sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Cabeça de Pobre x Cabeça de Rico

Ostentação: todos gostamos, somente os tontos fazem.
Conheço Jean e Maurício desde a escola, não os considero amigos (até porque esse lance amigo é muito relativo, papo pra outro post) mas são colegas, nos encontramos sempre nos churrascos de confraternização do pessoal da escola e nos grupos de zoeira/putaria do whatsapp.

Jean sempre foi um bon-vivant, viagens ao Guarujá todo final de semana, férias em Camboriú, só usava roupas de marcas, tênis da modinha eram trocados todos os meses, em 99 seu pai andava de Silverado do ano, moravam numa baita casa num bairro nobre da cidade. Ao terminar o colégio tudo foi farra, Jean morou uns tempos no sul, se gabava de pegar várias gaúchas, andava de carro bom, torrava fortunas nas baladas... Desde essa época a gente sabia que o pai de Jean era um picareta, teve vários carros retomados pelo banco, ordem de despejo por não pagar aluguel, ameaça de prisão, etc. Jean nunca fez faculdade mas deu certa sorte por surfar no boom da economia entre os anos 2003 e 2013, ganhou um bom dinheiro trabalhando com algo legal porém totalmente volátil. Como torrou todo e qualquer centavo que ganhou nesses 10 anos, quebrou totalmente quando a economia esfriou, ou pior ainda, saiu do seu negócio devendo até as cuecas pra um monte de gente. Foi trabalhar numa loja "ganhando somente o do cigarro" como ele orgulhosamente me contou. Não entendo como certas pessoas se orgulham de terem quebrado, de torrarem toda sua grana com cachaça... Jean fala com orgulho que a 3 anos andava de Mercedes e hoje de busão, que torrava 2k numa balada, que sempre gastou todo o dinheiro que tinha no bolso, que saia 6x por semana, etc. Vergonha alheia é o que sinto ao ouvir essas histórias...

Os pais de Maurício sempre tiveram uma condição financeira legal, em 99 tinham um carro 92 top de linha comprado zero, moravam num confortável porém pequeno sobrado numa região razoável da cidade. Maurício nunca foi de sair muito, não curtia muito nossas bebedeiras de adolescente mas estava sempre conosco, jogava bola com a molecada, era social porém discreto. Fez uma engenharia numa faculdade de bom nível, arrumou um bom emprego onde evoluiu razoavelmente rápido. Nesse meio de tempo comprou um carrinho popular completo, um apartamento tipo MRV e se casou. A vida ia muito bem até que numa mesma semana recebeu duas notícias: a boa é que seria pai (filho muito desejado), a ruim é que fora demitido. Engenheiro sem emprego num país no buraco, as chances de recolocação eram terríveis, 2 meses depois Maurício ainda não tinha conseguido arrumar outro emprego.

Ano passado nessa mesma época encontrei Jean e Maurício, abaixo explano seus respectivos planos pra sair do buraco:

Jean: "vou comprar um carrão, uma nave, tipo um Jetta TSI ou uma BM financiado no nome da minha namorada, aí faço um esquema com fulano, vendo o carro no valor cheio, pago a grana e quito minhas buchas, aí empurro de barriga o financiamento, pagando no protesto..." Bom, não entendi porra nenhuma desse plano maluco, só sei que ele queria fazer algum 171 nervoso e ainda envolver a namorada, pior ainda é saber que o cara não tem o menor pudor de sair falando esses planos bizarros pra outras pessoas, nem amigo dele eu sou, conheço a 20 anos mas isso não quer dizer que somos amigos... tenho dó porque sei que Jean no fundo é um cara legal, somente teve uma educação porca e acredita que não há o menor problema de fazer esses esquemas malucos e criminosos.

Maurício: "cara, não consegui nada, tá foda na minha área... Semana passada decidi fazer um teste, aluguei o carro de um amigo, porque o meu não serve, e comecei a fazer Uber... é um teste pra ver se da certo ou não, se tudo correr como previsto mês que vem compro um carro adequado... tá indo bem, tenho uma meta diária de faturamento que dificilmente não bato, mas quando isso acontece um dia cobre o outro, tenho planilha de controle dos gastos com combustível, celular, água mineral... Vamos ver, espero que dê certo..." Maurício começou no Uber com uma abordagem profissional, encarando como um empreendimento onde há investimento, despesa fixa e variável, etc. Ele tinha seu carrinho e apartamento quitado e depois descobri que tinha, em sociedade com um irmão, um imóvel de aluguel. Cabeça um pouco diferente, não?

