sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Importância de Quebrar a Cara

Cresci vendo meu pai quebrando a cara, fazendo negócios errados, com pessoas erradas, nos momentos errados. Durante toda minha infância e adolescência a situação financeira dos meus pais foi sempre marcada por altos e baixos. Um dia meu pai tinha carro zero e a dispensa estava cheia, no outro estava a pé e com os cartões de crédito estourados. A situação só foi melhorar quando eu já era praticamente adulto e já trabalhava. Aquela situação era extremamente chata, eu nunca sabia como estaria a situação após 3 ou 4 meses, tudo dependeria do sucesso dos negócios que o velho fazia. A grana da minha mãe male má dava para pagar minha escola (a coisa que sou mais grato!). Jurei pra mim mesmo que jamais teria altos e baixos!

E assim foi, desde que ganhei meu primeiro salário consertando bicicletas, sempre fui controlado. Jamais gastei tudo e sempre guardava um pouco com medo de ter um revés e ficar duro como meu pai. Quando comprei minha primeira loja acabei me enrolando, não tinha experiência com grandes quantias e me enfiei em dívidas, porém na minha cabeça aquilo não era um revés, não era uma rasteira da vida como as dezenas que meu pai levou, era somente um período obscuro com um futuro brilhante pela frente. Eu estava certo, consegui sair rapidamente das dívidas após trabalhar incansavelmente durante algum tempo. Logo tudo se estabilizou e até hoje, 2014, não tive altos e baixos na vida. Talvez se eu tivesse arriscado mais poderia ter tido mais altos, mas também poderia ter tido baixos, coisa que nunca quis. Enfim, tenho conseguido cumprir minha promessa.

Uma coisa tem me intrigado. Ultimamente tenho relembrado muitas histórias de pessoas que quebraram e se reergueram, ou quebraram e se acertaram mas não voltaram ao ponto que estavam antes da quebra. Meu pai mesmo está estabilizado financeiramente, acho que a idade chegou e finalmente ele se tocou que não pode mais ficar fazendo loucuras em busca de uma riqueza que nem ele mesmo valoriza. Não está no seu auge financeiro, mas se tudo correr bem, não terá grandes dificuldades financeiras até o fim da vida. Um amigo dele que nos anos 90 era rico (casas de aluguel, apartamentos de temporada no Guarujá e em Campos do Jordão; Tempra e Alpha Romeu do ano, etc) quebrou a ponto de não ter onde morar, reza a lenda que ainda deve perto de 1kk na praça, hoje vive aparentemente feliz num apartamentinho no centro e nem carro tem, trabalha de garçom num bar onde o encontrei semana passada. Um outro que também foi rico nos anos 90 e perdeu tudo para o triatlo puta/cachaça/jogo virou evangélico, largou os vícios e hoje está mais rico que antes. Uma coisa que vejo em comum entre todas essas histórias é que a pessoa está mais feliz hoje que antes, parece que a quebra foi um rito de passagem, algo que fez a pessoa se desenvolver.

Toda essa volta pra chegar no seguinte ponto: essa blindagem que criei contra quebra financeira pode estar me privando de um desenvolvimento pessoal interessante. Calma! Não estou falando que vou dar um jeito de perder tudo o que tenho, não é isso! Ultimamente tenho pensado que pode ser interessante assumir riscos maiores, não sei como eu poderia fazer isso de maneira a equilibrar risco e meu sentimento de anti-quebra, mas gostaria de assumir riscos maiores, sentir o frio na barriga de estar fazendo algo arriscado... Quando comprei a primeira loja a 10 anos atrás eu senti uma alta adrenalina que me fez muito bem na época, era algo muito legal ir dormir pensando no que eu estava arriscando e vislumbrando um futuro legal lá na frente. O futuro chegou, a adrenalina abaixou e hoje me sinto de boca aberta cheia de dentes esperando a morte chegar.

Sou jovem! Com minha idade meu pai nem tinha chegado ainda no auge financeiro, depois que isso aconteceu ele ainda quebrou e se levantou algumas vezes, começou e terminou alguns negócios; só foi atingir a estabilidade financeira na 3ª idade. Porra! Por que tenho que ser super conservador se ainda tenho saúde, condicionamento físico e, modéstia a parte, capacidade mental de aprender mais coisas? Meu pai tem muitos defeitos, mas uma coisa é certa: ele jamais parou de tentar, nunca ficou um dia em casa esperando o governo dar uma bolsa merreca ou um vizinho vir ajudar. Se ele errou, foi pelo excesso, não pela omissão. O mesmo acontece com as outras pessoas com histórias similares, o padrão é sempre tentar, independente do resultado, tentar...

