quinta-feira, 29 de março de 2012

Empreendedorismo: comprando uma empresa em funcionamento 4ª parte : A Negociação e o Pagamento


Continuando a nossa “épica” odisseia da compra de uma empresa, agora chegou a hora de fechar negócio. Você identificou a viabilidade do negócio e decidiu fechar negócio, e agora?

Da mesma forma que eu disse no tópico sobre precificação das empresas, cada ramo comercial tem um método de negociação e pagamento, ou seja, segue uma “praxe”. Por praxe, entende-se os hábitos de determinada coisa, nesse caso, os hábitos de negociação e pagamento. Um dos exemplos clássicos disso é a negociação de padarias, com o famoso “41 dias”, ou seja, uma parcela da entrada é paga 41 dias após a compra. Por que 41 dias e não 30 ou 42? Não tenho ideia!

No geral a praxe de pagamento é uma entrada de 50% com saldo em 10 à 20 parcelas (sem juros), isso é válido para a maioria dos negócios. A entrada costuma ser facilitada, ou seja, dificilmente será paga integralmente no ato do fechamento do negócio, podendo ser dividida em 2 ou 3 vezes, a serem pagas a primeira no ato e as demais no curto prazo, normalmente em 15 e 30 dias, no máximo. Também é comum a negociação de uma carência, ou seja, um determinado período onde não são feitos pagamentos das prestações, a carência costuma ser negociada em casos que o comprador não se sinta totalmente seguro com as afirmações de faturamento ou quando o comprador assume dívidas da empresa. Reparem que mesmo com essas negociações não são feitos ajustes de preço. Aliás, isso dificilmente ocorre e quando existem, não são atrelados a nenhum índice, são acertados entre as partes no ato da compra. 

Algumas vezes é possível comprar uma empresa sem entrada. Isso é muito comum com o que chamo de “trader” de empresas. Pessoas que compram uma loja quebrada, saneiam as contas, aumentam um pouco o faturamento (sem chegar no limite) e vendem. Para esses, o negócio não é a loja e sim a venda delas, por isso maximizam os lucros vendendo sem entrada e, obviamente, cobrando por isso. O preço final costuma ser 50% maior e o prazo de pagamento às vezes é o dobro, porém a grande vantagem para o comprador é não precisar dispor de recursos para bancar a compra. Além disso, o comprador pode ter a certeza que conseguirá pagar as prestações, por mais alta que sejam, já que o vendedor sabe o poder de pagamento da empresa e não quer deixar de receber.

Como meio de pagamento, normalmente o comprador paga a entrada com cheque ou dinheiro, porém é muito fácil colocar um carro ou uma propriedade no negócio. Na época que as linhas telefônicas valiam uma fortuna era comum a negociação usando-as como parte de pagamento. As prestações são representadas pelas boas e velhas “notas promissórias”, numeradas e discriminadas no contrato de compra e venda. Mensalmente o vendedor deverá sacar uma promissória com o comprador. Dependendo da situação, é comum o vendedor pedir um fiador, o qual costuma entregar cheques ou assinar notas promissórias para lastrear as prestações. Esses cheques ou promissórias vão sendo devolvidos à medida que o comprador efetua os pagamentos. Isso pode parecer rudimentar mas ainda é a praxe.

A legislação obriga o vendedor acompanhar o comprador no primeiro mês no dia-a-dia da empresa para comprovar faturamento e passar os macetes. Na prática isso só ocorre quando o comprador não é do ramo. O comprador pode dispensar o vendedor dessa obrigação a qualquer momento assinando um termo de dispensa que deverá ser registrado e anexado ao contrato.

É muito comum que o vendedor tenha recebíveis (chamados de ativos) como vendas pré-datadas, cartão de crédito, fiado, convênios, etc. Nesse caso há duas possibilidades: o vendedor pode segurar a conta corrente da empresa, realizando periodicamente o repasse das vendas que já forem do comprador até acabarem os recebíveis ou o comprador pode assumir a conta e realizar o pagamento dos ativos do vendedor numa data posterior ao último recebimento.

Bem, por hoje é só pessoal... No próximo episódio, entenda o perigo dos primeiros dias como propriOtário.