Semana passada encontrei Jean e Maurício novamente, veja os updates:

Jean: "cara, me levantei, tô trabalhando novamente na área e tá devagar mas tá dando pra sobreviver... tô andando com essa nave aí (apontando para o hatch de 80k)". Não quis me aprofundar mas provavelmente o golpe negócio de Jean deu certo, tenho plena convicção que aquele carrão estava totalmente financiado e provavelmente com parcelas em atraso, também sei que outro revés da economia e Jean estará completamente fudido novamente, ou talvez preso mesmo. Ele está feliz, então ok...

Maurício: "O Uber deu certo, comprei um DeLorean (nome meramente ilustrativo) 2012 adequado até para o Uber Black, só não serve por causa do ano, mas comprei de propósito porque consigo fazer Uber X com um carro de Uber Black e ter ótimas avaliações, além de mais conforto pra dirigir, coloquei GNV, fiz um curso pra aprender a dirigir melhor e ganhar mais, hoje tenho uma agenda de trabalho buscando rodar nos locais e horários que rendem mais. Consigo ter mais tempo pra minha filha e esposa. Tô gostando bastante, não ganho o mesmo que na firma mas dá pra viver muito bem... Vejo um monte de nêgo reclamando que Uber não dá mais dinheiro, que é escravidão, mas poucos sabem o que estão fazendo... " Veja que a abordagem profissional que Maurício encarou o Uber trouxe muitos resultados positivos, sem dúvidas a cabeça de solucionamento de problemas que engenheiros possuem ajudou muito. Ele está tranquilo, adaptou o trabalho ao ritmo familiar e ganha dinheiro pra tocar a vida,.. (em breve um post comentando sobre oferecer mais por menos, exatamente o que Maurício faz).

Assim como eu Maurício é discreto em relação a sua vida financeira, deve ter aproveitado muito bem os anos de gordos salários na "firma" pra formar patrimônio, talvez ele seja um blogueiro e a gente não saiba, rsrs! Hoje pode se dar ao "luxo" de ganhar menos mas tem tempo pra ficar com sua filha pequena, que crescerá na presença do pai o que sem dúvida alguma é fundamental. Por outro lado Jean é espalhafatoso, sai contado detalhes da sua vida pra todo mundo e vive na merda. Por mais que ele ache que não por estar andando de carro top e torrando novamente como se não houvesse amanhã, a gente sabe que ele não está bem e que a vida dele é de merda porque vive no fio da navalha, qualquer escorregada ele se cortará.

Um dos primeiros livros que li quando comecei a buscar educação financeira foi o "Segredos da mente milionária", que em resumo diz o seguinte: uma vez com mente de pobre, você sempre será pobre, não importa o que aconteça na sua vida. Esse é o caso dos pobretões ganhadores de loteria que voltam a ficar na bosta pouco tempo depois. Por outro lado se você tiver cabeça de rico, pode passar por apuros mas sempre vai se levantar porque sua mente é programada pra ser rico. Esse é o caso dos milionários que quebram e pouco tempo depois se reinventam.

Trazendo esse ensinamento do livro pra mais próximo da realidade e sem usar extremos vejo que Jean é a típica mente pobre, programada pra ser pobre eternamente. Ele busca uma falsa riqueza e felicidade em coisas materiais que possam faze-lo parecer rico, Maurício é a "mente milionária" que sempre teve cautela com sua vida financeira e aproveitou um baita de um revez que poderia fode-lo pro resto da vida pra criar uma nova vida profissional, perdeu rendimentos, mas ganhou tempo com sua família.

Particularmente acho que minha mente tem muito de "pobre", talvez herança do meu pai que a vida inteira tentou ser rico sem se preocupar com a estabilidade financeira, que sempre que pode usou de bens materiais como alavanca social, que nos anos 90 colocava seu American Express verde na frente dos outros cartões pra se sentir o fodão (ele mesmo dizia isso com todas as palavras) quando chegava num comércio e "sem querer" colocava a carteira aberta em cima do balcão; que fumava Derby mas quando ia a alguma reunião da família comprava Carlton, etc. Mas essa mesma mente pobre herdada do meu pai luta com a mente milionária que brotou na minha cabeça na tentativa de não repetir as cagadas do velho e a promessa que naturalmente fiz pra mim mesmo de "nunca quebrarás". Mente pobre e mente milionária pode sim ser trabalhada e melhorada, uma prova é o tanto de gente na blogosfera que passou de fracassado fudido a investidor.