A gente planeja demais, pesquisa demais, quer saber os detalhes de algo antes de entrar, quer saber 464984654965 casos de sucesso antes de fazer algo diferente, revira a internet de ponta cabeça, faz até pesquisa em chinês pra no final ficar na mesma. Quantos de vocês já passaram por isso? Aposto que a maioria. Numa era pré internet as pessoas arriscavam mais, a informação era escassa e por mais que você pesquisasse, os detalhes seriam descobertos somente após tentar.

Tenho um bom histórico de loucuras grandes na vida que deram certo: 100% de aproveitamento! Primeiro foi a compra da primeira loja, eu tinha uns 10% do capital necessário e 0% de experiência no que tinha que encarar pela frente. Arrisquei e deu certo! Segundo foi meu casamento: Bia e eu fomos morar juntos sem pensar muito, decidimos tudo em 3 ou 4 dias, não pensamos nas consequências, não fizemos buscas na internet, não sabíamos o que teríamos pela frente. Deu super certo! Portanto se eu for olhar pra trás, tenho obrigação moral de arriscar mais... Quantas e quantas pessoas da minha idade já arriscaram tudo mais de 2 vezes e estão aí, com uma grande experiência de vida... Preciso criar vergonha na cara!!!

41 comentários:

  1. Olá Corey.

    Falando em riscos assistir uma aula magna (na internet rsrs) interessante do Jorge Paulo Lemann na FGV. Tem um momento em que ele fala sobre riscos.
    Olha o link aê; https://www.youtube.com/watch?v=aFbrG9wMgTg

    Não sei pq diabos eles partiram a aula em 8 pedaços.

    Achei a aula interessante, se vc tiver um tempo depois assisti ela lá.

    Abraço

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    1. Valeu pela dica, vou assistir sim, depois volto aqui pra comentar.

      Abraço!

      Corey

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    2. Excelente aula! O Lemann é muito bom e simples com as palavras, não consegui assistir tudo pq fui para o interior no fds, estou na parte 6. A parte de risco foi um soco na minha cara... Valeu por compartilhar!

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  2. Muito bom o post.
    Minha mãe sempre arriscou muito também, e até mesmo hoje se encontra numa situação muito difícil, endividada e praticamente pagando pra trabalhar, é triste. Tem sim os casos de sucesso, de pessoas que se reerguem, mas também de pessoas que arriscam tudo e falham.
    Eu me sinto incomodado por estar tão acomodado com relação a minha vida. Tenho vontade de arriscar mais, porém não tenho um norte, algo que me motive a sair da minha zona de conforto. Não quero ficar empregado pra sempre, justamente por isso poupo pra dentro de 3 anos abrir algo meu, porém nunca tive ideias com as quais eu me identifico. Já pensei em abrir posto de gasolina, restaurante, bar, mas nunca tive coragem pra dar o primeiro passo, nem me identifiquei muito com a ideia a ponto de realmente estar disposto a começar. Tenho um emprego bom, que eu considero que recebo bem, e largar algo garantido e me jogar em algo obscuro me dá muito medo. Sei que se eu tiver coragem eu posso vir a ter uma vida que nunca terei sendo um engenheirozinho trabalhando em multinacional. Um dia terei coragem o suficiente pra isso.. Até lá, sigo economizando e pensando comigo mesmo com o que eu mais me identifico (até agora nada).

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    1. Fala Pobre!

      É aquela história, melhor se arrepender por ter tentado do que por ter arregado. Me arrependo de algumas coisas que deixei de fazer e isso é extremamente frustrante.

      Seu caso é muito comum, sempre vejo pessoas com histórias similares por aqui. Infelizmente é o que eu disse: a gente pesquisa demais, procura informação demais e acaba congelando. Isso é algo que só vc consegue mudar. Se vc não se identifica com algo das duas uma: ou vc desiste logo da ideia ou arrisca em algo que mais oi menos completa seus objetivos pra ver o que dar. Desde o primeiro momento que comprei a loja, o fiz unicamente por dinheiro e talvez é por isso que eu seja frustrado, mas no fim das contas consegui ganhar dinheiro então digo que tem valido a pena.

      Abraço!

      Corey

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    2. Situação parecida com a que eu vivo, Pobre Requenguela ... e também concordo 100% com o Corey; alias esse final de semana foi muito bom para eu poder refletir mais e orientar minhas ideias para tomar ações para trabalhar essa frustração que hoje eu sinto.

      Não me sinto realizado de forma nenhuma no trabalho e venho dividi9ndo isso com voces lá no blog. A situação é ruim porque nao me identifico com a forma como a empresa trabalha.

