domingo, 10 de maio de 2015

O Negócio Kiyosaki

Corey, você é meu garoto!!!
Como disse no resumo de abril, estou trabalhando muito, tudo graças a um novo negócio que me meti. Esse negócio apareceu na minha mão devido ao acaso (destino, sorte, chame como quiser) e me fez ganhar um bom dinheiro num curto espaço de tempo. Vou tentar explicar como foi esse negócio, que deixaria Kiyosaki orgulhoso, para tal alterei nomes e alguns detalhes pra preservar o anonimato dos envolvidos, também não citarei valores.

Como sempre digo, procuro me cercar de pessoas que sejam ao menos do mesmo nível sócio econômico que o meu, dessa forma aumentando as oportunidades de conhecer gente interessante, ter bons papos e fugir do triatlo futebol-mulher-cerveja que os homens brasileiros adoram tanto conversar sobre. Já basta os papos que tenho que encarar nas lojas... Outro dia conheci uma das minhas vizinhas numa das áreas comuns do prédio (cujos apartamentos são minúsculos então a necessidade de ter áreas comuns para fazer praticamente tudo obriga-nos a estar sempre esbarrando em vizinhos o que não é necessariamente uma coisa ruim, mas isso é assunto pra outro post). Ana é corretora de negócios, trabalha pra um grande broker americano intermediando negócios grandes aqui no Brasil, além disso faz uns freelas com negócios menores, prospectando empresas que estão a venda na região sudeste. Papo vai papo vem, falei com o que trabalho e ela disse que tinha um baita negócio pra mim.

Ana explicou detalhadamente o negócio, enquanto ela ia falando, minha cabeça começou a trabalhar, fazendo contas, tendo ideias... O negócio era uma pequena rede de lojas do meu ramo de atuação, localizadas em cidades próximas a São Paulo. os donos estavam cansados, se desentendendo, desestimulados com a baixa qualidade da mão de obra, com os rumos da economia, com o futuro dessaporra do Brasil. Como já estavam muito bem de vida, com várias propriedades de aluguel cada um, boa renda passiva, decidiram que era a hora de largar o osso, vender tudo, encher os bolsos de dinheiro e ir cada um pro seu lado curtir a aposentadoria em Santos ou em Bragança Paulista. O negócio era alto, 7 dígitos, complexo, cheio de detalhes tributários impossíveis de serem entendidos por alguém sem PHD em Harvard, ou seja, muito além das minhas laçadas. Definitivamente não era pra mim! Mesmo me desfazendo de patrimônio, lançando mão de papagaios bancários não daria pra entrar no negócio, mas mesmo assim ainda poderia ganhar uns trocados nesse negócio.

Propus pra Ana um negócio, se eu arrumasse um comprador ela racharia a comissão comigo, ela topou na hora, acertamos os detalhes como porcentagem da comissão e condições de pagamento. Voltei pra casa pensando em quem poderia comprar aquelas lojas... Fiz alguns contatos e cheguei a um nome conhecido, um velho colega, Alberto, bem mais velho e experiente, que tem uma rede média de lojas a mais de 20 anos, entrei em contato com ele e marcamos uma reunião.

No dia seguinte, antes da reunião fiz questão de visitar cada loja, entrei como cliente e consegui perceber quão cretino era o atendimento deles, sem contar com a sujeira, desleixo, falta de mercadorias, péssima aparência dos funcionários, luzes queimadas, fachadas sujas... Enfim, as lojas estavam com cara de falidas. Acredito que os proprietários estavam sugando o máximo possível delas a um bom tempo. Na hora marcada me encontrei com Alberto, expus a situação e meu papel na negociação. Ele se interessou, voltamos a visitar todas as lojas e ele ficou ainda mais empolgado, o preço pedido era bem justo. Marcamos outra reunião, dessa vez com Ana e os proprietários das lojas.

Nessa reunião percebi que estava diante de negociadores natos, pessoas objetivas de sucesso. A ficha caiu que aquela mesa só tinha gavião. Ana estava muito bem de vida intermediando esses negócios, aliás, aquele era um negócio pequeno pra ela, o normal eram negócios envolvendo investidores internacionais, viagens ao exterior, sifras em dólares... Alberto já tinha uma rede média de lojas, é líder nos mercados onde está presente. Os proprietários das lojas, como disse anteriormente, estavam muito bem estabilizados financeiramente. Eu era o merda da mesa, o zero a esquerda! E é nessa posição que gosto de estar! Só assim posso aprender alguma coisa... Como meu amigo BBB disse em um post recente, é divertidíssimo estar no meio dessas pessoas, que são vendedores natos, possuem talento, sabem o que falam, são objetivos. O alto índice de profissionalismo me deixou espantado, não estou acostumado com isso... Após várias discussões sobre coisas que mesmo estando no ramo, não faço ideia do que se trata, fomos todos pra casa.

