sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Dicas do Corey

O post de hoje é só pra dar algumas dicas de conteúdo da internet, o primeiro é o Rockstar Finance, um site agregador de links interessantíssimos sobre independência financeira, frugalidade, minimalismo, investimentos, aposentadoria precoce. Se você lê em inglês e tem interesse em conhecer ou saber mais sobre a blogosfera de finanças gringa esse site é imperdível. Todos os dias eles colocam 3 links que direcionam para outros sites, além disso tem um puta arquivo, interminável, de links interessantes.

http://rockstarfinance.com/

Observação: não estou ganhando nada do site, apenas estou divulgando porque é um conteúdo muito foda.

A segunda dica pode ser meio besta, mas enfim... Quem tem 30 e poucos anos com certeza se lembra do Shop Tour, um programa de propagandas que passava nas madrugadas da TV Gazeta (?) e depois foi full-time pra um canal VHS sinistro. Luiz Galebe, o dono e um dos garotos propagandas do canal foi simplesmente o maior vendedor que já conheci, é um cara que com certeza consegue vender areia no deserto... O programa acabou porque segundo próprio Galebe, o Shop Tour foi formatado pra televisão e não se adaptaria as mudanças desse meio de comunicação, mas o legado ficou. Dia desses encontrei no YouTube um canal, que acredito eu ser do próprio Galebe, com uma caralhada de vídeos dessas propagandas do Shop Tour. Não sou da área de publicidade mas com certeza esses vídeos tem valor histórico para a publicidade brasileira e servem de curiosidade pra todos nós, dá pra ver imagens do Brasil dos anos 80/90, saber que em 1991 o Panettone Bauducco custava 3.299,00 cruzeiros!

https://www.youtube.com/channel/UCviK7WRuht-oT3F9b2qhPdQ/videos?view=0&shelf_id=0&sort=dd
Galebe me inspirou muito e indiretamente me influenciou a ser o vendedor que sou hoje por isso acho justo divulgar um pouco o trabalho que ele fez na TV brasileira.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Comentários sobre o último post

Acredito que não me expressei bem no último post, algumas pessoas entenderam o que pretendi dizer mas outras se perderam um pouco, por isso vou fazer esse post pra me expressar melhor.

Quando disse que não tenho amigos não quis dizer que não quero fazer amigos e que me isolei da sociedade dentro de um casulo, muito pelo contrário, quem acompanha o blog a mais tempo sabe que isso é algo que me incomoda. Por duas vezes eu falei sobre o assunto aqui:

http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2012/08/socializacao-ainda-da-tempo.html
Nesse texto de 2012 eu falo sobre o quão legal foi reencontrar colegas de faculdade e conseguir conversar sobre assuntos que considero interessantes. Nessa ocasião específica falar com "pessoas comuns" sobre coisas banais era algo que me incomodava, hoje não mais. Após uma experiência interessante de trabalho semi-voluntário que fiz no início do ano percebi que é legal sim conversar sobre besteiras como novelas, pseudo-celebridades, etc. Você acaba criando um vínculo despretensioso com as pessoas o que melhora muito a fluência do coleguismo. Mudei, hoje estou mais sociável e não quero mais conversar somente com intelectuais e pessoas que possivelmente podem me agregar alguma coisa. As vezes um bate papo informal pode ser muito bom!

http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2015/07/voce-tem-um-gap-na-sua-vida.html
Aqui falo de como ser "patrão" diminui drasticamente as chances de ter amizades e que o fato de estar empreendendo a mais de uma década me afastou de conhecer novas pessoas e fazer amizades. Não há mistério, você certamente se entrosará mais com seus colegas de trabalho (de mesmo nível hierárquico) que com  seu patrão. Isso é mais um fato que atrapalhou e continua me atrapalhando a fazer amizades.

Perceba que não ter amigos não é uma escolha e sim um efeito adverso de diversas coisas como o fato de ser diferente em diversos aspectos da maioria das pessoas, o fato de ser patrão e não "peão" como o resto das pessoas, etc. Nunca me fechei pra amizades, mas elas nunca aconteceram de maneira plena. Por outro lado isso não é algo que chega a atrapalhar meu dia-a-dia, que tira meu sono...

Sobre a Bia ser minha única amiga acredito que não é algo extraordinário, aliás, digo mais, se sua esposa/marido não é seu melhor amigo, brother, tem algo muito errado com seu relacionamento. No meu modo de pensar a partir da hora que você se casa, sua família e suas amizades devem ser por ordem de prioridade quem está dentro da sua casa: sua esposa e seus filhos. Depois deles vem seus pais e seus amigos (não necessariamente nessa ordem). Se você valoriza mais seus amigos que sua esposa, fique com eles. Ah, mas o seu casamento pode terminar um dia... Cara, não sei pra que tanto drama, se um dia isso acontecer, vou lidar com o problema no momento que ele surgir. Antecipar grandes problemas só traz agonia e te faz fazer grandes merdas.

Resumindo, não se trata de não querer fazer amizades e sim de afirmar que isso nunca aconteceu de maneira plena na minha vida.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Amigos, Festas e Bebidas

Ultimamente Bia e eu estamos conversando muito sobre o quão as coisas mudaram nas nossas vidas nos últimos anos e claro, como estamos envelhecendo e amadurecendo.

Até não muito tempo atrás a gente ia em alguma festa de amigos ao menos uma vez ao mês. Na verdade posso traduzir "festas de amigos" como: "reuniões com conhecidos onde sentimos obrigação de ir". A verdade nua e crua é que Bia e eu não temos amigos, nenhum, nenhum mesmo, ponto final. Somos amigos um do outro e pronto, é o bastante. Os "amigos" são na verdade pessoas que possuem certo vínculo social conosco: colegas do tempo de escola, colegas de trabalho, conhecidos de baladas, etc. Com cada grupo temos algo em comum mas nunca tudo em comum. Mesmo dentro desses grupos as coisas foram se modificando e os "amigos" se distanciando: os colegas de escola se tornaram socialistas (fuja dos amigos socialistas), pais ou simplesmente foram sumindo no mundo. O trabalho mudou, os co-workers também, os interesses já não são os mesmos.

Isso se torna mais latente com um casal esquisito como a gente que é meio maluco, não tem filhos, parece mendigo mas viaja pro exterior com frequência, que não divide detalhes do trabalho, renda ou planos com os outros... Junte a isso o fato de sermos um tanto quanto anti-sociais (já devemos ser people-person demais durante o trabalho), não tolerarmos bagunça, barulho e música de gosto duvidoso e o total fracasso social fica mais aparente. Atualmente abandonamos sem perceber a desgraça da "obrigação social" e não vamos mais a reuniões de "amigos" e familiares. Isso trouxe certa sensação de liberdade, de novamente sair da Matrix e fazer as coisas porque temos vontade e não por nos sentirmos obrigados. E esse lance de ser social pra aproveitar oportunidades, fazer networking e o kct é mais uma coisa plantada na cabeça das pessoas. Quem se lembra do Negócio Kyiosaki que fiz ano passado? Conheci Ana, uma das envolvidas no negócio, na lavanderia do prédio, sem forçar nada. Enfim, não é preciso fofocar com "amigos" de 20 anos pra conseguir bons negócios (a propósito, o telefone de Ana continua salvo no meu celular mas nem por isso fico forçando a amizade mandando "bom dia" no whats). Nos EUA é muito comum eventos de networking, onde você vai a uma reunião pra distribuir cartões de visita e forçar amizades a partir das quais espera obter alguma vantagem. Poucas coisas na vida são tão patéticas como isso. É errado? Claro que não! Mas é patético...

Com certeza absoluta eu estaria muito melhor financeiramente e profissionalmente se tivesse um grupo maior de amigos. O fato é que quanto mais gente você conhece e se relaciona, maiores as chances de fazer negócios e aprender mais. Porém minha personalidade não condiz com isso e não me arrependo nenhum pouco por fechar essas portas. Não sou e nunca serei político.

Realmente acho que pessoas cheias de "amigos" não são muito confiáveis porque é necessário ser falsa pra cultivar "amizades". (taquem as pedras). Da mesma maneira que casais e pessoas que ficam afirmando sua felicidade em redes sociais estão na verdade tentando acreditar que são felizes. Não estou dizendo que não exista amizade de verdade, claro que existe, assim como existe casamento de verdade (preparando um post sobre isso, polêmica a vista...). O que estou tentando dizer é que não existe possibilidade de uma só pessoa ser amiga (de verdade) de um monte de gente, quanto menos amigo, melhor (menos é mais, lembra-se?).

Outra coisa que percebi é que encher a cara perdeu completamente a graça. Até pouco tempo atrás eu curtia ir num churrasco e ficar doidão com os mesmos "amigos" relatados acima. Já era, isso não tem mais a menor graça. Gosto de beber um bom whisky e uma cerveja, mas de boa. Quando percebo que estou ficando mal paro imediatamente. Tenho ficado meses praticamente sem beber, não tenho mais litros de bebida em casa, percebi que "investir" dinheiro num bom scotch não me faz feliz como antes. O fato de todo mundo levar bebedeiras com naturalidade, ter orgulho de ressacas e de torrar rios de dinheiros com cachaça é algo que anda me incomodando bastante, não consigo ver vantagem nisso e não entendo como as pessoas levam isso com naturalidade (aliás até entendo porque até pouquíssimo tempo atrás eu também achava natural: as pessoas simplesmente se deixam levar pela "cultura" e "tradições" e não param pra pensar o quão absurdo é sentir orgulho de ser um drogado (porque ficar bêbado é sim se drogar)). A gente aqui na blogosfera critica quem acha natural ter dívidas mas não costumamos olhar para nossos próprios rabos e ver que também achamos certos absurdos como coisas normais da vida.

Uma coisa que anda me incomodando ultimamente é a banalização da maconha. Quando era moleque os colegas maconheiros respeitavam os não usuários e jamais fumavam em grupos de não-nóias. Hoje marmanjo fuma um na frente de criança, na mesa do bar, com a maior naturalidade... Veja bem não tenho opinião formada sobre legalização de maconha (embora como liberal que sou minha opinião tende a ser da liberação) mas porra, cada um faz o que bem quer mas tem coisas que obviamente devem ser feita no privado. Também tenho costumes pouco ortodoxos mas nem por isso saio falando e principalmente fazendo em público.

Acho que estou ficando um velho chato, aliás tenho certeza disso!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Paixão por Carros?

Aprendi a dirigir com 6 ou 7 anos. Lembro perfeitamente das aulas "teóricas" que meu pai me deu. Nos anos 90 não existia mimimi e crianças viajavam livremente no banco da frente ou no chiqueirinho do Fusca. Comigo não era diferente. Aos 7 anos eu trocava de marcha na Variant 72 do meu pai, ele cantava a marcha e eu trocava: "Corey, 3ª, agora 2ª, 3ª de novo...". Aquilo era o máximo! Aos 9 dirigi sozinho pela primeira vez, um Fusca azul do meu pai (que vivia trocando de carro, fazendo altos rolos) num campo de futebol da cidade dos meus avôs, precisei colocar todo o banco pra frente, enxergava pelo aro do volante e não conseguia pisar na embreagem até o fim . Aos 11 já era "fluente" na direção, dirigindo inclusive sozinho e fazendo pequenas tarefas para meu pai (banco, supermercado, etc). Que saudade dos anos 90... Que pai maravilhosamente retardado eu tive...

