quinta-feira, 20 de março de 2014

Comércios Independentes: Tem Futuro?

Durante minha viagem pelos EUA em dezembro passado percebi um fenômeno que sabia que existia, mas não imaginava ser tão relevante. Pelas terras do norte o número de comerciantes mom and dad (totalmente independentes) é irrisório perante a quantidade de lojas varejistas de redes e franquias. De 10 lojas de conveniência, acho que 9 são 7-11; de 10 farmácias, 9,999 são Walgreens ou CVS (só vi uma ou duas independentes), etc. A maioria dos comércios independentes são restaurantes e uma ou outra grocery especializada em produtos étnicos.

Pesquisando a respeito descobri que boa parte dos comércios independentes foram comprados por redes ou foram convertidos em franquias. Muitos comerciantes estão no mercado a décadas, mas se modernizaram aderindo a bandeiras de franquias ou licenciamento de marcas. As redes médias, tão comuns no Brasil, são frequentemente compradas pelas grandes em busca de expansão. Por lá é comum uma pessoa ter uma rede de franquias, ou seja, o cara pode ter, por exemplo, vinte lojas 7-11. Além disso as negociações entre franqueado-franqueador são bem flexíveis, com diversas opções de negociação de taxas e duração de contrato. Temos muito o que amadurecer nesse aspecto...

Aqui no Brasil (e também na Europa), a coisa é bem diferente, temos grande concentração de comércios independentes principalmente nos bairros, também existem muitas redes varejistas de tamanho médio, vide o exemplo dos supermercados dos bairros periféricos de São Paulo. Por outro lado temos poucas franquias médias realmente viáveis e com investimento realista, o que acaba impedindo boa parte dos comerciantes a aderir a uma marca conhecida, isso sem contar que praticamente não existe conversão de bandeira como por exemplo as imobiliárias Century 21.

Acredito que num médio prazo teremos muita quebradeira de pequenos comércios, está ficando insustentável manter comércios independentes, a mão de obra está ficando escassa, a legislação confusa e contraditória, isso só para citar alguns pontos. Daqui a pouco tempo será impossível sobreviver no mercado sem um planejamento tributário ativo, o que custa muito dinheiro. Uma coisa que me dá medo é a quantidade de gente migrando para o empreendedorismo por ser algo da moda, algo legal que transmite status, o que costumo chamar de empreendedor engomadinho. Esse tipo de gente, que gasta horrores na montagem da empresa, faz um plano de negócio impecável (no papel, claro), e acha que sabe tudo porque trabalhou como gerente de vendas, está fadada ao fracasso! A prática é totalmente diferente da teoria! Por outro lado, quem costuma se dar melhor é aquele cara que perdeu o emprego, pegou uma grana emprestada do cunhado e meteu as caras na montagem de um negocinho. Esse cara tinha um objetivo pro sucesso: COMER! Se fracassar, não tem dinheiro pra sustentar a família, esse cara é mais flexível a trabalhar pesado, logo é menos dependente de empregados e seu negócio simplesmente não pode dar errado.

Se realmente ocorrer essa quebradeira, oportunidades podem surgir pra quem é experiente e quer negociar empresas (assim como eu). O primeiro perfil (o empreendedor engomadinho) costuma largar a empresa nas mãos do funcionário no primeiro feriado, quando chega as férias do filho, abandona a loja pra ir pra praia, isso sem contar que normalmente gastam muito na montagem das suas empresas, o que resulta numa estrutura de equipamentos e instalações de boa qualidade superdimensionada que será comprada a preços baixos quando a ficha cair e o cara se tocar que não leva jeito pra coisa ou pior, quando se enfiar em dívidas milionárias.

