segunda-feira, 29 de julho de 2019

Não Pulei da Ponte

Bom dia, boa tarde, boa noite à todos, como estão? Antes de mais nada gostaria de agradecer por todas as mensagens no último post, meus leitores são fodas, fico muito contente por poder contar com vocês que me aconselharam, compartilharam suas experiências e me ajudaram na fase complicada onde estava metido. Muito obrigado mesmo, do fundo do coração! Estou aqui, não pulei da ponte Vasco da Gama.



Hoje vim aqui pra atualizar a situação, contar como as coisas correram nesses últimos dois meses desde que vim aqui todo fudido e deprimido. Na verdade não aconteceu nada de diferente, porém parece que as coisas vão se ajeitando na minha cabeça. Desde que comecei a tomar anti-depressivo me sinto bem melhor, parece que consigo pensar com um pouco mais de clareza e racionalidade, outra coisa que tem me ajudado muito são as longas caminhadas que tenho feito aqui na cidade, parece que sair andando ouvindo música ou algum vídeo (salvo em MP3 o áudio de alguns vídeos que tenho interesse e depois ouço no carro ou durante as caminhadas) me ajuda muito a colocar as ideias no lugar. Estou melhor mas longe de estar bem, grande parte do que estava sentindo na altura que escrevi aquele post ainda acontece porém em menor escala e talvez de maneira mais controlável. Não tive mais crises de ansiedade nem dores sinistras na cabeça, também (graças a Deus!) não broxei mais, rsrs. Aliás algo que venho notado é uma oscilação estranha em certos aspectos: tem dias que não consigo dormir direito mesmo tomando melatonina, outros durmo pra cacete; tem dias que estou com zero desejo sexual e em outros estou subindo pelas paredes de tesão; o mesmo acontece pra fome. Obviamente não estou 100%.

Continuo me sentindo mal e culpado por ter meus pais sozinhos no Brasil, por ter abandonado minha profissão, por ter camadas e camadas de complexidade pra resolver devido ao fato de morar no exterior. O que balanceia isso tudo é a vida tranquila e segura que tenho aqui, o business da Bia que está indo muitíssimo bem e o fato dela estar contente por morar aqui (embora esteja sendo uma
santa por me aturar chato pra caralho), porém sei que isso não é sustentável no longo prazo e que provavelmente voltaremos mesmo ao Brasil.

O que me deixou bem pra baixo nesses dois meses é a questão do meu diploma. Corri atrás, gastei dinheiro, passei raiva, mandei emails, enfim, fui atrás de resolver isso mas sem muito sucesso. Documentos da faculdade brasileira continuam dificeis de sair, informações muito desencontradas e extrema má vontade das faculdades portuguesas que podem fazer o reconhecimento. No meio do
caminho um leitor aqui do blog comentou que passou por uma experiência muito semelhante e jogou a toalha após 2 anos, pessoas em grupos de validação de diploma no exterior relatam o mesmo. Cheguei até a mandar currículos para as empresas na tentativa de conseguir um emprego na área
mesmo sem validação da licenciatura. Nada. Parar minha vida 5 anos pra "tirar o curso" novamente não me parece ser muito viável (mais abaixo). Ainda tem água rolando por baixo dessa ponte, mas está cada vez secando mais...

Nesses últimos dois meses tenho pensado muito sobre alternativas à toda essa bagunça que me enfiei e talvez a única conclusão que cheguei é que preciso de algo desafiador que coloque meu cérebro pra trabalhar. Pensei em tocar o projeto de fazer outra faculdade mas como disse acima, não acho viável por várias razões:

1- O curso superior na minha área possui processo seletivo (como se fosse um vestibular) que engloba matérias que não tive no ensino médio Brasileiro, seria necessário estudar à parte pra passar nisso, sem contar que nem o português brasileiro costuma ser aceito (não respeitam muito o
acordo ortográfico por aqui). Outra alternativa seria usar o Enem que nunca fiz e mesmo se tivesse feito não poderia usa-lo como Italiano, sendo assim teria que pagar as "propinas" (mensalidades) como brasileiro. Sem processo seletivo me resta o equivalente aos cursos técnicos que existem no Brasil onde após 4 anos eu poderia exercer função inferior, com salário também inferior.

2- Parar 4 ou 5 anos da minha vida pra no fim das contas ser um profissional estrangeiro acima de 40 anos sem experiência não me parece muito legal. Difícil saber se isso seria um problema ou não porém é algo que devo ponderar.