Sempre digo que adoro ouvir histórias financeiras, sejam de sucesso ou fracasso, anti-modelos são mais importantes que modelos. Pensando em Jean e Maurício me faz crer ainda mais que meu modelo de vida está nos trilhos certos.

69 comentários:

  1. ótimo post Corey!

    Minha mente deu uma guinada também após ler os segredos da mente milionária. A parte dos arquivos da riqueza descrevem exatamente meu pai. Se minha mãe não pensasse completamente diferente dele, provavelmente estaríamos hoje morando em uma favela, fud@#$s sem grana e ele se exibindo para os outros pobres.
    O pior, é que você tenta mostrar o caminho, mas não adianta. É algo que é mais forte do que eles, querem demonstrar que podem, mas sentem raiva e inveja de quem é rico.

    Abraços!

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    1. Olá PS!

      se bobear meu pai ainda vai quebrar algumas vezes na vida, isso pq ele tá nos 70... não aprende, não tem jeito. Pior que ele é esnobe com certas coisas, se acha superior.. enfim, não tem o que fazer. Como vc disse, se não fosse minha mãe as coisas seriam bem piores.

      Abraço!

      Corey

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    2. Ah, se livro mudasse a vida das pessoas...

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    3. Pode até servir para de dar um ponta-pé, mas se sua mente não estiver preparada para a leitura vai fazer pouco sentido. E tem gente que lê, lê e não sai do lugar. No final das contas é uma conjunção de fatores que proporciona a mudança, assim eu penso. Abraço!

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    4. Sim, concordo totalmente. A mente deve estar preparada mas as vezes está e não nos damos conta até um livro servir como gatilho. Vou fazer um post sobre isso, abraçO!

      Corey

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  2. Olá, Corey.

    Conheci muitas pessoas como as que descreveu. Principalmente a turma que adora ostentar. Até antes da crise esse clube era enorme, mas agora, durante essa crise econômica, boa parte foi desmascarada, obrigada a devolver o carrão, mudar-se para um imovel menor em bairro menos nobre, tirar filhos da escola top da moda e por aí vai.

    Penso que muitos de nós somos um misto de mente pobre e rica, afinal, carregamos ainda muitos dos pensamentos e crenças dos nossos pais que tiveram uma cultura econômica muito particular das décadas de 60 e 70. Hoje estamos lutando com nossas crenças de mente pobre para mudarmos a nossa história financeira. Não é muito fácil, mas boas leituras, estudo e mudança de hábitos ajudam muito.

    Abraço e bons investimentos.

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    1. Grande G65!

      Isso mesmo, agora que o calo tá apertando o pessoal da ostentação está caindo. Sim, a influência nem sempre positiva de nossos pais é grande e se a pessoa se deixar levar vai quebrar a cara, nossa vantagem é ter a internet onde não dependemos da opinião de pessoas próximas pra formar nossa vida.

      Abraço!

      Corey

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  3. Ótimo texto. Educação financeira nunca é demais. Vivendo (lendo) e aprendendo!

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  4. Isso tudo vai muito da personalidade de cada pessoa e muitos fatores contribuem para a formação da personalidade. Pelo que já lí de alguns blog da blogsfera de finanças boa parte dos blogueiros e até dos comentaristas são pessoas de perfil mais reservado, contidas financeiramente e muitos sempre foram assim, pra esses é mais fácil aportar/investir.
    Por outro lado tem gente que quer viver como se não houvesse amanhã, gosta de comprar, se exibir, é muito vaidoso etc. Pra esses é mais difícil aportar/investir.
    Claro que a mudança de comportamente é possível e há vários exemplos disso.
    Mas é personalidade, mais que conhecimento ou planejamento financeiro que faz a maior diferença nesses casos.

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    1. Sim, a personalidade é difícil de mudar mas acho que a partir da hora que a pessoa quer, consegue sim ao menos trabalhar isso de maneira a melhorar sua vida.

