domingo, 28 de julho de 2013

Os Empregos do Corey

Recentemente falei sobre os empreendedores da minha família, deu o que falar, com gente me ofendendo, chamando minha família de bandidos, etc. Essas pessoas tem razão, vários integrantes da minha família fizeram (e talvez ainda façam) coisas fora da lei para ganhar a vida, mas isso não quer dizer que eu apoie e tampouco que eu faça o mesmo, muito pelo contrário, esse é um dos motivos para que eu mantenha distância dos meus familiares e o principal motivo que me leva a manter a ética dentro daquilo que me proponho a fazer. Você pode achar que estou com discursinho politicamente correto, mas se você já leu algumas linhas dos meus textos, pode perceber que a última coisa que sou é politicamente correto. Aliás, me esforço pra não escrever sobre o que realmente penso sobre alguns assuntos pra não parecer radical de mais e ser chamado de louco, nazista, essas coisas...

Bom, mas voltando ao post de hoje, decidi, ao invés de falar sobre o começo da minha vida de empreendedor, falar sobre os primeiros empregos que tive na vida, ou seja, a fase pré-empreendedorismo. Não fui daquelas crianças loucas por dinheiro, não seria capaz de fabricar moedas com tubos de pasta de dente como fez o Kiosaky, nem entregar jornais com 6 anos como fez Buffett. Nunca fui consumista, mesmo criança, nunca exigi presentes, não era pidão... então a minha necessidade de dinheiro nunca foi muito grande, mas aos 14 anos eu queria uma bicicleta nova, meu pai estava quebrado e decidi arrumar um bico. Por sorte, um amigo do meu pai, dono de uma oficina topou empregar ilegalmente um moleque de 14 anos, trabalhei alí durante uns meses, juntei a grana da bike e pedi as contas.

Estudava em escola particular de vila, meus colegas, embora não fossem ricos, tinham o que queriam, provavelmente financiados pelos cartões de créditos dos pais, e nenhum trabalhava, desde então passei a ser o diferente da turma, mas isso (juro) nunca me incomodou, muito pelo contrário, eu até sentia um certo status por ir trabalhar todas as tardes, quando sai da oficina, comprei a bike, mas comecei a me sentir um inútil. Durante um réveillon, conheci um amigo do pai da minha namorada na época. Ele era dono de diversos comércios e topou me arrumar um trabalho numa delas. E assim foi, no dia 2 de janeiro eu estava trabalhando naquela empresa que ia fazer toda a diferença na minha vida profissional.

Passado alguns meses fazendo serviço de auxiliar, de limpar banheiro a descarregar caminhão, fui
promovido pro setor de vendas. O salário era o mesmo (acho que 1 salário mínimo mais ou menos), mas havia possibilidade de inflar os ganhos com comissões. E que inflada! Lembro-me que no primeiro mês ganhei muitas vezes mais  o meu salário anterior, por algum motivo eu consegui ter um desempenho fantástico, acima até de gente com mais tempo de casa que a minha idade. Um moleque de 15 anos, ganhando 1 mil ou 1,5 mil reais a mais de 10 anos atrás era rico! Comprei carro, tinha dinheiro todo fim de semana, fazia muitas baladinhas, e não me importava em juntar dinheiro, nunca fiquei devendo, nunca atrasei uma prestação, mas também nunca juntei 1 real dessa época. Quer saber? Acho que fiz a coisa certa! Não faz sentido para um moleque de 15 ou 16 anos ficar juntando todo e qualquer dinheiro, acho que essa idade é fantástica e deve ser curtida, dane-se a grana!