De qualquer maneira não vejo um futuro muito brilhante para o pequeno comerciante de bairro, mais cedo ou mais tarde a luta contra os grandes terminará e sabemos quem tem mais chance de ganhar. Na melhor das hipóteses o bairrista será comprado por uma rede média e poderá sair no lucro, mas muitos não darão o braço a torcer e acabarão quebrando. Comércio hoje no Brasil tem que ser levado como algo pra se ganhar dinheiro no curto, máximo médio prazo. Comprar um comércio pra fazer uma espécie de buy and hold é meio loucura: a legislação cada vez ajudará menos, a concorrência dos grandes ficará cada vez mais forte, a margem de lucro cada vez mais achatada, o custo empregatício cada vez maior, a qualidade dos funcionários cada vez pior. Pra viver de comércio só vejo uma saída: apelar pra franquias robustas, honestas e com valores realistas (será que existe?) ou formar uma rede média, que possua algum poder de compra e consiga estabelecer sua marca numa determinada região, torcendo para que um grandalhão não invada seu pedaço.

41 comentários:

  1. Corey você tem uma visão e tanto sobre empreendedorismo, porem o buy and hold de mercadinhos/panificadora pode funcionar, mediante muito trabalho. Aqui onde moro a cidade é de cerca de 40.000 habitantes e se encontra em enorme expansão, saindo loteamentos para mais de metro, se alguém de visão montar 1 mercadinho familiar em um desses loteamentos e usar a mulher e filhos como escravos/funcionários é possível viver bem e caso não de certo é que nem zona é só comer o estoque.

    Aquele abraço

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    1. Olá Matuto!

      Não entendi se foi ironia ou não, mas... Cidades bem pequenas sofrem menos influência de redes grandes mas normalmente o comércio é dominado por comerciantes antigos e suas famílias (como vc mesmo disse no caso da padaria) o que dificulta entrar no mercado. Nesse caso, dá pra viver sim, mas isso de trabalhar com família além de estressante (por misturar as coisas, não tem jeito) é quase escravidão!

      Abraço!

      Corey

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    2. Não é ironia, acompanho seu blog a um tempo e seus posts são ótimos e isso claro devido você ser um excelente Empreendedor e acima de tudo um cara de muita sorte pois achar um sócio honesto hoje em dia é difícil. Minha família já teve uns 3 sócios em diversos ramos e eles só nos F@#$%¨%#$@. Oque eu quis dizer é que é possível sobreviver e ate ganhar dinheiro com padaria/mercadinho mas só as custas de muita escravização.

      Aquele abraço

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    3. Valeu cara, fico contente por vc gostar dos posts. Fui sócio investidor no negócio que vendi mês passado, mas não tenho sócio na loja.

      Cara, se trabalhar 12, 15 horas por dia 6 ou 7 dias na semana pro resto da vida não for escravidão eu não sei o que é!!! Mercado e padaria exige muito do dono, parece simples pra quem tá de fora, mas qd vc entra vc vê q o buraco é mais em baixo.

      Abraço!

      Corey

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  2. Bom posta, corey.
    continue assim nessa linha.

    o único comércio pequeno independente que eu vi crescer nos últimos anos é padaria de bairro. o resto tá no saco.

    Lube

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    1. Olá Lube!

      O ramo de padaria é ingrato demais, não conheço nenhum comércio que puxe mais do dono que padaria, pra ser minimamente sustentável (sem considerar os horários super malucos) é necessário ter ao menos 1 sócio (o ideal são vc é mais 2 sócios pelo menos). O faturamento costuma ser alto, mas a margem de lucro é ridícula na maioria dos produtos (considerando a perda), existe muito roubo de funcionário, parte industrial junto com comercial... Na boa, eu jamais teria uma padaria se minha retirada mensal fosse inferior a 20k. É muita pica pra pouca bunda...

      Abraço!

      Corey

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  3. Corey,

    Falou algumas verdades que estão passando despercebidas nessa moda de empreendedorismo, como você mesmo disse. Eu mesmo fui um dos que se deixou levar por esse discurso "conto de fadas" e o resultado? Me "ferrei!"

    Enfim, só passei para parabenizar pela real colocada na mesa sem rodeios!
    Abs!

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    1. Fala Mire!

      Cara, as vezes levo fama de pessimista, mas somente tento ser racional, ver as coisas pelo ângulo realista. Até hoje minhas estratégia tá dando certo. Se depender de mim sempre vou expor a real!