      Tenho algum capital acumulado e se aderisse a um eventual PDV (Plano de Demissão voluntária) receberia aproximadamente 100K e ficaria com uns 220K para montar algo proprio.

      Já pensei em posto de gasolina (valor de investimento muito superior ao que eu tenho), uma livraria (a franquia da Nobel sair por 200K, mas fico meio com pé atras com franquias) e até uma agencia de viagens.

      A ideia da agencia de viagens é o que mais me motiva, inclusive por ser um outro ambiente. O cliente vem ate você para comprar o pacote de ferias, de lua de mel, etc... o astral é outro. Claro que existem problemas, como em qualquer ramo de negocio, mas se trabalhar direito acho que seria um negocio viável.

      Penso em dar aulas a noite em faculdades para pagar as despesas de casa, enquanto trabalharia durante o dia na minha agencia de viagens até o negocio atingir o ponto de equilíbrio.

      A vantagem é que tenho poucas despesas e minha mulher tem salário garantido (suficiente para manter a casa) até 2016.

      Está faltando apenas sair da zona de conforto e materializar o sonho de ser empresário !!!

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    3. Cara, vc não me pediu opinião, mas... lá vai.

      Posto de gasolina: ao menos que vc entre na máfia estará fadado ao ostracismo e assaltos frequentes, além de pagar um absurdo por uma empresa pouco rentável (aqui no Brasil o tamanho físico do negócio influencia muito no preço dele). A grana que compra um posto de gasolina aqui compra 4 no Texas...

      Nobel: só uma palavra: Amazon. A Amazon tá chegando de mansinho no Brasil, não dou 2 anos pra ela massacrar as livrarias físicas, em 5 anos eles vão acabar com o mercado de livros de papel, assim como fizeram nos EUA.

      Agência de viagem: o número de pessoas que usa agência está diminuindo, é o tipo de negócio que tende a extinção assim como as video locadoras. Não só pelo preço, mas pela possibilidade de personalização absurda, as pessoas estão cada vez mais fechando viagens sozinhas. Acho que o futuro são consultores de viagem, o cara que cobra um X para montar uma viagem.

      Desculpe, me meti onde não fui chamado, é que não me aguento, rsrs!

      Abração!

      Corey

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    4. Coreu perfeito nos seus comentários. Acho que a livraria só se sustenta com serviços agregados. Vc não irá na livraria comprar livro, mas sim socializar ...

      Posto de gasolina = mercado fechado = só vale a pena entrar tendo conhecido do ramo ...

      Franquia é complexo .. Muito trabalho e um retorno mediano quando da certo .. Se o sonho for franquia fique naquelas com modelos de negócios simples e já testados amplamente

      Corey ganhou pontos por citar raulzito... Ouro de tolo... Musicao...

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  3. Grande Corey,
    Acho que se você está com cede de adrenalina, deveria experimentar alguma coisa nova sim. Por exemplo, se você quer mudar a sua vida financeira, tente investir em alguma coisa nova, se quer mudar alguma coisa na sua vida com a Bia, viajar para outro país e ficar um tempo por lá pode ser uma coisa. Indiferente do que você queira fazer acredito que você tenha que conversar com a Bia e ver o que ela acha, nada melhor que conselhos de pessoas que estão próximas a você para lhe ajudar.

    Uta!

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    1. Grande Estagiário!

      Sim, é isso mesmo! Estou vendo os anos passando, estou ficando velho e careca e nada de novas emoções... Bia e eu conversamos bastante, infelizmente dessa vez, os dois não sabem direito o que fazer.

      Grande abraço!

      Corey

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  4. Corey, me identifiquei muito com seu post. Passo exatamente pela mesma situação. Não possuo a "estabilidade" que você conseguiu para ficar monitorando meu negócio de longe, mas tenho uma certa autonomia de tempo. Porém a cada dia que passa fico mais desmotivado com minha situação profissional, tenho sócios que não têm a mesma ambição que eu, o que me desmotiva mais ainda.

    Como você disse, a adrenalina faz falta. A emoção de começar algo novo e batalhar pra dar certo. Acho que quem tem o espírito empreendedor padece muito desse mal. Tenho muitos amigos que estão super tranquilos levando uma vida mediana, acomodada e isso parece o inferno para mim.

    Também sou conservador e tenho um colchão de segurança, então tenho pensado seriamente em tocar o foda-se e tentar algo novo, sozinho, sem sócios.

    No seu caso, acho que a autonomia que você tem em relação ao seu negócio, podendo monitorá-lo à distância e ainda lucrar com isso, lhe é bem favorável. Faz com que você possa aproveitar essa "tranquilidade" para fazer algo novo, algo que não tome 100% do seu tempo. Quem sabe não seja a hora de tentar algo na sua área de formação?