3- Financeiramente 4 ou 5 anos comendo minha renda passiva pra viver fará um rombo mais pra frente quando estiver velho e precisar dessa grana pra viver. Não posso jamais esquecer que Bia e eu teremos uma velhice solitária e que seremos totalmente dependentes da gente mesmo (efeito
colateral de não ter filhos).

4- No frigir dos ovos os problemas relacionados à nossos pais envelhecendo no Brasil continuaria e não pode ser mudado.

Esse número 4 também é o principal fator que me impede de tentar alternativas como mudar pra Inglaterra antes do Brexit e tentar algo novo que nem sei ao certo o que, o outro motivo é que Bia não tem a mínima vontade de aprender inglês e fica completamente surtada na ausência de sol. Assim como ela abriria mão de viver aqui em Portugal onde se adaptou bem e tem um business com
números invejaveis, eu abro mão de morar na Inglaterra por ela. Casamento é isso, dois se tornam um só.

Uma alternativa de "desafio cerebral" que tenho pensado muito nos últimos tempos é algo que quem me acompanha a mais tempo irá dizer: "Eu sabia!". Tenho pensado em empreender novamente caso retorne ao Brasil. Empreender aqui em Portugal é fora de questão porque não vejo onde nem como, também não vale a pena investir no negócio da Bia porque é algo bem atípico e que não vira melhor com mais investimento. Por outro lado empreender no Brasil ainda pode ser uma boa ideia, ainda mais fazendo de maneira racional e com pensamento no longo prazo. Basicamente minha ideia seria trabalhar mais um tempo na minha área, sugar o máximo de conhecimento possível e empreender em algo relacionado com foco no longo prazo. Se antes eu empreendi para ganhar no "trade" das lojas, hoje penso em ter um negócio para a vida. Algo pequeno, que não exija muito de mim, que permita longas ausências mas que ao mesmo tempo tenha minha cara. Um projeto de vida mesmo, algo como nunca fiz antes.

Estou lendo um livro muito interessante e que tem me ajudado bastante na formatação dessa ideia, chama-se "Company of One: Why Staying Small Is the Next Big Thing for Business", o título é auto-
explicativo e tem tudo a ver com minha filosofia de vida minimalista. Farei um resumo aqui no blog quando terminar de ler, até para meu próprio estudo posterior. (uma série de posts sobre um novo negócio seria do caralho, não?). Tenho estudado bastante sobre estoicismo (sugestão de alguém aqui no blog) e tem me ajudado muito.

Então é isso, provavelmente voltarei ao Brasil, não tenho um prazo certo mas o que penso é insistir no lance do diploma até o fim do ano, se um milagre acontecer e conseguir trabalhar na área seria legal devido à experiência diferente, mas já não penso como algo pro resto da vida, já não acho que ficaremos aqui por muito tempo. De qualquer maneira estou juntando uma grana no Brasil para me reestabelecer e enquanto isso vou tocando por aqui, aproveitando o que Portugal me oferece. Esses dias Bia e eu fizemos uma viagenzinha de verão e foi gostoso pra desbaratinar a cabeça mas não fiquei com vontade de viajar mais, conhecer mais, sei lá... as coisas mudam.

Mais uma vez agradeço à todos que me ajudaram e fiquem a vontade pra comentar, fazer críticas e sugestões. Abraço!

domingo, 26 de maio de 2019

Um Ano em Portugal, e Aí?

Toc, toc, toc, tem alguém aí? Voltei pra tirar as teias de aranha do blog, acho que nunca fiquei tanto tempo sem escrever, hoje vou falar um pouco de como vai minha vida após um ano que saí do Brasil (na verdade já faz mais de um ano, mas você entendeu, né?). Aviso que esse texto será longo e chato, sinta-se a vontade pra sair agora.

Poderia muito bem vir aqui e dizer o que todos esperam: morar no exterior é uma maravilha, não tenho a mínima vontade de voltar para o Brasil, que minha vida aqui em terras lusitanas vai de vento em popa... mas não, isso não seria verdade. A verdade nua e crua é que minha vida se tornou um verdadeiro caos nesse último ano, mudar para Portugal foi uma decisão acertada da qual provavelmente jamais me arrependerei mas isso não quer dizer que foi a melhor coisa a ser feita e principalmente, o timing não me parece nem um pouco acertado.