      Abraço!

      Corey

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    2. O cara bota a culpa de não conseguir aportar e investir na personalidade.
      Só falta dizer que uns nasceram pra ser ricos e tem sorte.

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    3. Acho que a questão é diferente: a personalidade não deixa o cara se tocar que o que faz é pura cagada, por isso ele não se conscientiza que só faz bosta.

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    4. Anon 12:38 Isso tudo é pressa pra criticar o comentário alheio? Acho que não entendeu meu comentário.
      Eu mesmo citei que É POSSÍVEL mudar. Tem gente, bastante gente por sinal que se sente realizado por ter status, bens e coisas do tipo. Tem muita gente que é vaidosa.
      Pessoas com esse perfil obviamente terão mais dificuldades para investir/aportar a não ser que ganhem muito bem.
      E sim isso é da personalidade da pessoa. Quem é mais quieto, mais discreto não tem maior possibilidade de aportar/investir? Lógico que tem, pois esses sentem menos necessidade de se impor aos outros e se importam menos com que os outros pensam a seu respeito. Estou mentindo?
      Lei e reflita um pouco antes de rebater uma opinião.
      E mesmo pra quem gosta de aparecer, é muito vaidoso etc a mudança é sempre possível.

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    5. "A personalidade não deixa o cara se tocar que o que faz é pura cagada, por isso ele não se conscientiza que só faz bosta." Pleno acordo. Conhecemos muitas pessoas que vivem assim, até mesmo familiares próximos que possuem excelentes rendas ativas, mas cujas personalidades não os permite absorver/considerar uma mudança no estilo de vida.

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  5. É Corey, duas observações no texto...

    Jean, mentalidade de muitos que se chama o "experto". Essa gente está começando a cair por terra nos últimos tempos.

    Maurício, cabeça humilde e trabalhador, que precisa correr atrás para sobreviver na terra com muitos "expertos" por aí...

    Abs,
    50segundos

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    1. Sim, exatamente. Infelizmente a imagem de Jean passa a impressão de sucesso mesmo sendo completamente o oposto e a galera tende a seguir esse tipo de comportamento. Já Maurício é visto como trouxa por ter uma esposa, filha, casa própria, carro quitado, um trabalho honesto e tempo pra curtir a vida... Vai entender...

      Abraço!

      Corey

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    2. Inversão de valores Corey, inversão de valores! O importante é estar bem consigo e com aqueles a quem você ama. Foda-se o que os outros pensam sobre você.

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    3. Isso aí! A muito tempo toquei o foda-se e abracei o estilo de vida esquisitão.

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  6. Olá Corey, excelente texto. O que eu mais conheço é gente igual ao Jean. Essas pessoas são difíceis de ser mudadas. Sempre vão continuar assim.

    Abraços.

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    1. Sim, dificilmente essas pessoas mudam, foram criadas para serem como são.

      Abraço!

      Corey

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    2. Fico a imaginar o sujeito em questão ai quando a velhice chegar. No estágio em que o Brasil caminha não será nada surpreendente que a aposentadoria se resuma a que hoje é o bolsa-família: Um monte de gente ganhando uma merreca gerando um rombo enorme nas finanças públicas. Pobre Jean, hoje um cara ``bon-vivant´´ que sabe curtir a vida. Amanhã, mais um senhor indigente.

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    3. Verdade, pessoal esquece do futuro e acredita que a aposentadoria pública será suficiente...

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  7. Grande Corey!


    Ótimo post. Particularmente, tema que me interessa.

    São muitas pessoas que não têm educação financeira básica - coisas como elaborar um orçamento e dele fazer um planejamento financeiro, gastar menos do que ganha e tentar, sempre que possível, comprar coisas à vista - e ainda um comportamento inadequado a uma pessoa equilibrada.

    Acho que muito disso está relacionado à falta de uma economia sólida e acessível aos mais baixos cidadãos + alguns aspectos obscuros (politicamente incorretos) + falta de educação financeira. Na verdade, educação financeira é para mim, como toda educação, não um fim, mas um meio; ela ou sua falta é um efeito dos dois primeiros componentes que citei.