O adolescente Corey era famoso na escola por sempre ir às festinhas de carro (de Fusca, porque Fusca não é carro, é Fusca, rsrs!) e obviamente isso me rendeu vários "esquemas" precoces pelos quais serei eternamente grato ao meu velho por entregar um Fusca na mão de um moleque de 14 anos. Embora moleque sempre fui responsável e quando dizia ao velho que ia ao local A eu ia ao local A (com raríssimas exceções) e jamais bebia quando estava de carro.

Aos 15 anos comecei a trabalhar e adivinha meu principal desejo? Claro, comprar um carro! Em casa nunca teve esse negócio de dar presentes de aniversário, dia das crianças, Natal... (super recomendo esse lifestyle, presente é o kct) com carro não seria diferente. Se eu quisesse um carro eu teria que compra-lo. Mais um ponto positivo pro papai Corey que embora uma topeira financeiramente falando, acabou dando uma excelente aula de educação financeira. Com 16 eu já estava motorizado e o desejo agora era fazer 18 anos e tirar CNH!

Isso é um carro, o resto é condução.
A vida financeira evoluiu e carros sempre estiveram no meu horizonte. Sempre queria ter um carro melhor mas graças a Nossa Senhora dos Pão Duro não caí em muitas tentações e não cheguei a fazer muitas cagadas com carros. A cagada mor foi sem dúvidas comprar um sedan top de linha zero quilômetro quando já estava afundado em dívidas, como disse num post recente tudo de ruim aconteceu com esse carro. Ainda bem! Esse carro foi o start pra eu começar a desencanar da cultura automobilística.

A gota d´água veio quando comecei a viajar para o exterior. Percebi que nos EUA Corolla e Civic é igual Uno e Gol no Brasil. Igual não porque eles maltratam esses carros, coisa que normalmente não acontece com os Uninhos brasileiros. Americano tem uma relação interessante com carro: todo mundo tem carro porque precisa de carro. Criança de 14 anos pode dirigir (dentro de algumas regras e em alguns estados) porque isso é necessário. Sem carro, sem perna. Simples! E por isso as pessoas usam carros como meio de transporte e nada mais. Claro que existem carros de luxo, pessoas que mimam seus carros mas isso é exceção. O fato de carro ser acessível faz com que a imagem de "investimento" jamais apareça e pode contribuir pra essa atitude do americano.

Desde então passei de 3 carros (sim, 3 carros para um casal) pra somente 1. Desgostei de cuidar e me preocupar com carro, nesse meio tempo surrei um popular comprado zero (na mesma época do sedan) até o osso. 60.000 só trocando óleo e passei a ver carro como um bem de consumo. Troquei de carro algumas vezes mas sempre devido a algum rolo comercial que fiz, ou seja, usei o carro como moeda de troca o que acaba tornando-os menos passivos.

Hoje já não sinto o mesmo tesão em dirigir o que se tornou uma obrigação e não um prazer. Gosto de dirigir nas estradas americanas mas confesso que isso pode ser boring: as interestaduais são todas absolutamente iguais em qualidade de asfalto, ângulo de curvas, disponibilidade de rest areas e serviços. Uma das experiências que fazem parte de uma viagem para os EUA é dirigir bons carros pagando pouco e gastando praticamente nada em gasolina. Aproveito isso pra dirigir carros diferentes, inacessíveis ou que simplesmente não existem no Brasil; Camaro e Mustang (péssima ergonomia), SUVs fodonas (não curto SUV, prefiro Wagons), sedans luxuosos como Cadillacs, Mercedes, BMW (esses sim são minha praia e meus carros favoritos), V8tões barulhentos e brutos, etc. Mato minhas lombrigas e volto! Já na Europa dificilmente alugo carros, a malha de transporte público é simplesmente perfeita em quase todas as cidades, os trens de longa distância são confortáveis e eficientes, etc. Além disso vamos combinar que carro Europeu é sem graça: pequenos, fracos, diesel... com exceção para os alemães e claro, os fodões italianos.

Saporra é duro como um Voyage 86, faz quase 30km/L de
diesel e tem um câmbio delicioso (e olhe que detesto
câmbio mecânico)
Após dirigir carros fodas percebi que o tesão é mais pela curiosidade que por outra coisa, claro a sensação de poder de estar no voltante de um Porsche, de status por estar numa série 7 é muito legal. Não vou ser hipócrita e dizer que dirigir um carro fodão não causa sensação de superioridade, muito pelo contrário... Porém chega uma hora que você passa a dar menos valor para essas sensações. No quesito carros hoje em dia tenho curiosidades bizarras do tipo dirigir um trator, um FêNêMê caixa seca, um DKW, um Smart... Um dos carros mais divertidos que já dirigi foi um Rabbit (Golf) 1983 diesel de um amigo de um amigo no Texas e um dos mais prazerosos foi um Passat também diesel (será que tenho algum fetiche por diesel?). O Camaro e Mustang são somente rostinhos bonitos, mas um porre pro dia-a-dia. Graças a Deus não cheguei ao ponto de torrar dinheiro comprando carros pra ter prazer em dirigir, eu os aluguei, me diverti e devolvi. Como dizem: “If it flies, floats or fornicates, always rent it. It's cheaper in the long run” (embora casado, concordo com a última parte e acrescento um "drive" na equação).

Dirigir perdeu a graça e cada dia me atrai menos. Repito que uma das minhas vontades é não ter carro, levar uma vida simples numa cidade onde consiga fazer tudo de transporte público ou melhor, a pé. Durante algum tempo quase cheguei nesse ponto em São Paulo mesmo mas a ineficiência do transporte público é gritante. Uma pena porque o metrô de SP é o mais limpo, organizado, acessível e fácil de entender dentre todos que conheço no mundo. Estou ficando velho e isso é nítido. O que dava prazer nos 20 e poucos anos dá preguiça aos 30...

sábado, 3 de dezembro de 2016

De Volta ao Controle de Gastos

(antes de mais nada gostaria de saber se mais alguém não gostou do novo layout do blogger e se existe a possibilidade de retornar ao anterior onde era possível ver numa única página os comentários pendentes de visualização e as visualizações do dia (únicos parâmetros que me interessam))

2017 está batendo na porta e resolvi fazer algo que a algum tempo não fazia: um orçamento e controle de gastos. Fazem pelo menos 2 anos que parei de fazer orçamentos e controle de gastos e foquei no ganho de dinheiro achando que isso era o certo a ser feito e que fazer orçamentos só me fazia perder tempo, tempo esse que seria melhor investido caso ganhasse dinheiro. Bullshit! Pra resumir a conversa: nos últimos 2 anos sem fazer controles acabei socando um monte de dinheiro no orifício anal porque não se controla aquilo que não se conhece, a partir da hora que deixei de acompanhar meus gastos pessoais de perto comecei a perder dinheiro. Fato! Esse "tempo desperdiçado em controlar despesas" com certeza não foi utilizado pra ganhar dinheiro, ou seja, perdi dinheiro e tempo. Não vou entrar em detalhes como e onde perdi dinheiro porque também não estou a fim de chorar sobre o leite derramado, mas posso adiantar que isso aconteceu nas pequenas despesas, nos gastos desnecessários de combustível, nos cafés do Starbucks, nas revistas de aviação, nas compras exageradas de mercado, etc.

Desde que me conheço por gente tenho por costume de fazer controle de gastos e orçamentos. Não faço a menor ideia de como aprendi isso porque meu pai controla gastos da seguinte maneira: tem dinheiro, gasta; não tem dinheiro gasta do mesmo jeito porque o cartão de crédito tem limite. Quando criança juntava os caraminguá que ganhava de "mesada" e dos trampos que fazia, provisionava pra alguma compra que tinha vontade, etc. (observação: eu era péssimo em matemática na escola ao mesmo tempo que sabia dividir despesas grandes em provisionamentos mensais, calculava porcentagem, juros compostos, etc... é, está tudo errado no sistema de ensino). Quando comecei a trabalhar eu criei o método de envelopes (digo criei porque ninguém nunca me apresentou isso, tempos depois fiquei sabendo que outras pessoas faziam o mesmo), tinha diversos envelopes onde separava dinheiro para as despesas corriqueiras: gasolina, garagem, motel, restaurante, etc. Esse método me serviu muito bem até poucos anos atrás quando decidi concentrar minhas despesas no cartão de crédito para ao mesmo tempo simplificar e juntar milhas. Simplificar, simplificou. Fiz algumas viagens "grátis" com as milhas do cartão, além de ganhar upgrades e receber cartões com limites absurdos ou mesmo sem limite. Valeu a pena? Não tenho uma resposta.

O fato é que a facilidade de pagar com cartão faz sim você gastar mais, mesmo quem é controlado, sabe que cartão é uma ferramenta de compra e sabe o valor da fatura de cor acaba gastando um pouco mais da conta... A fatura nem sempre coincidir com o mês, ou seja, as vezes a despesa de um mês será paga só 2 meses depois faz com que se perca um pouco o controle de quanto está sendo gasto naquele determinado mês. Você sente a necessidade de segurar um pouco das despesas mas ao mesmo tempo tem uma big fatura do mês anterior. Viajar com milhas é legal mas é estressante ficar correndo atrás de melhores datas pra viajar, promoções pra dobrar milhas, etc. No fim das contas é melhor comprar uma passagem promocional e fim de papo. Não vejo vantagem no fato de postergar o pagamento de alguma coisa enquanto se ganha juros em cima ou demais operações complexas que as pessoas fazem. Não gosto de dívidas de nenhuma origem, nem boas muito menos ruins. Ou seja, cartão de crédito no momento atual da minha vida não é muito interessante.

Essa vontade de controlar melhor os gastos veio junto com a independência financeira, ok, estamos trabalhando e ganhando dinheiro mas nos comprometemos a viver somente com nossa renda passiva, ou seja, hoje a retirada das empresas vão para uma poupança que estamos fazendo para um período sabático. Todo dinheiro que gastamos é proveniente da renda passiva que obviamente não é tão grande assim, aliás digo que sou financeiramente independente porém não rico. Minha renda passiva cobre com folga nossas despesas básicas mas pra qualquer outra coisa é necessário trabalhar ou tirar dinheiro de outro lugar. Não existe milagre. Dentro desse cenário achei prudente ter um controle melhor de gastos junto com um orçamento que dê um norte.

Pra facilitar abri uma conta sem tarifas e transfiro pra lá os recursos que serão usados para nossa subsistência. Nessa conta são feitos os pagamentos de aluguel, contas de consumo, plano de saúde (tenho dúvidas se vale a pena manter essa despesa, mas é assunto pra outro dia), usamos o cartão de débito pra pagar todo o resto. O aplicativo do banco permite ter um controle dinâmico de onde o dinheiro está indo e isso é muito bom. Depois transfiro tudo pro excel e faço os cálculos. Sei de aplicativos que podem ajudar nisso mas não testei nenhum, aceito sugestões. Estamos no segundo mês dessa estratégia e está se demonstrando bem interessante e fácil de manter mas acredito que o fator fundamental é nossa vontade de fazer esse controle mais rigoroso.