No dia seguinte Alberto me liga, diz que seus advogados e contadores estão cuidando de levantar o histórico das empresas e que se tudo estivesse certo, faria uma proposta aos proprietários, mas que naquela hora tinha uma proposta pra fazer. Perguntou se eu topava dar "um jeito" nas lojas, porque sabia da minha experiência com lojas quebradas e que nem ele nem seus right-hand men sabiam como lidar com aquilo porque suas lojas foram quase todas montadas, não compradas. Papo vai papo vem acabei topando, eu iria trabalhar ao lado do supervisor das lojas dele.

O negócio foi fechado, as lojas tinham um passado impecável, a documentação estava certa (profissionalismo absurdo), não havia dívidas, processos nem nada do gênero. Mordi meu pedaço da comissão de Ana e ainda arrumei um "emprego". O que posso dizer sobre o trabalho é que está sendo muito gratificante, estou trabalhando com extremos de pessoas: algumas extremamente dedicadas e capacitadas e outras que são um lixo. Essa sem dúvida é a parte mais complicada, eu tenho meus funcionários, mas quase todos foram contratados por mim, um de cada vez, em situações específicas, a maioria foi indicada por outros funcionários. De repente estou tendo que lidar com dezenas de pessoas que não conheço, numa empresa que não conheço, numa região geográfica que não conheço... É bem complicado, mas está sendo uma experiência incrível, estou aprendendo coisas que poderei implementar nas minhas lojas, estou levando coisas que implemento nas minhas lojas para a rede de Alberto.

Estou muito feliz, porém muito cansado! Saio de manhãzinha e só volto após a meia noite, corto a cidade algumas vezes, até comprei uma moto pra facilitar o deslocamento (que saudade que eu estava de andar de moto, mesmo no frio, eu adoro motos). O retorno financeiro dessa negociação foi melhor que o esperado, me permitiu pagar um ano de aluguel adiantado, comprar a moto e ainda sobrou uma beiradinha. Logo meu trabalho nas lojas de Alberto terminará, mas o conhecimento que estou adquirindo, as pessoas que estou conhecendo são coisas que não tem preço.

Portanto continuarei sumido do blog nos próximos dias, mesmo assim estou sempre visitando os blogs dos colegas, pra ver o que está acontecendo. peço desculpas por não estar comentando, mas estou presente por aí. Boa semana a todos!

34 comentários:

  1. Grande história, Corey! Fazendo dinheiro do nada, parabéns! Acredito que em todo negócio existem oportunidades pra fazer parceiros e todos saírem lucrando, cada qual por ter aplicado suas "habilidades" específicas. É melhor repartir o bolo do que o comer inteiro e ter um indigestão!

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    1. Os melhores negociadores não se importam em dar descontos, dividir comissões, aceitar propostas inusitadas. Eles sabem que o importante é girar, quanto mais rápido, melhor. Foi exatamente o caso, todo mundo cedeu um pouquinho e todos ganharam.

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  2. Muito bom Corey. Sensacional!!
    Seu post retrata bem oq eu quis dizer no meu ultimo post. Veja lá.
    Parabéns. Espero que feche mais negócios como esse e possa contribuir com os blogueiros contando sua experiência. Vc eh tubarão meu amigo.
    Posso ter o privilégio de fazer parte do seu blogosfera??
    Valeu.
    Abraço!!

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    1. Mineiro, li seu post, muito bom... A sua história do bar eu conheço bem. Qd era moleque passava por algo parecido, engaçado que ainda tenho colegas que continuam frequentando o mesmo bar e esses são os fudidos da turma. Pq será né? Com certeza o comodismo que não os deixa nem mesmo trocar de bar tb não os deixam arriscar, estudar, ganhar dinheiro... Dp reclamam da sorte. Já está na minha lista de blogs.

      Abraço!

      Corey

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  3. Realmente, uma oportunidade de ouro, não apenas pelo dinheiro, mas principalmente pelo aprendizado. Admiro essa sua capacidade de sair pra rua, conhecer pessoas e fazer as coisas acontecerem desse modo.

    De minha parte, contruí tudo que tenho com os estudos, então precisei de pouco contato com pessoas, networking e busca de oportunidades, digamos assim "no mundo real".