    Temos uma economia, principalmente nas últimas décadas (desde os anos 60, acho), que não remunera bem todos os trabalhadores, o custo de vida tende a ser alto demais para quem ganha pouco. Logo, muitos que sentem a necessidade de aparecer, mas sem as características importantes, como paciência, prudência e sabedoria financeira, acabam por utilizar as ferramentas que as economias modernas dispõem, como os créditos e opções de parcelamento. Isso faz com que uma pessoa não tenha que poupar para comprar ou construir uma moradia, não tenha que poupar para comprar um carro e assim por diante. Na Europa, por exemplo, uma pessoa, que ganha o mínimo mensal no seu país, consegue viver bem, numa boa casa e com boa alimentação, e ainda conta com uma rede que eleva sua qualidade de vida (segurança, cidade limpa e mobilidade urbana). Logo, não se tem desespero por ser um cidadão de emprego básico, diferente de nosso país...

    As questões obscuras, bem, vou me abster de falar delas, apenas abordarei uma parte das tais. Um ponto é a falta de beleza de muitos... Abrindo uma aspa, isso é minha opinião, não há embasamento em teorias sólidas e muito menos estudos científicos, e é um assunto politicamente incorreto, então, os anônimos que se sentirem ofendidos, ignorem o que falei...

    Voltando ao que falava, a falta de beleza de muitos homens ou mulheres em nosso país faz com que muitos se submetam ao estrelismo, à ostentação e outras coisas relacionadas. Claro, não são apenas pessoas "feias" que ostentam, muitos filhinhos de papai e patricinhas o fazem (mas a raiz do comportamento já é outra). Mas, segundo minhas observações, muitos homens sabendo de suas estéticas não favoráveis, partem para alguma forma de atrair mulheres bonitas, como a compra de um carro, roupas da moda, gírias estúpidas, pagam bebedeiras e boates e correm aos treinos de musculação. Tentam, com isso, aumentar suas chances de obter sucesso para atrair o sexo oposto. Já no caso das mulheres ostentadoras e com beleza não exuberante, as maquiagens pesadas mais o apreço por sensualidade e promiscuidade são formas de se tornarem atraentes aos homens, pois sabem que precisam de um "empurrãozinho" para serem olhadas...

    Enfim, não vou mais abordar esse assunto, pois tenho umas concepções polêmicas, mas é o que eu acho.

    Abraço, Corey!

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    1. Realmente anônimo esse tem envolve muita coisa. Mas essa muita coisa se resume basicamente a vaidade.
      Com os salários pagos em média no Brasil, algo em trno de 2K não é fácil ter acesso a bens e serviços de boa qualidade e necessários como uma casa por exemplo.
      Então qualquer vacilo, qualquer gasto fora do básico já faz com que a pessoa se complique e fatalmente se endivide.

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    2. A população não está mais ``rica´´ assim se comparado a décadas atrás. Melhoramos um pouco a renda média, mas essa melhoria do padrão de vida médio do brasileiro se deu mais pela facilidade do acesso ao crédito e a possibilidade em comprar em parcelas a se perder de vista do que uma grande crescimento da renda. Com isso, ao longo dos anos, tivemos
      a falsa sensação de que o brasileiro está mais rico. Na verdade nada mais é do que uma falsa melhoria na renda, uma riqueza artificial que sucumbe a primeira crise ou a apenas uma leve ``marolinha´´.

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    3. A grande maioria das pessoas não sabe o que está fazendo com dinheiro, se até pra quem tem educação financeira as vezes é difícil e faz merda, que dirá pra quem nem pensa nisso.

      Não entendo como o cara mora numa casa sem reboque mas tem Iphone, ok, entendo o argumento que o pobre usa essas poucas coisas que consegue comprar a crédito como instrumento social, mas porra, é só pensar um pouquinho e ver que isso é furada.

      Concordo com suas "questões obscuras", infelizmente não dá pra sair comentando por aí sem ser rotulado como preconceituoso. Sim, o pessoal mais feio tende a ser mais promíscuo e violento, essa é a verdade!

      A população pode até estar mais rica, mas hoje se gasta mais dinheiro que no passado. Meu avô era analfabeto porém trabalhou muito e sempre foi o que era considerado classe média na época: tinha carro (usado), fogão a gás, máquina de lavar, televisão... Criou 5 filhos numa casa de 3 quartos e 1 banheiro, cortava o cabelo de todos em casa, era 1 tv pra casa inteira, 1 lâmpada por cômodo, 1 geladeira... enfim, o custo de vida era muito menor. Ah, claro, não existia os "I" da vida, escola particular, etc.