Algum tempo passou e surgiu uma proposta melhor de trabalho, fiquei chateado de deixar a empresa, mas conversei com o patrão que me incentivou a trocar de trabalho e fez questão de ligar ao novo chefe e dar boas referências minhas. A outra empresa era maior, não tinha o trato familiar da primeira, demorei umas semanas mas me adaptei, fiz amizades que mantenho até hoje e comecei a mudar minha cabeça em relação ao dinheiro, principalmente após uma longa conversa com um supervisor. Descendente de turcos (ou algo assim), ele enfiou na minha cabeça a regra de se guardar pelo menos 10% do que se ganha e assim comecei a juntar uma grana na poupança. Mesmo assim durante esse período, nunca deixei de sair, troquei de carro, comprei moto (saudades, muitas saudades da minha motoca!)... A filosofia em relação ao dinheiro do meu pai era: se você tem dinheiro hoje, gaste, porque pode ser que amanhã você não tenha mais... Imaginem como foi difícil lidar com opiniões conflitantes entre meu “pai pobre” (meu pai mesmo) e meus “pais ricos” (os diversos homens que encontrei na vida e que me ensinaram um pouco sobre a maneira correta de tratar o dinheiro).

Foi nessa época que conheci a Bia, e a vontade de “subir de vida” começou a martelar na cabeça. Eu ganhava substancialmente mais que meus colegas, quase todos estavam nos primeiros anos da faculdade, sendo sustentados pelos pais, mas mesmo assim queria mais e é nesse cenário que a ideia de empreender começou a ser maturada, meu pai vivia repetindo o mantra do meu avô que “todo homem deve trabalhar pra si mesmo”. O status de ser propriOtário era muito tentador. Na época eu já tinha um cargo de supervisão e ganhava o que considero muito bem, uns 3 ou 4 mil, o que é uma puta grana pra um moleque de 18, 19 anos até hoje! Mesmo assim larguei tudo pra comprar a primeira loja, mas esse é assunto do próximo post.


Quero dizer que acredito que tive muita sorte, conheci pessoas boas, honestas e dispostas a ajudar, comecei muito cedo, o que permitiu ter uma larga experiência profissional (e de vida) mesmo antes da maioridade. Reconheço que são poucas as pessoas que tiveram essa oportunidade e sei que meu exemplo dificilmente será replicado, hoje em dia é muito mais complicado. Eu mesmo morro de dó em negar emprego a um garoto de 14 anos, penso na oportunidade que eu poderia oferecer, mas não faço por ser ilegal. Por outro lado, nesses anos de empreendedor ajudei a formar alguns profissionais e dei chances a gente que fez por merecer. Trabalhar com vendas, ter grande parte do salário atrelada a desempenho pessoa me fez amadurecer muito, aprender muito mesmo e isso é uma coisa que recomendo a todos: trabalhe com vendas, ao menos uns meses, você verá que é um aprendizado fantástico pra tudo o que você fará na vida. Outra coisa que recomendo é: ao menos no começo da sua vida profissional, trabalhe por dinheiro, dane-se status, trabalhe em serviços pesados, mas que sejam bem remunerados, isso fará toda diferença.

14 comentários:

  1. Gostei muito desta postagem Corey, cada vez que leio o seu blog me da mais vontade de empreender... só não sei no que.
    Aguardando ansiosamente o próximo post! Abraços.

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  2. Grande post Corey!!! Não é raro ver pessoas de sucesso que começaram a trabalhar cedo, ainda mais trabalhando com vendas, onde se não tiver jogo de cintura não vai muito adiante. Reforça ainda mais o meu pensamento que estudar é importante mas a velho clichê "A ESCOLA DA VIDA ENSINA" e ensina muito mais msm.

    Dentao

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    1. Olá amigo!

      Acho que quanto mais cedo melhor, além é claro de tirar a molecada das tentações erradas, trabalhar ajuda a amadurecer rapidamente. Trabalhar com vendas permitiu que eu acumulasse uma boa quantia de grana rapidamente e aprendesse a lidar com público, o que utilizo até hoje.

      Abraço!

      Corey

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  3. Muito legal as histórias que está contando Corey, era o que mais tinha curiosidade sobre como começou a empreender e a trajetória, estou passando por essas etapas e não é nada fácil, inclusive gostaria de trocar um email depois para te contar um relato pessoal que aconteceu e quem sabe tenha alguma dica para isso.
    Nesse sentido de economizar sou diferente, trabalho desde pequeno talvez um pouco antes só que você mas sempre guardei dinheiro, quando alguém da família precisava já ia direto no meu cofre :/ o ruim é que não tem muito empreendedor na família para conversar e dar umas dicas. Só tenho vocês amigos da blogosfera para consultar sobre esses assuntos, rs.