    Espero um dia poder desenvolver esse espírito empreendedor, mas no momento eu ainda tenho metas ambiciosas com os estudos (clausura), assim que eu atingir meus objetivos e conseguir gerar um excedente financeiro razoável espero iniciar uma franquia microscópica, depois de estudar (sempre, hehehe) o setor, e ir aumentando os desafios com o acúmulo de conhecimento prático e capital.

    Ps.: moto é excelente, menos stress no trânsito, mais liberdade, agilidade e tudo isso a um custo menor.

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    1. Com certeza o ganho financeiro foi fantástico, mas o ganho de conhecimento maior ainda. Poder ganhar dinheiro e aprender coisas ao mesmo tempo é um privilégio.

      Franquia microscópica? Senti calafrios aqui...

      Eu adoro moto, sempre gostei e agora surgiu a oportunidade de voltar a pilotar. Ainda estou na lua de mel com a minha, rsrs!

      Abraço!

      Corey

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    2. Me refiro àquelas franquias de até 150/200 mil reais de investimento inicial, eu acho uma boa pelo know how que o franqueador irá passar, obviamente só investirei depois de muita pesquisa.

      Por que calafrios? Acha melhor começar algo do zero?

      Haha... eu não gosto muito de correr riscos, sei que isso pode ser ruim para empreender, mas possibilita trilhar caminhos sólidos e não cair em armadilhas de pessoas desonestas ou incompetentes.

      Abraços

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    3. 200k não é microscópico... Pensei que vc tava falando daquelas de 10, 15 conto de investimento. Aí sim, existe negócio bom nesse valor sim...

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  4. Foram poucas as situações, mas já ganhei algumas comissões pelo simples fato de ter aproximado pessoas. Nada melhor, esforço quase zero.

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    1. Estar no meio das pessoas certas, na hora certa nos proporciona isso.

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  5. Show de bola Corey.
    É aquela coisa, numa crise, enquanto alguns choram outros vendem os lenços, e assim caminha a humanidade.

    O Brasil está passando por problemas, mas apesar disso as oportunidades surgem a todo momento, devemos estar sempre atentos e prontos para agarrá-las.

    Além disso há ainda a possibilidade de ter novas experiências, que podem abrir portas no futuro. Essa que você está tendo, em estruturar uma empresa recém comprada, pode inclusive servir para o caso de você querer expandir as suas próprias lojas.

    Se for possível falar, qual o percentual de comissão que você obteve na comissão da corretora?

    Grande abraço. Matuto Investidor.

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    1. Matuto, o fato do Brasil estar cheio de problemas é justamente o que cria oportunidades. Cabe a cada um encontrar e explorar-las. Não foi um percentual e sim um valor fixo.

      Abraço!

      Corey

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  6. Boa sorte na gestão das novas lojas.

    Abraço,
    Maluco

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  7. Grande Corey,

    Estou vendo que você se tornou um especialista nesse negócio de comprar empresas em funcionamento.
    Já ocorreu comigo de um ou outro concorrente oferecer sua loja para mim, mas nunca comprei. Sempre preferi vê-lo fechar as portas.
    Isso soa até de uma certa maneira como maldade, mas a verdade também é que eu não sei como avaliar corretamente o quanto uma empresa vale.

    O que sei fazer bem é tocar o meu negócio, mas admiro pessoas como você que têm essa capacidade de analisar números de outra companhia e dar um preço por ela.
    Acho que você já pode abrir uma empresa de consultoria. Com certeza será melhor do que a maioria que tem por aí que só tem a teoria na cabeça, mas nunca empreendeu.
    Futuramente eu espero ser que nem esse cara que se desfez do seu negócio, a única diferença é que ao invés de ir para Santos ou algum outro canto do Brasil eu pretendo cair fora do Brasil de uma vez. rs

    Para finalizar, essa questão de estar envolvido com pessoas inteligentes, eficientes e de atitude, é certamente um passaporte para o seu próprio crescimento profissional. Cedo ou tarde, você acaba se tornando uma pessoa assim também.

    Muito legal o seu relato e sucesso nos seus negócios!

    Abraço

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    1. Fala BBB!

      Vc tem o perfil do Alberto, prefere montar lojas que compra-las. Eu já sou o extremo oposto, gosto de coisas testadas. Além disso até hoje essa estratégia saiu mais barata.

      Empresa de consultoria? Não, obrigado, prefiro fazer isso sem compromisso até pq essas coisas aparecem do nada... Eu tb quero estar na mesma situação dos sócios, vender tudo e me mandar. É questão de tempo pra que a gente consiga fazer isso.