Vou começar pelos sintomas e depois vou falar um pouco das causas. Embora esteja magro, com um corpo legal que jamais tive, minha saúde está um lixo. Estou tomando remédios para a pressão, antidepressivos e de vez em quando remédio pra dormir. Tenho hipertensos na família e não é a primeira vez que tenho que confrontar isso, no Brasil, na época que tinha as lojas cheguei a parar no hospital com a pressão na puta que pariu e começo de infarto, aqui não chegou a tanto, mas dores de cabeça matinais me despertaram pra esse velho problema. Quanto ao antidepressivo foi meio uma decisão minha ao perceber que não andava nem um pouco bem do ponto de vista psicológico, cheguei ao ponto de ter até pensamentos suicidas (estou expondo isso aqui porque acredito ser algo muito sério e que se alguém está passando pelo mesmo deve procurar ajuda imediatamente), conversei com um amigo médico brasileiro que me orientou nesse sentido. Meu sono sempre foi bagunçado mas desde que mudei pra cá é difícil uma noite que consigo dormir sem ao menos tomar uma melatonina, sendo que por vezes é necessário tomar algo mais forte. Outro problema de saúde importantíssimo que comecei a ter foram problemas sexuais, andei a brochar mais que o normal para minha idade e quem é homem sabe que isso é mais assustador que perder um braço. Tudo isso está sendo controlado com medicação mas isso não me deixa nenhum pouco feliz. A hipertensão eu sei que é algo que convevirei pro resto da vida, mas o resto não.

O que está causando tudo isso? Difícil responder de forma objetiva, acredito que é uma somatória de fatores relacionados à mudança para Portugal. Mudar muda você, faz exacerbar problemas, te dá uma alta dose de auto-conhecimento que chega a ser assustador. Ao mudar de país você se dá conta dos seus limites, do que te traz segurança e o que destroi sua mente. Isso me atingiu como um golpe do Balboa. A vida em Portugal é maravilhosa, vivo numa cidade linda, tranquila e segura, as pessoas são amigáveis, a comida é boa, o custo de vida acessível... o que mais eu quero pra vida? Muita coisa...

Hoje estou mais próximo dos 40 anos que dos 30 e começo a me dar conta do que realmente tem valor e importa na minha vida e entre elas está o trabalho. O trabalho que nós aqui na blogosfera tentamos excluir de nossas vidas a qualquer preço através do tal FIRE (Financial Independence, Retire Early), o trabalho que todos nós usamos como alavanca tão somente para a sonhada independência financeira é o mesmo trabalho que nos faz gente e muitas vezes não nos damos conta disso. A velha frase "o trabalho dignifica o homem" é talvez o ditado mais simples e objetivo de todos. O fator trabalho é talvez o que está destruindo minha vida.

Um breve histórico da minha vida profissional: vim de uma família classe média baixa, onde meu pai sempre viveu de rolos e considerou como fracassado toda e qualquer pessoa que trabalhasse pra outra pessoa, na cabeça dele você só é gente se for "seu próprio patrão", mesmo que isso signifique ter 465 altos e baixos durante a vida colocando sua família em stress constantemente. Minha mãe tem curso superior mas nunca exerceu direito a profissão por preguiça mesmo. Aos 16 anos eu comecei a trabalhar de verdade, com carteira assinada e tudo (até então tinha feito alguns bicos), aos 19 já era gerente. Aos 21 comprei uma loja e entrei na faculdade, a ideia era trabalhar naquilo que estava estudando logo após concluir a faculdade, momento esse que venderia a loja. Ter a loja era bom por dois lados: eu não seria "fracassado" enquanto estivesse na faculdade, além de ganhar um bom dinheiro. Dinheiro esse que me manteve como empreendedor durante mais de uma década me impedindo de trabalhar na área de formação que tanto gostei. Quando chutei o pau e deixei de ser empreendedor fui trabalhar na área de formação e rapidamente de adaptei a tal ponto de conseguir promoções rápidas e ser reconhecido no ambiente de trabalho como um profissional de grande qualificação. 3 anos nessa vida, passei o facão e vim morar em Portugal onde tenho um trabalho que não agrega em nada a minha vida e a vida das outras pessoas. Entende de onde vem a depressão relacionada à vida profissional?

Durante os anos de empreendedor eu não gostava do que fazia (basta ler os posts antigos do blog e perceberá) porém aquilo ocupava minha cabeça, me desafiava todos os dias e principalmente, me trazia dinheiro. Esse dinheiro das lojas me proporcionou a independência financeira e a possibilidade de me aposentar com menos de 35 anos de idade, mas também me proporcionou a segurança suficiente para que eu me aventurasse na minha área de formação e foi isso que fiz. Essa mesma independência financeira me proporcionou a maravilhosa chance de morar no exterior legalmente e sem grandes preocupações com relação à grana. E isso fodeu tudo!

