sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pausa

Como alguns já perceberam, estou a um tempão sem postar nada no blog e essa pausa continuará por tempo indeterminado. O principal motivo pra isso é falta de motivação, inspiração e vontade, como isso já aconteceu diversas vezes durante a vida do blog, sei que é uma fase e uma hora (cedo ou tarde) passará e a rotina de postagens voltará ao "normal". Mesmo se um dia desistir de vez do blog dificilmente irei deleta-lo mas de qualquer maneira sugiro aos recém chegados que aproveitem esse hiato e leiam as postagens antigas, tem muito material produzido por mim e muitas discussões fantásticas nos comentários, aproveitem! Vou liberando os comentários na medida do possível, não estou acessando o blog com tanta frequência. Abraço a todos!

sexta-feira, 3 de março de 2017

É Preciso ser Rico pra Viver no Brasil

Pablo e Mônica vivem em Portugal a 3 anos, se mudaram logo depois que Pablo conseguiu sua cidadania Portuguesa, queriam ter uma vida tranquila e simples, coisa que o avô português de Pablo jurava ser possível na terrinha. Pablo havia acabado de sair do emprego, tinha uma boa grana de FGTS e algumas economias além do carro quitado, Mônica estava trabalhando num emprego que não necessariamente era o melhor do mundo. Queriam uma experiência nova e a chance de ir pra Europa era absolutamente fascinante. Venderam carro, juntaram toda a grana que tinham e trocaram em Euro. O dinheiro era bom, suficiente pra viver 6 meses no Brasil sem trabalhar, acreditavam que em Portugal essa grana deveria render mais ou menos a mesma coisa.

E assim foram, chegando no Porto ficaram maravilhados com as paisagens, a arquitetura antiga e principalmente com a simpatia dos Portugueses. Alugaram um pequeno T0 (Tê-zero =  apartamento studio, kitnet) por 300 Euros e descobriram que essa com certeza seria a maior despesa quando fizeram sua primeira compra do mês (ou rancho para o pessoal do sul) por 50 Euros. Não cogitaram comprar carro, afinal os autobus (ônibus), comboios (trens), metro (Metrô) e electricos (bondes) davam conta de todo o deslocamento que precisavam ao custo de 30 Euros por mês....

Arrumaram emprego e logo Pablo e Mônica tinham um salário combinado de 1.200 Euros do qual pagavam todas suas despesas e ainda sobrava uma beiradinha pra viajar pela Europa de low-cost ou trem nos dias de folga. A grana que levaram do Brasil? Usaram algumas poucas centenas de Euros e aguardam uma oportunidade de investi-la em imóveis, com grande chance do montante ser o suficiente pra dar até 50% de entrada num apartamento.

A história acima saiu da minha cabeça mas nada impede de ser verdade, o custo de vida em grande parte da Europa é bizarramente barato, Portugal então nem se fala... É caríssimo viver no Brasil! Bia e eu somos simples e minimalistas, mesmo assim temos uma despesa de 4.500 a 5.000 reais por mês, converta pra Euro (a 3,50) e isso dá mais ou menos o que Pablo e Mônica ganhariam com empregos simples em Portugal*! Pra fechar meu raciocínio deixo o vídeo do Rafa onde explica bem melhor isso (aliás, passem no canal dele, tem muito conteúdo excelente).




* Sei que Portugal "está em crise" e que emprego por lá não é exatamente a coisa mais fácil de encontrar, mas é preciso entender alguns detalhes: 1- crise na Europa na prática é bem mais maneira que crise no Brasil, a maldita mídia (que o capiroto leve todos ao inferno) faz tempestade em copo d'água (palavra de quem foi pra Espanha em 2012 e viu de perto o que eles chamam de "crise"). 2- quem tem cidadania Européia tem vida normal e sem restrições por lá, aliás até a CNH brasileira tem valor lá (só trocar pela portuguesa pagando algumas taxinhas), ou seja, teoricamente compete de igual pra igual no mercado de trabalho. 3- Portugal tem mestrados e doutorados por 3, 4 mil Euros por ano e universidades de 500 anos de tradição, ou seja, é um excelente lugar pra se reciclar na profissão e logo melhorar a empregabilidade. 4- troque Portugal por Itália, Polônia, Alemanha e seja feliz.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

E-commerce, Grandes Redes e o Futuro do Pequeno Comerciante


No meu último post sobre empreender com simplicidade surgiu um interessante assunto: como o e-commerce e a concorrência das grandes redes de varejo está afetando a vida do pequeno comerciante. Hoje vou dar um pouco da minha opinião sobre esse assunto.


Tenho empreendido na forma de lojas de varejo a mais de 10 anos, já tive diversas lojas nos mais diferentes perfis de bairros, compradas com os mais diferentes objetivos, em breve pretendo fazer um relato sobre cada loja que tive, mas o objetivo agora é amparar meu ponto de vista nessa experiência que possuo. Vou resumir minha opinião: não vejo um futuro a longo prazo ao varejo independente e pra embasar melhor essa minha opinião vou descrever como enxergo os seguintes ramos: mercados, açougues, farmácias e postos de gasolina. Veja que esses ramos são o que considero tradicionais e que sempre deram dinheiro, são pontos de venda que praticamente 100% das pessoas frequentam todos os meses, não são sazonais (não diretamente), não são modinha, não são gourmet (em sua maioria), enfim fazem parte daquilo que sempre digo serem bons ramos pra se investir em comércio. Pode parecer inconsistente que primeiro eu diga que esses ramos são bons e depois decrete o fim deles mas explicarei melhor no final.

MERCADO: o nicho de mercados que o pequeno comerciante normalmente explora são os de mercadinhos de vila montados em pequenos salões, com variedade limitada de mercadoria e normalmente conhecidos por terem preço alto, o que nem sempre é verdade mas não importa, o que importa mesmo é a imagem que a população tem. As vantagens para o consumidor é a conveniência da localização próxima a regiões residenciais (ou mesmo dentro delas), agilidade de atendimento (dificilmente há filas), o tamanho compacto também ajuda na agilidade porque não é necessário andar quilômetros dentro de corredores e como quase nunca há rotação de mercadorias, o cliente sempre sabe onde está o que procura. As desvantagens ao cliente é o preço virtualmente maior que o das grandes redes, a baixa variedade de mercadorias e muitas vezes a baixa qualidade de alguns produtos.