Não estou focando em orçamento porque realmente não sei como será 2017, muita coisa estar por vir... Saber onde o nosso dinheiro vai se mostra suficiente nesse momento. Uma coisa que pretendo voltar a fazer em 2017 é controle dos investimentos como era feito no começo do blog, através da planilha do AdP, tudo certinho (os valores continuarão sem ser divulgados). Hoje tenho tudo na cabeça o que obviamente não é maneira mais eficaz de controlar as coisas. Espero escrever mais sobre esses assuntos "de raiz" que nunca saem de moda ao mesmo tempo que são extremamente importantes em qualquer fase da vida.

domingo, 27 de novembro de 2016

Como a Cadeira Está Destruindo Sua Vida

Esse objeto está te matando
lentamente
Albert Hawman é um maquinista de locomotivas a vapor aposentado, essa semana comemorou 104 anos de idade e deu os seguintes conselhos aos jovens:

"O trabalho era duro mas me fez manter a forma e acho que essa é a razão por eu estar vivendo tanto"
"Eu sempre tentei cuidar de mim mesmo e vivi uma vida limpa"
"Poucas pessoas da geração atual gosta de fazer trabalhos pesados mas mesmo assim ele irão pagar pra ir a uma academia e se exercitar"
"Eu nunca tive que ir a uma academia na minha vida, sempre me exercitei através do meu serviço pesado e acho que mais pessoas deveriam fazer o mesmo"

As palavras do Sr Hawman parecem óbvias mas poucas pessoas se dão conta disso. Tenho certeza que a grande maioria das pessoas que acompanham esse blog trabalham sentados numa cadeira o dia inteiro e isso está mantando-as aos poucos. Trabalhar sentado é na minha opinião uma das maiores causas de stress e irritabilidade relativo ao trabalho, explico: veja que a grande maioria das pessoas que trabalham sentadas são as que cumprem o horário padrão de 9 as 17 de segunda a sexta, ou seja, o sonho de consumo de muita gente, mesmo assim reclamam de maneira absurda. Por outro lado pessoas que trabalham de pé ou se movimentando bastante como vendedores e pessoal do comércio trabalham em fins de semana, madrugada, horários malucos e parecem ser mais felizes e principalmente saudáveis.

Nunca trabalhei sentado por muito tempo, tenho uma relação pessoal com meus funcionários e cumpro diariamente praticamente todas as funções da loja, ensino pelo exemplo (até porque não tenho paciência de explicar coisas, fazer reuniões, etc, as pessoas que aprendam me vendo trabalhar), logo estou sempre me movimentando, fico de pé o dia inteiro e raramente sento pra fazer alguma coisa. Não tenho problema algum em ficar de pé 12, 14 horas por dia. Cansar é óbvio que cansa mas nada que uma noite de sono não resolva. Por outro lado uma das coisas mais estressantes pra mim é ter que viajar de avião e ficar sentado 10, 12 horas, puta que pariu, isso me arrebenta fisica e psicologicamente.

Sr Hawman era maquinista de locomotiva a vapor e podemos imaginar o quão pesado esse serviço era. O ambiente era péssimo, um calor do caralho vindo da fornalha e vento/chuva/neve vindo do ambiente. Barulhos por todos os lados, responsabilidade por estar com a vida de várias pessoas em suas mãos, comandos totalmente mecânicos, nenhuma ajuda eletrônica... Enfim, dá pra imaginar como era foda esse trampo. E o cara tem 104 anos de idade! Porra, será que ficar sentadinho numa sala climatizada é o melhor pra sua saúde? Hoje vemos uma geração de gente doente, crianças com caralhadas de alergias e intolerâncias alimentares que a 5 anos atrás ninguém nem conhecia (isso é motivo pra outro post). Internações são frequentes e vistas como algo comum, todo mundo toma ao menos meia dúzia de comprimidos por dia, antidepressivos são consumidos como bala 7 belo. Tem alguma coisa errada aí...

Já frequentei academia (até fiz um post meio polêmico aqui no blog), já tentei crossfit, já me matei correndo... Bullshit! Nada disso seria necessário se a gente colocasse exercícios na nossa rotina diária, assim como o maquinista indiretamente fazia. Veja como pedreiros costumam ser fortes e quase nunca pegam doenças mesmo abusando da cachaça e gordura. Um tio-avô morreu aos 102 anos de idade segurando a enxada, fumava desde os 10 anos, tomava cachaça diariamente e comia porco da lata (costume espanhol de conservar carne de porco mergulhada numa lata de querosene cheia de banha de porco). Meu tio-avô nunca soube o que era ar condicionado...

Desde que comecei a levar o minimalismo de maneira mais séria tenho parado pra refletir sobre as coisas que fazemos de maneira automática sem considerar uma alternativa. Academia é uma dessas coisas que eu achava indispensável e que hoje vejo como algo totalmente inútil. Veja que tudo parte do princípio que eu quero apenas me exercitar, manter meu corpo em movimento, força-lo a se cansar, etc. Eu não quero ficar musculoso, com barriga tanquinho e trapézio deformado, nada contra quem tem esses objetivos mas isso definitivamente não é pra mim, eu quero é ter a ótima sensação "pós treino" mas sem treinar, entende? Uma das maneiras que encontrei de obter isso é tão idiotamente simples que tenho até vergonha de falar: andar a pé.

Você sabia que num passado não muito distante as pessoas não tinham carros, metrô, aviões, não sabiam como domar cavalos e então pra se locomover usavam uma coisa chamada "perna"?! Parece incrível essa descoberta! Sim meus amigos eu me mantenho fisicamente ativo andando a pé! Simples assim! De casa pra loja são 4km, ou seja, 8km por dia que cumpro em 35, 40 mim each way. Não estou falando de bike (que por sinal adoro), estou falando de algo muito mais simples e acessível: andar a pé! Porra, é óbvio, por que não?! Caminhar não requer investimento algum, não tem gasto algum a não ser o energético, não existe exercício mais minimalista que esse.

Ah, já sei, a turma do "você-precisa-de-um-tênis-assim-assado-caso-contrário-vai-destruir-seu-pé" vai aparecer argumentando que é preciso investir sim, afinal não existe tênis com tecnologia própria pra caminhada diária por menos de 500 reais. Bullshit 2! Um conhecido caminhou ida e volta pro trabalho durante 20 anos usando bota de firma com bico de aço. Sabe o que aconteceu com ele? Se aposentou e foi morar na praia, vendendo coco, empurrando um carrinho de 7985489765465 quilos na areia fofa, com chinelo havaiana durante 8 horas por dia.

Se você não consegue ir a pé para o trabalho e fica o dia inteiro sentado talvez precise mesmo apelar pra academias como ferramenta pra ter um mínimo de preparo físico, mas se você tem a possibilidade de agregar exercício no dia-a-dia do seu trabalho, mermão, faça-o e não se arrependerá. Tente ficar mais tempo em pé, se você trabalha em casa monte seu home office de maneira que você consiga ficar confortavelmente de pé. Considere mudar totalmente seu trabalho, mudar de atividade mesmo, de maneira a colocar mais exercício na sua rotina e associar o ato de ganhar dinheiro com o de ficar saudável. Procure hobbies que te destruam fisicamente... Enfim, existem várias maneiras. Talvez você não consiga ter a mesma saúde de maquinista de locomotiva a vapor mas com certeza terá uma vida menos podre que seus pares.

Assim como ecologia, saúde é um assunto muito modinha e cheio de dogmas idiotas, necessidades estúpidas que só levam a consumismo idiota (em breve um post sobre como ser um capitalista com personalidade socialista). Você não precisa torrar horrores de dinheiro pra fazer as coisas, exercício muito menos! O corpo humano foi feito pra se exercitar, não precisa gastar dinheiro com isso!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sobre a Black Friday


Sou capitalista mas nem por isso saio comprando tudo por aí, melhor que comprar na Black Friday é vender na Black Friday. Não entendo as "dicas de economia na black friday", brother se você não precisa, não compre e ponto final. Não sei que fogo no rabo que as pessoas possuem de comprar coisas, não existe motivo racional pra se trocar de celular todo ano (muito menos pra ter celular de mais de mil reais), TV então nem se fala, troca-se quando pifa ou estar totalmente obsoleta (como fiz ano passado, na black friday, trocando meu dinossauro de tubo), é simples, muito simples. Julius está mais do que certo!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Meu Guarda Roupa Minimalista

ATENÇÃO: ESSE NÃO É UM POST SOBRE A "VERDADE" OU A MELHOR MANEIRA DE ENCARAR ALGO, SOMENTE "MEU" PONTO DE VISTA E COMO "EU" FAÇO. VOCÊ NÃO PRECISA SEGUIR O QUE FALO AQUI NEM CONCORDAR, OK? NÃO SOU MELHOR NEM PIOR QUE VOCÊ POR TER ESSE LIFESTYLE.

Vocês pediram, eu atendo. Hoje vou começar a falar sobre como encaro vários aspectos da minha vida com foco minimalista e prático, o tema de hoje é roupas.

Assim como grande parte dos homens, não tenho muito saco pra roupa, não tenho ideia como combinar peças, detesto comprar roupa (um dos dinheiros mais mal empregados na vida) e não penso muito nisso. Como tudo na vida tento levar isso da maneira mais prática possível. Uma das grandes vantagens de ser homem é poder se vestir de forma simples e atemporal, ainda tenho peças de roupas de 15 anos de idade compradas na galeria do rock

Praticamente não uso roupas "minhas" no dia-a-dia. Desde que comecei a trabalhar minhas principais roupas são os uniformes de trabalho que usei e continuo usando, por se tratarem de roupas "normais" posso sair de casa com uniforme, ir ao mercado, andar na rua sem maiores problemas com isso. Esse simples fato me fez deixar de gastar uma pequena fortuna com roupas todos esses anos. Além de evitar gastos desnecessários com roupa, usar uniforme diminui drasticamente a quantidade de peças que devo ter. Por exemplo, mantenho sempre de 4 a 5 camisas do uniforme que duram ao menos 2 anos... Além do uniforme tenho também umas 3 camisetas e umas 2 polos, 2 blusas de moletom e uma jaqueta. Não tenho roupa social por um motivo simples: não uso. Quando vou em algum evento que exija roupa social, eu alugo.

Calça preciso somente de 2, porque vamos ser francos, dá pra usar uma calça tranquilamente durante 7 dias sem maiores problemas (ao menos que você se cague com frequência). Uma calça é a minha principal, a outra é a que uso enquanto a principal está lavando e pra sair. Compro somente peças neutras que possam ser usadas em qualquer ocasião. A calça que uso no trabalho é a mesma que vou pra balada. Compro somente calças boas, geralmente Levis (nas Ross Dress For Less da vida) ou Wrangler de 10 dólares no WalMart americano.

É óbvio que não tenho pijama porque não existe coisa mais inútil que pijama (aliás tem sim, é bolso em pijama). Pra ficar em casa e dormir uso calça de moletom de 10 reais do Extra (compradas a uns 7 anos) e camisetas do ano 2000. Cuecas e meias renovo todo ano porque desgastam com mais frequência e claro, nada de comprar coisas caras: cuecas normalmente compro Zorba no Extra (sempre tem promoção, boxer por 10 ou 12 conto) e meia de pacotão daquelas com 12 pares. Não dá pra comprar cueca nos EUA, o saco do americano deve ter 8 bolas...

Calçado: uso tênis Nike ou Reebok, modelos de entrada comprados a normalmente 2 por 50 Trumps nos outlets americanos. O tênis que vou trabalhar é o mesmo que faço corrida, ando de bicicleta, vou no mercado, visito minha mãe, vou no churrasco e na festa de aniversário do filho do fulano. Geralmente eles duram em torno de 1 ano. tenho 1 sapatênis de 10 anos que uso pra sair a noite e 1 par de havaianas (usados até o osso, com direito a prego e tiras compradas na feira).