FIRE

Eu sei, eu sei, se você que está lendo é uma pessoa endividada ou tem seus 50k investidos e pensa todos os dias em parar de trabalhar provavelmente vai discordar de mim mas a verdade é que o trabalho não é tão ruim quanto parece ao mesmo tempo que se aposentar cedo é muito mais perigoso que comer traveco sem camisinha. Vou repetir mais uma frase mela cueca: "encontre um trabalho que você ame e nunca mais terá que trabalhar um dia na vida", essa frase não pode ser levada ao pé da letra mas não pode ser ignorada.

Se você tem 30, 40 ou 50 anos e pensa em se aposentar, pense novamente. Isso vai destruir sua vida. Ao invés disso é muito melhor achar um trabalho que lhe traga certo prazer e bem estar, uma rotina tolerável e uma grana razoável. Difícil? Não sei, depende de você, mas pra mim isso foi extremamente fácil... no Brasil. Veja como estava no Brasil e agora em Portugal:


  • Trabalhava na minha área de formação, tinha uma rotina meio fodida porque isso é intrínseco da profissão, todos os dias me sentia realizado por realizar meu trabalho, aquilo me fazia bem. Conversava com muitas pessoas todos os dias, ou seja, tinha uma socialização bacana o que é importante para alguém introspectivo e tímido como eu. Ganhava meus R$ 5.000,00 o que pode não parecer muito dinheiro mas é mais que suficiente para o estilo de vida que Bia e eu temos. Resumindo: o trabalho era legal, a rotina tolerável, o dinheiro razoável a ponto de não precisar usar renda passiva. (lembrando que Bia também trabalhava e o household income era coisa de R$ 8.000,00 à R$ 10.000,00 mensais).
  • Em Portugal a rotina é ótima, tenho folga pra caramba, o trabalho não exige absolutamente nada de mim além de certo preparo físico, o dinheiro é ok porém me sinto um robô humano que chega pra trabalhar, bate o dedo, trabalha, bate o dedo e vai pra casa sem aprender ou ensinar absolutamente nada.
Você deve estar pensado: Corey, você tá com frescura, esse negócio de realização pessoal é viadagem, o importante é dinheiro no bolso. Concordo em partes porém sou daqueles bobões que ainda acreditam que devemos fazer algo bom pra sociedade.

Você também me questionaria: Caralho Corey, se trabalhar na sua área é tão importante pra você, por que não corre atrás de fazer isso aí em Portugal? A resposta é que não é tão simples quanto parece, basicamente são necessários 3 anos de estudos além de uma enxorrada de papelada que está bem difícil de conseguir. Resumindo: possível porém inviável.

Mais uma questão que você me faz: Porra Corey, você tem independência financeira, vai viajar o mundo, esquece isso de carteira assinada. Resposta: tanto pra mim quanto pra Bia viajar tem perdido a graça! As cidades européias parecem todas iguais, o planejamento de viagem parece cansativo demais perante o benefício (lembrando que vivemos numa cidade 150km longe do aeroporto mais próximo e temos um cachorro que não temos onde deixar, então a alternativa mais viável pe viajar de carro). Lembra que falei de auto-conhecimento no começo do texto? Pois é, aqui vai um exemplo: descobrimos que nosso estilo de viagem é bem simples: cruzeiro ou Orlando (taquem as pedras).

Bia e eu somos simplões, ela vem de uma origem ainda mais humilde que a minha. Já fizemos muitas coisas diferentes na vida, inclusive provar coisas mais sofisticadas mas quer saber, nossa felicidade está mesmo nas coisas simples. Ter uma rotina de trabalho, dinheiro suficiente pra ir no restaurante e comer o que temos vontade, um carro simples e confortável são coisas que valorizamos mais que viagens luxuosas, casa enorme e cacarecos de "gente rica".

Adendo: Bia, minha esposa, se adaptou muito melhor porque ela tem um perfil profissional menos intelectual e acabou trabalhando aqui com a mesma coisa que fazia no Brasil, além disso ela é uma pessoa extrovertida o que facilita muito a adaptação em qualquer lugar.