  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: aos poucos grandes redes de supermercado estão trilhando certo sucesso na venda de "groceries" (desculpe, não sei um equivalente em português) pela internet. Isso se torna particularmente mais forte no público de alta renda e mais jovem. Ao andar por bairros de alto poder aquisitivo em São Paulo é normal ver os caminhõezinhos do Pão de Açúcar entregando nos prédios. No meu ponto de vista o e-commerce de supermercados ainda demora pra pegar, o cliente normalmente quer ver o que está comprando, pesquisar preços mais rapidamente (o que pode ser feito pela internet mas não é tão simples quanto olhar na prateleira), etc. Aqui os pequenos saíram na frente a muitos e muitos anos com a entrega a domicílio com bicicletas (muito comum na região central de São Paulo).
  • GRANDES REDES: aqui o bicho pega! De uns 5 ou 6 anos pra cá estamos presenciando uma verdadeira invasão das grandes redes de supermercado nos mercadinhos de vila. Pão de Açúcar Minuto, Mini Extra, Carrefour Express são alguns exemplos. Na minha opinião isso e não o e-commerce irá destruir os pequenos comerciantes de mercado. A razão é simples, pessoas associam essas marcas a boa variedade de produto com bom preço, o que não necessariamente é verdade todas as vezes mas novamente, o que importa é a imagem. Pra driblar isso existem vários modelos de franquias, associativismo e compartilhamento de bandeira mas isso tudo só faz diluir essas marcas trazendo pouca ou nenhuma expressão a não ser que o cara domine determinada região, o que de fato acontece muito principalmente nas periferias. Os grandes players estão mais concentrados atualmente nas regiões centrais das cidades mas é perceptível que estão expandindo para bairros grandes, depois será a vez dos bairros médios até dominarem a esmagadora maioria do mercado consumidor.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE MERCADO: acho que aqueles que estão nas regiões mais periféricas ainda terão ao menos mais uma década de relativa tranquilidade até serem engolidos pelas grandes redes varejistas. Aqueles que estão em locais onde essas redes já estão presentes acabarão encerrando suas atividades a não ser que "sejam criativos e busquem nichos que os grandes não conseguem explorar" , coloquei em itálico e sublinhado porque acredito que isso é possível somente para talvez 1% da galera, pro resto isso não é factível por diversos motivos: o empresário pode não ter saco pra tentar fazer isso, nichos se esgotam, falta dinheiro ou não é financeiramente viável, etc. É impossível concorrer com os grandes mesmo se você tiver uma loja melhor em qualidade e variedade de mercadoria, tiver preço melhor, tiver atendimento melhor... Mesmo assim o cara acaba indo no grande porque o cérebro manda. Eu faço isso e aposto que você também!
AÇOUGUE: os açougues estão espalhados por todo o país e são basicamente de dois tipos: os pequenos quase sempre tocados por seu próprio dono e os médios que normalmente pertencem a uma rede média que possui algumas dezenas de pontos de vendas. Ambos os modelos podem ser considerados empresas pequenas porque não possuem o modelo de empresas gigantes com capital aberto ou multinacional como acontece com mercados e farmácias, ou seja, açougue é na essência um comércio para pequenos comerciantes. O grande calcanhar de aquiles do ramo é a qualidade, é em volta dela que tudo gira, existe grande desconfiança em relação a higiene, qualidade, honestidade em relação a levar pra casa aquilo que realmente está comprando, etc.
  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: praticamente não existe e-commerce de carnes e o pouco que existe está relacionado com o e-commerce de mercados como relatei acima. Veja que aqui está uma grande característica que pode cutucar todos os ramos: os mercados vendem de tudo, logo o crescimento do e-commerce deles afeta todos os ramos, da venda de arroz a de remédios, passando pelas carnes. Concluo que o perigo para o dono de açougue é o crescimento e ampliação do e-commerce de mercados. ((by the way, a Swift também tem e-commerce (entenda a baixo)).
  • GRANDES REDES: não existem grandes redes de açougues (ao menos desconheço) mas um modelo de negócio muito interessante está despontando e acredito que venha pra ficar. A Swift (empresa fodona de carnes) lançou a algum tempo suas lojas de carnes que são pontos de venda sem manipulação de carnes, onde é venda somente a venda dos mais diversos cortes, tudo congelado e, diga-se de passagem, de altíssima qualidade. Lembra que falei sobre tudo girar em torno de qualidade? A Swift tem lojas bonitas, limpas e vende carne excelente por preço de mercado. A imagem das lojas transmite credibilidade ao contrário da esmagadora maioria dos atendentes de açougue, o fato da carne ser manipulada em ambiente industrial onde (teoricamente) há um rígido controle de higiene e qualidade aumenta ainda mais essa imagem. Além desse novo formato de venda de carnes é preciso entender que  não exista grandes redes de açougue mas as redes de supermercados influenciam muito o ramo. Por um lado essa influência não parece ser tão relevante afinal os mercados parecem vender carnes desde sempre e mesmo assim os açougues sobreviveram, na minha opinião isso deve-se a duas coisas: má fama da carne de mercado o que não parece ser verdade ao menos nos dias de hoje e resistência por parte do consumidor em comprar carnes pré cortadas em bandejas o que por muito tempo tem sido o padrão em mercados que combatem isso com balcões de atendimento. Vejo o exemplo dentro de casa: meu pai sempre repetiu que carne de mercado não presta, mas ele é um cara que parece conhecer carne, distinguir um pedaço de alcatra de um de maminha; característica essa que poucas pessoas possuem ou ao menos levam anos pra adquirir. Eu particularmente prefiro comprar carne olhando pra ela numa bandeja que pedindo pra um cara e descobrir o que comprei somente quando cheguei em casa... Esse parece ser o padrão da minha geração.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE AÇOUGUE: difícil dizer como isso caminhará, talvez daqui uns 3 ou 4 anos as coisas estejam mais claras mas basicamente acho que os açougues ainda continuarão firmes por mais tempo por diversos motivos relacionados a diversas características das diferentes classe sociais: os pobres encontram comodidade em comprar carne perto de casa, na promoção, mesmo sem saber ao certo o que estão comprando ou com qualidade duvidosa. A classe média pode resistir mais tempo ao "carne de bandeja é ruim" e continuar comprando no açougue, os ricos provavelmente não gostam do pré preparo das carnes de mercado ou da praticidade das Swift da vida (que ainda não possuem concorrente mas que com certeza terão num futuro próximo), ou seja, muitos açougues de "nicho" ainda serão necessários nos próximos anos. Uma coisa importante pra lembrar é que açougue é (e deve ser mesmo) extremamente regulado pelos órgãos de fiscalização, isso é um grande problema ao comerciante porque traz dor de cabeça e aumento de custos, mas se o cara entra num ramo desses não tem o direito de reclamar sobre isso.

FARMÁCIA: outro tradicional comércio espalhado por todos os confins do Brasil, todo bairro tem ao menos uma farmácia pequena quase sempre tocada pelo farmacêutico onde você pode não encontrar o melhor preço e variedade mas terá uma explicação sobre como tomar um remédio ou mesmo uma consulta informal onde não é preciso marcar hora com o profissional de saúde, nem dizer seu nome, basta falar que você anda meio brocha e que precisa de uma vitamina, o cara do lado de dentro do balcão vai te ajudar sem julgar por isso. O grande problema em empreender nesse ramo é o custo elevado de estoque, de mão de obra e a regulação estatal.

  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: a internet pode não matar as farmácias pequenas mas com certeza tem machucado muito, quase todo mundo que conheço e faz uso contínuo de determinado medicamento acaba comprando on-line por preços inacreditavelmente menores que qualquer farmácia física. O e-commerce de medicamentos parece ser forte mas esbarra em diversos obstáculos: se você tem uma dor forte não vai esperar 2 dias pra receber seu remédio, se você precisa de um remédio controlado não conseguirá comprar pela internet, alguns remédios que tem descontos diferenciados ou planos de saúde que oferecem descontos somente podem ser adquiridos em determinadas redes e em suas lojas físicas, ou seja, o e-commerce tende a matar o comércio de medicamentos de uso contínuo mas não os de uso emergencial ou com características especiais. Sem contar que como disse acima muitas vezes você quer conversar com o farmacêutico sobre algum assunto o que não ocorre pela internet, ou seja, o fator humano ainda é muito importante nesse ramo.
  • GRANDES REDES: as grandalhonas do ramo de farmácia estão expandindo feito malucas, parece farmácia é o único comércio que está crescendo (realmente é, basta ver os números), aqui na minha região aparece uma Drogaria São Paulo nova e logo uma Drogasil, Droga Raia e PagMenos, ou seja, um lugar que fora dominado por determinada farmácia independente durante anos, de repente é tomada por 3 ou 4 lojas de grandes redes que ofereceram uma variedade de mercadoria muito maior por ao menos o mesmo preço que o comerciante do bairro. Impossível concorrer! E se as fodonas não fossem o bastante ainda temos o nosso velho amigo (ou inimigo) supermercado de rede que está em todos os lugares e comendo por todos os lados. Praticamente todo supermercado de tamanho razoável tem sua própria drogaria que segue o mesmo padrão de trabalho que as big box do setor.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE FARMÁCIA: acho que as farmácias seguem o mesmo que disse sobre mercados, haverá uma forte quebradeira nos próximos anos e depois os fortes sobreviverão e explorarão nichos específicos, a regulação, o alto investimento, a redução da rentabilidade, o desinteresse da população pelos serviços oferecidos pelos pequenos em prol da variedade e preço dos grandes irá tirar muita gente do mercado.
UMA VISÃO DO EXTERIOR

Sempre que viajo tento entender como os modelos de negócios funcionam pra tentar prever como a coisa evoluirá no Brasil, já que querendo ou não, a influência e tendência sempre começa lá fora.