Não uso boné (adorava quando moleque), corrente no pescoço (aliás, acho feio pra kct), brinco e anel (somente aliança que aliás é a mais fina que encontrei e é a mesma desde do noivado). Minha carteira foi comprada em 2005 de um mascate no balcão da loja. Além disso tenho algumas peças avulsas como uma muda de roupas na loja (nunca se sabe...), capa de chuva e luva de moto e umas 2 bermudas. Tudo cabe em uma porta e uma gaveta do meu super-mega-sofisticado guarda-roupas das Casas Bahia.


Legal, homens bem vestidos... acho bacana... mas não
tenho paciência pra isso...
Tenho pavor só de imaginar o tormento que deve ser a vida de um advogado ou gerente de banco com ternos, camisas, gravatas. Puta-que-pariu, me dá desespero só de pensar! Jamais conseguiria lidar com isso! Concordo que a roupa que você veste pode ajudar ou atrapalhar em certas ocasiões, já me fantasiei de empresário (com roupa social e sapato) pra fechar um negócio, já usei roupa como ferramenta, mas agradeço aos céus por terem sido ocasiões pontuais.

Bia não é muito diferente de mim, claro que por ser mulher ela tem talvez o dobro de peças de roupas que eu tenho mas mesmo assim isso é ínfimo perante a montanha de roupas que a grande maioria das mulheres possuem. Tanto ela quanto eu passamos mais de ano sem comprar sequer uma peça de roupa, fazemos uso da ferramenta de troca, ou seja, quando entra uma peça nova, sai uma velha pra doação, logo não há acúmulo.

Porra! Estamos em 2017, esse objeto já deveria
ter sido extinto a muito tempo...
Manutenção de roupa também é algo que levamos de maneira simples. Durante o tempo que moramos no studio lavávamos as roupas na lavanderia do prédio (sistema americano) o que era muito prático pois as roupas já saiam secas. Quando nos mudamos pro apartamento atual precisamos comprar uma lavadora (usada, 300 reais de um conhecido) mas nem passou em nossa cabeça comprar uma sofisticada-cheia-de-eletrônica-e-coisas-que-podem-dar-problema lava/seca, não há motivo pra gastar energia secando roupa quando se tem sol e vento dentro de casa .Nunca tivemos frescura cuidado de separar peças coloridas de brancas, usar produtos diferentes, etc. É tudo junto e misturado e com o mesmo sabão e amaciante. Passar roupa? Ahahahahahahahahahahahahahahaha, jamais.... Até temos ferro mas fazem alguns anos que ele não é ligado. Comprar roupas que não precisem passar é fundamental!

Não sei mensurar mas tenho convicção que esse approach simplista nos fez economizar uma pequena fortuna em dinheiro e principalmente tempo se preocupando com roupas. Como já disse várias vezes, minimalismo é algo que vem naturalmente, se simplificar for um incômodo sinal que você está forçando demais a barra. Simplifique com simplicidade e seja feliz!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Cabeça de Pobre x Cabeça de Rico

Ostentação: todos gostamos, somente os tontos fazem.
Conheço Jean e Maurício desde a escola, não os considero amigos (até porque esse lance amigo é muito relativo, papo pra outro post) mas são colegas, nos encontramos sempre nos churrascos de confraternização do pessoal da escola e nos grupos de zoeira/putaria do whatsapp.

Jean sempre foi um bon-vivant, viagens ao Guarujá todo final de semana, férias em Camboriú, só usava roupas de marcas, tênis da modinha eram trocados todos os meses, em 99 seu pai andava de Silverado do ano, moravam numa baita casa num bairro nobre da cidade. Ao terminar o colégio tudo foi farra, Jean morou uns tempos no sul, se gabava de pegar várias gaúchas, andava de carro bom, torrava fortunas nas baladas... Desde essa época a gente sabia que o pai de Jean era um picareta, teve vários carros retomados pelo banco, ordem de despejo por não pagar aluguel, ameaça de prisão, etc. Jean nunca fez faculdade mas deu certa sorte por surfar no boom da economia entre os anos 2003 e 2013, ganhou um bom dinheiro trabalhando com algo legal porém totalmente volátil. Como torrou todo e qualquer centavo que ganhou nesses 10 anos, quebrou totalmente quando a economia esfriou, ou pior ainda, saiu do seu negócio devendo até as cuecas pra um monte de gente. Foi trabalhar numa loja "ganhando somente o do cigarro" como ele orgulhosamente me contou. Não entendo como certas pessoas se orgulham de terem quebrado, de torrarem toda sua grana com cachaça... Jean fala com orgulho que a 3 anos andava de Mercedes e hoje de busão, que torrava 2k numa balada, que sempre gastou todo o dinheiro que tinha no bolso, que saia 6x por semana, etc. Vergonha alheia é o que sinto ao ouvir essas histórias...

Os pais de Maurício sempre tiveram uma condição financeira legal, em 99 tinham um carro 92 top de linha comprado zero, moravam num confortável porém pequeno sobrado numa região razoável da cidade. Maurício nunca foi de sair muito, não curtia muito nossas bebedeiras de adolescente mas estava sempre conosco, jogava bola com a molecada, era social porém discreto. Fez uma engenharia numa faculdade de bom nível, arrumou um bom emprego onde evoluiu razoavelmente rápido. Nesse meio de tempo comprou um carrinho popular completo, um apartamento tipo MRV e se casou. A vida ia muito bem até que numa mesma semana recebeu duas notícias: a boa é que seria pai (filho muito desejado), a ruim é que fora demitido. Engenheiro sem emprego num país no buraco, as chances de recolocação eram terríveis, 2 meses depois Maurício ainda não tinha conseguido arrumar outro emprego.

Ano passado nessa mesma época encontrei Jean e Maurício, abaixo explano seus respectivos planos pra sair do buraco:

Jean: "vou comprar um carrão, uma nave, tipo um Jetta TSI ou uma BM financiado no nome da minha namorada, aí faço um esquema com fulano, vendo o carro no valor cheio, pago a grana e quito minhas buchas, aí empurro de barriga o financiamento, pagando no protesto..." Bom, não entendi porra nenhuma desse plano maluco, só sei que ele queria fazer algum 171 nervoso e ainda envolver a namorada, pior ainda é saber que o cara não tem o menor pudor de sair falando esses planos bizarros pra outras pessoas, nem amigo dele eu sou, conheço a 20 anos mas isso não quer dizer que somos amigos... tenho dó porque sei que Jean no fundo é um cara legal, somente teve uma educação porca e acredita que não há o menor problema de fazer esses esquemas malucos e criminosos.

Maurício: "cara, não consegui nada, tá foda na minha área... Semana passada decidi fazer um teste, aluguei o carro de um amigo, porque o meu não serve, e comecei a fazer Uber... é um teste pra ver se da certo ou não, se tudo correr como previsto mês que vem compro um carro adequado... tá indo bem, tenho uma meta diária de faturamento que dificilmente não bato, mas quando isso acontece um dia cobre o outro, tenho planilha de controle dos gastos com combustível, celular, água mineral... Vamos ver, espero que dê certo..." Maurício começou no Uber com uma abordagem profissional, encarando como um empreendimento onde há investimento, despesa fixa e variável, etc. Ele tinha seu carrinho e apartamento quitado e depois descobri que tinha, em sociedade com um irmão, um imóvel de aluguel. Cabeça um pouco diferente, não?

Semana passada encontrei Jean e Maurício novamente, veja os updates:

Jean: "cara, me levantei, tô trabalhando novamente na área e tá devagar mas tá dando pra sobreviver... tô andando com essa nave aí (apontando para o hatch de 80k)". Não quis me aprofundar mas provavelmente o golpe negócio de Jean deu certo, tenho plena convicção que aquele carrão estava totalmente financiado e provavelmente com parcelas em atraso, também sei que outro revés da economia e Jean estará completamente fudido novamente, ou talvez preso mesmo. Ele está feliz, então ok...

Maurício: "O Uber deu certo, comprei um DeLorean (nome meramente ilustrativo) 2012 adequado até para o Uber Black, só não serve por causa do ano, mas comprei de propósito porque consigo fazer Uber X com um carro de Uber Black e ter ótimas avaliações, além de mais conforto pra dirigir, coloquei GNV, fiz um curso pra aprender a dirigir melhor e ganhar mais, hoje tenho uma agenda de trabalho buscando rodar nos locais e horários que rendem mais. Consigo ter mais tempo pra minha filha e esposa. Tô gostando bastante, não ganho o mesmo que na firma mas dá pra viver muito bem... Vejo um monte de nêgo reclamando que Uber não dá mais dinheiro, que é escravidão, mas poucos sabem o que estão fazendo... " Veja que a abordagem profissional que Maurício encarou o Uber trouxe muitos resultados positivos, sem dúvidas a cabeça de solucionamento de problemas que engenheiros possuem ajudou muito. Ele está tranquilo, adaptou o trabalho ao ritmo familiar e ganha dinheiro pra tocar a vida,.. (em breve um post comentando sobre oferecer mais por menos, exatamente o que Maurício faz).

Assim como eu Maurício é discreto em relação a sua vida financeira, deve ter aproveitado muito bem os anos de gordos salários na "firma" pra formar patrimônio, talvez ele seja um blogueiro e a gente não saiba, rsrs! Hoje pode se dar ao "luxo" de ganhar menos mas tem tempo pra ficar com sua filha pequena, que crescerá na presença do pai o que sem dúvida alguma é fundamental. Por outro lado Jean é espalhafatoso, sai contado detalhes da sua vida pra todo mundo e vive na merda. Por mais que ele ache que não por estar andando de carro top e torrando novamente como se não houvesse amanhã, a gente sabe que ele não está bem e que a vida dele é de merda porque vive no fio da navalha, qualquer escorregada ele se cortará.

Um dos primeiros livros que li quando comecei a buscar educação financeira foi o "Segredos da mente milionária", que em resumo diz o seguinte: uma vez com mente de pobre, você sempre será pobre, não importa o que aconteça na sua vida. Esse é o caso dos pobretões ganhadores de loteria que voltam a ficar na bosta pouco tempo depois. Por outro lado se você tiver cabeça de rico, pode passar por apuros mas sempre vai se levantar porque sua mente é programada pra ser rico. Esse é o caso dos milionários que quebram e pouco tempo depois se reinventam.

Trazendo esse ensinamento do livro pra mais próximo da realidade e sem usar extremos vejo que Jean é a típica mente pobre, programada pra ser pobre eternamente. Ele busca uma falsa riqueza e felicidade em coisas materiais que possam faze-lo parecer rico, Maurício é a "mente milionária" que sempre teve cautela com sua vida financeira e aproveitou um baita de um revez que poderia fode-lo pro resto da vida pra criar uma nova vida profissional, perdeu rendimentos, mas ganhou tempo com sua família.