      Abraço!

      Corey

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  4. Meu receio de empreender é justamente ser escravo de mim mesmo/meu negócio. Abri mão de uma carreira em multinacional (ambev) pra conseguir viver a vida e deixar de viver a empresa. Se empreender, corro o risco de me escravizar por opção. Minha esposa tem 2 negócios, na verdade um negócio e um 'store in store'. Ela trabalha de segunda a segunda, das 08:00 as 20:00 e ainda chega em casa e vai pro PC.... Isso é insustentável.

    O problema é conseguir identificar uma oportunidade para empreender, conseguir retorno e não viver para o empreendimento. Infelizmente ainda não vislumbrei essa galinha dos ovos de ouro.

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    1. Olá Leandro!

      Vc conseguiu captar bem o que pretendi dizer com o texto. Sua esposa não é exceção, muito pelo contrário, isso é o padrão da maioria dos empreendedores. Se vc abriu mão de uma boa carreira em prol de qualidade de vida (coisa extremamente racional de ser feita, parabéns!) não acho que o caminho seja empreender, a não ser se for por curto prazo.

      Talvez sua esposa e vc pudessem formatar um modelo de negócio que permitisse os dois trabalharem uma quantidade de horas decentes por dia, ter fds livres e férias no decorrer do ano, mas como vc mesmo disse, é difícil encontrar um negócio assim (tb estou procurando, se achar me avisa, ok, rs).

      Se auto escravizar durante um curto prazo, sei lá, 1 ou 2 anos, pode ser viável pra levantar uma grana, mas passou disso ou dá se um jeito de delegar ou vende-se a empresa.

      Abração!

      Corey

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  5. Boa tarde Corey,

    Já acompanho seu blog tem um certo tempo, antes mais com uma visão de investidor iniciante, e agora, o interesse se voltou para suas experiências empreendedoras. É muito interessante ler comentários sobre a vida de um empreendedor no dia-a-dia que sabe nos passar de forma didática os prós e os contras de uma vida de empreendedorismo.
    Atualmente, estudo a viabilidade de abrir uma loja de roupas voltada para o segmento country em minha pequena cidade interiorana, entretanto, o que me preocupa é o pequeno número de habitantes da mesma (algo entre 5 e 6 mil habitantes). A cidade conta com duas grandes empresas, o que fez com que a renda da população crescesse bastante nos últimos anos, e a população, ainda que a passos lentos, vem crescendo dia após dia.
    Com sua larga experiência, esse negócio é viável para um empreendedor iniciante ?
    Tem alguma dica que possa passar para mim e para todos os outros jovens empreendedores que acompanham seu blog?

    Muito obrigado por partilhar seu conhecimento conosco!!!
    Abraço

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    1. Olá amigo!

      Valeu pelas palavras! Então, não vou dizer se é viável ou não, isso vc q tem q descobrir. Algumas coisas para analisar: sua proposta me parece interessante, nichos de mercado normalmente são mais lucrativos, mas cai na armadilha do tamanho do mercado. Sua cidade é pequena, mas há chances de crescimento rápido? Existe fluxo de turista? Existe uma cultura country forte? Existem concorrentes próximos? Qual distância?

      Na minha opinião, 6 mil habitantes não me parece o suficiente pra tocar nada além do básico, mas isso é vc que tem que decidir... Aqui no bairro onde tenho a loja temos muito mais gente que isso, com toda a certeza...

      Cara, uma dica pra quem é jovem é: só entre nessa de empreender se for pra ganhar muito dinheiro, muito mais que se fosse empregado, caso contrário não vale a pena. Qd se é jovem umas das vantagens é poder pular de emprego em emprego sem tanto medo, isso te traz experiência não só profissional mas sim pessoal o que pode ser muito importante na sua vida como um todo. Ao empreender seu networking fica prejudicado pela limitação do ambiente de trabalho o que não é nada saudável pra quem é jovem.

      Abração!