Voltando aos problemas que surgiram pela mudança para Portugal. O principal é relacionado ao trabalho, não me sinto nenhum pouco realizado, sei que tenho muita lenha pra queimar antes de parar de trabalhar e me sinto muito subutilizado mas além disso há outras coisas que pegam:
  • Família: bem ou mal Bia e eu temos nossos pais no Brasil. Por pior que seja minha relação com eles eu sei que devo honra-los e tomar a responsabilidade de ajuda-los na velhice. Acredito que do ponto de vista financeiro não será necessário ajuda, mas de resto sinto-me mal por não estar presente. Isso é algo que me martela a cabeça todos os dias. Mais uma vez, o auto-aprendizado.
  • "Amigos": coloco entre parentes porque não temos amigos de verdade mas temos uma rede de gente conhecida e querida da qual sentimos falta. No meu caso são quase todas pessoas relacionadas ao trabalho onde piadas internas são engraçadas e onde conhecimento técnico é trocado. Sinto falta.
  • Tranquilo até demais: Brasil é caótico, isso não é novidade, ainda mais pra quem é de Sampa como eu, mas quer saber, o sossego demasiado que temos aqui chega à irritar. Porra, moro numa cidade até que grande, estruturada e às 15h é impossível almoçar, simplesmente não existem restaurantes abertos a não ser no shopping. Pra ir numa balada tenho que dirigir 95km e mesmo assim é uma balada caída pra caralho.
  • Complexidade: morar no exterior traz muita complexidade. Exemplo 1: precisei de um documento brasileiro, pra conseguir esse documento fiz um requerimento on-line, ok até aqui, porém pra retirar esse documento foi necessário alguém com uma autorização à próprio punho, enviei essa autorização via correio, a pessoa foi lá e buscou o documento. Paguei R$ 250 para enviar esse papel para Portugal, chegando aqui, o papel não era suficiente, deve ser refeito, aí volto à estaca zero. Exemplo 2: Tenho uma conta do Itaú que é necessário desbloquear um itoken pelo caixa eletrônico toda vez que o App é reinstalado ou por vezes até quando é atualizado, acontece que não há caixa do Itaú aqui e o banco não está preparado para lidar com cliente que moram no exterior, a única maneira de desbloquear saporra é fazer uma reclamação forma no ReclameAqui ou no Procon. Ok, não uso mais o Itaú e sim o Inter que é mais simples, mas deu pra entender como a complexidade aparece...
  • Eurizar ou não. Moro na Europa, meus investimentos estão no Brasil. Trago dinheiro para a Europa pagando câmbio cada dia pior e invisto em ativos europeus que possuem rendimentos que mais parecem piada e risco duvidoso ou mantenho no Brasil onde temos bons rendimentos e onde o rendimento dos investimentos é mais que suficiente pra me dar um padrão de vida legal? Pulverizo entre as duas opções e não ganho nem a rentabilidade brasileira nem a proteção do Euro? Complicado isso... penso em efetivamente usar o dinheiro dos meus investimentos quando me aposentar de verdade mas e até lá, o que fazer? E onde estarei na aposentadoria? Como estará o câmbio? Punk!
Mano, morar fora é fácil pra quem tem 20 e poucos anos, tá perdido no Brasil, sem saber pra onde ir, o que fazer, está desempregado porque cursou ciências sociais ou turismo, não tem um Real no bolso. Agora pra quem já tem quase 40, tem uma situação financeira muito confortável no Brasil, boa empregabilidade, possibilidade de trabalhar com algo que gosta o buraco é mais em baixo.

Vir pra Europa me proporcionou coisas maravilhosas e como já disse, provavelmente não me arrependerei, mais coisas aconteceram nesse último ano que em mais de uma década no Brasil, entre elas foi a quebra de certos paradigmas que até então cultuavam minha cabeça:
  • FIRE: aposentadoria precoce não é pra mim. Trabalhar em algo mais fácil só pra ter uma ocupação também não é pra mim. Se dedicar à hobbies também não é pra mim. Gosto de ter um trabalho de verdade, de no fim do dia pôr a cabeça no travesseiro e ter a certeza que fiz coisas úteis para a humanidade através do meu conhecimento e meu trabalho. Marcenaria é legal, mas fazer banquinho e mesinha não vai me trazer grandes benefícios.
  • Independência financeira como um destino: ter independência financeira é lindo e digo pra qualquer um que esse objetivo deve ser atingido por todos, saber que você não depende do trabalho para comer é libertador, entretanto IF não é um fim e sim uma ferramenta de melhora de qualidade de vida. 
  • Morar na Europa é muito melhor que no Brasil. Mentira! Isso pode ou não ser verdade mas o fato é que morar no exterior é o novo símbolo de status da classe média brasileira e eu caí nisso! Justo eu que sempre me gabei por não seguir normas sociais caí na armadilha mais cara e perigosa da sociedade onde estou inserido
No fim das contas a única coisa incontestávelmente positiva que há em morar em Portugal é a segurança. Isso é indiscutível e talvez o único fator que ainda me segure por aqui. Acho que se eu voltar ao Brasil terei alguns problemas de adaptação em relação à isso mas no fim das contas, toda minha família e rede de conhecidos tá no Brasil se desviando das balas perdidas. 