      Abraço!

      Corey

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    4. Curiosa essa sua teoria de ostentação pra compensar a falta de beleza, nunca tinha parado pra pensar nisso. Eu morei por vários anos num país no norte da Europa, onde pro ideal de beleza dos brasileiros as mulheres são consideradas no geral muito bonitas (na maioria loiras e de feições delicadas). O que acontece numa sociedade assim? Mesma coisa do que em qualquer lugar, algumas pessoas são discretas e se vestem com bom gosto... outras se maquiam horrores e usam roupas extremamente apertadas e bem vulgares. Então numa sociedade mais homogênea em termos de beleza, qual seria a sua explicação para as mulheres estarem usando maquiagem pesada, roupas vulgares etc? acho que isso não está relacionado com "ostentação" até porque não custa caro se vestir com roupas vulgares nem usar toneladas de maquiagem na cara. Pra mim é simplesmente gosto de cada uma, tem gente que curte essas coisas vulgares, outras preferem se arrumar com mais refinamento, outras simplesmente não se importam com maquiagem/modinhas etc.

      Outra coisa que notei é que ignorância financeira infelizmente imperava por lá também, as pessoas raramente deixam de consumir para poupar, talvez contando com as benesses do estado... acho uma ilusão mesmo e sempre tratei de investir, decisão da qual não me arrependo - hoje estou com 40 e poucos e vivo com bastante tranquilidade financeira, sem precisar me matar de trabalhar.

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    5. Entendo seu questionamento mas na minha opinião é fácil entender. Independente da sociedade sempre existirão pessoas que usam ferramentas sociais pra aparecer mais que as outras, indo pela linha de raciocínio do colega, as europeias tb precisam se sobressair de alguma maneira até pq o padrão de beleza deles é diferente. Particularmente acho a beleza das mulheres europeias meio sem graça.

      Sobre a mente consumista acredito que isso ocorra no mundo inteiro, se vc pesquisar blogs de finanças dos EUA verá que a linha de raciocínio é extamente a mesma que a nossa blogosfera.

      Abraço!

      Corey

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    6. Corey,você poderia citar alguns blogs de finanças americanos?

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    7. Tem alguns aí do lado direito no meu blogroll.

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  8. Só lembrando que a vida é injusta e existe a possibilidade do Jean se dar bem a vida toda e o Maurício se fuder de verde e amarelo. Claro, a probabilidade é baixissima e é sempre melhor ser como o Maurício. Eu sou assim...rs!!!
    Mas ter isso em mente traz alguma paz e diminui qualquer sentimento de revolta.
    Eu vejo que mtas pessoas sao infelizes pq esperam que a vida seja justa. E as vezes ela simplesmente nao é....
    Enfim, ótimo texto...

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    1. Realmente no brasil é mais fácil um jean desses estourar com algum contrato numa prefeitura , arrumar uma herdeira louca (ou ir pro bbb e virar deputado )por ai vai.
      Maurício vai ficar bem mais talvez sua vida não seja tao empolgante kkkk

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    2. Eu acho que não Rafael. O cara se chegar a velhice, dificilmente conseguirá dar esses ``gorpes´´ que ele dá nos outros hoje e deverá sobreviver da ajuda alheia. O Brasil caminha para ter uma população envelhecida sobrevivendo com o pouco do que uma previdência falida oferece. Penso que a Grécia hoje é o retrato de que o Brasil será amanhã.

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    3. Rafael, infelizmente esse risco existe. Nada garante que Maurício terá um futuro melhor que Jean, mas na boa, se for pensar assim vou logo traficar drogas que dá mais lucro....

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  9. "Acho que minha mente tem muito de "pobre""

    Eu não acho, eu tenho certeza (falando da minha mente e não da sua, rs) Se eu tivesse mente de rico com meus 41 anos atuais já seria um, rs.

    Abraço!

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    1. Verdade UB... mas acho que estamos no meio termo com uma parcela maior na mente de rico, caso contrário não estaríamos aqui.

      Abraço!

      Corey

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    2. rs, será que existe meio termo?

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  10. Corey, mais um excelente post. Parabéns.