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    1. Olá Magnata!

      É justamente essa estabilidade no trabalho que me deixa mais entediado, nada novo acontece, aliás, até acontece, mas nada de bom, só problemas. Tb ando muito desmotivado, estou tentando achar um negócio interessante pra entrar mas está mais difícil do que nunca! Não sei o que fazer...

      Quem sabe não seja a hora de tentar algo na sua área de formação? - essa é uma das ideias...

      abraço!

      Corey

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  5. Sou muito parecido com você nesse aspecto Corey...
    Eu planejo e pesquiso tanto algumas ideias que nem coloco em prática, o que fiz mais arriscado foi mudar de profissão do nada, pedindo para trabalhar sem remuneração até aprender o serviço e depois disso sigo na mesma, planejando e dando um passo pra trás. Meu blog é uma prova disso, um blogspot que quis fazer algo mais sério, fui desanimando pelo tempo que ficou escasso e agora mal escrevo.
    Recebi uma proposta muito interessante esses dias, mas só de pensar em arriscar muito quase declinei, ai vim ler esse seu texto e foi um tapa na cara. Quero arriscar mais só que queria pessoas para ir comigo, sou bom em umas coisas e péssimo em outras, talvez você entenda o que estou querendo dizer... Alguém para apoiar, mas é impossível ficar esperando isso.
    Obrigado por esse texto, era o que eu precisava ler e te desejo muita força para ir atrás desse pensamento!

    Abraços!

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    1. Grande General!

      Acho que nossa geração inteira passa por isso... O que vc relatou é exatamente o que acontece comigo: muita pesquisa, muito conhecimento teórico e pouquíssima ação.

      Tb tenho sérias dificuldades em algumas áreas. Sou muito organizado em casa, com minhas coisas, mas na loja sou muito procrastinador, um pouco é culpa da morosidade com que as coisas andam por aqui, mas tenho consciência que sou errado nesse ponto. Tb detesto lidar com RH, até "terceirizo" um pouco isso (pago treinamentos que eu mesmo poderia dar se tivesse saco). Infelizmente não podemos ser bons em tudo, como diria Kiyosaky, vc deve pagar bons profissionais para fazer o que vc não faz bem. Na prática não é tão simples, mas dá pra fazer...

      Te digo uma coisa: faça o que tiver que ser feito, mas não espere os outros.

      Abraço!

      Corey

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  6. É. Também sou muito de planejar, adoro planejar, pesquisar, demoro pra agir mas quando ajo, vou até o fim tenho persistência o problema é começar.

    Mas em relação à grana ao mesmo tempo que sou cagão sou arriscador. Veja meu all in na ELPL que mantenho já faz uns 3 anos. Mas veja meu medo ridiculo de ser demitido e de chefes ou de empreender.

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    1. Fala Pobreta!

      Meu problema é que planejo 1000 cenários possíveis e no final fico na mesma, tenho muito cagaço de arriscar. Vc é guerreiro com seu all in, mas tem razão, tem um cagaço absurdo e é submisso no serviço.

      Abraço!

      Corey

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  7. Muito cuidado com este arriscar. Você tem quase R$ 300.000,00 investidos em ativos que podem lhe gerar uma renda passiva de 30.000 ao ano, se investidos 100% em FIIs. R$ 2.500,00 ao mês sem fazer nada (Pense: Tem gente que trabalha o mês inteiro para ganhar seus R$ 1.500,00). Estes R$ 300.000 vão se transformar em R$ 400.000 daqui há algum tempo e um dia, não muito longe, com o reinvestimento dos dividendos, R$ 1.000.000,00 que te darão uma tranquilidade financeira sonhada por milhões de pessoas, mas usufruida por poucos.

    Esta procura pela felicidade fora da gente é que é o perigo. A felicidade não está no dinheiro que você vai ganhar empreendendo, por isto não procure a felicidade nos negócios se este objetivo estiver relacionado simplesmente a taxa de crescimento financeira deste negócio.

    É por causa deste vazio (característico das últimas gerações) que existem pessoas que tentam buscar desesperadamente esta felicidade tentando escalar o aconcágua, pulando de para-quedas, mergulhando... e nunca ficam satisfeitos. Porque será?

    Veja Warren Buffett. A Felicidade dele nunca dependeu de emoções extremas. Nunca arriscou seu dinheiro, cresceu lentamente. Nunca procurou escalar o Himalaia para respirar o ar puro lá nos 8.600 metros de altura e gritar o grito da liberdade. W.Buffett é uma pessoa feliz. Simplesmente sua felicidade consta apenas nos seus estudos e nos investimentos que faz cautelosamente. Ele não precisa da adrenalina para ser feliz.