      Corey

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    2. Realmente, são várias as nuances que temos que analisar. Tenho estudado bastante para "não dar um tiro errado", mas ainda não estou seguro sobre esse negócio.

      O que você acha de entrar em contato com o sebrae em busca de auxílio?

      Abraço

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    3. Cara, tenho um certo preconceito com o Sebrae, mas é preconceito mesmo pq não conheço a fundo, minha opinião é baseado no pouco que li deles e não gostei. Procure-os, tem gente que gosta dos cursos deles.

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  6. Putz então minha idéia do mercadinho que escreve faz um tempo é perigosa hein..

    Complicado, você vê empreendorismo ainda de forma boa e legal de ganhar grana, setores etc?

    Ser empregado pelo resto da vida não me parece boa opção.

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    1. Fala Pobreta!

      Mercado e padaria é foda! Como disse no texto acho que vale a pena manter comércio no curto prazo, ganhe o máximo possível, aumente o valor venal e venda, se for o caso replique. Pra longo prazo uma rede de franquias me parece menos pior.

      Abraço!

      Corey

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    2. uma saída viável para as 'vendinhas' do bairro são as redes associativistas, que dão suporte e preço para os pequenos. De toda forma, essas redes demandam fidelidade e algumas outras coisas que podem não ser bem aceitas pelos empreendedor.

      O foda de mercadinho, pelo menos onde moro, é ter os picos de funcionamento nos horários de suposta 'folga' da população. Tudo bem que vc deve conseguir descanso em outros horários, mas sempre que todos os amigos e familiares estiverem descansando/festejando vc vai estar ralando muito!

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    3. Leandro, acompanhei de perto a formação de uma rede associativa, é uma experiência interessante, mas todas as partes devem ser muito unidas o que é bem complicado de rolar. Ainda vou escrever sobre isso.

      Horários de mercado e padaria são malucos, mas no geral boa parte dos comércio tb não segue horário comercial.

      Abraço!

      Corey

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    4. Corey,

      Sou seu leitor assíduo,porém nunca comentei.
      Os seus post,mesmo quando não concordo com algum deles,são de grande valia.Eles tem o conteúdo "reto","direto" e "vida real", e eu adoro isso.

      Faça por gentileza,quando seu tempo e disposição permitir,relato da experiência que vc citou acima da formação de uma rede associativa.

      Abraço,

      Diego

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    5. Diego, resumidamente essa rede não deu certo, eles recuaram. 90% de culpa foi como sempre da burocracia brasileira, uma pena.

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  7. Olá Corey,

    Muito bom e realista esse seu post.

    Todos esses problemas que você citou, realmente fazem parte do dia a dia do comerciante.
    Acho que, o que ainda mantêm as pequenas empresas abertas, principalmente nos bairros, é a sonegação parcial dos impostos.
    Tem muita micro empresa que sonega 50%, 60% ou até 70% do seu faturamento.
    Como a Receita está apertando a fiscalização a cada dia, estas empresas ou irão ser autuadas e acabarão fechando as suas portas ou então vão pagando cada vez mais impostos até não aguentarem mais.

    Essa do empreendedor engomadinho x empreendedor por sobrevivência foi muito boa.

    Abraço

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    1. Grande BBB!

      Vc citou uma questão importante que esqueci de abordar no texto, realmente tem muita gente que ainda sonega grande parte do faturamento, outros ramos que antes eram assim hj em dia são fiscalizados principalmente pela ST onde o governo sabe exatamente quanto o cara compra. Conheço um caso de um cara que levou uma sarrafada da receita que será muito difícil se levantar. Sonegação é crime mas é contraditório pq somos roubados todos os dias. Não critico quem o faz, acabam sendo justiceiros...

      Abração!

      Corey

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    2. Também não critico quem o faz, até porque, o dinheiro será muito melhor empregado na mão desse pequeno empresário do que na mão desse nosso governo corrupto.
      Abraço

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  8. Corey, não achei um espaço para entrar em contato contigo então vou perguntar por aqui mesmo sendo meio off topic.

