninguém me tira da cabeça que um dos grandes problemas do Brasil é o aglomerado de gente, puta que pariu, como brasileiro se reproduz!). Sem contar o agronegócio fortíssimo, aqui trabalhar na lavoura não é demérito, não existe a figura do "caipira", muito pelo contrário, existe até um certo status em trabalhar na lavoura porque na visão deles os "peões da roça" na verdade são os que fazem os produtos portugueses de verdade e o português médio é muito orgulhoso e consumidor ávido do que é produzido localmente (patriotismo português tem muito a ver com o "consumir o que é nosso" e menos com futebol).

(Pausa para pensamento bucólico, hoje é sábado, 21:15, estou sentado no sofá, na sala, com o computador no colo, ouvindo "study music" no YouTube, acabo de desligar o ar condicionado (fez mais de 30º hoje) e abri a porta da varanda para entrar um ventinho do fim da tarde. Ouço algum barulho de carros, mas também vários pássaros. Vejo no horizonte alguns prédios, casas e montanhas ao fundo. Me sinto um privilegiado!).

Moro num excelente T1 (T1 é apartamento de 1 dormitório, T2 de 2 dormitórios, assim por diante) numa zona nobre da cidade, pertíssimo do centro. O apartamento é relativamente novo, penso não ter 20 anos, e gigante, tem fácil uns 80m² (o que é uma desvantagem porque não usamos todo esse espaço, preferimos ambientes menores). Veio todo mobilado (sim, mobilado, não mobilhado), só precisamos comprar um micro-ondas e a TV (que ganhamos da operadora de telefonia). A construção é excelente, tem ótimo isolamento térmico e acústico, ar condicionado em todos os cômodos, sistema de aspiração central, tem garagem e está muito bem conservado. Pago € 400 mensais de aluguel. Com € 400 você não aluga nem um T0 (studio) num prédio de 300 anos em Lisboa ou Porto.

De carro estou a 2 minutos de um shopping, 5 do supermercado Continente (o mais forte da região, embora meu preferido seja o Lidl), tenho um excelente parque à 5 minutos à pé de casa. Há muito lugar para estacionar, tanto que nem guardo o carro na garagem, deixo na frente do prédio. Tem um excelente restaurante no meu "rés-de-chão" (térreo dos prédios) onde uma refeição completa, com sopa, prato principal, sobremesa, azeitonas de aperitivo, café e bebida custa € 6. Na rua de trás tem mini mercados, farmácia, talho (açougue), cafés, quitanda, padaria... Enfim, nunca morei tão bem quanto aqui.

Meu trabalho é um pouco longe, cerca de 25 km de distância mas chego em 20 minutos porque as estradas são ótimas e não há trânsito. Bia vai de boléia (carona) e chega no trabalho em 10 minutos. O ponto negativo do país como um todo é o custo para deslocamento de carro, a gasolina é relativamente cara (hoje está € 1,499 no posto do Jumbo, porém tem apenas 6% de etanol o que faz render muito) e há portagens (pedágios) para todos os lados, mas isso é assunto pra outro dia...

Resumindo, a decisão que tomamos por base racional agora virou emocional, estamos completamente apaixonados pela cidade. Claro que é tudo muito novo e toda vassoura nova varre bem, porém so far so good. Não sabemos ainda onde vamos fincar raízes e talvez alguns motivos nos faça mudar daqui, mas isso é coisa pra se pensar depois.

Algum palpite par aonde me mudei? Não vou falar onde é, mas se quiserem tentar, rsrs! Boa semana à todos!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Declaração de Saída Definitiva

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O assunto do post de hoje seria outro porém surgiram tantas dúvidas se fiz a Declaração de Saída Definitiva do Brasil que decidi adiantar o tema...

Vamos começar pelo começo: eu não fiz declaração de saída definitiva e nem pretendo fazer tão cedo se é que vou fazer (sinto cheiro de treta nos comentários...). Vamos aos motivos:

1- Merda, quanto mais mexe, mais fede. Não preciso explicar muito isso... Esse é um assunto complexo, então quanto menos mexer, melhor.

2- Nada na vida é certo. O fato de eu ter vindo para Portugal não quer dizer que comprarei uma quintinha, plantarei oliveiras e uvas até a morte, ou seja, nada me impede de enfiar o rabo no meio das pernas e voltar para o Brasil amanhã, ainda mais por se tratar da primeira experiência de imigração da minha vida. Não há como dizer que tudo dará certo, então decidi não mexer com isso por enquanto.

3- Declaração de Saída Definitiva é igual cabeça de bacalhau, todo mundo sabe que existe mas ninguém nunca viu. Antes de vir para cá consultei umas 15 pessoas do meu círculo social que moram no exterior. Aproximadamente metade sequer ouviu falar disso, a outra metade ouviu falar mas não fez porque não entende o porquê de fazer ou não sabe fazer ou acha que não precisa ou todas as alternativas juntas. O mesmo ocorre nos grupos de Facebook de expatriados.

4- Vamos ser francos, quantos de nós tem a declaração de IR redondinha? A não ser que você tenha sido assalariado a vida toda as chances de seu IR ser bugado são imensas, então o que é um peido para quem está cagado? Deixa rolar e quando a merda estourar corre pra limpar.

5- O site da receita onde consta a informação oficial é extremamente confuso, a maioria da informação é ininteligível até para contadores (o meu sequer havia ouvido falar disso antes de eu questiona-lo), que dirá para caipiras como eu...

6- Pelo pouco que entendi sobre as regras, ainda tenho quase um ano pela frente para fazer o negócio dentro do prazo, então como bom brasileiro vou usar o tempo a meu favor e ir vendo o que aprendo até lá. (aliás, se você quer uma dica de ouro para um processo de imigração é não se prender com detalhes, deixe as coisas acontecerem e aprenda com elas, funciona muito melhor que tentar aprender tudo antecipadamente).

7- TODA minha vida financeira está no Brasil. No dia de hoje todo o patrimônio que tenho em Portugal é um carro de € 1500, um microondas de € 40, um liquidificador de € 10, 4 panelas, 3 pratos, 3 copos e € 900 na conta (salário só cai no último dia útil do mês), logo, ao menos na minha cabeça, as chances de ter problema com algo chamado "saída definitiva" são muito maiores no Brasil que em Portugal.

Bom, é isso. Sei que muitos irão discordar e peço que esses coloquem suas opiniões nos comentários, qualquer ajuda é bem vinda.
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