Postagens relacionadas:
Empreendedorismo: Comprando uma empresa em funcionamento 1ª parte: A Decisão

16 comentários:

  1. Excelente Post Corey!

    Seu blog continua muito bom. Acho excepcional sua idéia de postar sobre empreendendorismo. Os posts sobre compra de empresa estão ótimos e inéditos (pelo menos para mim)

    E em relação à compra da empresa sem desembolsar nenhum valor imediato (a la kiosaky) é de fato excelente. Claro que envolve muitos riscos, mas quem não quiser correr nenhum risco de perder, nunca saberá o que é ganhar.

    Acho que podemos reforçar a corrente da I.F. não apenas pelo investimento no mercado de capital, mas sim através do empreendendorismo que no Brasil tem feito muitos milionários num prazo de tempo curto.

    Acho que todos ganham com essa nova vertente tão pouco abordada nos blogs financeiros. Até o site brasileiro do Pai rico fala mais de investimentos do que empreendendorismo (ao meu ver). Enfim, continuamos aguardando mais sobre o tema, e que todos possam crescer com os posts e comentários.

    É tão bom ver mais pessoas interessadas no tema que até dá vontade de montar um blog com o tema. vou programar meu tempo.. qm sabe...

    abraço,

    Mão Inglesa

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    1. Olá Mão Inglesa!

      Obrigado pelo incentivo. Não há dúvidas que essa alavancagem pode ser lucrativa, porém só aconselho para aqueles que possuem experiência no ramo, já que as armadilhas são muitas.

      Empreendedorismo ainda é uma mito, as pessoas pensam que é algo incrivelmente caro e complexo, quanto a complexidade eu concordo, mas os valores de investimento podem ser incrivelmente baixos ou até nulos.

      Mais uma vez eu te falo: monte o blog, vc vai ajudar e aprender muito.

      Abraço!

      Corey

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  2. Uau!!
    nunca imaginei que não se pagava de imediato a negociação, que coisa mais doida.

    Agora, nada relacionado, eu leio blogs via reader, e de todos que recebo (mais de 50) o seu é o unico que está 'emendando' palavras, dificulta um pouco a leitura, se conseguir descobrir o que é, facilita :)

    beijão

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    1. Olá Ostra!

      Meu blog no meu reader tb aparece assim, não consegui descobri o que é. Se vc tiver alguma dica, me fala, ok?

      Bom fds!

      Corey

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  3. Rapaz eu estava pensando nisso mesmo, pois e uma solucao intermediaria entre ser empregado e viver de dividendos. Ja te add. Me adicione tb. Um abraco

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    1. Olá Lord!

      É uma solução sim, mas entenda que é extremamente mais trabalhoso.

      Já vou te add.

      Abraço!

      Corey

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  4. Foda, é muito emocionante esse mundo dos negócios, eu fico até arrepiado pensando em ter o meu.

    Mas do jeito que você coloca mostrar que um mundo difícil e triste, de perigos de quebra mensais e de trabalho escravo.

    Não é possível, afinal, ter um negócio operacionalmente fácil em que possa ter pouco da presença do dono ou mesmo ele mantendo o emprego para não correr tantos riscos?

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    1. Pobretão:

      Não é fácil não, nenhum pouco, aliás, é mais trabalhoso que ser empregado, muito mais, porém pode ser viável.

      Assino em baixo do que o Mão Inglesa disse, garimpando, é possível sim ter uma empresa que "ande sozinha", ou seja, com pouco acompanhamento do dono. Basta um pouco de boa vontade.

      Abraço!