Particularmente acho que minha mente tem muito de "pobre", talvez herança do meu pai que a vida inteira tentou ser rico sem se preocupar com a estabilidade financeira, que sempre que pode usou de bens materiais como alavanca social, que nos anos 90 colocava seu American Express verde na frente dos outros cartões pra se sentir o fodão (ele mesmo dizia isso com todas as palavras) quando chegava num comércio e "sem querer" colocava a carteira aberta em cima do balcão; que fumava Derby mas quando ia a alguma reunião da família comprava Carlton, etc. Mas essa mesma mente pobre herdada do meu pai luta com a mente milionária que brotou na minha cabeça na tentativa de não repetir as cagadas do velho e a promessa que naturalmente fiz pra mim mesmo de "nunca quebrarás". Mente pobre e mente milionária pode sim ser trabalhada e melhorada, uma prova é o tanto de gente na blogosfera que passou de fracassado fudido a investidor.

Sempre digo que adoro ouvir histórias financeiras, sejam de sucesso ou fracasso, anti-modelos são mais importantes que modelos. Pensando em Jean e Maurício me faz crer ainda mais que meu modelo de vida está nos trilhos certos.

domingo, 13 de novembro de 2016

A Nova Blogosfera de Finanças

Comecei o blog no início de 2012 inspirado principalmente por 3 pessoas: o Parar de Trabalhar, o Pobretão e o Viver de Renda. Desses somente o grande VR está entre nós. Além desses, poucos colegas contemporâneos sobreviveram entre eles o Além da Poupança cuja planilha de rentabilidade criada por ele se tornou o padrão brasileiro, sinto saudades diárias da Ostra cuja contribuição (no pouco espaço de tempo que se fez presente na blogosfera) foi algo fora de série (acredito que ela ainda está entre nós nem se for como expectadora). Nesse meio tempo vi blogs vindo e indo mas o resumo disso tudo é um só: tenho muito orgulho de fazer parte da maior rede de evangelização da educação financeira e investimentos que o Brasil já viu!

Companheiros de blogosfera, a verdade é uma só: SOMOS FODAS! Sim, somos muito bons no que nos propomos a fazer, claro que sempre rola uma treta aqui, outra ali, mas isso é inerente da natureza humana. Juntos criamos uma rede de informação intrincada que pode mudar a vida de muita gente de maneira positiva. Qualquer cidadão que quiser pode aprender muito coma gente, desde como não ser pobre até como se tornar rico, rsrs!

Fiquei alguns meses off-line e quando retornei vi que temos vários novos colegas, aliás acho que temos uma blogosfera paralela tamanho o número de blogs novos que recebemos em 2016. É uma saudável renovação de conteúdo, inovação em linguagem e histórias. Isso é muito, muito legal! Acredito que falta uma integração entre nós, os veteranos, e o pessoal da nova geração (porra, me senti um velho falando assim!) porque navegando pelos blogs novos percebi que vários não possuem sequer um blog veterano em seu blogroll, existe um ranking de rentabilidade entre eles, etc. Não é ciúmes, inveja, nada disso, é somente fato. A blogosfera está crescendo exponencialmente assim como aconteceu lá em 2012 quando comecei, lembro-me que na semana que iniciei o blog vários outros surgiram e o mesmo está acontecendo agora.

Diariamente vejo gente aparecendo nos comentários pedindo pra passar em seus blogs e adicionar no meu blogroll. Infelizmente não consigo visitar o blog de todos e também não tenho critérios concretos para adicionar no meu blogroll, por esses motivos não adiciono todo mundo. Desculpe! Dou uma sugestão, alguém poderia criar uma página ou uma ferramenta, anyway, alguma coisa que pudesse concentrar todos os links dos blogs e que fosse divulgado em todos os blogs, facilitando dessa forma o conhecimento do que há de novo.

Uma coisa muito interessante que percebi ultimamente é a profissionalização de alguns blogs, destaque pro nosso companheiro UB com seu excelente Abacus Liquid, o Viver de Construção e a novata Gatinha Investidora, esses dois últimos escritores compulsivos com tanto (bom) conteúdo que se torna quase impossível de acompanhar! É nítido que a quantidade de informação, os debates e dados contidos na blogosfera podem transformar a vida de ao menos pequena parte da população. Hoje só não controla sua vida financeira quem não quer.

Fico muito contente por compartilhar meu conhecimento e fico extremamente alegre quando alguém comenta que mudou pra melhor algo em suas vidas devido algum texto que escrevi. Não pretendo profissionalizar meu blog, ele passou somente por uma mudança de layout (bem no comecinho, por sugestão de leitores que não curtiam ler com fundo preto), tem aspecto primitivo e amador, não controlo números (só sei que tenho cerca de 600 a 1300 visualizações por dia), enfim, sou amadorzão mesmo, rsrs! Pretendo continuar assim até porque com o número de acessos que tenho hoje consigo interagir com todo mundo, responder os comentários, não atraio tantos haters, etc.  Gosto de coisas simples e assim deve ser meu blog. O intuito inicial do meu blog era falar sobre investimentos, logo isso se dissipou e comecei a colocar outros assuntos, de acordo com o momento da minha vida. Ele se tornou mais um compilador do que passa na minha cabeça que outra coisa. Os leitores acompanharam esse ritmo e cá estou, quase 5 anos na internet. Infelizmente não posso escrever sobre vários temas que tenho vontade, também não posso ser tão transparente como queria porque muita gente não tem maturidade pra discutir temas polêmicos. Percebi no decorrer desses anos que polêmica não é comigo...

Enfim, esse post é mais um agradecimento aos companheiros de blogosfera por todos esses anos de parceria, agradeço por tudo que já aprendi e continuo aprendendo por esse canal maravilhoso e espero que isso dure muitos e muitos anos, se renovando e ficando melhor a cada dia. Parabéns pra gente!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Minimalismo sem Frescura

Minimalismo é um tema interessante, muita gente está se dando conta que viver de maneira mais simples e com menos coisas é muito mais prazeroso, mas já experimentou pesquisar o tema na internet? Faça essa experiência e verá que 99% dos posts são feitos em blogs femininos, voltados pra mulheres e cheios de frescuras. Quem pesquisa o tema entende que todo mundo adepto ao minimalismo tem um "armário cápsula", usa roupas monocromáticas, é vegano, não tem carro, usa kindle e faz parte de comunidades de proteção da natureza. Bullshit!

Nada contra blogs femininos, eu gosto de vários deles e tem alguns listados no meu blogroll. Óbvio que por ser homem grande parte dos assuntos não me interessa mas nem por isso tiro o mérito desses espaços da internet que acabam livrando muitas mulheres do consumismo desenfreado. É fato que grande parte das mulheres consome tranqueiras, principalmente roupas e sapatos mas tem muito marmanjo entulhado de coisas do tipo: jogos de videogame, miniaturas, coleções, etc. Se espelhar nas meninas que se livram de tralhas pode ser uma excelente ideia!

Levo o minimalismo de maneira muito natural, não sinto grandes dificuldades em ser minimalista, acredito que isso é uma característica minha. Tenho certa repulsa por ter coisas sofisticadas ou além da minha necessidade o que não quer dizer que não gosto de sofisticação, gosto de aproveitar coisas sofisticadas mas sem a propriedade. Confuso né? Rsrs! Exemplo: gosto de dirigir bons carros mas não me vejo como dono de uma BMW, por exemplo. Não curto a sensação de ter algo que vai me dar trabalho/despesa além do necessário. Nesse caso prefiro alugar uma BMW ou um Cadillac quando vou aos EUA. No Brasil me sinto confortável atrás do voltante do meu Toyota 96 porque sei que ele me serve sem trazer trabalho/despesa além do necessário. Não sinto o menor apego por coisas materiais, não entra na minha cabeça como um ser humano consegue passar horas lavando e encerando um carro, se preocupa com todo e qualquer risco na lataria e por que caralhos alguém lava o motor do carro?!?!?! Meu ponto de vista vai de encontro com o seguinte texto: https://canaltech.com.br/noticia/comportamento/millennials-jovens-preferem-gastar-com-experiencias-do-que-com-bens-materiais-46321/

Todas as vezes que tentei ter algo além do necessário acabou de um jeito ou de outro dando errado. Em 2006 no auge das minhas dívidas comprei um sedan completo do ano (financiado, claro). Bateram 4 vezes, arrombaram a porta pra roubar o som, o para brisas trincou, Bia ralou a lateral inteira num poste... Tudo isso em menos de 1 ano e 5 mil km. No meu primeiro imóvel, onde morei mais de 6 anos, fiz móveis planejados que mofaram com 3 meses, no verão era quente que nem o inferno e no inverno gelado como o Alasca. A vizinhança evoluiu de crianças choronas a traficantes de drogas festeiros. Resumo: hoje moro de aluguel, se tiver algum problema no imóvel ou na vizinhança eu me mudo rapidamente, meus móveis (poucos) são das Casas Bahia e meu carro é velho. Sou muito mais feliz assim!

Carnes Premium? Não, obrigado. Pago 24 Temers no quilo de
contra-filet, 17 na fraldinha, 8 na sobrecoxa de frango e me
alimento muito bem e com sabor.
Gosto de comer bem o que não quer dizer gastar fortunas em restaurantes caros. Até hoje quando consigo bato um PF de 12 conto num boteco sujão perto de uma das minhas antigas lojas porque a comida é excelente. Compro somente carne de 1ª, não porque sou fresco e sim porque rende melhor e claro, é melhor pra comer. Aqui em São Paulo temos lojas da Swift que embora possuam um ar "gourmet" vendem excelentes carnes com preços muito bons (fica a dica), por outro lado não vejo diferença entre um contra filet comum e um "angus-mega-master-super-ultra-gourmet", acho frescura. Bebo Heineken e detesto cervejas artesanais que são ruins pra kct e só servem pra passar a imagem descolada de quem bebe. Um rodízio de 200 conto do Fogo de Chão não é 4x melhor que o de 50 conto da minha vila, portanto não vale a pena. Paris 6 e Coco Bambu, os restaurantes preferidos dos "descolados" paulistanos são ruins pra kct e caros de arrancar os olhos. Meu restaurante preferido, Outback, não é tão barato mas pelo menos a comida é perfeita. Não temos uma alimentação "minimalista" como a maioria dos blogs prega: detesto coisas integrais, não diferencio orgânico de comum, comemos fast food com certa frequência e nem sempre cozinhamos em casa. Vegano é uma palavra que me causa um certo asco, confesso. Não preciso cultivar meu próprio repolho na varanda do apartamento pra ser minimalista (aliás, odeio repolho e coisas verdes). Já foi a época que eu não dispensava uma dose de Jack Daniels ou Green Label ao chegar em casa. Hoje em dia bebo quando tenho vontade e não pra me convencer que sou "bem sucedido" porque consigo beber scotch de 300 reais todos os dias (parece mentira mas se você parar pra pensar faz várias coisas pra se auto-afirmar pra você mesmo (redundância?), independente de quão racional você seja...). Percebo que aos poucos estou dessofisticando (essa palavra existe?) minha vida de maneira muito natural.

Nosso guarda-roupas é um desses, 300 reais nas Casas Bahia.
A tática é doar quando mudarmos e comprar um novo pro
apartamento novo, dessa maneira poupamos o trabalho de
desmontar, transportar e remontar. Se todas nossas roupas cabem
nele? Confesso que não, além dele temos um gaveteiro plástico de
4 gavetas e mais nada. Usamos uniforme no trabalho o que contribui
muito pra facilitar a vida.
Tenho a grande felicidade de ter uma esposa com pensamento igual ao meu, Bia sempre está contente e grata pelo que temos. Tem pouquíssimas roupas, 3 ou 4 pares de calçado e uma malinha de maquiagem. Pra ela acampar na Prainha Branca em Bertioga (confesso que EU não tenho mais saco pra acampar) tem a mesma graça que se hospedar no Caesars Palace em Las Vegas. Sou agraciado por ter uma esposa assim já que infelizmente grande parte das mulheres se deixam levar pelo consumismo.