Nos Estados Unidos existem poucos comércios que não são pertencentes a grandes redes ou franquias, os mercadinhos existem de maneira muito semelhante ao Brasil, quase todo mall americano tem um mercadinho tocado por independente (quase sempre imigrante indiano ou latino) mas esses mercado possuem a caraterística de nicho: vendem produtos étnicos, regionais, prestam serviços financeiros, obtêm renda de outras fontes como comissões de caixas eletrônicos e loterias, grande parte estão dentro do formato de lojas de conveniência junto a postos de combustível recebendo comissões da venda de gasolina, etc. Assim como aqui eles não parecem sentir muito o peso do e-commerce pois o modelo é baseado na conveniência e urgência, mas sentem a fortíssima concorrência das grandes redes como 7-11 e Race Track. O WalMart retirou quase a totalidade de mercados médios (recomendo ler a biografia do Sam Walton) e mesmo várias redes grandes. Açougue como conhecemos aqui é raríssimo de se ver e quando existe é quase sempre algo gourmet vendendo carnes diferentes, todo mundo compra carne no mercado. Lá na terra do Tio Sam praticamente não existem farmácias independentes, sendo que o mercado é dominado por Walgreens, CVS e as farmácias dos mercados. As poucas independentes servem a públicos específicos como imigrantes.

Não manjo muito de Europa mas o que vejo por lá é um modelo de supermercados bem semelhante ao que temos aqui: mercadinhos de vila independentes são bem comuns assim como os minis das grandes redes, a diferença é que os independentes parecem ser mais fortes que aqui, talvez por terem aparência mais profissional e próxima a das redes, talvez por alguma preferência do próprio consumidor. Açougues são comuns e semelhantes aos daqui mas sofrem grande concorrência dos Mercadões Municipais que assim como o de São Paulo, reúnem todo tipo de mercadoria sendo que o comércio de carne parece ser particularmente forte. O modelo de farmácia é completamente diferente ao que encontramos no Brasil e EUA, por lá existe a forte figura do farmacêutico em pequenos estabelecimentos, não existem lojas grandes e parece haver grande controle de preço o que acaba diminuindo drasticamente a concorrência. Em Portugal o valor do medicamente vem escrito na receita e tanto faz onde você vai comprar que pagará o mesmo valor (subsidiado), na Espanha existe algo semelhante a isso, portanto aqui não vejo como comparar.

Resumindo: se você pretende ter um comércio pro resto da vida, fazer carreira em determinado ramo acredito que deva pensar melhor nessa estratégia, mas existem N outras maneiras de ganhar dinheiro com comércios. Na minha opinião querer formatar uma empresa de maneira a ter um crescimento orgânico e deixa-la para seus herdeiros não é factível pois estamos vendo muitas modificações no mercado e muitas outras virão, a vida do comerciante pequeno está cada vez mais difícil e ficará ainda pior. Dá pra surfar em algumas ondas e depois sair delas enquanto é tempo mas esperar um mar tranquilo e com bons ventos é temerário.

Bom, por hoje é isso, espero que minha opinião seja útil e que tenha conseguido trazer informações relevantes a blogosfera.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Empreendendo com Simplicidade

Um assunto muito interessante surgiu no meu último post. Um leitor perguntou como faço pra viajar se tenho empresas e devo permanecer de olho nelas, outros abordaram a questão de indicadores que podem ou não ser úteis na administração de um negócio. Hoje vou destrinchar um pouco mais esse assunto...

Sei que as vezes sou meio repetitivo, mas serei novamente hoje. Sou minimalista, tento levar tudo na minha vida da maneira mais simples possível, partindo desse princípio vou esmiuçar algumas opiniões que tenho sobre administração de empresas.

Deixar a empresa na mão de funcionários e viajar: nunca tive problema com isso, não tenho o menor apego com minhas lojas, nunca tive. As lojas são somente algo que me trazem dinheiro, mais nada. Ter loja não me traz prazer algum, não me desenvolve como profissional (muito pelo contrário, na última década abandonei minha profissão de verdade em prol de ganhar dinheiro com lojas), não tenho um "propósito", uma "missão" com minhas lojas, não quero transformar o mundo, melhorar o dia-a-dia das pessoas, nada disso. Eu só quero dinheiro, ponto final. Logo não vejo razão alguma em ficar com ciuminho, mi mi mi com minhas lojas... Se um funcionário fizer uma cagada, foda-se, se um funcionário me roubar, foda-se. Ter empresa é aprender a enfiar dinheiro no orifício corrugado, diariamente você perde dinheiro: impostos que você nem sabe o que está pagando, mercadoria que você perde por vários motivos, taxas e mais taxas, etc. Logo se eu perder um pouco porque meu funcionário me roubou estou cagando e andando... Não vale a pena esquentar com isso, não há controle absoluto sobre isso. O máximo que consigo fazer é tentar selecionar pessoas que aparentemente são honestas, manter um ambiente de trabalho que favoreça o funcionário e pagar um pouco acima da média, coisas que podem desestimular fraudes (veja, eu disse desestimular e não eliminar). Você acha que as grandes empresas fazem muito diferente disso? Já estive por dentro de uma empresa assim e sei que não muda muito, quem quiser roubar, vai roubar! Você acha que se o Sam Walton se preocupasse tanto com roubo de funcionário o Wal Mart seria o que é hoje? Então porquê caralhos eu vou esquentar com isso?

O outro assunto, os indicadores da saúde da empresa, aquelas siglas bizarras que os colegas investidores em ações sabem de cor e salteado e que eu não sei porra nenhuma. Não sei calcular, não sei o que são e pra que servem e mesmo assim minhas lojas sempre me deram lucro. Por quê? Essa é uma pergunta que vou tentar responder de forma simples: Porque não preciso! Esses dados são totalmente irrelevantes pro dia a dia de uma loja do varejo. Na minha opinião tudo o que você precisa pra ter sucesso no varejo é:

1- Um ramo "comum", ou seja, ter uma loja de algo que todo mundo compra, o pobre, o rico compra diariamente ou mensalmente, nada sazonal, nada revolucionário, nada inovador. Você não precisa reinventar a roda! Claro que seu o seu aplicativo pica das galaxias for descoberto pelo Google você ganhará quatrilhões de dolares mas qual a chance disso acontecer? E qual a chance de ter sucesso vendendo carne, batata, remédio, gasolina? Entende?

2- Um ponto que presta. Não adianta montar sua loja no meio do nada, no meio de uma vila sem comércio algum por perto, num lugar sem vaga de estacionamento, sem visibilidade, sem acessibilidade, etc. Não adianta pagar um aluguel barato se o ponto é um bosta.

3- Empresa deve ter lucro. Esse negócio de ter lucro negativo é coisa de empresa aérea e não consigo entender como conseguem. Sua lojinha deve dar lucro desde o primeiro dia, se isso não acontecer seu negócio não dará certo. Se você vende um produto por 10 reais ele deve custar 10 reais ou menos. Parece óbvio, mas tem muita gente perdendo dinheiro por aí na ilusão que queimar um produto vai trazer cliente, visibilidade or whatever. Esqueça, isso é tiro no pé. Se você não consegue manter uma margem de lucro decente porque seus concorrentes queimam mercadoria, retire-se do local ou mesmo saia fora do negócio.