    Da mesma forma, Dorival Caymmi, Oscar Niemeyer, Tom Jobim, São Francisco de Assis e milhares de outros mostram que a felicidade não depende de uma busca extrema, nem de uma adrenalina, que mais se asemelha ao viciado que busca sensações cada vez mais fortes, baseando nisto sua falsa felicidade. Talvez a felicidade esteja mais ligada a uma tranquilidade. Tranquilidade esta que só quem sabe o quanto ela vale, é quem não a tem, assim como só quem sabe o valor de um copo de água, é quem tem muita sede.

    O oposto desta felicidade é o desespero, a angústia, a incerteza. Falo isto com conhecimento de causa. Fuja desta condição assim como o diabo foge da cruz. Seu pai deve ter sentido isto nos altos e baixos da vida. E não tem nada de Bonito e Romântico nisto.

    Se você puder evitar e arrodear os baixos da vida faça. Quer emoção? Procure uma emoção boa: Aprenda a tocar um instrumento, Faça natação, Vá acampar na Patagônia, Visite os Mosteiros da Rússia. Mas não arrisque o seu financeiro!!!

    Abraços.

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    1. Perfeito comentário.

      ps: Exceto o exemplo do Buffet. Ele na vida pessoal é um autista estúpido de merda problemático

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    2. Olá IV!

      Se for pensar única e exclusivamente no ponto de vista financeiro seu comentário está 100% certo, porém... o buraco é mais em baixo. Não estou falando de dinheiro.

      Tenho consciência que a grana que tenho é legal e que me matei pra chegar até aqui, por outro lado, a experiência que adquiri para chegar nesse valor é mais importante que o valor em si. Com a experiência que adquiri arriscando, sou capaz de fazer esse montante crescer mais e mais. Sem querer ser arrogante, mas dinheiro é fácil de ganhar, dinheiro traz dinheiro! Experiência e conhecimento são outros 500.

      De maneira alguma estou disposto a arriscar tudo o que tenho, muito pelo contrário, quero preservar isso e seja lá o que for que irei fazer, farei com o mínimo de capital próprio possível.

      "É por causa deste vazio (característico das últimas gerações) que existem pessoas que tentam buscar desesperadamente esta felicidade tentando escalar o aconcágua, pulando de para-quedas, mergulhando... e nunca ficam satisfeitos. Porque será? " - sim, vc está certo, somos uma geração com um vazio interno difícil de preencher, mas o que há de errado em morrer tentando? Pra mim o errado é estar satisfeito com tudo, não ter ambição seja lá de ganhar mais dinheiro ou de pular de para quedas (recomendo, muito legal, rsrs).

      Sobre o WB, sou obrigado a concordar com o Pobreta. Li o Bola de Neve, é óbvio que o cara é um gênio quando assunto é dinheiro mas é um merda na vida pessoal. Ele simplesmente não sabe usar o dinheiro que tem, não aproveita. Fodeu com o casamento por causa do trabalho e tudo mais... Desculpe, mas o WB é um anti-modelo de vida pessoal.

      Tranquilidade está menos liga a dinheiro do que se imagina. Claro que precisamos ter dinheiro, sou contra a história que "dinheiro não compra felicidade", claro que compra! Quanto mais dinheiro melhor, mas se temos pouco dinheiro isso não quer dizer que não temos tranquilidade. Conheço um senhor que é porteiro de prédio a 30 anos, construiu uma casa num bairro não muito periférico (bom até), tem um carrinho popular de 10 anos comprado zero, criou 3 filhos e vai todo ano visitar a família no nordeste de avião. Ganha pouco, mas tem uma vida tranquila tanto do ponto de vista financeiro quanto familiar.

      Não há nada de romântico em quebrar a cara, mas tb não é esse fim do mundo que muitos pensam, garanto!

      Pra vc ver como emoção é algo 100% subjetivo: aprender tocar um instrumento? Coisa totalmente inútil, perde de tempo total. Faça natação: aprender a nadar depois de velho, pagar caro pra pular numa piscina e me exercitar? Totalmente inviável pra minha vida, besteira... Acampar na Patagônia? Um dia eu vou, aliás uma das viagens dos meus sonhos é de carro pela américa do sul, enquanto isso não chega, já acampei com os ursos na Califórnia (até que fim concordamos em algo!). Russia? Nem pensar! rsrs!

      IV, a vida não é só dinheiro, pensar fora da caixa é pensar que existe vida além da grana.

      Grande abraço e obrigado por contribuir!