O resumo da ópera é que não sei exatamente qual rumo tomarei, existe a grande possibilidade de retornar ao Brasil mas ainda não tenho nada decidido. Bia e eu estamos conversando muito mas ainda está difícil ver o que é mais certo a fazer. Agredeço muito qualquer comentário que me ajude a abrir os olhos para a decisão certa, a opinião de quem está de fora é sempre importante.

Acho que passou da hora de finalizar isso, peço desculpas pelo texto meio mal feito e sem nexo mas hoje senti uma necessidade imensa de organizar meus pensamentos, por isso achei que escrever aqui poderia ser legal... e realmente foi, agradeço pela compreensão de todos e deixo aqui algumas frases nas quais tenho pensado muito:

"Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom." (Tom Jobim)
"At the end of the day, you are who you are" (não sei onde ouvi isso)

Deixo também um vídeo cujo tema tenho pensado muito: Zona de Conforto. Será que é tão ruim assim viver dentro de uma zona de conforto e não "sair da caixa"?



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Meu Plano de Emagrecimento

Então, como é que é? Bem dispostos? (típica saudação portuguesa, o objetivo era ser engraçado mas acho que não rolou). Só agora me dei conta que não escrevi porra nenhuma esse ano, porra. 2019 mal começou e já está acelerado.

Ando sem assunto, a vida vai bem, obrigado, porém tranquila até demais. Estou numa rotina saudável o que significa equilíbrio entre trabalho, dinheiro e vida pessoal. Diria que é um dos melhores momentos da minha vida, mesmo com várias coisas rolando dentro da minha caxola (foda, não tem jeito, sou um cara muito pensador mesmo, rsrs).

Não tenho muito o que falar, parei de fazer a divulgação das despesas mensais e dos investimentos porque tudo anda na mesma, sem grandes alterações, logo acho sem graça ficar postando fechamento. A única grande novidade que tenho para compartilhar é o assunto do post de hoje: meu plano de emagrecimento e como perdi 10% do peso de 1 de janeiro até hoje (cerca de 50 dias).

Acho que cheguei a comentar que estava acima do peso devido à despirocada que dei na comida desde que cheguei em Portugal. Ano passado foi uma verdadeira orgia alimentar, comi tudo o que tinha direito em quantidades pornográficas e como "tudo o que tinha direito" traduz-se como tudo o que leva grande quantidades de açúcar, farinhas e gorduras, o resultado não podia ser outro: banha pra caralho acumulada na pança de "imperial" (ou "fino" se você estiver no norte de Portugal ou "chopp" se estiver no Brasil mesmo). Calculo que essa foi a terceira vez na vida adulta que fiquei gordo dessa maneira, atingi inclusive recorde histórico de peso (0,5 Kg a mais da última vez). Óbvio que não estava satisfeito com isso entretanto fora algo que fiz com uma certa consciência, sabia que estava comendo descontroladamente e que em breve devia parar. E parei. Ao voltar do reveillon iniciei minha dieta, aliás, meu plano de emagrecimento.

Acredito que sou uma pessoa sortuda porque normalmente não tenho grande dificuldade para perder peso, lembro que em outras duas ocasiões consegui chegar ao peso ideal, mas o que aconteceu dessa vez foi um tanto diferente. Na minha cabeça eu ia fracassar imensamente nesse projeto emagracimento, primeiro porque já estou mais velho e reza a lenda que quanto mais velho, mais difícil perder peso, e em segundo porque dessa vez não faria uso de nenhum suplemento para agilizar o emgragrecimento. Das outras vezes utilizei suplementos naturebas e mais precisamente em 2016 usei um composto gringo que meu médico me indicou, caro pra caralho, com alguns efeitos colaterais sinistros porém eficaz (basicamente é uma mistura de antidrepessivo e uma substância usada para tratar viciados em álcool e drogas (açúcar é droga)). Dessa vez ia ser na raça, careta mesmo. Surpreendentemente tive uma perda de peso muito rápida, 4 quilos na primeira semana.

Mas Corey, qual sua super dieta? Keto, low-carb, da lua, do sol, da pqp? Sinto dizer mas o que faço pra emagrecer é estremamente simples e óbvio: como menos calorias que preciso, queimo mais calorias do que preciso. MInha abordagem é basicamente o que o Izzy Nobre diz nesse vídeo:


Meu plano alimentar se resume à: 
1- Comer até 1800 Kcal por dia
2- Caminhar ao menos 1h:30mim por dia

A matemática é extremamente simples e inversamente proporcional ao que, nós da comunidade de finanças, costuma fazer. Nós procuramos gastar menos que ganhamos e investir o restante para fazer o bolo crescer. Para emagrecer eu gasto mais que ganho e caminho para fazer o bolo diminuir. Simples.