    Estou buscando uma empresa/fábrica para comprar, você sabe me dizer alguns sites que posso realizar esta busca?

    Obrigado!

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    1. Olá Luigi!

      Vc foi muito genérico, fica difícil te ajudar... De qualquer forma, olhe na OLX e no Mercado Livre, consulte imobiliárias da região, etc.

      Abraço!

      Corey

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    2. Acho que tinha visto algo em outro tópico seu, mas não consegui achar.

      Estou procurando uma fábrica de cosméticos e domo sanitário, preferencialmente em situação crítica, com dívidas, má administração, etc.

      Pelo google é impossível, só propaganda e coisa irrelevante. Então queria saber se você conhece algum método bom para fazer essa "caçada". rs

      Abraço!

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    3. Cara, o que vc quer é extremamente específico, calculo de as oportunidades sejam pouquíssimas. Nesse caso, aconselho fazer uma busca na cara de pau, ligando ou indo atrás dessas empresas e se oferecendo pra comprar, não vejo outra maneira... Se pra achar um boteco pra comprar na internet já não é muito fácil, uma indústria dessas é missão impossível!!

      Abraço!

      Corey

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    4. Corey,

      Tem esse site que uma vez você indicou para analisar empresas a venda:
      http://www.zonasulnegocios.com.br/

      Abraços!

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    5. É verdade, só não sei se eles vão ter algo tão exótico.

      Valeu!

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  9. o que vc pensa sobre a franquia Multicoisas. Segundo consta, é necessário investimento de 500k fora o ponto comercial. Se vc fosse comprar uma franquia, escolheria uma do comércio(maior faturamento e menor margem) ou serviços(menor faturamento e maior margem). Obrigado,

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    1. Olá anônimo!

      Adoro as lojas multicoisas, mas nunca comprei nelas, elas tem uma variedade enorme de ítens interessantes pra homens idiotas como eu mas a preços exorbitantes! A maioria das coisas que eles vendem dá pra comprar no camelô pela metade do preço. Pode ser um bom negócio, vejo lojas em todos os shoppings e em regiões nobres, acho que o sucesso depende do público que na minha opinião deve ser o A e B pq daí pra baixo o cara sabe onde comprar mais barato. A vantagem que vejo é que os produtos não possuem data de validade então vc não tem perda por essa quesito.

      Sobre comércio ou serviço sem dúvida eu vou de comércio, não só por ter experiência mas por fugir do grande gargalo: funcionário qualificado. Outra coisa, certos tipos de comércio podem ser furada justamente por esse motivo. Açougueiros, padeiros e outros atendentes especializados estão em falta e valem ouro.

      Abraço!

      Corey

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  10. Muito bom os seus post de empreededorismo. Leio todos. Eu tenho vontade de empreendeer, mas não conheço nenhum empreendedor para conversar sobre isso. Eu venho estudando há alguns meses justamente sobre padarias. E me deu uma puta desanimada agora, mas obrigado pela sinceridade.
    A minha fixação por padaria é justamente a questão industrial acoplada que agrega mais valor ao produto e melhora as margens. Ser um simples revendedor de produtos, como é o comércio de varejo em geral, não permite muita margem para otimizar e ter um diferencial, pois se compra um produto, coloca um markup e vende.
    Mas sei que isso traz muito mais trabalho, logistica de compra e estocagem de produtos perecíveis, vários turnos de empregados, etc.
    O meu perfil seria esse de empreendedor engomadinho, mas ciente disso eu tentaria me corrigir começando pequeno numa cidade pobre de periferia de uma grande cidade.
    Tenho algumas dúvidas se puder responder Corey:
    Por que vc acha que não há uma rede grande de padarias em ambito nacional ou regional, como há para supermercados, farmácias, fast food...? Há alguma problema que impeça a escalabilidade do negócio de padaria para formação de uma rede ou os grandes player não se interessam pelo setor?
    Meu medo com padaria é a questão de assaltos. Como os empreendedores de negócios que lidam com muito pagamento em dinheiro fazem? Retiram todo dia o dinheiro excedente do caixa e levam pro banco? Faz isso mais de uma vez por dia? Deixam em um cofre dentro do estabelecimento? Dá para delegar para um empregado para fazer isso e ir no banco. Contratam um PM de folga para fazer esse papel de ir no banco? Alguma ideia?
    Tenho outras dúvidas, mas paro aqui,
    muito grato.