      Corey

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    3. Eu também penso em escalar o aconquagua somente pela aventura.

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  8. Mestre Corey,

    Acredito que quando se tem pouco a perder, somos mais corajosos.
    Por exemplo: quando eu tinha menos de 100K vivia fazendo all in em ações. Hoje, com quase 400K, estou 100% em RF.
    Antes você era mais jovem e com pouco dinheiro no bolso, hoje você conquistou um padrão de vida invejado pela grande maioria dos brasileiros.
    Isso reflete no nosso comportamento.

    Outra coisa pode ser a falta de entusiasmo no seu próprio negócio. Se você fizesse algo que gostasse mais, talvez metesse mais a cara.
    Se você abrisse uma loja de roupa íntima feminina e você mesmo desse sugestões para elas, acredito que você se animaria mais. hehehe

    Abraço

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    1. Fala BBB!

      "Acredito que quando se tem pouco a perder, somos mais corajosos." - sem a menor dúvida!

      Cara, não acho que o problema seja abrir um negócio que gosto mais, eu até gosto do dia-a-dia da minha loja, o problema é um só e aposto que vc conhece bem tb: governo! Eu gosto da loja, de trabalhar lá, de ver as vendas crescerem, de fazer compras com fornecedores, preparar malote de banco, preencher planílhas, etc. Acontece que o governo impede que essas coisas sejam prazerozas o suficiente para cobrir os problemas que ele causa: papéis, licenças, prazos não cumpridos, taxas altíssimas, informações desencontradas, etc

      Ah! Sobre roupa íntima, eu já tive algo semelhante, rsrs!

      Abração!

      Corey

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  9. Concordo com vc INVESTIMENTOS.
    Corey vc simplesmente continua com seu tédio. Não é preciso vc quebrar a cara pra lá na frente ser feliz. O que vc vai colher é arrependimento e pobreza. Dinheiro não aceita desaforo e pra reconquistar o que se perdeu é algo desmotivante só de pensar.
    Que tal arriscar em algo sem o uso do dinheiro? Um emprego na área em que vc tem formação seria um bom exemplo disso.
    Paz.
    S&P.

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    1. Olá S&P!

      Vou falar o mesmo que disse ao IV: dinheiro é fácil de ganhar, se perder um pouco dá pra recuperar, não tenho apego ao dinheiro, mas tenho apego a minha vida e felicidade.

      Sim, uma das possibilidades é o emprego na minha área, estou analisando tudo, vamos ver...

      Abraço!

      Corey

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    2. Então arrisque meu amigo. Eu torço por você. No meu último comentário, há uma frase que resume todo meu conselho: "Arrisque de forma calculada"

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  10. Cara, tb vi meu pai quebrar a cara várias vezes, ele tinha mania de emprestar dinheiro para os outros, muots não pagaram até hoje. Certa vez ele foi trabalhar como gerente em um depósito de construção, informalmente, e o dono ficou devendo meses de salário. Outa vez foi ser gerente em uma mineração, e o dono ficou devendo. Nunca vi uma pessoa com tantos devedores. E também é muito sem sorte. Certa vez comprou um terreno e construiu 5 casas. Precisou vendê-las tempos depois. Após vender a última casa, um ano depois, se instalou na cidade a companhia Vale, deu um boom imobiliário pois muita gente foi morar na cidade. E as casas vendidas na época a 45.000 reais passaram valer 200.000. Vai ser sem sorte assim viu. Mas uma coisa ele me ensinou: guardar dinheiro e gastar pouco, coisa esta que ele me falou a vida inteira, mas só comecei executar depois dos 33 anos, rs. Graças a isto hoje sou uma pessoa tranquila. Devido a uma crise momentânea estou há 4 meses sem faturar um tostão na minha empresa, e durmo tranquilo cada noite.
    Abraço!

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    1. Fala UB!

      Cara, as histórias do seu pai são muito parecidas com as do meu! Sorte que ele te ensinou educação financeira, o meu não. Qd tinha dinheiro gastava tudo, quando não tinha, usava cartões de crédito e se enrolava. Por isso que digo: educação financeira vale mais que um monte de dinheiro pq com ela vc consegue conquistar o monte de dinheiro e se perder, consegue recuperar. Boa sorte na sua empresa!

      Abraço!

      Corey

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  11. Esses últimos posts seus, estão muito "depressivos", então seria legal consultar um psiquiatra, vai que tem um desequilíbrio químico em seu cérebro. Eu acho que não tem, que é só tédio mesmo e como todo mundo já citou aí em cima, não adianta ficar querendo achar uma solução externa, TUDO está dentro de você. Sugiro a leitura do livro Felicidade Autêntica (não é auto-ajuda).