Até nosso conceito de diversão tem mudado nos últimos tempos. 2 anos atrás Bia e eu saíamos 3 ou 4x na semana pra baladas (que embora caras não nos custava muito por aproveitarmos consumação, amizade com gerente, etc). Hoje em dia se saímos 2x no mês é muito...  Curtimos cada vez mais coisas simples como andar de bike no minhocão e na Paulista, tomar sol sem muita preocupação...

Gadgets são coisas que não nos atraem, celular trocamos esse ano, 1k por 2, do mesmo modelo. Provavelmente vão nos servir por um ano ou mais. TV tenho uma smartv de poucas polegadas comprada na Black Friday ano passado, até então nossa TV era de tubo (ainda tenho videocassete, by the way). Apetrechos de cozinha somente grill e cafeteira.  Nossas mudanças são feitas com uma Pick-up tipo Strada. A sensação de ter poucas coisas é maravilhosa.

Não sou adepto do "100 things challenge", não conto minhas posses mas tento manter comigo somente aquilo que realmente uso. Se for de interesse de vocês posso fazer posts sobre roupas, cacarecos, etc. Deixem nos comentários, se o assunto for de interesse geral, posso escrever mais sobre isso.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dicas de Comerciante: Máquinas de Cartão

Estamos passando por uma revolução digital que veio pra ajudar muito o comerciante. As máquinas de cartão independentes tipo Moderninha do PagSeguro chegaram pra esmagar a cara da Cielo e Rede, as empresas mais malditas do mundo das grande do setor. O custo de maquininhas de cartão é um estupro e deve ser raspado ao osso.

Como você já deve ter visto nas propagandas, as maquininhas independentes são compradas e não alugadas. Existem diversas no mercado mas a mais famosa é a Moderninha do PagSeguro. A propaganda diz: "com 6 meses do aluguel das outras você compra a Moderninha e se livra do aluguel" Isso não é totalmente verdade porque ao custo de 12x 69,90 você paga o equipamento com apenas 3 meses de aluguel de uma Cielo ou Rede sem fio cujo aluguel sem negociação gira em torno de 130,00. Ok, ponto positivo, mas a outra inverdade não é tão saborosa: você não consegue se livrar totalmente do aluguel: a Moderninha e suas parentes não aceitam A PORRA DO CARTÃO ELO DÉBITO.

Essa desgraça do cartão ELO é mais uma daquelas sacanagens criadas pra foder com vida dos outros em troca de lucro. (Falei igual um socialista agora, rsrs! Que fique claro, eu corroboro com a posição totalmente capitalista e livre da Cielo em criar algo onde possa explorar e ganhar dinheiro mas isso não quer dizer que eu vá acariciar a ideia). É óbvio que a Cielo criou essa porra pra não perder espaço no mercado de maquininhas uma vez que depois que a aceitação de Visa/Master passou a ser possível tanto na máquina da Rede quanto da Cielo (por volta de 2009) eles devem ter perdido mercado já que vários comerciantes que tinham 2 máquinas passaram a cancelar uma delas reduzindo custo. Inicialmente o Elo era aceito somente na Cielo o que forçava o comerciante a ter a maquininha deles já que grandes bancos como Bradesco e Caixa passaram a emitir Elo como sua bandeira principal. Atualmente o Elo também é aceito na Rede e GetNet porém ainda não é aceita pelas Moderninhas e suas parentes...

Algumas outras bandeiras específicas também não são aceitas pelas Moderninhas, mas essas são de nicho como cartões de benefício e tickets refeição o que acaba não sendo grande transtorno porque quase sempre esses cartões possuem outros meios de captura como URA (via telefone).

Após feedbacks positivos de colegas comerciantes decidi embarcar nessa onda das maquininhas compradas e não alugadas e momento não poderia ser melhor, comprei Moderninhas Pró na semana do lançamento. A grande vantagem desse modelo é a possibilidade de imprimir comprovante o que as demais não fazem. Estou muito contente com o desempenho delas, são rápidas por conectarem via WiFi (além de terem chip de celular integrado), a transferência de valores da conta do PagSeguro para a conta da empresa é grátis porém os valores demoram em torno de 2 a 3 dias pra cair (poderia ser de um dia para o outro), eles tem um gerenciador que pela primeira vez na vida consigo saber quanto tenho pra receber, quanto paguei de taxa por operação, etc. A Rede está engatinhando nesse quesito com um gerenciador que embora "usável" tem um delay de 2 dias, ou seja, não serve pra muita coisa. As taxas do PagSeguro são muito melhores que a concorrência e a transparência dos custos é o grande ponto forte.

Existem várias outras maquinas semelhantes como as do Mercado Pago mas nenhuma imprime comprovante o que ainda é importante pra muita gente, principalmente idosos.

Hoje a Moderninha é a principal, seguida pela Cielo ou Rede pra aceitar a merda do Elo. Uma semana depois que comecei a usar a Moderninha recebi ligações da Cielo e Rede perguntando o porquê minhas vendas despencaram. Ahahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!!!!!!!! Parece que o jogo virou, não?! Pra resumir: cancelei as Cielo e consegui taxas melhores com a Rede (na verdade um pacote pré pago onde pago 200 conto por mês incluindo aluguel e taxas até um limite de uso). Viva a concorrência, a tecnologia e o mundo digital.

Não ganhei nada do PagSeguro pra escrever esse post. Se parece propaganda é porque o produto é bom mesmo (toda vassoura nova varre bem, vamos ver depois...). Paga nóis PagSeguro!

O comerciante deve ficar esperto com as oportunidades de reduzir custo. Uma coisa que estou namorando é a contabilidade digital que promete reduzir 5 vezes os custos contábeis. Mas isso é assunto pra outro post.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dicas de Comerciante - Troco

Hoje vou falar um pouco sobre um importante assunto: TROCO. Esse texto era pra vir junto com outro sobre maquinas de cartão, mas como ficou muito grande, decidi dividir em dois.

Troco é um assunto neglicenciado por boa parte dos pequenos empresários, a tendência é considerar troco como dinheiro parado, logo quanto menos, melhor. Como sou do contra, discordo completamente disso! Troco é ferramenta de trabalho do comerciante, economizar nisso é burrice. É inadmissível um comércio não ter troco, claro que tem gente que abusa e quer comprar um produto de 1,50 com nota de 100 mas também tem muita gente que ajuda facilitando o troco. No fim das contas é obrigação do comércio ter troco e ponto final, nunca deve-se fazer cara feia ao fazer um troco complicado, isso simplesmente não pode acontecer. Outra coisa que me deixa louco é ir num comércio e esperar o caixa ir trocar dinheiro na rua. Porra, isso mostra total despreparo da empresa!

Quanto ter de troco? Como conseguir troco?

Quando eu tinha 3 lojas cheguei a ter R$ 15 mil em troco: moedas, notas de 2 e 5. É muito dinheiro? Claro que é! Porra, ter um carrinho popular maomenos parado em troco é foda porém necessário.Troco nunca é o suficiente, evapora muito rápido e na hora que você menos espera já acabou.

Pra conseguir troco não tem muito mistério:

1- Orientar os operadores de caixa a SEMPRE pedir troco. A conta deu 7 e o cara deu 10? Peça 2 reais e volte 5. Perceba que invés de você queimar uma nota de 2 e uma moeda de 1 você conseguiu uma nota de 2 e deu uma de 5. Quanto mais trocado você tiver, melhor. Ter 10 reais em 4 notas de 2 e 2 moedas de 1 é melhor que ter 2 de 5. Por quê? Simples, tendo trocado você consegue devolver valores mais baixos ou mais altos.

2- Nunca deixar excesso de troco no caixa. Isso força os operadores a seguir a orientação acima de pedir troco aos clientes. Jamais deixe-os saber que você tem muito trocado. Eu trabalho assim: cada operador tem um fundo de caixa que é fixo e ele deve se virar com aquele troco. Quando vejo que o fundo de caixa está "pobre" eu reponho do meu caixa em trocados mas cobro-os pra não deixar o troco acabar.

3- Aceite 100% do troco que lhe oferecerem. É muito comum, principalmente no fim do ano quando as pessoas abrem os cofrinhos, clientes oferecerem troco. Eu pego 100% desses trocados SEMPRE. Jamais deixo passar. Já cheguei a ir no banco sacar 500 reais pra trocar com um cliente que levou tudo em moedas de 1 real (as mais raras). Outra coisa comum é colegas comerciantes que giram muitas moedas virem trocar comigo: a moça da copiadora, o bicheiro, o cara do boteco e suas maquininhas caça níquel, o cara do posto de gasolina que não pode colocar troco no cofre... Quando você aceita moedas as pessoas voltam pra trocar com você porque sabem que não ficará com frescura.

4- Faça campanhas de arrecadação. Certa vez estava com pouca moeda de 0,05 e 0,10. Coloquei plaquinha na frente da loja: "troque suas moedas e ganhe vale-compras". Fiz vouchers e distribui às pessoas que trocassem moedas conosco. 5 a 10% dependendo da situação. Consegui muita moeda em apenas 1 semana de campanha e ainda trouxe clientes pra gastar na loja.

Bancos jamais vão te arrumar troco a não ser que você tenha uma relação muito próxima com os funcionários da sua agência, o que não é meu caso. Quase nunca vou ao banco e mal sei o nome dos gerentes (quem é amigo de gerente é porque não tem dinheiro).

Ter troco não é bicho de 7 cabeças mas requer uma abordagem séria e investimento, além de um trabalho diário e incansável dos gerentes em cima dos operadores.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Como vão meus investimentos?

Esse blog foi criado com o objetivo de compartilhar informações sobre investimentos, renda passiva, independência financeira, etc. Com o passar dos anos ele se tornou um espelho do que passa pela minha cabeça e o assunto investimento não é mais o principal a muito, muito tempo. Parei de divulgar os resultados dos meus investimentos, isso foi bom por espantar os haters e o pessoal da dor de cotovelo, mas também me prejudicou porque parei de acompanhar meus números de perto.

Fazem pelo menos 2 anos que meus investimentos estão no piloto automático, não me preocupo muito como estão meus ativos e não tenho o menor orgulho disso. Eu estou completamente errado! Vou dar algumas desculpas para esse desleixo: foco nas empresas que é de onde vem minha grana, foco na qualidade de vida (invés de me preocupar pra onde está indo cada real que gasto), preguiça, desleixo, relaxo, preguiça, desleixo, relaxo... Ok, a verdade é que acho muito chato acompanhar ativos, ler relatórios e o kct... O prazer que um dia senti nisso foi passageiro e não me pertence mais. tenho plena consciência que perco dinheiro diariamente por causa disso, mas, anyway, não tenho muita vontade de mudar isso, talvez porque time que está ganhando não se mexe... NÃO FAÇA ISSO EM CASA AMIGUINHO! Sou o pior exemplo da blogosfera!

Bom, de qualquer maneira meu objetivo em investir continua o mesmo desde o começo do blog: geração de fluxo de caixa. Ganho de capital eu faço pelos flippings com empresas e outros negócios. Na minha opinião dinheiro aportado deve gerar fluxo de caixa, ponto final. Por isso minha grana está alocada 100% em ativos que geram renda mensal: fundos imobiliários e imóveis de locação. Sim, eu sei, essa alocação é temerária, mas é minha atual realidade. Se eu pretendo mudar isso? Sim. Quando? Não faço ideia, nem como fazer...