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    1. Olá Mateus!

      Obrigado pelo comentário de qualidade e que agrega valor ao site. Vamos lá...

      Padaria é um dos negócios mais complexos que existe, a parte industrial é como se fosse um business in business, é outra maneira de administrar e vc tem que conciliar a parte industrial com a comercial de maneira que tudo funcione de acordo, sem uma prejudicar a outra. Existem softwares de controle que ajudam, mas não são suficientes para conseguir equilibrar produção/venda de maneira satisfatória. O jeito é fazer a mais pra não perder venda, aí vc acaba perdendo produto... Padaria tem muitos funcionários, desde cargos sem qualificação como atendentes até os padeiros que devem ser qualificados e são uma mão de obra raríssima e cara (salário inicial 5k aqui na região). A maioria dos produtos é perecível o que significa perda (alguns são trocados mas vc nunca recebe 100% do valor, sem contar a burocracia). Enfim, é problema que não acaba mais... É lucrativo? Nem sempre...

      Veja essa série do PEGN, retrata de maneira exemplar o que acontece qd um cara que de padaria só entende de comer pão se mete a montar uma padoca:

      http://colunas.revistapegn.globo.com/oprimeiroanodaminhaempresa/2010/12/28/os-motivos-da-venda-da-padaria/

      Tb escrevi sobre isso, mas não achei a postagem, desculpe.

      Vamos as suas perguntas:

      Por que vc acha que não há uma rede grande de padarias em ambito nacional ou regional, como há para supermercados, farmácias, fast food...? - até existe se vc considerar as padarias de mercado, mas rede mesmo, de rua não conheço.

      Há alguma problema que impeça a escalabilidade do negócio de padaria para formação de uma rede ou os grandes player não se interessam pelo setor? - Problemas de escalabilidade? Todos, rsrs! Com certeza absoluta o pior problema é mão de obra. Padarias brasileiras são as melhores do mundo em termos de qualidade e variedade de produtos, nossos padeiros são feras e ganham bem, mas poucos jovens se interessam pela profissão por não ter status (vai entender...) o que complica mais ainda. Nos EUA existem os Dunkin Donuts da vida, mas o formato deles é bem diferente do nosso, as franquias recebem os produtos congelados bastando assar ou fritar ou os que são feitos na loja são extremamente simples de serem preparados, seguindo receitas. A enorme variedade de produtos numa padaria brasileira e a exigência por qualidade impede que uma rede monte um centro de distribuição.

      Como os empreendedores de negócios que lidam com muito pagamento em dinheiro fazem? Retiram todo dia o dinheiro excedente do caixa e levam pro banco? Faz isso mais de uma vez por dia? - cada um tem um jeito, todas essas possibilidades que vc citou são possíveis. Normalmente são feitas diversas retiradas no decorrer do dia e aí o cara decide se já leva pro banco ou esconde na loja.

      Dá para delegar para um empregado para fazer isso e ir no banco. Contratam um PM de folga para fazer esse papel de ir no banco? - dá pra delegar sim, em alguns ramos vc consegue ter um controle de estoque x entradas x saídas o que diminui fraudes, como sempre digo, um software top é importante. Quanto a contratar PM acredito que só valha a pena ter uma estrutura pra isso se o cara movimentar muito dinheiro, do contrário é besteira. Não dá pra esquecer que o uso de dinheiro vivo diminuiu bastante, o débito e crédito imperam na maioria dos ramos.

      Fique a vontade pra perguntar, ok?

      Abraço!