    Eu li o livro "O milionário mora ao lado", que traz estatísticas do consumo de vários produtos nos estados unidos.
    E a maior parte dos itens de luxo (carros superesportivos, barcos, relógios e jóias, etc), são comprados não por milionários, e sim por gente rica e/ou da classe média, que normalmente não conseguem manter este estilo de vida caso percam o emprego.

    Sucesso

    Abraço

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    1. "O milionário mora ao lado" é um baita livro, até resenhei aqui no blog.

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  11. Certa vez fui com um colega de trabalho tomar cerveja num bar perto do trabalho e lá ele encontrou um conhecido de infância, ex colega de escola.
    O pai do cara era dono posto de combustível e ele estava contando todo orgulhoso que tinha fumado toda herança do pai.
    Que sobrou a casa que ele morava com mais dois irmãos, o cunhado e a sobrinha.
    Quando vc falou do Jean lembrei dessa história.

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    1. Pois é, conheço várias pessoas assim, que se orgulham de fazer merda. É igual se orgulhar das bostas que fez na infância/adolescência...

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  12. Caralho, que texto foda, Corey.

    Você aprofundou um ensinamento da "mente milionária" através das ilustrações de forma magistral. Me vi uma mistura do Jean com o Maurício. Mais Maurício do que Jean, felizmente, rsrsrsrsrs.

    Se um dia eu tiver um filho, vou educá-lo para ter uma mente milionária. Acho que será a melhor herança que eu posso dar a ele, mais até do que dinheiro. Não tem como uma sociedade evoluir com as pessoas tendo uma mente pobre. Aqui só tem Jeans. É por isso que o Brasil sempre será o país de um futuro que nunca chega. Valeu pela reflexão, irmão.

    Mr. Black

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    1. Obrigado Mr Black!

      Com certeza uma cabeça que pense é a melhor herança, todos conhecemos casos de filhos de pais ricos que acabaram entortando.

      Abraço!

      Corey

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  13. Corey boa noite.

    Esse texto mimetiza um livro muito bom e que recomendo : "o milionário mora ao lado"

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  14. Perfeito teu comentário. Eu ainda não aprendi a lidar bem bom isso é me afeta saber que tem gente no meu trabalho que faz muito menos que eu e ganha ate o dobro.

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  15. O cara da foto com os dólares na mão é você (mais novo) ou o tal Jean?

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  16. Essa história do Jean e do Maurício que teve como referência o longínquo ano de 1999 me fez lembrar onde eu estava naquele ano. kkkkkkk. Era uma criança dentuça, ``quatro olho´´ e aluno da 1º série no colégio Adventista daqui da cidade (antes que falem que sou rico/playboy, moro no interior do PR. O custo de vida é bem menor do que em SP capital, sou classe média mas as mensalidades eram coisa de dois dígitos na época.) Semana sim e outra também a tia reunia a sala em círculo, sentávamos no chão mesmo para a tia contar a história da formiga e da cigarra. PQP! Depois de um mes a gente não aguentava mais ouvir aquela história. A piazada reclama, nem ouvia mais a tia contar a história direito. Já tínhamos decorado a história (na época a cigarra morria de fome mesmo, nada de politicamente correto, era pra chocar a criançada, a cigarra morria congelada) e queríamos mais que a professora acabasse aquela tortura para a gente poder fazer outra atividade. Por fim acabei pegando raiva de formiga e ficava fudido quando ouvia uma cigarra na primavera porque já pensava no sofrimento que era sentar toda sexta feira e ouvir a formiga se dando bem e a cigarra se fodendo no final da história. Mas então cresci, e percebi que as histórias semanais da formiga da cigarra e a parábola bíblica do filho pródigo que era contada toda semana tinha um objetivo que está relacionado aos princípios da doutrina adventista: a valorização do trabalho e a não esbanjar dinheiro. Lembro que ganhávamos ao longo do ano vários cofres em formato de porquinho e levávamos-os nas aulas de matemática. Por incrível que pareça foi em 1999, aos 7 anos, que aprendi com a tia que não poderíamos gastar todo o dinheiro que a gente ganhava. Um pouquinho podia usar pra comprar lanche na cantina, mas antes, a gente deveria guardar um pouco no porco. Lições valiosas que me fizeram despertar para ter vontade de ter mais dinheiro no porquinho pra poder comprar todos os lanches que eu queria. O tempo passou, as histórias ficaram gravadas na memória e que muito provavelmente me fizeram ser um cara dito ``pão-duro´´ e despertou anos mais tarde a vontade de gastar menos do que ganho e de guardar o restante. Hoje continuo não comprando lanche sem antes guardar um pouco. O lanche hoje são outras coisas e em breve o porquinho será uma conta em alguma corretora.