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    1. Já fiz isso! Conversei com um amigo médico que me indicou um colega que disse que não tenho nenhuma patologia. Sim, está tudo dentro de mim, eu mesmo tenho que resolver esses dilemas. Valeu pela dica!

      Corey

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  12. Guitarrista Econômico:

    Que post sensacional Corey, olha que vc tem ótimo potencial como escritor, já que a leitura é fácil e de uma naturalidade como não se vê tão fácil na blogosfera.

    Em relação ao assunto de se arriscar/quebrar a cara/se reerguer nada mais oportuno, são coisas que nos fazem refletir e aprender mesmo sejam com exemplos próximos ou até da grande mídia.

    Veja que até no esporte tem casos de atletas que se arriscaram quebraram a cara vieram depois e deram a volta por cima e hoje estão bem financeiramente.

    Confesso que estou no ramo de gesso sem ter experiência nenhuma mas dane-se tenho saúde (lógico que estudei o negócio e a potencial demanda), força e capacidade de aprender, erros existem e eles são em alguns casos até benéficos por mostrar onde melhorarmos e aprimorarmos produtos e serviços.

    Fique relaxando ao som de BACAMARTE anos 70/80!
    youtube.com/watch?v=Da2HWmKAjp8

    youtube.com/watch?v=wyCkMs7iYXY

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    1. Olá Guitarrista!

      Que bom que gostou! De vez em quando os textos fluem, escrevi esse rapidinho sem nem editar.

      Os esportistas top são bons exemplos de como se arriscar e ter foco sempre vale a pena e do ponto de vista financeiro é aquela coisa, qd vc tem uma mente milionária, pode ficar pobre, mas logo se recuperará.

      Vc arriscou no negócio do gesso, pode não ser da maneira que vc pensou mas pelo menos vc não ficou congelado perante uma oportunidade. É disso que estou falando...

      Abraço!

      Corey

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  13. Arriscar é sempre bom, quando é um risco calculado e se tem um controle de danos. Eu nunca cheguei a quebrar, mas já tive momentos difíceis na minha empresa, momentos que pensei que ia ter que abrir mão de tudo e voltar pra pista atrás de emprego. Acho que o ponto baixo e ao mesmo tempo alto da minha vida foi meter o pé no meu emprego de funcionário na área em que me formei, onde estava completamente infeliz e tentar empreender com o pouco que tinha guardado. Deu certo, apesar de que muita gente falou que eu ia me foder feio.

    Eu não sei Corey, se seria uma boa ideia empreender aqui no Brasil nesse momento péssimo que estamos passando. Vai depender muito do que vc tem em mente. Agora mais do que nunca, temos que analisar o que pode acontecer nos próximos 24, 36 meses.

    Tenho uma história dessas na família também. Um primo do meu pai, no fim dos anos 80 começou uma fábrica de jeans aqui em SP. Depois abriu 3 lojas desses jeans em shoppings. A coisa ficou tão boa que ele chegou a abrir uma loja em Miami. No auge chegou a ter 10 lojas, em SP, no Rio, nordeste e Miami. Só que o dinheiro subiu na cabeça. Começou a esbanjar, deixava o controle da empresa na mão de outras pessoas, geralmente amigos que ele "ajudava" dando emprego, etc. Resumo da ópera, faliu em 10 anos, perdeu tudo. Teve que colocar um apartamento no nome da mãe para que não tomassem dele (é onde mora hoje). Não fez mais nada da vida. Acredito que hoje ele está fazendo rolo de carros, já que não temos muito contato. É complicado.

    Talvez tentar sair do país seja o desafio que vc internamente esteja almenjando. As chances de quebrar a cara e não dar certo existem. Mas isso é a vida. Tentar, errar, tentar de novo, conseguir, ou errar...

    Abs

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    1. Olá Rover!

      Engraçado, meu caso é parecido e ao mesmo tempo oposto que o seu. Eu troquei um emprego que adorava, com pessoas que tenho amizade até hoje e que era bem remunerado pela perspectiva de ganhar mais dinheiro empreendendo. Não gostei desde o primeiro dia, mas continuo até hoje única e exclusivamente pelo dinheiro, tem dado certo, mas ao mesmo tempo me trouxe esse caminhão de frustração.

      Tenho pensado muito sobre se realmente vale a pena empreender nesse momento, mas ao mesmo tempo penso que durante os terríveis anos 80 muita gente ficou rica assim... claro era outra época, o comércio era totalmente diferente e principalmente a legislação era outra...

