sábado, 27 de junho de 2015

"Voltar ao Brasil é uma Opção?" - Por Renato

Renato tem um blog chamado Um Brasileiro na Terra do Tio Sam, foi morar nos EUA em 2009 por não aguentar mais o Brasil por aqueles motivos que estamos cansados de saber. Ele inclusive já foi citado aqui nesse blog e já respondeu a comentários, é um cara muito legal. Recomendo o site dele a todos que gostam do tema imigração.

Hoje foi copiar uma citação de um dos posts dele, lembrando que esse trecho abaixo não foi escrito por mim e sim por um cara que mora nos EUA a 6 anos:

"Se me perguntarem seu eu voltarei a morar no Brasil eu digo sinceramente que acredito que não. Eu não consigo mais viver no Brasil. Das vezes que eu fui visitar, depois de alguns dias já queria voltar "para casa". Sim aqui é a minha casa. A nossa casa é aonde o nosso coração está. No caso do Márcio, o coração dele não saiu do Brasil. Eu gosto muito da vida que eu tenho nos EUA. Eu gosto da organização. Eu gosto da educação da grande maioria das pessoas. Eu gosto das minhas janelas sem grades, do jardim da frente da minha casa sem muros, dos meus vizinhos. Eu gosto da natureza de Orlando, das dezenas de passarinhos, esquilos, e outros bichos que vêm comer e fazer ninhos no meu quintal. Eu gosto do silêncio e respeito da vizinhança, depois das 10 horas na noite. De dormir sem ouvir nenhum barulho. Eu gosto do respeito no trânsito (nunca vi um acidente de trânsito em 5 anos, só na televisão). Eu gosto de ir ao supermercado com 100 dólares e trazer 4 grandes sacolas cheias de coisas. Eu gosto do fato de que não sinto medo quando ando nas ruas, quando entro e saio do carro, quando vem uma moto em minha direção. Eu gosto de ver o quanto eu pago de impostos em cada compra e ver que, nos ítens de alimentação (leite, ovos, batata, legumes, arroz, etc) o imposto é ZERO. O imposto da gasolina também é zero. Eu gosto de ver o quão devagar os carros trafegam pelas ruas residenciais e que todos páram no sinal do stop. E ver que, em um cruzamento de 4 vias, sem semáforo, todos páram e cada um sai na mesma ordem que chegou, sem auxílio nem mesmo de guardas de trânsito e ninguém se confunde ou fura a fila. Eu gosto de andar de bicicleta e ver que os carros ao passarem por mim reduzem a velocidade e dão a distância de 1,5m. E que as pessoas ao me cruzarem, cumprimentam sem nem mesmo me conhecer. Eu gosto de ver meus vizinhos nos finais de semana cortando suas gramas e cuidando da aparência externa de suas casas (embora por dentro a gente sabe que é diferente). Eu gosto de ir aos restaurantes de Orlando e sempre ser servido com um sorriso por um atendente americano. Eu gosto do fato de não ver animais abandonados nas ruas já por quase 6 anos. Eu gosto de ver o cuidado que os americanos têm com seus cachorros e gatos. Quase não há cachorros soltos no quintal. Todos querem ter seus melhores amigos dentro de casa com eles, longe do calor escaldante ou do frio intenso. Eu gosto de ver crimes sendo solucionados (a estatística é de 90%). Eu gosto de ver criminosos, independente da classe social, ir para a cadeia pagar pelo que fez. Eu gosto do respeito do americano pelas leis. Eu gosto da qualidade das construções e do acabamento das casas nos EUA. De quanto conforto térmico, acústico, etc, se tem dentro delas. E que pessoas de classe média baixa e pobres podem ter conforto também! Eu gosto do cuidado que a prefeitura teve em fazer sarjetas arredondadas para que os carros não risquem as rodas nelas. Eu gosto da velocidade da internet e do telefone 4G. Eu gosto da confiança que o governo dispensa à população enviando a placa do carro pelo correio para que você mesmo parafuse no carro. Eu gosto do fato de que a palavra do cidadão tem valor até que se prove ao contrário. Você diz "foi assim" e todos acreditam. Eu gosto de não ter medo da polícia e eu sorrio quando vejo uma pessoa negra em uma Mercedez, BMW ou Audi (e é bem comum), pois eu percebo que os afro-americanos têm mais oportunidades aqui. Eu gosto de viver aqui. Eu sou feliz aqui. Poucas coisas me incomodam."