    E como está a viagem??

    Abraços!

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    1. Grande General!

      Fique a vontade pra mandar e-mails, posso demorar um pouco pra responder, mas terei prazer em ajuda-li.

      Nessa faze mais moleque eu gastava mesmo, mas como disse, depois isso mudou e tb virei referência, até porque era obvio que eu deveria ter dinheiro guardado: todos sabiam que eu ganhava bem, mas não ostentava, tinha um carrinho usado enquanto meus colegas tinha carro do ano, nunca usei roupas de marca, etc.

      Abração!

      Corey

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    2. Ah! A viagem foi ótima, mas já estou de volta (infelizmente, rsrs!).

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  4. Olá Corey! Parabéns pela jornada. Vou te contar que trabalhava também quando menor, não era a palhaçada que é hoje.

    Na minha simples opinião era mais simples. Podia-se trabalhar até com 16 anos, sem problemas. Na minha região, que é agrícola, os pais PRECISAM da ajuda dos filhos na roça após eles crescerem. Um homem com 30 anos tem vigor, agora, chegou nos 40 para cima a coisa muda.

    Meu pai foi agricultor e hoje mora na cidade; eu trabalhei para ele e te falo que só fez bem.

    Acompanho o seu blog a tempos e te desejo tudo de bom

    um grande abraço e se puderes me adicionar a sua blogroll eu te agradeço muitissimo.

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    1. Acho que trabalhar faz parte do amadurecimento do adolescente, nos EUA grande parte deles trabalham, ao menos durante as férias, independentemente de classe social vão ralar em balcão de fast food. No trabalho aprendem a lidar com superiores, a obedecerem regras, a conviver com colegas e clientes e ainda ganham um troco. Isso é muito importante.

      Abraço!

      Corey

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  5. Oi, Corey!
    conheci seu blog esses dias e estou admirada com seu espírito empreendedor! Esta é a visão que falta a tantos brasileiros que estão acomodados e que reclamam que a vida não muda mas não fazem nada para mudá-la...
    Queria te fazer um convite, algo que penso que pode melhorar ainda mais sua vida e se encaixa perfeitamente com seu perfil dedicado e visionário.
    Não tem como dar muitos detalhes por aqui mas, se tiver interesse, pode entrar em contato comigo pelo e-mail roiz.js@gmail.com

    Abraços, Jessica Rodrigues

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    1. Olá Jéssica, mande um e-mail pra blogdocorey@gmail.com

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  6. Oi Corey

    Trabalhei por um tempo de corretor de imóveis. Foi uma experiencia muito boa. A sensação de fechar uma venda é muito gratificante. E a comissão também! rs Aprendi muito sobre diferentes tipos de pessoas e a ter paciencia e persistencia, elementos que faltam muito nos jovens de hoje.

    Não entendi direito porque no final do seu texto, vc sugere para os jovens começarem sua vida profissional em trabalhos pesados, qual a razão disso?
    Queria também algumas dicas de vendas ou sugestões de livros, cursos... enfim, o que te ajudou a ser o negociante que vc é hoje?

    Valeu
    Abraços, anonimo sem blog

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    1. Olá amigo!

      Já vendi um imóvel informalmente, foi muito legal participar de uma negociação e claro, a recompensa financeira tb. Acho legal trabalhar com vendas, seja do que for, aprender a identificar as particularidades de cada perfil de cliente e assim obter mais sucesso no fechamento do negócio, essas coisas... Como vc disse, dá pra aprender muito sobre os tipos de pessoa e aprender a ter paciência e principalmente persistência, testando várias técnicas diferentes.

      Sobre trabalhar pesado é o seguinte: penso que tem muito moleque trabalhando em empregos "bonitinhos" que transmitem certo status por trabalhar de roupa social, num escritório com ar condicionado e cafeteira mas que ganham merreca enquanto tem muito serviço mais bruto pagando muito bem por aí. Eu mesmo tenho funções pouco nobres na minha loja cujo salário bate o da maioria dos engravatados por aí.

      Abraço!

      Corey

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  7. Interpretei o texto errado ou vc tem entre 24 e 27 anos?

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