Os FIIs me geram cerca de 0,85% ao mês, lembrando que grande parte da carteira foi comprada num momento de alta (2012/13) o que reflete em uma menor rentabilidade. Se não fosse pelo risco eu ficaria 100% em FIIs. É lindo abrir a conta da corretora todo dia 1º e ver lá uma grana legal esperando pra ser transferida sem você ter mexido uma palha pra isso. A carteira tem 15 ativos. Recentemente fiz um mega aporte nela e usei um critério muito sofisticado pra escolha dos fundos: distribui proporcionalmente aos ativos que já estavam na carteira. É cômico e trágico, eu sei. Sorry...

Os imóveis de locação não foram comprados com esse objetivo: meu apartamento onde morei anos e saí devido aos vizinhos malucos, outros imóveis que peguei em rolos... Enfim, não tem muita coisa que preste nessa carteira, mas o importante é que estão todos locados gerando 0,5% ao mês. Dentro dessa carteira tenho também um teste que resolvi fazer de maneira puramente empírica e temerária: um imóvelzinho no exterior, que me gera uma rendinha de 0,7%/mês após taxas de administração e impostos. Esses imóveis foram barganhas? Tirando o apartamento onde morei que foi comprado antes da alta dos imóveis o resto foi "comprado" pelo preço de mercado mesmo, não teve nenhum grande negócio pra eu me orgulhar. Um dos apartamentos ficou 3 meses vazio me gerando custos, tive despesas de papelada, etc. Enfim, não tem nenhum grande negócio. Poderia vender e investir em algo mais rentável? Sem dúvidas! Mas estão alugados, gerando renda... preguiça da porra em anunciar, esperar, negociar, vender, escolher investimentos... Sem contar o fator psicológico de ter dinheiro lastreado em algo físico como um apartamento.

Não tenho tido muito tempo pra acompanhar a blogosfera mas dia desses estava dando uma olhada no blog do veterano Viver de Renda e descobri que ele está alocado 100% em renda fixa. Confesso que fiquei mais tranquilo pela minha posição em relação a alocação de ativos, acho que a atitude de cautela e conservadorismo é normal depois que você atinge a IF (com certeza ele sabe muito bem o que está fazendo ao contrário de mim (eu?)).

Enfim, eu que um dia me achei fodão como o sabichão das finanças estou alocado de uma maneira comodista e arriscada. Vou repetir: NÃO FAÇA ISSO, NÃO FAÇA O QUE FAÇO! É bom deixar claro!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Manual de Uso do Carro Velho

Como sabem, de um ano pra cá tenho usado um carro velho, de 20 anos de idade. Poucas vezes na vida fiquei tão satisfeito com um carro, hoje vou dar minha opinião do porquê um carro velho pode ser um baita negócio e também como utiliza-lo da melhor maneira. Lembro que esse é um post de opinião, se você não concorda, ok, passe pro próximo.

Primeira questão a ser considerada em relação a propriedade de um carro: pra que serve um carro? Pode parecer estranho mas carros podem servir pra muitas coisas. Se você é um homem solteiro seu carro pode te ajudar a conseguir mulheres e não há absolutamente nada de errado com isso, cada um luta com as armas que tem e isso é 100% lícito. Nesse caso um carro velho não é uma boa opção. Se você é um vendedor, representante comercial ou trabalha com algo que exige deslocamentos constantes, seu carro é sua ferramenta de trabalho e provavelmente um carro mais novo e principalmente econômico é mais indicado. Se você é advogado, corretor ou tem que se deslocar com clientes, um carro de nível superior é melhor (sabemos que carro não quer dizer nada, mas é assim que a sociedade funciona portanto não adianta ir contra). Mas se você é uma pessoa que precisa de um carro pra se deslocar de A pra B, anda menos de 12.000km por ano e não faz viagens longas, um carro velhinho pode ser um tremendo negócio. E esse é exatamente meu caso.

Em casa temos esse carro velhinho e uma moto de pequena cilindrada também velhinha. Duas "conduções" cujo valor investido não chega a 15 mil reais. Ambos nos servem muito bem dentro das nossas necessidades atuais sem trazer preocupações em relação ao dinheiro empatado, desvalorização, seguros, IPVA, etc.

Como usar um carro velho?

Antes de decidir em ter um carro velho entenda uma coisa: carro não é investimento, carro não é membro da família, você jamais deve se apegar a um carro. Carro é um bem de consumo e nada mais. Pare com essa frescura que brasileiro tem de lavar carro todo fim de semana, de levar no martelinho de ouro pra tirar amassados imperceptíveis, de encerar carro uma vez por mês, de comprar acessórios, de comprar rodas esportivas. Pare com isso, jovem! Carro você usa, quando acabar joga fora. Ponto final.

Carro velho SEMPRE vai ter alguma coisa pra fazer, mas você não vai fazer ao menos que seja necessário para o correto funcionamento dele. Carro velho deve andar da maneira mais segura possível e só. Ele não tem que estar brilhando, sem amassados ou arranhões. Num carro sua preocupação deve ser a confiabilidade do motor e câmbio, eficiência do freio e a suspensão deve estar razoável. Nada mais!

Qual carro escolher?

Quanto mais simples, melhor. Aqui eu fiz exatamente o contrário, comprei o que era considerado um carro de luxo na sua época de lançamento, completo, top de linha. Esse é um risco que assumi porque não abro mão de ar-condicionado, direção hidráulica e câmbio automático. Minha aposta deu certo mas o risco é alto. Se a transmissão do meu carro estourar, é melhor vender pro desmanche que mandar arrumar. Minha aposta é baseada na reputação da fabricante. Se você compra um carro simples ou de manutenção barata o risco de se foder é bem menor, quanto menos coisa pra quebrar, quanto menos tecnologia, melhor. Fuja de importados estranhos, de franceses e de carros "exclusivos".

Como comprar um carro velho?

Aqui entra um aspecto sob o qual você não tem o menor controle: sorte. Pra comprar um carrinho velho de qualidade você deve ter sorte mas certas coisas ajudam. Meu carro foi comprado através de um cliente da loja que mexe com carros (um aposentado que tem isso como hobby), bem ou mal eu tinha certa confiança nele. Comprar de alguém que você confia ajuda muito. Outra dica é procurar uma "mosca branca", ou seja um carro muito bom, com qualidade muito superior aos seus pares, tenha em mente que isso significa pagar bem mais o que não quer dizer que seja negócio ruim. Meu carro mesmo, paguei 12k enquanto modelos similares do mesmo ano são encontrados por menos de 10k, mas o meu é um desses, com qualidade bem superior. Veja que 2k não vai te matar, é menos que o seguro de 1 ano de um popular em São Paulo e dependendo de como tiver o carro no momento que você for vender você recupera esse "investimento".

O lance é pegar um carro de algum desses tontos que lambem carro como se fosse um filho e usa-lo como uma pessoa racional usa um carro, capiche?

E a manutenção, Corey?

Você deve estar se questionando: Porra, um carro velho dá muita manutenção... Sim e não. Sim porque é óbvio que quanto mais velho maior as chances de coisas quebrarem e não por diversos motivos:

  • Carros com mais de 20 anos são nitidamente melhor fabricados, a qualidade é muito superior aos atuais e a tecnologia mais robusta e menos descartável. Os carros dos anos 90 pifam menos e são mais recuperáveis.
  • Manutenção preventiva é algo supervalorizado. Aqui é uma opinião controversa mas eu continuo achando que as pessoas fazem revisões demais em seus carros. As concessionárias fazem terror sobre a segurança e empurram manutenções desnecessárias. Certa vez, quando eu era financeiramente burro, comprei um carro zero, andei 60.000km e só troquei óleo e fiz rodízios de pneus uma vez. Esse carro nunca recebeu uma revisão e rodou perfeitamente durante 3 anos. Logo você não precisa fazer tanta manutenção assim...
  • Se você opta por um carro de manutenção simples provavelmente vai gastar menos com as peças e mão de obra. Um amigo tem um Uno 94, semana passada gastou 300 reais pra dar uma geral no motor, trocou óleo, filtros, correia dentada, limpou injeção (ou carburador, sei lá) e pastilhas de freio. Quem fez o serviço foi um colega mecênico da Toyota que faz uns freelas em casa. Resumindo: gastou pouco, ficou com o carro pronto pra mais um tempo, contribuiu pra economia informal, não pagou impostos...
  • Você não mexe com o que tá quieto, você arruma o que pifa e pronto. Seu motor está rajando e baixando óleo? Você não deixa faltar óleo e água. Seu radiador tem um furinho? Você usa um selante. Pronto!
Ter carro velho é uma delícia, ninguém cresce o olho, os vendedores do farol não te perturbam, você não gasta com IPVA e seguro (uma tranca de câmbio ou volante dão conta), não liga pra amassados e ralões, passa desapercebido, não fica com dor na consciência de ter uma baita grana empatada, não tem parcela de porra nenhuma relacionada ao carro, não vão roubar suas rodas no meio da rua ou estacionamento do shopping, enfim, pra quem precisa de uma condução pra levar de A pra B não há coisa melhor!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Negócios no Brasil X Negócios nos EUA

Leiam o texto abaixo, depois conversamos. (fonte: https://endeavor.org.br/fazer-negocios-eua-licoes/)

Zé Raimundo sempre gostou muito do Brasil, mas depois de conhecer como o mercado americano funciona, ele não pretende voltar para a nação verde e amarela tão cedo.

Depois de 20 anos de sucesso no Brasil, o Zé Raimundo percebeu uma oportunidade de expandir seu negócio para fora. Meticuloso que era, estudou as oportunidades, montou um plano de negócio e resolveu começar a internacionalização pelos Estados Unidos: economia forte, público alvo com bom poder aquisitivo, demanda pelos serviços e produtos do Zé. Uma oportunidade perfeita!
A essa altura do campeonato, Zé Raimundo já tinha aberto mais de 30 lojas no Brasil, em cinco Estados e 13 municípios e já estava cansado de toda burocracia e legislação do país. Honesto e zeloso, o Zé não era adepto dos “jeitinhos”. Por conta disso, em algumas lojas, ele levou mais de um ano para conseguir a documentação de abertura. Para o Zé, abrir uma loja nova era mais ou menos assim:
  1. Arrumar um ponto comercial regularizado e com habite-se – mais da metade não tem;
  2. Negociar com o proprietário e assinar o contrato de locação;
  3. Deliberar a abertura da filial e alterar o contrato social;
  4. Mandar para a Junta Comercial do Estado de Origem e aguardar “arquivamento”;
  5. Atender as exigências da Junta, mesmo que não entenda o motivo;
  6. Receber ata “arquivada” e mandar para junta comercial do estado de destino;
  7. Atender as exigências da Junta, mesmo que não entenda o motivo;
  8. Receber a ata arquivada;
  9. Tirar CNPJ e Inscrição Estadual da nova loja;
  10. Tirar Inscrição Municipal da nova loja;
  11. Dar entrada dos projetos na prefeitura e aguarda aprovação;
  12. Aguardar aprovação da prefeitura; (multiplique isso por 10)
  13. Após aprovação da prefeitura, iniciar as obras;
  14. Solicitar vistoria dos bombeiros;
  15. Aguardar vistoria dos bombeiros; (multiplique isso por 20)
  16. Atender exigências dos bombeiros e pedir nova vistoria;
  17. Aguardar vistoria dos bombeiros;
  18. Obtém habite-se;
  19. Dá entrada no pedido de alvará;
  20. Obtém alvará de funcionamento;
  21. Inaugura a loja;
A sorte do Zé é que ele não estava sozinho para enfrentar essa via crucis: rapidamente ele descobriu que existem consultorias, que não gostam de ser chamados de “despachantes”, cuja única finalidade é ajudar empresas como a do Zé a navegar pela burocracia! Por uma módica quantia o Zé podia contratar uma assessoria especializada para tratar disso para ele! Show de bola!