E ainda tem gente que não entende o porque que muitos, inclusive eu, querem sair do Brasil...

25 comentários:

  1. Fala Corey


    Excelente pedaço de texto, uma antítese perfeita em relação aquele artigo que escrevi sobre deixar o Brasil. Vou até dar uma olhada com mais profundidade no blog desse cara quando eu tiver mais tempo. Ele fala muitas coisas que já sabemos (que aprendemos em nossas viagens/intercâmbio), mas provavelmente existem muitas coisas interessantes pra aprender ali.


    Valeu pela indicação.


    Abs

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    1. Fala Rover!

      O Renato é um cara muito bacana e pensa muito como a gente, passa lá no blog dele, vc não vai ser arrepender.

      Abração!

      Corey

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  2. Já trancendi a vontade de sair do Brasil, ou seja, não é mais vontade, é sonho mesmo! Quem sabe um dia...

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    1. Não adianta sonhar, tem que por em prática!

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  3. Acabo de voltar da terra dos livres e o plano e mudar para um país de verdade(não precisa ser lá) estão cada vez mais fortes.

    Banânia R.I.P

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  4. Acho que tudo é uma questão de saber do que estão precisando no país desenvolvido e ver se a sua profissão é uma delas, como no caso do Canadá e Austrália que sempre soltam listas de profissões necessárias por lá.

    Ou então entrar por meio das universidades. Americanos em geral não curtem virar professor e estas posições são ocupadas por muitos indianos e estrangeiros. Mas é preciso ir pra lá, fazer pós e tentar continuar como professor ou pesquisador. É demorado, mas para quem é bom, a taxa de sucesso é alta.

    Tornar-se um empresário por lá também é válido, mas as leis e as regras são diferentes. É necessário ter capital e uma boa orientação contábil e legal.

    Abçs!

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    1. Sem dúvidas, se o cara for com a cabeça aberta, deixar um pouco a emoção de lado e agir com a cabeça de maneira a estudar algo em demanda no país as chances de sucesso serão bem grandes.

      Abraço!

      Corey

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  5. Muito bom o texto.
    Gosto muito do Brasil, mas está cada dia mais difícil.
    Passei 15 dias nos USA rentando viver como um deles ( numa casa, com carro, fazendo compras no super...) realmente eh um pais diferenciado.
    Realmente não da vontade de voltar.

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    1. Fala Dividendos!

      Bom te ver por aqui! Quando vou aos EUA faço o mesmo, tento me hospedar em moteis fora do eixo turístico, frequento garage sales e lugares onde só americanos vão, etc. Me sinto totalmente a vontade!

      Abraço!

      Corey

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    2. Morei 1 ano do Canadá (intercambio) e me sentia super à vontade. Era como se eu estivesse em casa. Dava até orgulho de estar lá. Quando voltei ao Brasil e pisei o pé lá em Cumbica e vi toda aquela imundice e aquele povo, me deu um desânimo tão grande e fiquei mal por meses.

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  6. Corey, ainda falando sobre seu último post, de ser frugal ou não.

    Uma das coisas que percebo aqui na minha região (e que não quero pra mim), são empresários que trabalham demais, demais mesmo, enriquecem, e começam a comprar barcos, carros importados, mansões, e uma série de outras coisas..Até aí tudo bem, eu apoio totalmente!

    Só que compram tudo isso, simplesmente para não usar.