E acredite, eu continuo comendo praticamente as mesmas coisas de sempre, até porque sou o que os gringos costumam chamar de "picky eater", ou no poruguês claro: "fresco pra comer". Tenho restrições alimentares que só outro idiota como eu consegue entender. Há certas comidas que meu cérebro simplesmente não entende como comida e é impossível que eu coloque na boca: todas as verduras (não sou cavalo pra comer capim), todos os legumes (exceto batata e quase sempre cenoura), comidas cruas em geral, comidas frias, molhos como ketchup e mostarda (barbecue ok), cebola (exceto onion rings e blooming onion), muitas frutas, ovo quando preparado isoladamente, etc. Ok, me julguem, já estou acostumado.

Minha dieta basicamente se resume à:

CAFÉ DA MANHÃ: bolacha maria, pão (integral até desce, mas não todos os dias), geléia de morango, manteiga de amendoim (manteiga e margarina nem pensar, não sou motor velho pra queimar óleo), chá, leite semi-desnatado, achocolatado, café solúvel

ALMOÇO: arroz (branco, porque não sou cachorro pra comer integral), feijão (sou brasileiro, porra!), batata de qualquer maneira (batata é vida, mas batata doce é ruim pra caralho, vamos combinar), macarrão com molho vermelho ou alho e óleo (pesto e carbonara jamais), polenta (sangue italiano é foda) e de proteínas alcatra grelhado, peito de frango de qualquer jeito (a proteína que comeria todos os dias se possível), carne de porco grelhada, peixe (pescada) grelhado ou empanado (fritura de imersão de vez em quando não mata ninguém).

JANTAR: se almoço, não janto. Se janto, não almoço.

LANCHES: banana, maçã, melão, pêssego, pão, queijo, frios (presunto (fiambre em PT-PT), salame, salsichão (chourição em PT-PT), presunto parma (presunto em PT-PT).

SOBREMESAS: bolacha recheada, chocolate ao leite (porque chocolate dark é igual cerveja sem álcool e trepar com camisinha) e basicamente o que estiver disponível.

NOTAS:
  • Não estou bebendo álcool além de uma garrafa de vinho por semana dividida com a Bia
  • Além desse vinho e de leite bebo somente café sem açúcar e água
  • Ok, bebi Coca Zero duas vezes no cinema
  • Me peso uma vez por semana, pelado, ao acordar
  • Bia está me acompanhando no plano de reeducação alimentar e embora tenha resultados mais discretos (4% de perda de peso desde o começo do ano), está feliz
  • Utilizo uma balança e peso todos os alimentos antes de consumir
Instrumento extremamente útil para qualquer pessoa que quer emagrecer
Porra, todos nós sabemos que para se ter controle sobre qualquer coisa é necessário ter dados, fazer medidas e estimativas. Todos nós nos gabamos de seguir orçamentos, de fazer planilhas fodidas para controlar nosso dinheiro mas quantos sabemos a quantidade de comida que ingerimos diariamente? É óbvio, mas devemos controlar isso sim.

Ok, as vezes enche o saco ter que pesar a comida mas quase sempre acho uma tarefa até divertida e obviamente não o faço quando vou à um restaurante, porém quandoi você começa a pesar, logo já tem uma base de quanto está comendo. 

Tenho uma média de quanto devo comer de cada alimento e sigo isso bem à risca, com pouca variação. Ok, mas o que fazer com esses dados? 
  • Uso um app de dieta. De nada adianta saber que como 200g de proteína no almoço se esse número ficar jogado. Para ter um controle, utilizo um app chamado Vitamenu. Não sei até que ponto saporra é precisa mas o importante é que me ajuda à traquear a quantidade de calorias ingeridas e acompanhar o peso. É somente isso que preciso dele e me serve muito bem (paga nois Vitamenu)
  • Outro App que utilizo é um pedômetro. É bem simples, fica ativo 24h por dia e mede meus passos (infomação totalmente inútil, para que serve saber a quantidade de passos?), o tempo e os Km andados (essas sim, infomações relevantes). Tenho feito caminhada em ritmo forte durante uma hora sem parar pelo menos 4 vezes na semana (incluindo domingo, em baixo de uma "semi-neve" e -1ºC, raça pra carai, fala a verdade...) e durante meu trabalho dá mais uns 40 a 60 minutos por dia, o que considero caminhada leve porque normalmente eu mais me movimento do que ando).

