quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Descomplicando - Liberdade Financeira

Hoje começo uma série de postagens intituladas "Descomplicando", como o próprio nome diz, falarei sobre maneiras de descomplicar a vida, coisas que ao meu ver parecem óbvias mas poucas pessoas se dão conta que podem implementar e dessa maneira melhorar significativamente a qualidade de vida.

Sempre fui uma pessoa prática, hoje relembro certas atitudes minhas da época de infância e me dou conta que meu pragmatismo vem de muito tempo. Quando criança, detestava esperar ônibus, aquilo não fazia sentido algum, preferia andar a pé ou de bicicleta, mesmo que demorasse mais; quando adolescente perdi várias "ficadas" simplesmente porque não gostava de meninas que faziam doce, que me enrolavam. A fase adulta chegou e comecei a me dar conta que grande parte das atitudes e pensamentos que as outras pessoas tem  simplesmente só servem para perder tempo (e muitas vezes dinheiro). Por isso a cada coisa que tenho que fazer, procuro ser o mais racional e prático possível. É esse tipo de atitude que vou dividir com vocês.

Como o foco da blogosfera é finanças, começo falando sobre "Liberdade Financeira". Na minha opinião essa é a principal coisa que uma pessoa deve buscar. E como fazer isso? Muito simples: não se meta em dívidas, gaste menos do que ganha, reinvista a sobra e, na medida do possível, seja menos dependente do trabalho.

Na minha opinião todos nós deveríamos arrumar maneiras de ficar livre do trabalho. Pessoas que se orgulham por trabalhar 17 horas por dia  pra mim são doentes, tudo bem que podem dizer que "amam o trabalho", que o "meu trabalho é um hobby" e o caramba, mas isso demonstra que essa pessoa é intelectualmente limitada por não desenvolver outras habilidades que um humano é capaz de ter. A forma mais simples de começar essa mudança é não ter dívidas. Dívidas não fazem sentido algum! Mesmo as chamadas "dívidas boas" que Kyiosaki tanto fala não devem tomar muito tempo de vida. Dívidas trazem privações incríveis. Quem tem dívidas fica preso ao pagamento desse compromisso durante muito tempo, o que vai contra qualquer princípio de liberdade e traz aborrecimentos e raiva.

Durante a adolescência vi meu pai quebrar e se levantar várias vezes, talvez por isso enfiei na cabeça que jamais passaria por aquilo, que jamais quebraria mesmo que pra isso fosse necessário viver um degrau abaixo do que poderia. E assim foi durante alguns anos até me meter no empreendedorismo seguindo não minha vontade, mas sim o palpite de terceiros (parentes e amigos), a falta de maturidade me fez cair na armadilha que inconscientemente sempre fugi.

Quando comprei minha segunda loja (a primeira não conta, fiquei pouco tempo e não deu em nada) eu simplesmente não tinha nem 20% do capital que seria racionalmente necessário para o negócio. Como consegui resolver isso? Ora bolas, como todo brasileiro resolve: empréstimos, financiamentos, carnês e outras palavras de baixo calão! O negócio misteriosamente deu certo, hoje paro pra pensar e me dou conta que dei muita sorte: um garoto de vinte e poucos anos, sem dinheiro, sem experiência, sem conhecimento encarando um negócio muito maior do que poderia tocar... Enfim, deu certo, mas pra isso precisei passar ANOS atolado em dívidas, foram ANOS sem poder mudar coisas que tinha vontade de mudar, foram ANOS pagando juros, ANOS amarrado em financiamentos, ANOS sem poder me livrar daquilo, ANOS enfrentando riscos que não queria enfrentar. Dívidas são a pior prisão que um ser humano se mete, e pior, é uma prisão voluntária. Você entra se quiser. Ter um custo de vida baixo é importante para manter a sanidade mental.