      Corey


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    2. Tem muito empresário que mantem boa parte da grana em dinheiro vivo para poder sonegar imposto e se manter no regime do SIMPLES.
      Os caras até arrumam uns laranjas para facilitar esse esquema.

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  11. Olá Corey!

    Ótimo texto, abrindo nossa mente como sempre, rs.
    No meu bairro tem uma "esquina de padarias", tenho que me referir assim porque a cada ano abre uma padaria nova e elas sempre quebram...
    Os mercadinhos da região seguraram um pouco mas com as redes de mercados voltados para bairros das grandes marcas não teve jeito, vários quebraram e outros que ficaram abertos possuem uma aparência bem deprimente, com prateleiras velhas e com funcionários bem mal humorados que não dá nenhuma vontade de entrar e comprar algo.
    Esse perfil do cara quebrado e o empreendedor da moda é muito verdade... Lendo um pouco sobre a história dos empreendedores de sucesso normalmente eles tiveram um momento de desespero no passado que os lançaram na atual empreitada, já os da "moda" vivem muito do papel e da teoria, com a ideia também de que se quebrar tá tudo bem, foi um aprendizado, só que esse aprendizado pode ficar bem mais caro do que parece, devido as tributações e burocracias para se fechar uma empresa, por exemplo.

    Abraços!

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    1. Grande General!

      Aqui tb tem uns mercadinhos decadentes assim, as pessoas só compram pela conveniência pq normalmente são sujos, com muitas faltas, caros e com pessoas mal educadas. Vejo muitos Extra bairro abrindo por aqui, são completos, possuem estacionamento, enfim, são mercados de verdade com tamanho pequeno. Não dá pra concorrer!

      Claro que devemos ter em mente que a falência é algo bem razoável de acontecer, mas como vc disse, tem gente que acha isso normal, tá errado! A burocracia e custo para fechar uma empresa é algo abominável. Recentemente tive um problema com uma firma que encerrei a mais de 10 anos...

      Grande abraço!

      Corey

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    2. Mais de 10 anos??? PQP!!!
      Nosso governo tarda, mas não "falha". rs

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  12. Corey, você tem algum conhecimento do que é necessário para abrir uma loja em shopping. Estou pensando em possibilidades de investimentos, talvez abrir uma pequena loja focada num nicho específico de mercado tenha um bom custo-benefício.
    Num shopping há a vantagem da maior segurança e do movimento constante de clientes. Na rua o ponto tem que se muito bem escolhido e geralmente os melhores pontos são caros ou estão ocupados.
    O que pensa a respeito? Obrigado.

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    1. Olá amigo!

      Normalmente shopping exige o pagamento de luva que é como se fosse a compra do ponto, isso pode encarecer muito o investimento. O que vc disse é verdae: o fluxo de pessoas normalmente é maior, tem segurança, estacionamento... mas vc tem que faturar muito mais pra empatar a conta. Cuidado com os shopping novos que ainda não estão consolidados, eles podem ser furada.

      Abraço!

      Corey

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    2. Shopping cobra aluguel antecipado, dependendo da cara do freguês. O normal é 12 meses psra os normais e, se o cara mostrar muita bala na agulha e/ou já tiver relacionamento no shopping cobram só 6 meses. Só isso já torna o custo inicial muito elevado.

      sem falar que para abrir num shopping, o padrão normal de mobiliário e uniformes é elevado. E não adianta achar o contrário. Brasileiro vai no shopping para ostentar. Se a loja for 'simplona', o brasileiro logo pensa 'se fosse pra comprar nisso, ia no centrão que ainda era mais barato'.

      Enfim, vc precisa tem uma loja com produtos ou marca matadoras para pensar em abrir num shopping. Os custos são muuuito maiores e se der errado vc tá muito mais na merda.

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    3. Celinha, obrigado pelo comentário. Não sabia que existe aluguel adiantado em shopping, só isso já é desestimulante. Não podemos esquecer que grande parte das pessoas vai a shoppings pra comer e passear, sem comprar absolutamente nada, por isso vemos corredores lotados e lojas vazias.

      Abraço!

      Corey

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