    Empresários que compram barcos de R$700,000 e usam apenas 3x por ano, naquela semana entre natal e ano novo.

    Constroem casas enormes, porém, usa a casa só pra dormir, pois fica o dia inteiro no escritório.

    E os carros também, importados de R$300, 400 mil, porém, que só faz o trajeto de casa, para o trabalho. Acho um consumo inútil e ineficiente.

    Obs: Ainda tenho reações de rapaz pequeno, quando olho um carro esportivo, fico extasiado, porém, percebi que as pessoas que possuem esses objetos que citei, não demonstram emoções. Quem está certo nessa história? Não tem certo e errado, acho apenas desperdício de tempo e dinheiro, trabalhar tanto (tempo) e não usufruir os bens materiais (dinheiro). Sem entrar na discussão de preço justo das coisas no Brasil.

    Você já viu alguma vez, carros como ferrari, lamborghini a venda? São carros ano 2007, 2008, com 5,000km, 10,000km, 15,000km (isso já é muito).

    Que sentido faz isso? Quero ver o cara que compra uma ferrari pra sair andando por aí, usar no dia-a-dia, senão, qual a graça?

    De uns tempos pra cá, passei a dedicar mais a minha vida, à fazer as coisas que eu gosto, caminhar, lutar boxe, ler mais livros, tocar violão, conhecer novos restaurantes, fazer churrasco, são coisas simples, que parecem idiotas, mas que me fazem mais feliz. Parei um pouco de me preocupar apenas em trabalhar e acumular.

    Estou planejando uma viagem para os EUA, para ano que vem, ou 2017, na qual pretendo ficar no mínimo 30 dias, fazer tudo sem pressa (odeio fazer as coisas com pressa, mas já estou acostumado)

    Tenho o objetivo de criar uma renda passiva, para bancar meu custo mínimo de vida, e trabalhar consciente, aumentar gradualmente a minha renda passiva, e comprar estes itens, desde que possam ser usufruídos.

    Trabalhar por trabalhar, apenas pra "ser rico", ter uma empresa de sucesso, medir a minha rentabilidade, eu não quero. Quero o trabalho consciente, para realizar o consumo consciente. Quero ter minha renda passiva, que estimei entre R$7,000 e 10,000, e trabalhar com objetivos.

    Criamos hábitos toscos e muita frescura. Estipulei uma carga horária semanal pra mim, e não trabalho a mais. Sou prestador de serviços, não sei se no comércio isto é aplicável.

    Abraços Corey!

    Obs: Seus posts estão cada vez melhores! Se cuida

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    1. você tem razão, aliás esse é o comportamento padrão da maioria dos empresários que conheço. O cara tem N coisas mas não usa nada por não ter tempo, isso pra mim é ser idiota.

      Eu jamais teria uma ferrari, por mais dinheiro que eu tivesse e mesmo morando num país seguro. Por que? Pq é um carro imprestável por dia a dia, só serve como brinquedo e como tudo no mundo, brinquedos tb tem preço máximo... Quer andar de ferrari? Alugue uma, é simples fácil e relativamente barato nos EUA.

      Como comerciante infelizmente não tenho muito controle sobre o tanto que trabalho, isso varia muito dp de vários fatores, as vezes trabalho 100 horas por semana, mas é só por 1 semana ou 2, jamais farei isso full time como muita gente que conheço.

      Abraço!

      Corey

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  7. Eddy

    já vou lar dar uma bisbilhada, valeu pela indicação!!!

    Tbm tenho vontade de ir morar fora do Brasil, mas o medo como sempre me paralisa.

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  8. Anônimo das 11:24 falou muita coisa interessante.

    Post bacana, Corey, bom ver outras visões.

    Sobre o que o Anon falou , também penso ser mais vantajoso alugar uma mansão nas minhas férias para poder receber convidados bacanas. Não adianta imobilizar muito capital, melhor colocá-lo em TD ou em fiis para poder comprar e alugar mais ativos.