4- Sua venda deve ter volume. Não adianta ter uma rentabilidade de 90% se você vende 1000 reais por mês. Se sua loja não tiver um volume decente de vendas não vai pagar aluguel, não vai pagar funcionários, impostos e muito menos seu pro labore. Vejo um monte de lojinha de 5, 6k de venda mensal sendo vendida. Porra, como você vai sustentar algo assim que na melhor das hipóteses vai te deixar 3, 4k BRUTO?!?!

5- Por último e mais importante: você deve saber um mínimo de matemática. Sim, matemática, aquela de primário (no meu tempo era primário), aquela matemática realmente útil que você aprende na escola até a 3ª série (depois disso só aprende coisa inútil pra encher linguiça). Você precisa saber somar, subtrair, multiplicar, dividir, fazer conta de porcentagem e mais nada. Lembre-se que você usará uma calculadora ou planilha pra fazer as contas propriamente ditas mas deve conhecer e entender como chegar no resultado desejado. Mais uma vez parece óbvio, mas conheço muita gente que não sabe isso, não tem noção de matemática básica, conheço gente que não conhece dinheiro, isso mesmo, parece não conhecer as cédulas e moedas (como acontece conosco no exterior). É amigos, o mundo está bem pior do que você pensa....

6- Trabalhar com dinheiro dos outros é coisa de empresa gigante, pobrões como nós trabalhamos com capital próprio SEMPRE. Acredite, 99% das empresas familiares, das pequenas redes de varejo e dos independentes de sucesso não usam dinheiro emprestado, eles crescem organicamente com auto-financiamento. Repense o lance de "dívida boa"...

Grande parte dos comerciantes de sucesso são semi-analfabetos mas eles são espertos o suficiente pra ter empresas de sucesso. Por quê?  A cautela e medo de fazer merda os fazem crescer melhor, todos eles seguem os 6 passos que relatei acima. O resultado são pequenas redes de mercadinhos regionais, farmácias de vila, bares e lanchonetes que bombam na mão de seus criadores e quebram quando caem nas mãos dos filhos formados na FGV com MBA na Casa do Caralho... Por quê? Porque eles querem goumertizar o negócios de seus pais e acabam fazendo merda. O jeitão tosco e simples dos velhos, que 100% das vezes nem sabem ligar um computador e fazem sua contabilidade na caderneta ou papel de pão SEMPRE dá certo.

Resumindo: sou militante pela desgoumertização da administração de empresas!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Viagens: Um Novo Ponto de Vista

Peço desculpas por não ter participado mais das discussões do último post e também pela ausência nos últimos dias, acontece que pintou a oportunidade de fazer uma viagem e claro que não deixei passar.

Essa viagem foi muito interessante, fui sozinho (Bia trabalhando), fiz tudo diferente do que costumo fazer: fiquei em hostel, Airbnb compartilhado, dormi em aeroporto, trem e ônibus, levei somente uma mochila de cabine mesmo tendo que carregar roupas pra clima frio, aprendi muito. Nunca viajei de executiva mas também sempre procurei um pouco de conforto nas minhas viagens, achava a ideia de ficar em hostel ou quarto compartilhado um tanto bizarra e coisa de adolescente, achava que por ser adulto de classe média não faria sentido abrir mão de ficar em um hotel, por mais simples que seja. Dessa vez resolvi fazer um teste e abrir mão de todos os meus preconceitos, aproveitei o fato de estar sozinho (o que facilita tudo) e fiz coisas propositais pra testar meu nível de tolerância. Veja algumas conclusões que cheguei:

1- BAGAGEM: como todos sabem sou minimalista o que significa ter poucas roupas e tralhas, porém durante minhas viagens anteriores nunca fui exatamente um exemplo de minimalismo. Sempre levei roupas a mais, sabe aquele negócio de "vai que...", acabava levando peças que nunca usava e voltavam intactas pra casa. Dessa vez fiz justamente o oposto, levei uma calça jeans, camiseta, moletom e jaqueta no corpo e na mochila somente 2 camisetas, 2 cuecas, 2 meias, 1 blusa fina e havaianas. Calçado, somente o tênis do pé mesmo. Como fiquei 10 dias somente com essas roupas? Não contem pra ninguém mas acabei descobrindo uma invenção que poucas pessoas conhecem: máquina de lavar! Isso mesmo, eu usei essa máquina de última geração e acreditem, lavei minhas roupas! Você sabia que roupas podem ser lavadas e reutilizadas? Brincadeiras a parte, máquinas de lavar estão por todo canto e aparentemente o Brasil é um dos únicos lugares do mundo que não possuem laundromats da vida. Viajar somente com mala de mão é de Deus, é libertador, a sensação de descer do avião e sair direto do aeroporto sem se preocupar se sua mala virá ou não, se haverá avarias ou se algo foi roubado é uma das melhores do mundo.

2- ELETRÔNICOS: Uma coisa que sempre ocupou muito espaço na minha bagagem foram os gadgets e coisas relativas: câmera fotográfica, baterias extras, carregadores, notebook, adaptadores... Dessa vez o único eletrônico que levei foi meu super smartphone de 500 reais e 1 ano de uso e seu carregador (compatível com as tomadas locais). Sinceramente, não precisei de mais... o celular é câmera (sempre tive câmeras point and shot então o celular não faz muita diferença. Prefiro curtir os lugares que vou invés de ficar tirando fotos ou fazendo vídeos que ninguém verá depois), acessa a internet, é leitor de livros, etc. Celular é o melhor aliado do minimalismo. Levei 2 livros físicos que a tempos estavam aguardando serem lidos, uma vez lidos ficaram no local onde terminei de lê-los, portanto não voltaram pra casa.

3- RELAXE E GOZE: Viajar não é sinônimo de vestir-se bem, de seguir as normas da sociedade em relação a higiene e condutas (calma, você vai entender). Os primeiros viajantes passavam semanas em cima do lombo de um cavalo ou dentro de um barco sem tomar banho, sem se alimentar direito e sem se preocupar com o que vestiam. Aconselho veementemente que durante viagens você faça o mesmo. Ficar 48 horas sem tomar banho e trocar de roupa, dormir no chão do aeroporto ou ficar alguns dias comendo fast food não vai matar você. Prefiro mil vezes fazer essas coisas e viajar que esperar mais tempo e gastar mais dinheiro pra fazer a viagem "na hora certa".

4- HOSPEDAGEM: nem sempre ficar num hotel barato e simples é melhor que um hostel ou um sofá na casa de alguém (eu jurava que era). É simples entender, se você é de São Paulo me diga uma coisa, o que você preferiria, dormir uma noite e deixar seus pertences num daqueles hotéis da Av São João frequentados por craqueiros e putas baratas ou dormir num sofá e deixar suas coisas num apartamento de alguém no Itaim? Pois é, minha vida inteira fiquei com a ideia que hostel é coisa de maluco "mochileiro" (como ser mochileiro fosse algo ruim), mas após essa viagem percebi que o buraco é bem mais em baixo, existem excelentes hostels e ofertas no Airbnb, as avaliações desses lugares servem muito bem pra ter ideia de onde está se metendo. Sem contar o contato com pessoas de outros lugares, outros idiomas, etc.

5- SOUVENIRS E FREE SHOP: nunca fui de comprar souvenirs de viagem, jamais trago lembrancinhas de viagem porque isso não faz o menor sentido, mas confesso que sempre acabava comprando uma camiseta com dizeres do local visitado ou algo do gênero para uso próprio. Free shop sempre foi parada obrigatória, com direito a reserva de caixas de whisky e perfumes que eram destinados a venda. Dessa vez trouxe somente chocolate pra Bia e passei direto pelo Free Shop. Concluí que embora lucrativo, vender tranqueiras importadas não é pra mim, não tenho saco pra guardar, organizar essas mercadorias...