      Corey

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  5. Pobretão, se vc garimpar um bocado vai encontrar uma empresa assim. Foi o meu caso. Trabalho de terça a sexta e os demais dias(e todas as noites)trabalho nos meus outros 2 empreendimentos. Nada que sugue meu dia ou me deixe extenuado ou escravo deles. Claro q precisa de dedicação, mas estou fazendo algo que gosto e para um retorno rápido. Acho que precisa muito mais dedicação para se esperar uma independência em 20 anos com investimentos, do que empreender e esperar um retorno em 2 anos.
    Óbvio que não é fácil, mas para mim vale a pena o esforço. E se vc perguntar como achar oportunidade de conseguir um empreendimento com essas características q vc questionou eu digo, basta procurar.
    Muitas vezes dizem para mim que foi sorte eu ter encontrado uma empresa que consiga conciliar com meu trabalho. Daí eu penso que a sorte não foi eu achar e sim eu estar procurando, pois a oportunidade da empresa só apareceu de tanto eu procurar e depois de achar, acreditar em algo que todos ao redor desacreditavam tentar maneiras de torná-la real, e hoje eu estou conseguindo.
    Pense sobre isso. Às vezes as pessoas acham que ter emprego que é seguro, mas pare para ver que situação segura é ter de trabalhar para outro, sabendo que a qualquer momento pode haver um quadro de redução de funcionários, seu chefe pode não ir com sua cara, a empresa que você trabalha falir entre outros riscos que não passam por seu controle. Esse é um discurso meio do Pai Rico mas eu concordo. Só não acho correto a postura extremista de largar tudo para iniciar uma empresa. Mas conciliar os dois é uma boa..

    Mão Inglesa

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    1. Fala Mão Inglesa!

      Vc tem razão, a dedicação de viver feito um fdp pra depois de 20 anos alcançar a IF tem que ser muito maior, vale mais a pena se ferrar durante um período curto pra ter mais tempo pra aproveitar a vida.

      Normalmente as empresas que andam sozinhas são aquelas com operacional simplificado, espaço físico reduzido e poucos funcionários, correto?

      Segurança não existe, seja em emprego em empresas públicas ou mesmo concursados não estão totalmente seguros. Como dono também não é diferente., há risco e grande, mas o retorno, quando há, é muito mais expressivo.

      Abraço!

      Corey

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    2. Mão inglesa tudo bem amigo?

      Você fez eu ganhar o dia. Meu sonho é esse, conseguir manter o emprego e o negócio colocar alguém da família pra ir tocando mas que seja operacionalmente mais fácil. Assim posso até investir em mais negócios até que eu possa sair com segurança do emprego dos infernos.

      Eu acredito que eu tenho vocação pra ser empresário. Eu sou um cara muito independente, gosto de autonomia e de fazer meus horários. Se eu trabalhar pra mim, fazendo o que quero na empresa, com meus horários, mandando (gosto de mandar) acho que vai encaixar na minha personalidade.

      Valeu mesmo amigo. Quando puderem vocês 2 (corey e você) poderiam dar dicas de negócios operacionalmente fáceis. Mesmo que sejam de baixa rentabilidade pode-se abrir um monte etc.

      Forte abraço!

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    3. É Corey, você definiu encrivelmente o que eu buscquei no meu empreendimento,
      operacional simplificado, espaço físico reduzido e poucos funcionários. Bem, e como achar essa mina? Copiando dos outros claro!
      Na fase em que eu queria encontrar o meu empreendiento eu fiquei muito antenado. Todo estabelecimento comercial que eu entrava (shop, supermercado, barraca de cachorro quente, empresas de construção, carros de frete) eu tentava imaginar como funcionava a empresa, fluxo de caixa . E minha vontade de imitar ou não se resumia a pergunta: Posso fazer isso com pouco tempo e ter retorno financeiro?
      E aí vai uma dica de um iniciante q descobriu o segredo do sucesso(ou do fracasso): Sociedade. Com a sociedade você tem seu trabalho dividido por 2(ou até 4 sei lá). Dividi-se o lucro também, mas a possibilidade de crescimento com outro te ajudando (financeira e operacionalmente) diminui essa desvantagem com o tempo. Meus dois empreendimentos tenho sócios. O primeiro estou alterando o quadro societário pois um dos sócios estava tentando se dar bem em cima do meu trabalho e da oportunidade que o outro sócio deu a ele. Enfim, sua ambição de crescer virou ganância. Daí você pode até pensar: "por isso que eu não quero entrar em sociedade". Mas foi com a ajuda dele também que minha empresa dobrou de tamanho. Se fosse apenas eu, não teria as qualificações dele para fazer a parte "braçal" da empresa (eu só ficava naadministração e logística).
      E vou mais além em algo que tbm podem me criticar. Desde o início da sociedade eu percebi que em oportunidades pequenas ele já desviava uma moedinha pro bolço dele achando q ninguem estava ciente. Mas eu acompanhei tudo e até deixei, pois eu descobri que eu prefiro alguem desonesto mas com muita ambição para crescer, do que uma pessoa que voltava troco de 2 centavos, mas não tinha iniciativa para tirar uma xerox de um documento para ajudar na empresa(o caso do outro sócio). E foi aos trancos e barrancos que nossa empresa cresceu e tivemos recentemente a oportunidade de os fundirmos com outra empresa de mesmo tamanho (tirando o sócio "espertinho"), porém com um enorme aparato operacional, network invejável e nome no mercado.
      Bem, para a resposta n ficar mto grande, só vou fazer um comentario em relação à vocação p empresário. Eu concordo com sua vocação, mas lembre-se q esse é apenas o lado bom. Existem muitas chatices no mundo empreendedor, mas eu creio q tudo na vida só se tem recompensa se saírmos da zona de conforto e arcarmos com a consequencia de querer algo melhor.

