quarta-feira, 10 de abril de 2013

[Empreendedorismo] - Franquias - Como escolher?


Essa é a terceira e última parte dos meus posts sobre franquia, vou falar o que acho importante analisar na escolha de uma franquia.

Se você entrar no site da ABF (Associação Brasileira de Franchising) se deparará com uma infinidade de franquias disponíveis, de todos os ramos, para todos os bolsos e gostos. Qual escolher? Não é tão difícil quanto parece...

1-    Setor: primeiramente você deve definir um setor. As perguntas a seguir já ajudam muito: Comércio ou serviço? Alimentação ou não-alimentação? Comércio cíclico ou não cíclico? Como absolutamente tudo na vida você deverá escolher um setor que possua afinidade, se você tem nojinho de cheiro de fritura, não vá comprar uma franquia de pastelaria. É vegetariano? Não compre uma franquia de churrasco!
2-    Capital Disponível: uma vez definido o setor, você deve definir quanto tem disponível para investir. Dentro de um mesmo setor, há franquias com investimentos bem variados: uma perfumaria X custa uma fração do custo de um O Boticário. Recomendo TER em mãos pelo menos 50% a mais que o declarado, essa grana serve para imprevistos e variáveis da instalação, se for shopping, recomendo mais 70%.
3-    Marca Conhecida: acredito que 90% das franquias disponíveis se tratam de marcas pouco ou totalmente desconhecidas! Claro que alguém um dia apostou em franquias do Mc Donalds quando ele ainda era desconhecido, mas você está disposto a fazer o mesmo? Isso sem falar de franquias que nunca tiveram operações próprias (falarei mais adiante).

Se você souber exatamente o setor que tem afinidade, quanto está disposto a gastar, a escolha da marca será bem fácil. Com uma análise bem superficial, você verá que em grande parte das vezes, não restam muitas marcas interessantes, o grosso se tratam de nomes desconhecidos ou sub-franquias que ninguém com um pouco de inteligência investiria dinheiro nelas.

O que observar numa franquia?

Ao escolher uma marca, acredito que certos cuidados devem ser observados. Em primeiro lugar, uma franquia deve ser conhecida e respeitada no setor, inclusive pelos concorrentes. Na minha opinião arriscar em uma franquia desconhecida pelo simples fato de ter um bom lay-out ou investimento inferior a média é perder a essência do franchising que é a possibilidade do microempresário ser proprietário de uma empresa conhecida. Nesse caso é mais interessante partir para uma marca própria, com custos muito inferiores.

Devemos atentar para mercados de nicho e modinhas. Muitas vezes apostar em nichos pode ser muito inteligente, normalmente esses setores possuem valor agregado maior, proporcionando um retorno maior e com menos concorrência, mas tem certos nichos que não passam de modinha.

Veja o exemplo dos Cup Cakes aqui em São Paulo: vender um bolinho de baunilha com glacê em cima por R$ 8 pode parecer muito vantajoso e talvez seja, mas até quando? Logo vem outra modinha gastronômica e os Cup Cakes diminuirão sua participação sensivelmente. Quer um exemplo onde isso já aconteceu? Os sorvetes tipo frozen yogurt pipocaram a uns 3 anos atrás, surgiram dezenas de marcas e hoje vemos muitas operações fechadas nos shoppings. Você vai investir algumas centenas de reais para obter lucro durante 2 ou 3 anos pra depois fechar ou ver seu negócio minguando dia-a-dia? Mais uma vez eu repito: “comércio que dá dinheiro é aquele que sempre deu”. 

Franquias que não possuem operação própria, que já “nasceram” como franquias não me parecem negócios inteligentes. No papel (ou no Excel) tudo é muito bonito e previsível, mas o dia-a-dia a coisa é totalmente diferente. Tem MUITA coisa que só se aprende ralando o umbigo no balcão, então não vejo sentido em alguém comprar um know how teórico. Além disso essas franquias já seriam eliminadas logo de cara pois normalmente são marcas desconhecidas.

A taxa de franquia deve ser compatível com o know how oferecido pelo franqueador. Existem franquias que cobram caríssimo, muitas vezes bem acima da média de suas concorrentes, mas entregam a operação com “a chave na mão”, ou seja, entregam a loja pronta, equipada, documentada, com funcionários treinados e estoque, basta o franqueado abrir a porta e começar a trabalhar. É um bom negócio? Depende do ponto de vista, eu acho que pode ser válido sim.