6- VIAJAR É VIDA: após essa viagem, digamos, mais selvagem, concluo ainda mais que viajar e conhecer coisas novas é algo muito importante ao desenvolvimento pessoal. Posso estar chovendo no molhado aqui mas o fato é que ultimamente estava me questionando se essa busca desenfreada por viagens que nossa geração sofre era algo saudável ou não. Lembre-se, quando você se torna minimalista acaba buscando a otimização em todos os campos da vida, questionando mais, etc. Acredito que ficar em casa, ler um livro, assistir um filme, cozinhar são sim atividades fantásticas para a mente mas viajar continua sendo muito importante pra ginástica cerebral. O que acho totalmente descartável é a ideia que pra viajar só se for de classe executiva, voo direto, roupas novas, mala cheia na volta... Não precisa nada disso, pra viajar você só precisa de um passaporte, um pouco de dinheiro e "coragem" pra se aventurar e sair da zona de conforto. Pra finalizar deixo um vídeo bem interessante e que vale a reflexão:


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Minimalismo e a Saúde - Estamos Doentes Demais?

A prática do minimalismo traz contestação, quando você abraça esse estilo de vida passa a ser mais crítico em relação as cosias corriqueiras da vida invés de simplesmente seguir a manada e fazer o que todo mundo faz. Isso acontece com as finanças, com a posse de coisas materiais, com sentimentos... Uma coisa que tenho contestado muito nos últimos tempos é o quão doentes aparentamos estar... Todo mundo que conheço tem alguma "doença crônica" que leva ao uso regular de medicamentos, quase todos os filhos de conhecidos possuem algum tipo de alergia ou intolerância, as mulheres usam produtos caríssimos pra tratar a pele (tratar o que mesmo?), homens tomam remédios pra queda de cabelo, viagras, etc. Será que estamos tão doentes assim?

A resposta não é fácil, como disse acho que essa constante situação de doença é algo que quase nunca enxergamos, a gente não se dá conta que provavelmente não é normal viver doente assim... Vejam o exemplo dos meus pais: desde que me conheço por gente minha mãe é hipertensa, faz uso contínuo de N medicamentos pra pressão alta, durante os anos 90 ela se entupia de remédios tarja preta pra dormir, se queixava de dor de cabeça diariamente. De uns tempos pra cá ela toma além dos anti-hipertensivos: medicamentos pra colesterol, diabetes, estômago, vesícula, antidepressivos além de polivitamínicos. Minha mãe NUNCA fumou, bebeu nem fez exageros alimentares, ao contrário do meu pai que fumou por mais de 50 anos, sempre bebeu sua cerveja e cachaça (moderadamente, vi meu pai bêbado em 3 ou 4 ocasiões a vida toda), a vida inteira comeu muita carne vermelha com gordura. Minha mãe jamais praticou atividades físicas, nem andar de bicicleta sabe, meu pai andou muito de bicicleta quando jovem mas na vida adulta ficou sedentário. Quantos remédios meu pai toma? Somente um pra próstata. Não tem nenhuma doença crônica além da próstata aumentada que pelo que parece é algo muito frequente. Quem é mais saudável? Minha mãe sempre foi preocupada com a saúde, a vida inteira foi a todas as especialidades médicas que existem. Meu pai começou a frequentar o cardiologista (da minha mãe) depois dos 65 anos. Minha mãe sempre procurou doenças (e achou), meu pai só foi em médicos esporadicamente, quando precisou de um.

Quer outro exemplo: vá ao dentista a cada 3 meses e SEMPRE vai ter uma cárie pra tratar, SEMPRE! Por isso sou contra esse negócio de manutenção preventiva, seja no mecânico ou no médico. Brother, precisamos lembrar que todos nós precisamos de dinheiro, inclusive o médico! Então é óbvio que ele sempre vai querer te manter doente pra lucrar em cima. Está errado? Claro que não! Todo mundo ganha dinheiro em cima de uma dificuldade alheia.

Vejo uma nova tendência, se já não bastasse te entupir de remédios de finalidade duvidosa, agora a moda é das cirurgias. Conheço uma caralhada de gente que fez, está fazendo ou fará cirurgias em breve: é joelho, é coluna, é vesícula, é pedra no rim, é o escambau... Nêgo com 30 anos toma antidepressivo, remédio pra dormir, viagra, operou do joelho, tem hipotiroidismo (pelo que parece todo mundo tem isso agora), começo de diabetes, etc... Lembro que quando estava na 2ª série uma coleguinha de classe foi internada durante alguns dias e aquilo foi uma comoção total, todo mundo ficou preocupado com ela e tal... Hoje é difícil achar uma criança que nunca passou um dia no hospital e todos acham isso natural. Será que hoje as crianças são mais internadas porque precisam ou porque os hospitais dependem da grana paga pelos planos de saúde?

Hoje se vai ao médico por tudo. Surgiu uma espinha na testa? Vai no dermatologista e sai de lá com uma receita de 500 reais que vai reduzir 5% o tamanho da sua espinha. Está gordo? faz uma cirurgia bariátrica que é mais fácil. É magro? vai no endócrino e pega umas receitas de anabolizantes... Ah, esqueci dos exames, quem nunca fez uma endoscopia, um ultrassom, uma ressonância? Parece que os médicos não sabem fazer diagnósticos simples sem usar exames elaborados.

Condições normais do organismo são tratadas como doenças, o melhor exemplo disso é a calvície. Cara, se você tem histórico de calvície na família, você VAI SER CARECA, ponto final. Mas não, você quer lutar contra essa condição se entope de remédios que broxam (PUTA QUE PARIU COMO ALGUÉM SE PROPÕE A FICA BROXA EM PROL DE GANHAR ALGUNS FIOS DE CABELO), loções caríssimas ou mesmo implantes que te deixam com cara de doente de câncer. A vida é mais fácil se você aceitar o que "Deus" (ou a natureza, ou a evolução, you name it) te deu. Na verdade calvície é minha aliada, desde que meu cabelo começou ficar escasso (aos 18, 19 anos de idade) eu passei a usar maquininha duas vezes no mês e resolvi o problema além de economizar uma verdadeira fortuna no decorrer da vida com cabeleireiro e shampoo (careca também usa shampoo mas um Seda anticaspa dura 1 ano).

Meus dentes estão longe de serem perfeitos, são um pouco desalinhados e jamais foram brancos como sulfite. Eles são naturais! Nem penso em alinha-los usando aparelho durante anos, sofrendo e gastando. Também não penso em fazer clareamente a não ser que fiquem com cor de cocô. Isso não quer dizer que sou relaxado ou tenho boca de bueiro, vou ao dentista uma vez por ano ou um pouco mais que isso se julgo desnecessário. Uso creme dental COMUM (parece que todo mundo tem dentes sensíveis e usa Sensodyne, não?), escova de dentes de 5 reais (pra que escovas com tecnologia da Nasa que custam 20 conto?).

Viver como o Salamanca? Não obrigado!
Você realmente acha que a hipertensão, diabetes, câncer e outras doenças crônicas não podem ser curadas? (se é que algumas dessas realmente são doenças ou apenas condições naturais do corpo humano). Eu particularmente duvido que não e acho que na verdade o motivo de existirem é pra vender remédio pra grande massa. Aí você vem com o argumento "Corey, a medicina aumentou a longevidade e a qualidade de vida das pessoas", ok é verdade mas até que ponto isso é verdade e viável? Falo por mim, se for pra viver 100 anos dependente de 500 comprimidos diários, usando fralda e sem ter forças pra nada eu prefiro morrer. Viver é muito, muito mais que um coração batendo e um pulmão respirando (por isso sou totalmente a favor da eutanásia). A medicina pode ter esticado a vida das pessoas mas isso é porque é interesse dela mesmo, quanto mais pessoas "vivas", mais remédio vendido.

Não sou teórico de conspiração mas acho que não precisa de muito pra acreditar que sim, a indústria da medicina está nos deixando doentes. Sou capitalista e não tenho absolutamente nada contra quem ganha dinheiro mas isso não quer dizer que vou abraçar todas as ideias capitalistas e acho que você devia ao menos questionar isso.

