segunda-feira, 22 de julho de 2013

[Livros] – Sonho Grande

Antes de mais nada, gostaria de explicar algumas coisas a respeito dos meus posts sobre livros e fundos imobiliários. Quando falo sobre algum livro, como o post de hoje, o objetivo não resenha-lo ou resumi-lo como acontece em vários blogs e sim usar a temática como tema para comentários e opiniões, por esse motivo as postagens podem fugir um pouco do texto da publicação, fazendo com minha opinião apareça mais que o próprio livro. O mesmo acontece com os FIIs, quando falo sobre determinado papel, não me preocupo em colocar números e fazer análises aprofundadas, afinal esses dados podem ser encontrados facilmente e com grande qualidade na internet. Meu objetivo é somente opinar sobre o papel em questão.

Bom, o post de hoje é sobre o livro Sonho Grande, que conta um pouco da história do trio de empresários brasileiros: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, que entre outras empresas foram responsáveis pelo sucesso do Banco Garantia, Brahma que veio a se fundir com a Antarctica e depois com outras cervejarias mundiais formando a AB InBev, Lojas Americanas, Burger King, Heinz, 3GP... Acredito que grande parte dos leitores desse blog já devem conhecer um pouco a respeito dessas figuras.

O livro tem uma leitura fácil e agradável, é daqueles que não dá vontade de parar de ler. O que mais gostei foi o fato de poder aprender um pouco como funciona a meritocracia, sistema de administração empresarial que valoriza acima de tudo o desempenho de um determinado funcionário, ignorando tempo de casa, idade, função, parentesco, etc. Eu já conhecia um pouco sobre esse tema, já havia lido alguma coisa, mas é legal ver como isso foi e é amplamente utilizado pelo trio em suas empresas. A meritocracia tem características controversas, acredito que há muita falta de ética, respeito e cidadania envolvida nisso, mas de qualquer forma demonstra ser algo eficaz, e que faz grande diferença quando aplicada. Não serve pra todos, não são todas as pessoas que conseguem trabalhar 20 horas por dia, com pressão por todos os lados, sofrendo uma dose de humilhação diária... mas com certeza existem pessoas que se adaptam a esse sistema e se dão muito bem, ganhando muito dinheiro. É o capitalismo na sua forma mais pura e alguns conceitos com certeza podem e devem ser utilizados por pequenos empresários.

Interessante entender a maneira pouco ortodoxa adotada pelo trio na hora de fazer um grande negócio: ignorar planos de negócio, abrir mão de due diligence, negociar através de terceiros, etc. Isso serve de exemplo pra aquilo que costumam dizer: “quem pensa demais, não casa”, ou seja, se você pensar demais, vai empacar, não vai sair do lugar e não vai chegar a lugar algum. O objetivo deles ao adquirir um negócio é muitíssimo semelhante ao do Buffett: controlar empresas. Não se contentam em adquirir um negócio lucrativo, precisam assumir o controle, colocar em prática o padrão “Garantia” de gestão garantindo o melhor resultado possível. Falando em Buffett, Lemann é amigo do Oráculo de Omaha e agora sócios na compra da Heinz. Como estou lendo (e quase acabando) a biografia do Buffett, é impossível não encontrar coincidências entre o modus operandi do Buffett e Lemann.

O trio tem características complementares e esse é talvez o porquê de terem uma sociedade de tanto sucesso, cada um é bom numa coisa diferente, juntos são uma máquina de negociação, administração e de ganhar dinheiro incrível. A frugalidade e informalidade é uma característica comum aos três, ao menos no começo do Banco Garantia, o primeiro grande negócio deles: nada de salas e secretárias exclusivas, vagas demarcadas no estacionamento, muito menos terno e gravata. Usar calça jeans, camiseta, tênis e ter um carro de 10 anos era o padrão (mais semelhanças com o Buffett). Por outro lado, com muito dinheiro no bolso, os sócios do Garantia começaram a desviar atenção da empresa para os próprios investimentos, carros importados começaram a ser maioria nas vagas da empresa (isso no começo das importações nos anos 90) e esse foi um dos motivos para a derrocada do banco. Mas pensando bem, isso não seria algo natural? O que um bando de jovens endinheirados fariam? Não dá pra guardar toda a grana que se ganha, principalmente quando as quantias são grandes e crescentes. Não dá pra ignorar as finanças pessoais, focando somente no trabalho. Pelo menos eu não conseguiria...

É inspirador entender como gente grande faz negócio, abre a cabeça para oportunidades de negócio que muitas vezes deixamos passar por medo de encarar coisas desconhecidas. O trio não consome hamburgers, mas isso não impediu de comprarem o Burger King, não conheciam nada sobre cervejas e mesmo assim compraram a Brahma, que ia de mal a pior nos anos 80, cuja cerveja era diferente de uma fábrica para outra e mesmo sem serem mestres cervejeiros, conseguiram padronizar o produto. A ideia que captei é a seguinte: seja bom na administração, conheça os números da sua empresa, cerque-se de profissionais capacitados e que possam cuidar da parte técnica para você. O sucesso é consequência! Ideias simples, estratégias simples, trazem resultados fantásticos!