Investir numa marca que você seja, antes de mais nada, consumidor pode ser algo bem interessante. Você frequenta uma determinada cafeteria, sempre lava suas roupas na lavanderia X ou quando viaja, procura alugar carros sempre da mesma locadora é porque confia no atendimento, nos produtos e na seriedade dessas empresas, então essas empresas deveriam ter mais crédito na sua análise.

Bom, pra concluir, acho que como todo e qualquer negócio e investimento nessa vida, as franquias possuem lados ruins e bons, o risco pode ser maior ou menor, o retorno idem, então cabe ao interessado fazer uma boa pesquisa de mercado, analisar as marcas disponíveis, consultar sites como Reclameaqui para descobrir a reputação da empresa, etc. Mas não esqueça, antes de jogar suas centenas de reais na mão de alguém, veja se você realmente tem perfil para o negócio.

13 comentários:

  1. Gosto do ensinamento que vocÊ dá de "comércio bom é aquele que sempre deu grana".

    Cup cake, frozen yogurt entre outras novidades culinárias são arriscadíssimos da mesma que forma que certas lojas de bugigangas que são novidade.

    Também da franquia com operação própria e marca boa e das taxas vs custo benefício.

    E claro a porra da localização. Cara eu fico louco quando penso em abrir algo é sobre a localização, putz, localização e valor do aluguel é a diferença entra a vida e a morte!

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    1. Olá Pobreta!

      Se vc analisar, o investimento em ações tb deve seguir o mesmo princípio, arriscar em novidades quase nunca é algo sensato pra quem pensa no longo prazo.

      Localização é a chave do sucesso ou caminho pro fracasso, recentemente fui num shopping inaugurado a pouco tempo, os corredores e lojas estavam vazios em plena sexta a tarde. O cara q investiu numa loja lá deve ter muito sangue frio pra aguentar o período de consolidação do empreendimento. Por isso acho mais viável comprar um negócio andando q montar um novo, bem ou mal vc terá um histórico.

      Abraço!

      Corey

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  2. Estive a algum tempo pensando em seguir uma franquia, mas vou esperar um pouco mais, preciso de alguma segurança financeira para largar meu emprego e entrar de cabeça em algo assim.
    Você já está envolvido em alguma franquia?

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    1. Olá Zé!

      Deve-se pensar muito mesmo, qualquer negócio, franquia ou não é pior q casamento, vc entrará de cabeça numa coisa cuja saída é muito difícil. Se não tiver absoluta certeza do que deseja fazer, não faça.

      Não estou envolvido com franquia, por enquanto.

      Abraço!

      Corey

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  3. embora superficial, foi um bom texto

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  4. Olá Corey,

    uma dúvida: caso queira comprar um negócio tradicional (exemplo, estacionamento) como calculo o valor da empresa com base no faturamento da mesma?

    Abs!

    Gaúcho

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    1. http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2012/03/empreendedorismo-comprando-uma-empresa_17.html

      http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2012/04/empreendedorismo-um-pouco-mais-sobre.html

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  5. Olá Corey! Estou pensando em abrir uma franquia, estamos pagando a sala (fica em ótima localização, mas não na melhor)e depois é investir. Sem dúvida que decidir entre largar o emprego e se meter no empreendedorismo mexe um pouco. Vamos amadurecer a idéia já que a sala só estará pronta em março/2014.

    boa postagem

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    1. OLá amigo!

      Realmente essa decisão deve ser muito bem pensada, avalie seus objetivos: ganhar dinheiro? Ter uma ocupação mais tranquila? Pondere os prós e contras de cada decisão e siga em frente.

      Abraço!

      Corey

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  6. Corey, estou fortemente considerando entrar no comercio com uma franquia. Já tenho o ramo que me parece interessante, bem como o local para alugar. Me tire uma duvida : não tenho e nunca tive CNPJ. Entre dar entrada na prefeitura e obter licença, se vão quantas semanas???

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    1. Olá amigo!

      O fato de vc nunca ter tido CNPJ é facilitador já q normalmente há problemas com firmas encerradas ou transferidas, mas o tempo q o CNPJ pode sair depende de N motivos: ramo de atuação, necessidade de vistorias, prefeitura, etc. O CNPJ pode sair em questão de minutos (ex: Microempreendedor individual, ou demorar mais de ano, como acontece com restaurantes em SP).

      Abraço!

      Corey

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  7. Corey, você poderia citar alguns exemplos de como faria essa escolha.
    Um estudo de caso ou algo parecido?

    Obrigado.

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