Pra finalizar deixo o texto abaixo (acredito que muitos de vocês já conheçam):
Entre os 28 a 30 anos você de repente sente uma melancolia agonizante, uma depressãozinha, uma tristeza meio persistente que não vai embora. Você, então, depois de fazer vários exames clínicos onde nada de conclusivo foi visto ou encontrado, e a “zorra” da sua melancolia continua, encontra um médico “genial” que “entende” o que você tem e te prescreve fluoxetina – o Prozac da vida.
A fluoxetina, ou o antidepressivo similar receitado tem um efeito adverso clássico – dificulta de cara o seu sono. Então, na revisão com o médico ele prescreve clonazepam, o Rivotril da vida. Deixa você meio bobo ao acordar e reduz sua memória, uma sensação de “maconhado”.
Ok, você liga para a secretária do médico e volta ao doutor. Ele nota de cara que você aumentou de peso. Aí, prescreve sibutramina, que faz você perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da “batedeira” no coração o médico afere que você também está com a pressão alta. Então, prescreve-lhe losatarna e propanolol, este último para reduzir sua taquicardia.
Você já está com uns 35 anos e toma: fluoxetina, clonazepam, sibutramina, losartana e propranolol. E, também, junto com tudo isto, um “polivitamínicos” é prescrito. Como o doutor não entende nada de vitaminas e minerais específicos, ele manda que você compre um“Polivitamínico de A a Z” da vida, que pra muito pouca coisa serve, digamos a verdade verdadeira. Mas, na mídia, o Luciano Huck disse que tem um que é ótimo. Você acreditou, e comprou.
Lamentemos. Já se vão aí uns R$ 350,00 por mês. Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica. Você começa a ficar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da fluoxetina e do rivotril), pois as contas não batem no fim do mês – seu lazer está comprometido, seus planos não estão batendo com as metas traçadas. Você começa a sentir dor de estômago, refluxo e azia. Seu intestino fica “preso” – você fica enfezado (fezes retidas). Vai a outro doutor agora. Prescrição simples: omeprazol + motilium + laxante natural.
OUTRAS QUEIXAS
Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da “escangalhação” que virou a sua flora intestinal. Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais potência sexual. Além de estar “brochando” com frequência, tem pouquíssimo esperma e a libido está embaixo dos pés. As mulheres que já têm a sua dificuldade com o orgasmo, esqueceram de vez onde ele fica, e a lubrificação vaginal vira o KY GEL.
Para o doutor da medicina da doença, isso não é problema. Até manda você escolher o remédio: viagra ou cialis? Escolha aí – um dura umas 2 horas, e outro pasmem 36 horas de possível “pinto duro”. Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza. Não há problema, o doutor aumenta a dose do propanolol e passa uma neolsandina para você tomar antes do sexo. Se precisar, instala um “remedinho” para seu corrimento nasal, um neosoro que sobrecarrega seu coração e piora a coisa toda.
Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você percebe que seus dentes estão apodrecendo e caindo (aqui entre nós, é efeito simples do antidepressivo, mas não te disseram isso). Tome grana pra gastar com o dentista. Nessa mesma época, outra constatação: sua memória está falhando bem mais que o habitual. Mais uma vez, para seu doutor, isso não é problema: ginkgo biloca é prescrito. Nos exames de rotina, sua glicose está em 110 e seu colesterol em 220. Nas costas da folha da receita, pois já nem cabe mais nada alí, o doutor prescreve glifage + sinvastanina. “É para evitar Diabetes e Infarto”, diz o cuidador de sua saúde (?!). Mas se você for mulher e tiver ovários policísticos já toma este glifage faz tempo.
Aos 40 e poucos anos, você já toma: FLUOXETINA, RIVOTRIL, LOSARTANA, PROPRANOLOL, POLIVITAMÍNICO de A a Z, OMEPRAZOL, MOTILIUM, LAXANTE “NATURAL”, VIAGRA, CIALIS, NEOSALDINA (ou “Neusa”, como chamam), GINKGO BILOBA, GLIFAGE e SINVASTATINA (e nos fazem querer engolir que isso é para o nosso bem). Mil reais por mês! E sem saúde!!!
BOA NOTÍCIA
Entretanto (vamos aqui dar uma risada para não chorar) – você ainda continua deprimido, cansado e engordando. Mas neste momento agora o doutor tem uma boa notícia, vai tirar a sua FLUOXETINA e trocar por DULOXETINA, um antidepressivo “mais moderno” diz ele. Após dois meses você se sente melhor (na verdade, “menos ruim”). Porém, outro contratempo surge: o novo antidepressivo o faz urinar demoradamente e com jato fraco. Passa a ser necessário levantar duas vezes à noite para mijar. Lá se foi seu sono, seu descanso extremamente necessário para sua saúde – o grande reparador de tudo.
Mas isso é fácil para seu doutor: ele prescreve TANSULOSINA, para ajudar na micção, o ato de urinar. Você melhora, realmente, contudo… não ejacula mais. Não sai nada! E as mulheres, esqueçam a palavra orgasmo. Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde. Mas é nisso que se investe, e aquele sujeito de mala preta que entra na sua frente na sala do médico é o representante disso tudo.
Ele tem uma cota mensal para oferecer-comprar o médico. Paga as viagens do médico, coloca uma TV Full HD na sala de espera e até paga parte da formatura da filha do doutor que também vai virar médica, e deixa, claro, aquelas caixinhas de “amostra grátis”, que depois vão lhe custar os olhos da cara deprimida que vai ter.
Essa história termina com uma situação cada vez mais comum: a DESTRUIÇÃO PROGRAMADA E ESTRATÉGICA DE SUA SAÚDE. Você está obeso, sem disposição, com sofrível ereção ou libido – memória e concentração deficientes. Diabético, hipertenso e agora com suspeita de câncer. Dentes: nem vou falar. O peso elevado arrebentou seu joelho (um doutor cogitou até colocar uma prótese). Surge na sua cabeça a ideia maluca de procurar um CIRURGIÃO BARIÁTRICO, para “reduzir seu estômago” e um PSICOTERAPEUTA para cuidar de seu juízo destrambelhado é aconselhado. A terapia só entra agora quando a coisa tá toda quebrada. Mas muitos médicos vão te desencorajar e dizer que terapia não vai resolver, que você se discipline mesmo nas receitas médicas e em ligar para o novo 0800 para ter desconto na medicação.
MUITO DOENTE
Sem a grana sonhada, triste, ansioso, deprimido, pensando em dar fim à sua minguada vida e… DOENTE, muito doente! Apesar dos “remédios” (ou seria por causa deles ???).
Pense nisso!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Polarização e Discutir Dinheiro

POLARIZAÇÃO

Nos cometários do meu último post uma coisa ficou clara: houve uma tentativa de polarização entre os blogueiros anônimos e os não anônimos, como se alguém tivesse tentando desmerecer o outro. Isso é o que costumo chamar de "câncer da polarização", hoje em dia é assim, se você dá uma opinião contrária ao grupo A automaticamente você pertence ao grupo B. Isso me da nojo!

Veja o velho, batido e fedorento assunto política. Se você se diz contra o PT e suas picaretagens automaticamente te colocam na "direita", você será eleitor do Bolsonaro. Se você é eleitor do Bolsonaro você quer exterminar os gays, acabar com todas as ações sociais, etc. É isso mesmo? É óbvio que não! Você pode sim pertencer a um grupo e discordar com algumas diretrizes dele, jamais seremos 100% alguma coisa (a não ser se for corintiano, petista ou idiota (redundância)).  Vou falar por mim, sou um cara anti-socialismo o que não significa adotar a cartilha direitista, por exemplo sou totalmente a favor do aborto (em qualquer situação), casamento homossexual e tenho dúvidas sobre liberação de drogas. Por outro lado apoio coisas tidas como de extrema direita como extermínio de bandidos (ou melhor ainda, usa-los como almoxarifado humano e mão de obra grátis). Resumindo: não há como a pessoa se encaixar totalmente em A ou em B. (obs: será que os não anônimos ficariam confortáveis de expor opiniões como essas?).