Bom, é isso, recomendo a leitura a todos que gostam de saber como acontecem cases de sucesso. Particularmente ando muito interessado nesse tipo de texto, o próximo da lista é "Os Bastidores do Wal Mart", vamos ver o que ele me guarda...

Estou viajando, os comentários e suas respectivas respostas podem demorar a serem publicados.

9 comentários:

  1. Corey, excelente dica. A leitura deste post completo e objetivo me fez adicionar este livro na minha lista de leitura para os próximos meses.
    Abraços,
    Blog Economicamente Incorreto
    http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br

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    1. Olá EI!

      Que bom que vc entendeu meu objetivo com essas postagens. O livro é inspirador, vale muito a pena ler.

      Abraço!

      Corey

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  2. Corey,

    bom dia, tenho uma observação a fazer.

    O trio é realmente mestre na gestão empresarial.

    Mas há um outro aspecto: a indústria alimentícia vende fermentado de arroz com conservantes como se cerveja fosse - com a anuência das autoridades, claro.

    Mais honesto é o que a cerveja chinesa Tsintao, que cá e lá aparece no supermercado, faz ao anunciar no rótulo que acrescenta arroz (mais barato que a cevada) na fermentação. Vide: http://www.brejas.com.br/cervejas/china/tsingtao-lager/

    Na Alemanha a primeira lei de pureza (Reinheitsgebot da Baviera) foi instituída em 1516 para que pessoas ávidas por dinheiro não chamassem de "cerveja" as misturas de outros ingredientes - inclusive conservantes, que faz a cerveja durar tanto quanto o vinho... - com a cevada, a água, o lúpulo e o malte. A maioria das cervejarias na Alemanha - apesar de não ser mais obrigatório por pressão da União Européia - ainda segue esse padrão, que é o mínimo que até hoje garante a qualidade do produto.

    Esse padrão de acrescentar cereais de baixo-custo (como o arroz e o milho) junto aos outros ingredientes originais da cerveja é o que - some-se a isso baixos salários, eficiência na gestão etc - garante (garantiu) a lucratividade enorme da grande empresa alimentícia na última década.

    A partir do momento que se pode chamar de "cerveja" um fermentado de milho e arroz com conservantes e uma quantidade mínima dos ingredientes originais, também se pode chamar de "chocolate" uma pasta sólida que contém uma quantidade mínima de cacau ou de "azeite" uma mistura de 85% óleo de soja e 15% óleo de oliva. E, por aí, vai...

    Em suma, grande indústria alimentícia é mestre na arte de vender porcarias "bombadas" (a palavra "bomba" é bem apropriada) com químicos como se alimentos/bebidas fossem.

    Ela não dá a mínima para a nossa saúde, quer ganhos de escala crescentes mesmo que precisem recorrer a esses expedientes.

    Cerveja, no meu ponto de vista, é aquela que segue a Reinheitsgebot de 1516. O resto é por conta e risco do bebedor.

    Grande abraço!

    O Apreciador de Cerveja (da verdadeira)

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    1. Olá Amigo!

      Cara, tudo isso pra mim é informação nova, não tinha ideia disso tudo, como sou um "bebedor" e não um "apreciador" de cerveja, tanto faz, não consigo notar diferenças, aliás, eu prefiro cervejas populares que as sofisticadas (e caras).

      Do ponto de vista comercial, acredito que a partir da hora que não existe regulamentação, ou essa regulamentação abre brechas, não há nada de errado em buscar lucros cada vez maiores, agora do ponto de vista ético a coisa muda de figura...

      Abraço!

      Corey

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  3. Grande Corey,

    Muito interessante!
    Existem vários métodos para se ganhar dinheiro, alguns tem uma administração empresarial impecável, outros cativam os clientes de uma maneira excelente, outros conseguem tem o poder de barganha sensacional.

    O que infelizmente é a realidade é que eles ganham muito dinheiro, porém não são os melhores chefes do mundo, o que acredito ser um ponto negativo, pois tratam o capitalismo na sua forma mais primitiva e não como um capitalismo a la século 21, onde você não priva tanto os lucros, mas sim o ser humano.

    Uta!

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    1. Grande Estagiário!

      Concordo com vc, acho esse tipo de comportamento organizacional um pouco "old fashioned", não faz muito sentido nos dias de hoje, mas acredito que dá pra aprender muita coisa boa, tem muita ideia bacana que pode ser posta em prática como se fosse uma releitura.

      Abraço!

      Corey

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  4. Corey, vc lê quantos livros por mês em média?

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  5. Sou frequentador novo aqui no seu blog. Comprei esse livro só há alguns dias e só agora vi esse seu post. E posso confirmar: o livro é bom mesmo. E um belo contraponto quando se vê a derrocada do ex-bilionário Eike Batista.

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