    Carro de luxo também pode ser alugado para não pesar no bolso do comprador.

    Minha ideia depois da IF é ter duas ou mais mulheres morando comigo. Com muita conversa e agrados é possível achar mulheres inteligentes e liberais que aceitem essa situação. É só o homem garantir confortos e segurança.

    Pretendo morar 6 meses em Floripa, 6 meses em Búzios, 6 meses em Fernando de Noronha e por aí vai, Posso até ficar 6 meses no Caribe, ou em Ibiza. O Homebroker será minha pátria. Posso ganhar dinheiro pelo computador. Cada semestre será num lugar diferente, mas ganhando dinheiro todo santo dia.

    Mudar de nacionalidade para pagar zero imposto é uma ideia ótima, muitos ricos fazem isso, só lembrar a França que tentou aumentar o IR e viu vários empresários fugirem. Um grande investidor do passado, JOHN TEMPLETON fez isso, foi morar nas Bahamas para não pagar imposto nenhum e se deu bem.

    Se for para emigrar do Brasil será com no mínimo USD 5M divididos em várias contas ao redor do mundo. Quereo ganhar dividendos de todos os países, mas quero ficar ISENTO de imposto de renda.

    Abraços, e, por favor, identifique-se, assim o povo consegue manter contato. Gente inteligente tem de aparecer sempre.

    Sultão de Búzios

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  9. Você quer sustentar várias mulheres na sua casa? Você é um grande otário pensando que vai ter controle sobre elas e serão fieis a você.

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    1. Com dinheiro é possível ter fidelidade, muitas mulheres têm medo de voltar a trabalhar em lojinhas horrorosas. Têm medo de ficar pobres de novo...

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  10. Caro Sultão, quero ter 4 mulheres panicats. Qual a fórmula? KKKK

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    1. Vc é um cara inteligente, seu blog sempre foi um dos mais bem escritos.

      Panicat é fácil, fácil só pagar silicone, carro, academia, nutricionista, whey protein importado, cartões de crédito. Quem paga se diverte.


      Dinheiro abre portas e outros prazeres. Dinheiro é muito bom, pois faz e acontece.


      Abraços e lembre-se "Fly to Live, Live to Fly". Aces High é a música mais foda do Iron.


      Abs, Sultão de Búzios.

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  11. Quanto à tranquilidade não é só os EUA, todos os países com maioria de descendente de europeus são assim.Por outro lado mesmo nos EUA se vc andar no bairro dos nigas, olha o que acontece...
    https://www.youtube.com/watch?v=2SIbBxcs5KE

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    1. Será que os brasileiros classe média vão ser tratados com amor pelos americanos em geral?

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    2. Claro que não, latino pra eles é segunda classe.

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  12. Só fui sacar que o Brasil era uma merda depois que fui fazer intercâmbio no Canadá. Antes disso eu era como a maioria dos brasileiros. Acreditava que o Brasil era um país maravilhoso e que problemas existiam em todos os lugares. Mas depois de sair da bolha que eu fui perceber como o mundo é grande. O Brasil é o cúmulo do atraso, da mediocridade, da desorganização e da falta de bom senso das pessoas. Meu objetivo é sair fora desse fim de mundo.

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  13. Corey, o que fazer com R$30,000?? Sou prestador de serviços, e juntei esse capital, porém não sei agora no que investir, visto que no meu negócio, não há investimento em maquinário e estoque. Estava com a ideia de construir, mas para iniciar seriam necessários +- R$100,000.. Não gostaria de investir no momento em ações, gostaria de algo para comprar e vender, você tem alguma dica?

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  14. O que mais me incomoda é violência e a certeza de impunidade. Quando li "Eu gosto do fato de que não sinto medo quando ando nas ruas, quando entro e saio do carro, quando vem uma moto em minha direção" senti muitas saudades das vezes que viajei para fora e andava pelas ruas sem medo. No Brasil não é assim e acho que nunca será, infelizmente.

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