      Vc está certo, o que realmente tenho vontade é de arriscar e sair do país, acontece que se eu fizer no dia de hoje, irei sem a menor perspectiva de ficar pra sempre, de conseguir me legalizar. Teria que fazer com visto de estudante sabendo que um dia teria que retornar. Não sei se isso seria legal...

      Sua história me lembrou de um amigo do meu pai que após ter umas 5 lojas, perdeu tudo e foi trabalhar de ajudante de caminhoneiro. Nunca mais tive notícias.

      Abraço!

      Corey

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  14. Você está repleto de razão, devemos arriscar mais. Este seu post foi um colirio para os olhos, hoje é um daqueles dias que queria mandar geral se fuder aqui no meu trabalho.
    Recentemente, fui contra tudo e contra todos no meu trabalho, larguei a faculdade e comecei um curso novo do primeiro ano kkkkkk, correndo o risco de ser demitido, mas quer saber? foda-se, isso lavou minha alma.
    Um abraço e boa sorte!

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  15. Opa, ótimo post para dar um gás nessa corrida maluca!
    Sobre as pessoas serem mais felizes após a quebra, acho que deve ser por causa do desapego com as coisas materiais e financeiras, e a experiência adquirida, que muitas vezes vale mais do que muito dinheiro por ai, enfim, continue com seus post, muito bom!

    Att. Puff

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  16. Olá Corey,

    Parabéns cara, adoro o seu blog, como conheci seu blog a pouco tempo, sempre leio e releio seus posts mais antigos.

    Este texto ilustra muito bem o que ocorreu na minha vida nos últimos anos, só que não tem um final tão bom assim. Até os 23 anos eu ganhava muito bem trabalhando na área de TI, em um banco. Resolvi arriscar tudo para administrar meu restaurante familiar.
    Hoje, 5 anos depois, percebo o tempo que perdi, não consigo voltar à área que estava antes, meus rendimentos não são nem de perto o que eu tinha quando era empregado. Hoje eu posso te dizer que arriscar e quebrar a cara dá um medo danado, não sei se é uma fobia que eu estou passando, mas sei que faz parte do jogo.
    No fim acho que tô meio Bundão, sei que preciso jogar uma água no rosto, traçar novos objetivos e correr atrás aprendendo com os erros passados...
    Este foi o relato de um pequeno perdedor!



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  17. Corey, uma dúvida: por que raios um empregador norte-americano, que se esforçou para erguer o seu negócio deveria dar emprego a um brasileiro sujo, ignorante, formado em uniesquina que o máximo que conseguiu na vida foi abrir uma mercearia lixenta? Por que ele deveria preterir caras fodas que se esforçaram para entrar em universidades de ponta, que são competentes e têm algo a oferecer? Não está na hora de cair na sua realidade patética de brasilóide e ficar aqui na banânia mesmo? Acha mesmo que, com sua uniesquina lixo e sua experiência de dono de buteco você tem cacife para trabalhar nos eua? Acho que está querendo muito além do que merece.

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    1. Anônimo das 12:24,

      não valorize tanto assim as universidades TOP do tio sam. Não estou querendo desvalorizá-las, de jeito nenhum. Elas são importantíssimas, basta olhar onde surgem as melhores práticas/produtos no mundo. Mas o Corey não iria competir com esses caras. Quem se forma nessas faculdades vai para grandes empresas (em posições de liderança) ou criam startup's. O mercado norte americano é gigantesco cara, teria muitas oportunidades para o Corey. Porém, seria mais competitivo do que aqui, mas não impossível de entrar. E outra coisa, vc já ouviu falar do Jack Welch ? Ele era um CEO da GE durante seu mandato, a capitalização de mercado da GE aumentou em US$ 400 bilhões, transformando-a, naquela época , na empresa mais valiosa do mundo. O Jack Welch não selecionava os seus empregados com base no currículo. Num livro, ele conta que rejeitou vários formandos de universidades TOPs como MIT e Harvard. Para ele o mais importante era a vontade, o sangue nos olhos dos candidatos a uma vaga de emprego. Enfim, o que eu queria dizer é; o seu currículo não é tudo !

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  18. Corey como nunca mais postou nada, tenho uma questão e gostaria de compartilhar por aqui.
    Recentemente em conversa com um amigo meu que é bombeiro, ele me disse que após o incidente na boate Kiss em Santa Maria, o corpo de bombeiros terão que fazer vistoria em todos estabelecimentos para liberar o alvará (e como não poderia deixar de ser né??!!) vão cobrar uma taxa para liberar a parte deles, segundo ele essa taxa varia a depender do tamanho do estabelecimento, mas que pode chegar ate a 6k.
    A minha dúvida, isso ja esta acontecendo ai em sampa??

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