Sou capitalista, a favor da meritocracia, sou contra controle estatal, sou contra assistencialismo na maioria dos casos, etc. Nem por isso quero viver como um magnata, usufruindo das mordomias que o capitalismo proporciona, muito pelo contrário, tenho um estilo de vida simplão que vai de encontro ao estilo de vida (forçado) da maioria dos lugares socialistas. Tenho muita curiosidade pra conhecer Cuba e ver de perto como o socialismo funciona, e aqui não estou dizendo que quero ver "como um sistema igualitário, justo e viva la revolution" funciona e sim que talvez um detox de capitalismo possa me inspirar ainda mais a viver meu estilo de vida. Quero dizer: não é porque sou mais A que não quero entender como B funciona, até porque com certeza a melhor resposta está entre A e B, entendeu?

Se você quer fazer o bem pro mundo: PARE DE PENSAR DE MANEIRA POLARIZADA, PORRA!!!

DISCUTIR DINHEIRO

Também no último post surgiu o assunto que americano discute dinheiro muito mais que brasileiro, que eles não tem medo/vergonha de se expor e dizer quanto ganham. O assunto dinheiro é tabu por essas bandas... Brasileiro dificilmente abre suas contas pra qualquer um, muitas vezes nem o casal sabe quanto o outro ganha (o que pra mim é de cair o cu da bunda), mas nos EUA isso é bem diferente, vou contar uma história que aconteceu comigo:

Sacaralha é bom pra porra!
Bia e eu estávamos num Wendy's no meio do sertão Californiano almoçando um hamburger quadrado e um maravilhoso chili de 1 dólar, estávamos conversando sobre algum assunto aleatório quando formos interrompidos do um cara, um típico negão americano vestido com macacão azul de mecânico:

Mecânico: "Hey guys, where are you from?"
Eu: "We're from Brazil"
Mecânico: "Oh, nice, your language is Beautiful!"

E aí começamos a trocar ideia, ele e o colega disseram que tinham vontade de conhecer o Brasil porque gostam de soccer, as mulheres e praias são bonitas e todo aquele lenga lenga que brasileiro está cansado de ouvir na gringa. Eles disseram que eram mecânicos e o assunto foi pro lado de dinheiro, soltei a velha frase que adoro:

Eu: "Hey guys, did you know Corolla is a luxury car in Brazil? A top Corolla cost a annual salary of a doctor!" (Pessoal, vocês sabiam que Corolla é um carro de luxo no Brasil? Um Corolla top de linha custa o salário anual de um médico!)

Cara, é muito legal ver a expressão de incredulidade na cara dos gringos, isso porque um Corolla por lá custa o salário MENSAL daqueles mecânicos e é um carro de adolescente, de imigrante ou de gente quebrada.

E aí o papo foi nessa linha de grana, custo de vida e tals. Eles começaram a falar sem o menor pudor quanto ganhavam, quanto de imposto pagavam, qual carro tinham, etc, etc... Americano médio pode ser burrão em relação a grana (fazem leasing de carro, vivem com cartão de crédito estourado (pagar o mínimo lá é praticamente regra, compram Mc Mansions super valorizadas), etc) mas conversam sobre dinheiro muito mais que a gente e isso acho extremamente saudável pra quem sabe ouvir e aprender. Rolou até um bulling entre eles porque um tinha ganho quase o dobro que o outro no ano anterior:

"You"re a fat, black, lazy guy, bro!

O que acho sobre isso? Quem está certo? Mais uma vez digo: detesto polarização! Dentro da realidade deles, tanto cultura e principalmente de segurança, estão certíssimos, Discutir dinheiro é no mínimo proveitoso. E a gente, dentro da nossa realidade banânia também estamos certos, não devemos sair por aí discutindo nosso salário e com toda certeza devemos viver abaixo de nossos meios não só pra economizar mas principalmente por questão de segurança, tanto de bandidagem quanto de família ou amigos. Nos EUA ser rico é objetivo de vida, no Brasil ser rico é sinônimo de explorar e ser filho da puta.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A Importância do Anonimato

Além da Brasileira, acompanho a blogosfera Americana e sabe qual a maior diferença? Por lá ninguém (ou quase ninguém) é anônimo, a grande maioria dos blogs americanos tem foto do blogueiro, do carro do blogueiro, do cachorro do blogueiro... Mas sabe qual outra grande diferença entre nós e eles? Nós entramos em assuntos polêmicos, nós discutimos nos comentários, nós falamos sobre ideias politicamente incorretas, a gente fala palavrão, a gente dá dicas FODAS para os outros... E sabe por quê? Porque somos anônimos e por não nos expormos podemos dar um passo a frente e nos colocarmos em situações fora da zona de conforto, o anonimato nos protege.

Poucos blogs americanos saem da lenga lenga de "melhores investimentos pra 2017", "como economizar margarina", "como me aposentei em 5 anos ganhando mil dólares por mês", etc. Os blogs americanos são todos profissionalizados, com design bacana e claro, muitos anúncios e posts de isenção duvidosa. É óbvio que grande parte dos blogueiros busca somente grana com cliques (sabe-se lá como isso funciona) ou vendendo cursos dos mais variados gêneros. Não tiro o mérito de excelentes blogs profissionais que temos aqui no Brasil, muito pelo contrário, acho bacana quem faz isso, quem busca uma fonte de renda com o blog e quem o deixa com cara mais profissional, mas a diferença é que mesmo esses são muito melhores aqui no Brasil que lá fora. A grande cartada da blogosfera brasileira é o amadorismo, a aparência feia e underground da maioria dos blogs (incluso o meu), coisa que não existe lá fora.

É nítido que o blogueiro médio brasileiro faz isso por tesão, ele sente prazer em escrever, com compartilhar seu conhecimento oriundo muitas vezes de perdas financeiras. Veja que coisa maravilhosa é isso: eu me fodo, perco uma grana lazarenta, venho aqui na internet, escrevo sobre a cagada que fiz, aponto meus erros e vejo o que poderia ter feito certo, isso me faz aprender ainda mais com a bosta que aconteceu porque tudo que é registrado você aprende melhor e você, leitor, vem aqui e pega toda essa informação DE GRAÇA! Caralho, se for somar todo dinheiro enfiado no cu por nós blogueiros e que foi revertido na forma de conhecimento gratuito com certeza dará alguns milhares senão milhões de reais!!!

Claro que assumir cagadas e contar seus erros em rede nacional não é fácil, por isso o anonimato é importante e é aqui que quero chegar. Recentemente perdemos mais um colega de blogosfera, o Doutor Honorários porque pelo que tudo indica teve sua identidade revelada. (Uma coisa bizarra aconteceu entre o DH e eu: por algum motivo o blog dele sumiu do meu blogroll e fiquei meses (anos?) sem encontra-lo, o que acabei fazendo recentemente, sorry DH). Assim como DH perdemos MUITOS companheiros de blogosfera devido a identificação, veja que estou aqui desde 2012 e todo ano vejo essa triste história se repetir...