Quando finalmente me livrei das dívidas, vendi a loja no dia seguinte (literalmente) do pagamento da última prestação do último empréstimo. Senti uma sensação de liberdade sem igual, de endividado passei a investidor. Desde então, o trabalho como maneira de ganhar dinheiro faz cada vez menos sentido pra mim, a renda passiva vai aumentando, a necessidade de trabalhar por grana vai diminuindo e a sensação de liberdade aumenta a cada dia. Poderia muito bem complicar minha vida, assim como fazem meus pares, e morar num apartamento de 150 m², ter dois carrões e uma Harley Davidson. Poderia fazer isso devagar, sem entrar em dívidas, mas e o custo que tudo isso me traria? Poucas pessoas param pra pensar nisso, lembram apenas do custo de aquisição sem se dar conta que o custo de manutenção acaba sendo muito maior. Isso sem contar o custo de tempo perdido pra conquistar tudo isso, tempo esse que poderia ser melhor investido em coisas que realmente fazem sentido. As vezes penso no quanto tempo perdi pagando juros... é melhor nem tentar fazer essa conta!

A partir da hora que uma pessoa descomplica seu lado financeiro, todo o resto passa a fazer mais sentido e tudo tente a se organizar. Como diz o Jacob, precisamos levar nossas finanças de maneira profissional, e não deixar rolar sem rumo. Esse é o primeiro passo pra descomplicar a vida.

38 comentários:

  1. Excelente texto! Parabéns.

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  2. Falou tudo parceirão. Dívidas é inimigo mortal da vida boa. E importantíssimo o conceito que eu venho batendo forte na tecla que você falou no final, custo fixo. Ele é um vilão. Pra manter um estilo de vida alto você deixa seu salário totalmente preso à essas coisas, fica sem muito massa de manobra pra investir, fico preso no emprego (com medo de perder gerando stress) e longe da IF. O cara simplesmente curte 2 dias seus brinquedinhos (sexta a noite, sábado e domingo de tarde até às 18h) em troca de trabalhar até os 65 anos de idade (ou seja, 40 a 50 anos de sua vida dedicados a vive 2 dias na semana.

    Que é isso?

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    1. Fala Pobreta!

      Pois é, as vezes o cara não faz dívidas mas tem um custo fixo elevado. Como eu disse, poderia comprar um carro legal sem fazer dívida, mas e o aumento do custo? IPVA, seguro, consumo, tudo seria maior e iria impactar meu orçamento.

      Isso não é vida não...

      Abraço!

      Corey

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  3. Fenomenal Corey,

    Penso exatamente da mesma forma e por isso sempre preferi poupar para comprar, justamente pelo medo de entrar nesta prisão que na maioria das vezes se torna uma prisão perpétua. Meu pai sempre tentou me passar essa lição, eu consegui assimilar um pouco, mas a ficha caiu mesmo com as leituras.

    Devido a esse hábito já consegui mudar o rumo da vida por escolha própria duas vezes, ou seja, abri mão de um salário, para investir em algo que tivesse mais propósito. Ao meu ver ainda não tive o sucesso com as minha apostas, mas só de ter a possibilidade de escolha, já encaro com um ponto positivo.

    Legal a série, mais uma que vou acompanhar.
    Abs!

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    1. Olá Mire!

      Sorte sua que seu pai te passou isso desde criança, o meu é totalmente descontrolado, daqueles que "não consegue juntar dinheiro sem fazer uma prestação". Tive que aprender na raça que dívida é coisa do capeta.

      Vc viu a liberdade que não ter dívidas proporciona, né? Mesmo se algo der errado pelo menos vc teve a oportunidade de tentar.

      Abraço!

      Corey

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  4. Corey,

    Também sou adepto dessa vida simples. Na verdade acho que nossas personalidades são bem parecidas: minhas necessidades são poucas, mas tenho baixa tolerância pra brigas e estresses. Quero uma vida tranquila. Como diria Thoreau: "Our life is frittered away with detail. Simplify! Simplify!"

    Abs,

    VR.

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    1. Olá VR!

      Acho que boa parte das pessoas que buscam a IF levam uma vida simples nem tanto pela economia e sim por achar mais racional. Com certeza perdemos muito tempo com detalhes e vou falar sobre isso nessa série.

      Abraço!