      Minha dica no momento é abra seus olhos de empreendedor e tente "capitalizar" tudo. Veja tudo a sua volta como uma forma de ganhar dinheiro e pense se você conseguiria fazer igual ou melhor com o seu tempo disponível. Procure parceiros (mas analíze-os muito antes de começar a sociedade e mesmo que seja seu irmão acerte TUDO nu contrato por escrito e registrado em cartório).
      ah, proure no site estante virtual o livro empreendedor rico. ajda bastante tbm;

      abraço
      Mão Inglesa

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    4. nossa, fui reler e tem varios erros ortograficos, vai desculpando aí q to com mta praessa agora, mas acho q me fiz entender.

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    5. Fala Mão Inglesa!

      Penso como vc, copiar idéias boas é sempre um bom negócio. Fugir das idéias ruins tb é, juntar essas duas coisas então é garantia pro sucesso.

      Sou muito crítico qd entro em comércios, sempre noto os defeitos rapidamente, não tem jeito, não tem empresa perfeita, mas algumas exageram na ruindade. Sou aquele cliente que, uma vez mal atendido ou aborrecido com algo, simplesmente não volta mais. Esses são os piores já que vc não tem ffedback do que tá acontecendo. Devemos agradescer a todos os clientes que voltam pra reclamar, já que esses nos permite melhorar sempre.

      Sociedade é uma faca de 2 gumes, acredito que serve em duas situações: operacional complicado (como padarias) ou quando vc não estará o tempo todo a frente do negócio (seu caso), sendo que nesse último caso (na minha opinião) somente até decidir o que fazer com a empresa: crescer ou vender.

      Quanto à desonestidades eu concordo com vc, é melhor um rato que dê lucro acima do roubo que um cara extremamente honesto mas que tb não produz. Aliás, isso é uma coisa que o empresário deve estar preparado, inveriavelmente será "garfado" de alguma maneira, seja por sócio ou funcionário. Aliás, falando em funcionário, eu tenho o costume de pagar bem, acima da média meus funcionários de confiança (gerente, supervisor ou algo assim). Ninguém trabalha de graça e ganhando um pouco a mais as chances do cara se esforçar mais e roubar menos é maior.

      Vou procurar esse livro que vc sugeriu.

      Volte sempre e, cadê seu blog?

      Corey

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  6. Olha Pobreta voce pode abrir uma empresa de e-commerce da sua propria casa pode gerencia alias até de iPad de bolso voce pde gerenciar o estoque ficaria em sua casa...estou pensando nisso...o mais importante é ter um podera rede de contatos, vi que a magazine luiza iria abrir 10 mil loja no facebook, vc poderia escolher até 60 tipos de produtos para vende e a comissão seria entre 2% a 4% pode ser um caminho.

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    1. Olá Lord!

      Essa de e-comerce é uma boa, há vários nichos que podem ser explorados. Eu ainda entro nessa, quando identificar algo que me atraia. Essas "franquias" do magazine Luiza me parecem uma boa idéia, vc tem mais informações?

      Abraço!

      Corey

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