A atitude de deletar o blog é perfeitamente plausível e provavelmente é o que eu faria nessa situação. Entenda que a grande maioria de nós não ganha 1 real pra manter uma produção de conteúdo fantástica e aí vem algum filho-de-um-puta cidadão e revela nossa identidade. Portanto minha mensagem aqui é a seguinte: se você gosta de ler os blogs de finanças, se aprendeu algo conosco ou mesmo se sua vida mudou drasticamente após conhecer nossos blogs (todos os dias vejo gente dizendo isso e acredito que seja verdade), se você por algum motivo descobrir a identidade de um blogueiro faça somente uma simples e singela coisa que não exige nada, absolutamente nada: FIQUE NA SUA, CALE SUA BOCA, CONTROLE SEUS DEDOS NO TECLADO E JAMAIS CONTE A NINGUÉM, NEM PRA PESSOA IDENTIFICADA. Simplesmente ignore isso e toque em frente, isso é o mínimo que você pode fazer, o mínimo de pagamento que você pode nos dar por todo o conhecimento foda que por anos nós te demos de graça. Perceba que não queremos dinheiro em troca de conteúdo (e aqui me sinto a vontade de falar em nome dos outros blogueiros), queremos somente nosso anonimato. A blogosfera depende do anonimato e você, descobridor de identidades, não é bem vindo entre nós.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Otimismo, versão 2017

Um ano atrás fiz um post sobre o quanto estava otimista em relação a 2016 e que tinha decidido ser mais otimista, afinal sempre usei o pessimismo como ferramenta de proteção de vida. Qual a minha opinião sobre isso agora que se passou 1 ano? Otimismo é o kct, devemos ser realistas com um pé no pessimismo.

Esse pensamento otimista me fodeu fortemente durante 2016, ele me cegou a ponto de fazer cagadas idiotas. Puta que pariu, como pude ser tão burro (em breve vou explicar melhor isso). Ser otimista é a pior coisa que podemos ser, otimismo só traz frustração e te faz tomar atitudes temerárias. Estava fragilizado após um problema de saúde e passei a ver o mundo cor de rosa, bullshit! O mundo tem cor e cheiro de bosta, cabe a cada um tentar limpar um pouquinho. Fui tentar ser aquilo que não sou e tomei no cu sem direito a K-Y.

Não acho que voltarei a ser pessimista porque na época que eu o era acabava me preocupando muito com coisas que não tinha controle. De uns tempos pra cá liguei o foda-se e estou cagando e andando pra aquilo que não tenho controle, então estou REALISTA, tento sempre enxergar as reais possibilidades de certa coisa invés de ficar fantasiando com os problemas que podem cagar tudo ou com o cenário perfeito e perfumado onde tudo corre conforme previsto.

Não me importo com a situação do país, jamais terei controle sobre isso. Sei que como as coisas vão interferem de maneira importante no meu dinheiro mas acontece que não tenho controle então se estressar com isso é perder tempo e saúde. Sabe aquela história de "estando bem o resto que se foda", pois é, essa é minha filosofia de vida atual. "Ah, Corey, isso é ser egoísta...", sim é verdade, sou egoísta mesmo, ao menos não sou hipócrita de dizer o contrário. Só me preocupo com aquilo que é importante pra mim e minha família, ponto final. 


Esse papo buda aí em cima pode parecer lenga lenga de blog feminino mas não é!!! Realmente acredito que devemos focar no presente e fazer aquilo está a nosso alcance no dia de hoje, o passado só serve pra aprender não cagar e o futuro é impossível de adivinhar. Bora ter um 2017 REALISTA.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Em 2017 Vire Homem

Apesar do título esse post é para homens e mulheres, quando digo "virar homem" é no sentido de amadurecer, assumir as responsabilidades de adulto, proteger sua família, buscar desenvolvimento pessoal e focar em coisas úteis.

Esse post é pra mim também, quero em 2017 virar homem de uma vez por todas. Deixar tudo de errado, todas as cagadas que fiz nos anos anteriores, tirar lições dos erros e tocar em frente focando naquilo que presta. Comecei hoje mesmo, estou de pé desde as 6:30 da manhã, trabalhando em pleno dia 1/1 mesmo sem precisar, logo mais vou fazer uma refeição balanceada, descansar e praticar alguma atividade física (provavelmente pedalar um pouco). Troquei meu chip de celular o que significa sair de todos os grupos de whatsapp, os de putaria e os de família (chatos pra caraleo onde os tios ficam mandando foto de flor o dia inteiro praticamente implorando atenção). Formatei o celular e não recuperei a agenda do Google, se precisar de algum contato sei onde encontrar. Em 2017 quero eliminar distrações, tudo aquilo que toma tempo e me rouba vida. Facebook já não tenho a tempos, a única mídia social que tenho (se é que posso chamar assim) é a blogosfera e estou satisfeito em me manter aqui porque isso aqui é útil, aprendo e ensino todos os dias.

Não se trata de promessas de começo de ano, se trata de tomar as rédeas da sua vida, se não mudarmos as merdas da nossa vida, ninguém vai mudar e a gente continuará se fodendo mais e mais. Espero que em 2017 você (assim como eu) pare de mimimis, pare de discutir coisas inúteis, pare de brigar por causa de política (TODO político é filho da puta e ponto final), pare de reclamar, seja realista, pare de se magoar com besteira, ou seja, vire Homem. E não me venha falar que está tudo azul na sua vida e que não há nada pra mudar porque não acredito. SEMPRE terá alguma coisa que podemos melhorar.

Fiz muita bosta ano passado, aliás o maior arrependimento da minha vida inteira aconteceu em 2016 (gostaria de compartilhar melhor isso, quem sabe um dia eu encontre alguma maneira de contar sem me expor), confesso que isso me abalou muito e durante a virada ficou martelando na minha cabeça trazendo grande tristeza. 2016 foi um ano foda, muita coisa fantástica aconteceu na minha vida e prometi pra mim mesmo que não é uma cagada que tirará o brilho dessas coisas maravilhosas. Tenho que ser Homem. Se fiz cagada vou aprender com ela e não repeti-la.

2016 me trouxe 10kg a mais, fluência no inglês de menos. Isso vai mudar em 2017 e não é porque é bonitinho fazer promessas de ano novo e sim porque o sobrepeso está fodendo com meu joelho e coluna sem contar as taxas que devem estar destrambelhadas. O relaxo no inglês me deixou triste porque eu estava evoluindo rapidamente e acabei estacionando (ao menos não perdi). Preciso ser homem, perder peso, melhorar minha alimentação, me exercitar mais (ir e voltar a pé do trabalho não está sendo suficiente). Preciso ser homem e agarrar firme nos estudos tanto de inglês quanto de outro aprendizado que vou me jogar em 2017. Terei flexibilidade de tempo e dinheiro, portanto vou me dedicar ao aprendizado, estudar muito e me tornar um Homem melhor.

2017 será o ano de dedicação total aos interesses da minha família (leia-se Bia, o cachorro e eu). Trabalharei menos, aproveitarei mais a flexibilidade financeira que atingi, não me dedicarei full time ao trabalho como fiz durante quase todo 2016. Aconselho que você faça o mesmo, dedique-se 100% aos interesses da sua família (sua esposa e filhos), trabalhe duro se realmente for necessário porque se você, assim como eu, já tem uma estabilidade financeira legal crie vergonha nessa cara, deixe a ambição e ganância um pouco de lado e de mais atenção a sua esposa e filhos. Dinheiro é lindo, mas um grupo familiar coeso não tem preço (parece conversa pra boi dormir mas realmente penso isso). Se você tem filhos seja presente na vida dele e falo isso pelo bem da humanidade.

Como comentei num post passado tenho diminuído o consumo de álcool, esse ano pretendo simplesmente não ingerir álcool. Nada xiita, se for num churrasco e tiver cerveja, se der vontade de tomar um vinho comendo uma pizza eu beberei, mas nada muito além disso. Refrigerante e demais bebidas açucaradas também seguirão o mesmo ritmo (já não bebo muito refri porque Bia não bebe a mais de 2 anos). Usarei ainda menos remédios (post sobre isso em breve), ou seja, não farei uso constante de drogas. Estou mergulhando fundo no estilo de vida minimalista, abandonando coisas que desviam atenção e energia, pretendo falar muito sobre o assunto em 2017.

2017 será um ano fodástico e isso não é questão de esperança e sim de perseverança e força de vontade. Ter um ano épico depende tão somente de tomar vergonha na cara e virar Homem.
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.