      Corey

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  5. Corey, seu blog é excelente. Não tenho o costume de fazer comentários em blogs apesar de lê-los com frequência e olha que eu conheci há muito pouco tempo esta blogosfera das finanças. Seu texto e sinceridade são diferenciais. O foco no empreendedorismo é muito bom, pois abre verdadeiramente a mente de quem trilha este caminho, como é o meu caso. Sinto que você é uma pessoa diferenciada porque foca não só na questão do custo(tema deste post), mas principalmente em outras questões relativas também ao GANHO(pois vejo que algumas pessoas focam tanto no custo, que certamente deixarão de aproveitar a vida e como bem dito pelo Eduardo Gianneti "tempo não se economiza e nem se poupa"(Valor do Amanhã). Enfim, continue nesta caminhada. Grande Abraço.

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    1. Olá amigo!

      Obrigado, fico contente por agradar, é desse tipo de feed back que precisamos. Acredito que o tempo é nosso maior ativo e como vc disse, não dá pra economizar (ao contrário do dinheiro). Recentemente durante uma viagem fiz coisas que não faria caso fosse mais velho e me peguei pensando no quanto que as pessoas perdem por querer aproveitar a vida somente após a aposentadoria, lá pelos 60 anos...

      Abração!

      Corey

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    2. De fato, o blog está mto bom ultimamente.
      Obrigado!

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  6. 'Na minha opinião todos nós deveríamos arrumar maneiras de ficar livre do trabalho.'

    right you are, madafaka.

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    1. Trabalho consome muito tempo, isso não faz sentido...

      Abraço!

      Corey

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  7. Bom texto. Gastar sempre menos do que ganha para investir é uma obviedade que talvez 10 por cento dos brasileiros seguem. Pretendo passar minha vida inteira sem financiar algo ou pegar empréstimo.

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    1. Olá FRF!

      Pois é, é algo obvio e poucos seguem e se dão conta que esse é o caminho. Já financiei muita coisa, paguei muito juros, mas pretendo nunca mais repetir isso.

      Abraço!

      Corey

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  8. Bom texto. Vida simples agora para uma vida boa no futuro!

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  9. Ola Corey, penso exatamente igual, continuo tendo uma vida simples...e com baixo custo fixo...
    Excelente post!!!
    grande abraço

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    1. Olá Catarrento!

      Acho q a maioria de nós pensa assim, mas a galera na Matrix não se da conta disso.

      Abraço!

      Corey

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  10. Fala Corey, bela postagem.

    Já te coloquei no meu blogroll há um tempinho, será que você poderia me incluir no seu?

    Abração.

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    1. Manda o link, não consigo achar por esse Google +, abraço!

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    2. Corey,

      Segue o link:

      investidorlivre.blogspot.com

      Abração!

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  11. Concordo com você Corey,
    Dívida é como uma chaga, um tumor.
    Faz um estrago na vida financeira e consequentemente na vida pessoal.
    Quantos casais brigam e até se divorciam por causa de dívidas?
    Triste é que a maioria não vive sem elas.



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    1. Olá BBB!

      Dinheiro é uma das maiores causas de brigas entre casais, conheço um que se separou recentemente e o gatilho foi um financiamento mal planejado.

      Abração!

      Corey

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  12. Que bom que vc conseguiu expulsar esse demônio da sua vida! O negócio é comprar tudo a vista com desconto!

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    1. Grande Eike!

      Exato! Não tem sensação melhor que comprar alguma coisa, pagar, virar as costas, ir embora e saber que não há mais compromisso financeiro com aquilo.

      Abração!

      Corey

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  13. Bom post, Corey!

    Gostei desse estilo de post "descomplicado", faça mais, se possível.

    Abraço!

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    1. Olá Nerd!

      Farei sim, pode deixar.

      Abraço!

      Corey

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  14. Excelente, Corey! Quer riqueza maior do que não precisar vender seu tempo para viver?

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    1. Exato! Mas quantas pessoas se dão conta disso?

      Abraço!

      Corey

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  15. Fala Corey! "A partir da hora que uma pessoa descomplica seu lado financeiro, todo o resto passa a fazer mais sentido e tudo tente a se organizar." Falou tudo!!!

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  16. Muito boa essa sua nova serie. Lusitanos curtem!!!

    Traderlusitano.blogspot.com.br

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  17. Sobre dívidas: O dinheiro é um ótimo escravo, mas um péssimo mestre.

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  18. Muito bom... falou tudo.

    Parabéns!!

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