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    1. Também estudei em escola particular e proporcionalmente era muito mais barato que atualmente. Acredito que tudo era mais simples, hoje nem imagino o nível de complexidade que deve ser o ensino numa escola dessas.

      "valorização do trabalho e a não esbanjar dinheiro"

      Quem dera se eu tivesse aprendido um mantra desses na escola... em casa meus pais jamais tocaram nesse assunto, o que aprendi foi a vida que ensinou.

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  17. Bom dia Corey, ótimo texto.

    Ostentar faz parte da cultura brasileira, aqui tudo deve ser ostentado: carro, roupas, emprego, vida social, mulheres, viagens etc. E esse é o problema, principalmente na relação com os típicos brasileiros.
    Se você é uma pessoa reservada, sofre preconceito e quando não se ostenta, as pessoas à sua volta te veem com maus olhos. Eles pensam assim: Se fulano não fala o que fez no fim de semana, é porque ele não tem vida social, se não fala de mulher é porque não pega ninguém.
    Aqui vale o " Gado segue o rebanho", melhor ser um ostentador desmiolado do que ser diferente e ser excluído.
    Prefiro ser eu mesmo, reservado e educado financeiramente, pois do meu jeito levo uma vida mais tranquila do que as pessoas que conheço, que passam dificuldade para pagar um conta de água simplesmente por não saber usar o dinheiro que tem.

    Um agraço.

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    1. Cara, sou o primeiro a criticar o Brasil mas isso não é muito diferente em outros países, pelo menos nos EUA que conheço um pouco mais posso te falar que é muito, muito pior. Claro, eles tem mais dinheiro, então fica mais fácil ainda ostentar. Pra vc ter uma ideia grande parte dos americanos não compra no WalMart por ser "mercado de pobre", lá até batata tem grife e os tontos pagam 5x mais pelo mesmo produto.

      Eu tb prefiro ser eu mesmo, por mais esquisito que isso possa parecer na sociedade.

      Abraço!

      Corey

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  18. A estória é boa. Mas tá na cara que é ficção.

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    1. Infelizmente não é ficção (os nomes e alguns detalhes foram alterados, claro).

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  19. Mas que Belo artigo Corey !! Parabéns mesmo !! a alguns meses atras li pela segunda vez Os Segredos da Mente Milionária, é difícil mudar a programação mental e já tinha me esquecido de algumas lições importantes !! Gostei desse seu mandamento !! kkk abraços !!

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  20. Jean é CUrioca.
    Maurício é paulista.

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  21. Corey conheci seu blog no ano de 2015 e confesso que já li ele completamente.

    Parabéns pelo texto. Seu blog é uma das melhores fontes sobre empreendedorismo do país, seus relatos do dia-a-dia de sua empresa são muito interessantes e também gosto muito das lições sobre estilos de vida.

    Fica muito longe do 'feijão com arroz' tradicional destes temas, vale uma reflexão ao final de cada postagem.

    Parabéns! Estou ansioso pelos próximos posts.

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  22. Ola Corey!

    Muito bom o texto! Infelizmente vemos muitos Jeans por ai!

    Abraços!

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  23. Excelente post, Corey!

    Como sempre, lições sensatas oriundas de suas brilhantes observações.

    Forte abraço, meu caro!

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  24. Muito bom o texto! Já conheci muita gente "metida a rica" e gastadora igual ao seu "amigo"! Tem muita gente cabeça de merda neste país e que gosta de viver de aparências!

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  25. Pois é! Conheço vários Jeans...
    Esses dias ouvi de uma pessoa próxima a mim "tem gente que gosta de ter números na conta, já eu gosto de ter coisas, ter isso e comprar aquilo outro".
    Disse para ela que ela poderia ter muito mais coisas deixando os números crescerem, e com o rendimento dos juros comprar as coisas.
    Mas ouvi um "por que juntar para comprar depois o que posso comprar agora?"
    Infelizmente esse nosso pensamento é mesmo diferenciado e para poucos.

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