      Grande abraço!

      Corey

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  8. Muito Bom !! Parabéns Corey por expandir seus horizontes e os nossos tb !! rsrs existe muita coisa boa aí fora que a gente ainda nem sonha

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    1. Pois é, muita oportunidade esperando ser descoberta.

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  9. Parabéns pelo sucesso na intermediação e boa sorte na repaginada das lojas.
    Se importaria de dizer resumidamente (pode ser uma simples listagem) quais os temas que nem tinha idéia que foram tratados na negociação?
    Da mesma forma que foi um aprendizado para você que já é do ramo, certamente será também para nós, que temos ainda menos experiência no assunto.
    Abraço.

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    1. Cara, o que fiquei boiando foi na questão tributária, como minhas empresas são Simples, então desconheço tudo além disso.

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  10. Beleza, Corey.

    Mas o que você falou sobre estar cercado de boas pessoas é conhecido há anos pelos teóricos da ADM como fazer Network. Quem tem contato com empresários tem muito mais chance de fazer bons negócios e ter lucros . De outro lado, quem tem contato com cachaceiros......


    Recomendo fortemente a leitura do livro Bilionários, do jornalista brasileiro Ricardo Geromel, ex reporter da revista Forbes, Bíblia dos bilionários americanos. O livro é bem escrito e fácil de ler. Num dos capítulos, ele fala sobre estar cercado de gente mais capacitada, algo parecido com o que você falou. Leia que você vai gostar e se inspirar para ganhar mais dinheiro.

    Abs

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    1. Esse livro é legal, mostra que os ricos trabalham muito e se misturam com os feras de cada área.

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    2. Valeu pela dica, vou procura-lo em algum sebo.

      Parece óbvio que se misturar com pessoas melhores te faz melhor, mas a grande maioria das pessoas não faz isso simplesmente pq "custa caro", o cara quer economizar na moradia, nas viagens, nos lugares que frequenta e acaba se nivelando por baixo.

      Abraço!

      Corey

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  11. Fantástico post, Corey. Rodear-se de pessoas mais experientes que nós só tem um risco: o risco de nos tornarmos pessoas melhores.

    Parabéns pelo deal fechado.

    Abs

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    1. Excelente frase, resume bem o que penso! O risco é mínimo, o que acontece é que normalmente é necessário gastar mais, mas ao mesmo tempo vc adquire uma qualidade de vida melhor, logo o rico é zero.

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  12. Só tenho uma coisa pra falar pra você Corey,

    Você é foda!
    Tá ai uma das pessoas que vejo que não perde oportunidades e cria suas prórpias circunstâncias. Meus parabéns!

    Uta!

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    1. Grande Estagiário!

      Valeu cara, vc tb é foda, é questão de tempo pra vc estourar!

      Abração!

      Corey

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  13. Uma coisa que sempre falo ... Não more em bairro de merda. Não conviva apenas com estúpidos. A maioria não entende. Preferem morar no lixo para economizar 200 ou 300 reais de aluguel e gastar essa diferença no mc donalds do shopping alimentando os 4 filhos.

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    1. Sempre repito isso tb, algumas pessoas me acham arrogante por isso, mas é a pura verdade. O que vc disse infelizmente é real, o cara economiza 200 conto no aluguel e torra tudo na quebrada coma filharada (tem meia dúzia de filhos e depois não sabe pq é pobre...)

      Abraço!

      Corey

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  14. Muito legal esta sua operação Corey. Grande sucesso na nova empreitada. Mantenha-nos informados.
    Abraços

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    1. Valeu AdP! Vou escrever mais a respeito, o problema agora é tempo.

      Abraço!

      Corey

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  15. Que boca bacana Corey.
    De vez em quando tb aparece situações como essa no meu trabalho. Um navio chega em cima da hora, não pede nada de Rancho (alimentação) mas ele contacta com o Agente do Navio dizendo que quer uma determinada peça. Como o Agente tem muita confiança nos meus serviços, ele me coloca na mesa e no final das contas o Lucro daquela "pequena" peça que eu vendi seria igual ao lucro de um Rancho grande. Ou seja? Quem tem amigos não precisa de dinheiro hheheheheh.
    Abracos.
    S&P

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    1. Fala S&P!

      Não entendi no que vc trabalha, mas entendi o espírito da ideia. Vc pode não ganhar diretamente, mas se vc tem contato e reputação, ganhará indiretamente.

      Abraço!

      Corey

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