Só que como “bola” não fazia parte do vocabulário do Zé, na maioria das vezes os assessores-especialistas-na-burocracia não conseguiam reduzir os prazos para obtenção dos documentos. E tome-lhe loja pronta sem poder abrir.  Zé se cansou de tudo isso, já não queria mais viver em um ambiente assim e decidiu tentar a sorte na terra do Tio Sam.
  • Rumo aos Estados Unidos
Decisão tomada, a primeira providência do Zé foi preparar uma bela apresentação do projeto. Ainda no Brasil ele ficou sabendo que o consulado americano mantém um “escritório de negócios”, focado em ajudar empresas que queiram abrir novos negócios nos EUA.
LOGO NO PRIMEIRO CONTATO, ZÉ JÁ PERCEBEU QUE ESTAVA EM UM OUTRO MUNDO: AS PORTAS SE ABRIAM.
Ele percebeu um interesse real dos americanos em que o negócio dele se instalasse lá. Os caras começaram a reunião agradecendo ao Zé por ter escolhido instalar seu negócio nos EUA. O escritório de negócios conectou Zé com a ESD – Empire State Development – uma agência do governo de NY, especializada em desenvolver novos negócios em NY, que não só o recebeu prontamente, como se prontificou a ajudar nos pontos críticos – acesso a capital, recrutamento & seleção, treinamento, etc.
Apesar de parecer óbvio, Zé não deixava de se surpreender com a constatação de que nos Estados Unidos, o ambiente é “pro-negócios”: o governo de fato incentiva e trabalha para atrair e facilitar a instalação de novos negócios no país.
A COMPARAÇÃO COM AS DIFICULDADES DO BRASIL ERA INEVITÁVEL. FOI A PRIMEIRA GRANDE DIFERENÇA QUE O ZÉ PERCEBEU ENTRE OS DOIS PAÍSES.
Vencida a primeira etapa, chegou a hora de recrutar a equipe americana. Rapidamente, Zé descobriu que existe toda uma estrutura para facilitar a contratação de profissionais. Gratuitamente, ele conseguiu espaço para conduzir o processo seletivo, dinâmicas de grupo, material de apoio para o recrutamento. Além disso, o governo americano incentiva a inclusão e a contração de trabalhadores menos favorecidos; incentiva, não obriga como ocorre no Brasil. Nos EUA não tem “cota de PNE”, “cota de menor aprendiz”, lá o modelo é: se você contrata os menos favorecidos, recebe incentivos.
Não existe a obrigatoriedade como ocorre no Brasil, muitas vezes em detrimento da produtividade. Outra surpresa foram as leis trabalhistas: lá pode-se pagar por hora, por mês ou de acordo com a produtividade, não tem nada que sequer se assemelhe ao arcaísmo da CLT. Chamou a atenção do Zé o fato de que, apesar de “menos protegidas”,  não tem FGTS, férias pagas e estabilidade. O trabalhador médio americano tem um padrão de vida muito melhor que seus colegas brasileiros.
Em outra frente, o Zé já tinha contratado arquitetos, engenheiros e desenvolvido o projeto da nova loja. O processo é basicamente o mesmo do Brasil, prepara os projetos, dá entrada na prefeitura, recebe aprovação e começa a obra.
A DIFERENÇA É O TEMPO… TODA TRAMITAÇÃO LEVA NO MÁXIMO 30 DIAS. UMA VEZ TERMINADA A OBRA, É HORA DE OBTER O HABITE-SE.
Novamente, o processo é o mesmo do Brasil: você dá entrada no pedido, aguarda a vistoria e recebe o documento.
Assim como no Brasil, a prefeitura de NY não tem fiscais suficientes para dar conta de todos os pedidos. No Brasil esse problema não é solucionado e as empresas precisam aguardar meses até que haja fiscal disponível ou então dar um “jeitinho” para conseguir a disponibilidade imediata de um fiscal. Em NY, esse problema foi solucionado com a “auto vistoria”, a própria empresa preenche os documentos, contrata um engenheiro certificado e recebe um habite-se.
A premissa básica nos EUA é que o governo não pode impedir o seu negócio de funcionar por conta de uma ineficiência operacional do próprio governo. O governo lá ajuda e nunca se coloca em posição de atrapalhar o desenvolvimento de um negócio que trará resultados positivos por meio da geração de empregos e recolhimento de impostos. Esse tiro no pé, que acontece no Brasil, é algo impensável para o legislador americano.
Ao longo dos meses, o Zé Raimundo foi percebendo outras diferenças, às vezes sutis, outras nem tanto, entre o ambiente de negócios no Brasil e nos EUA. Ele percebeu que lá todos partem da premissa de que você é honesto e que as informações que presta são verdadeiras.
“RECONHECIMENTO DE FIRMA” E “CÓPIA AUTENTICADA” SÃO FIGURAS QUE NÃO FAZEM PARTE DO DIA-A-DIA DE NEGÓCIOS NOS EUA. O QUE VOCÊ FALA VALE, E AI DE VOCÊ SE NÃO FALAR A VERDADE.
O americano confia nas informações que recebe e a punição, em caso de prestar falsas declarações, é severa. Lá você não precisa provar, antecipadamente, que é honesto e também não tem alguém te tutelando o tempo todo e dizendo o que você pode e não pode fazer. Parte-se da premissa de que as regras serão seguidas e de que quem não segui-las arcará com as consequências. Rapidamente o Zé percebeu que essas pequenas sutilezas tem um enorme impacto nos negócios.
As contratações de fornecedores são muito mais rápidas, as propostas são mais objetivas, as negociações mais claras. Ninguém fica o tempo todo preocupado com o “aonde está a pegadinha” ou achando que o “outro quer se dar bem em cima de você”. De outro lado, isso faz com que o americano seja mais “literal”. Vale o que foi dito, vale o que está na proposta. Não está na proposta? Então não faz parte do escopo. Não tem jeitinho nem “veja bem”, não tem muito espaço para interpretação.
O Zé também percebeu que o americano não gosta de negociar preço. A lógica é simples: Se um fornecedor consegue baixar o preço pedido em 30%, significa que ele estava te cobrando 30% a mais do que o valor justo. Consequentemente, se você pede para o cara baixar o preço em 30%, é como se estivesse chamando ele de ladrão, afinal, quem em sã consciência proporia um preço 30% mais alto do que o preço justo?
O Zé Raimundo perdeu alguns negócios para fornecedores que se ofenderam com o jeitinho brasileiro dele de chorar preços. Por outro lado, o Zé descobriu que o americano é competitivo, não gosta de perder negócio e não tem papas na língua na hora de apontar os defeitos dos concorrentes. O Zé adorou essa parte: além de ter certeza de que sempre estava conseguindo preços alinhados ao mercado, acabou sendo alertado para muitas questões que teriam passado despercebidas se um concorrente mais agressivo não tivesse colocado o dedo na ferida.

Por conta disso, Zé deixou de cair em boas roubadas. Apesar de adorar o Brasil, o calor humano e o jeito de ser do brasileiro, ele ficou encantado com os efeitos benéficos da competição. Um mercado competitivo produz melhores resultados para todos: gera mais riqueza, mais empregos e mais bem estar social. Apesar da falta do arroz e feijão, Zé Raimundo segue feliz da vida seu projeto nos EUA. A primeira loja abre em breve e ele já sonha com as próximas.
 Agora vamos aos comentários. Zé Raimundo é o típico self-made man brasileiro, um fudido que não caiu no triatlon  cachaça/puta/jogo e conseguiu se dar bem na vida. Conheço inúmeros Zé Raimundo, pessoas simples, sem formação acadêmica mas que trabalharam duro e conseguiram montar impérios de negócios: rede lojas de material de construção, de lanchonetes, padarias, mercados... Uma observação: jamais conheci sequer sequer um cara com "preparo" teórico (administradores de empresa, economista, whatever) dono de empresa bem sucedida...

O que to texto fala sobre a burocracia pra abrir uma empresa é a mais pura verdade, mas duvido que o Zé Raimundo chegou onde está sem molhar a mão de ninguém. É impossível! Não existe a menor possibilidade de se abrir uma empresa, ter as licenças inerentes do ramo sem jeitinhos. Ponto final. Veja alguns exemplos: abrir um CNPJ novo demora em torno de 60 a 90 dias em São Paulo, com 200 reais na mão certa, o prazo cai pra 48h. Ok, você pode aguardar 90 dias, pagar 3 meses de aluguel no seu ponto comercial, mas dependendo da licença não é tão simples assim. Tem papel que pra sair depende de outro papel e esse segundo papel não sai sem o protocolo do primeiro sendo que o prazo é de 15 dias pra você ter o primeiro e 7 dias pra ter o segundo. Entendeu? Se você não apelar pro jeitinho simplesmente não consegue saporra de papel!

Nenhum empresário em sã consciência vai ficar aguardando prazos pra abrir sua loja, ele abre e depois corre atrás. É errado? Claro que é,  mas todos fazem assim e não tem  porque você fazer diferente Ser empresário no Brasil é cagar em cima da ética, não é possível fazer as coisas 100% dentro da legislação e ser empresário ao mesmo tempo. Sabe quando tem esses "escândalos" de empresas conceituadas e sem alvará e licenças de funcionamento? Os jornais esquecem de falar que a liberação desses papéis demoram horrores por passarem pelo humor de funcionários públicos, não falam que eles demoram 20, 30 dias pra dar uma resposta e pedir mais um documento e que isso se arrasta por meses e as vezes até anos.

Um dos motivos que consigo me virar bem é porque conheço as pessoas certas, os despachantes, as empresas de "consultoria" que nada mais são que "esquemas" com funcionários e órgãos públicos... Sem esse conhecimento minha vida empresaria seria um inferno ainda maior.

Sobre abrir uma empresa nos EUA não posso comentar muita coisa, minha experiência é bem restrita mas o pouco que sei é que realmente é tudo mais simples que o Brasil, as coisas são mais simples de se entender, os contadores são mais práticos e tudo é preto no branco o que traz uma segurança jurídica maior. As chances do contador fazer merda são bem reduzidas porque as leis são mais claras, já aqui sempre estou com o cu na mão dos meus contadores fazerem merda e eu me foder.

A legislação trabalhista americana é a cereja do bolo, a simples existência do sistema part-time já deixa as coisas mais simples pro lado do empresário. Nem vou comentar sobre os "direitos trabalhistas" brasileiros, a dificuldade que temos em demitir alguém devido aos encargos, etc. A terceirização que proporciona agilidade é outro ponto importante. 1000 a zero para os Estados Unidos.

Achei esse texto bem interessante, serve pra abrir os olhos de quem nunca teve contato com o ssitema empresarial americano e me deixou com ainda mais bronca do Brasil.
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