Tenho caminhado entre 35 e 50km por semana, o que considero um bom número e principal: está surtindo efeito.
  • Quando disse que estou comendo de tudo não é mentira, a grande sacada é a quantidade. Por exemplo, aqui em Portugal tem o que costumo chamar de "bolacha do demônio", porque você come uma e o demônio te faz comer o resto do pacote. Estou controlado e consigo comer apenas 2 após o almoço, essa quantidade é o suficiente para matar a vontade de açúcar e não compromete minha dieta, sendo algo sustentável no longo prazo.
Foda-se, bolacha bué boa, opá!
  • No geral não tem sido difícil manter a dieta, um ou outro dia dá vontade de comer mais um pouco ou algo diferente, o que faço? Como mesmo, foda-se. Considero um "momento do lixo", porque não faço "dia do lixo"
  • Aos fins de semana Bia e eu temos feito comidinhas mais elaboradas incluindo gordices e foda-se, como do mesmo jeito, porém em porções menores que minha vontade
  • Cago e ando para o tal "coma de 3 em 3 horas". Como somente quando tenho fome, se não tenho fome, não como, simples assim.
A sustentabilidade é a grande sacada da parada. Poderia fazer uma dieta low-carb e hiper-proteica? Poderia, mas quanto tempo isso seria sustentável? Estou disposto à abrir mão completamente de açúcar e amido podrão pra me manter no peso? A resposta é não! Comida gostosa tem um peso enorme na minha qualidade de vida, então me resta apenas equilibrar a quantidade para que eu consiga comer tudo o que gosto.

Outro aspecto em relação à sustentabilidade do plano de emagrecimento é o exercício. Poderia ir pra academia, obter ganho de massa muscular, tonificar e definir os músculos? Claro que sim, e talvez eu até faça isso num segundo momento, porém no dia de hoje 1h, 4x por semana de caminhada intensa, ouvindo podcasts e andando pelas lindas ruas da minha cidade me proporcionam um bem estar incrível e resultados no que efetivamente quero: me manter magro e sem buxada.

Ah, pra não dizer que estou 100% careta, continuo tomando alguns suplementos que costumo tomar e que estão me ajudando muito:

TRIBULUS TERRESTRIS

De vez em quando faço um "ciclo" dessa porra, acredito que dessa vez está ajudando no emagrecimento por elevar os níveis de testosterona o que sabemos ser algo que ajuda homens a se manterem magros. Outra coisa que contribui positivamente pra testo é a diminuição da ingestão de amido podrão e de derivados de soja. Como "efeito colateral" ando bem mais bem disposto, o pau mais duro e com mais força física no trabalho.

Tenho comprado desse, pelo E-bay, baratinho e bom, vem da Tailândia

ERVA DE SÃO JOÃO

Recomendação do meu amigo médico, essa erva tem ação anti-depressiva, faz a sopa de neurotransmissores funcionar de maneira mais positiva deixando o cabra menos triste e mais positivo em relação às merdas da vida. 

Também compro pelo E-bay, vem dos
EUA, por isso não é tão baratinho

POLIVITAMÍNICO

Vitaminas podem não servir de nada mas pelo menos psicologicamente me engano que são "saladas em compimidos". Sempre fiz uso disso e gosto bastante, não tenho efeitos colaterais aparentes.

Quase de graça, custou mais caro o frete dos EUA pra
Portugal que o produto em si. Vende no Cotsco.


ATENÇÃO: não estou recomendando nada, apenas estou relatando minha experiência, ok?

Ainda faltam alguns quilinhos pra chegar na meta mas já me sinto mais disposto, mais forte e de bem com meu corpo. Acredito que não terei grandes problemas em manter o peso no longo prazo porque não faço nada radical. Então é isso por hoje, e você satisfeito com o bucho? Abraço à todos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Receitas e Despesas Dezembro/2018 + Investimentos + Vida Pessoal

Receitas e Despesas
Ano novo, vida nova, presidente novo... Puta que pariu, confesso que chorei no discurso de posse, discurso da primeira dama em Libras, beijo do casal em plena tribuna, presidente falando em Deus, fim do politicamente correto e da inversão de valores que a sociedade brasileira passa... Foi de arrepiar! Estou cheio de esperança que o Brasil ao menos pare de piorar, principalmente no que diz respeito à segurança pública.

Dezembro foi novamente um mês atípico em relação às despesas, fizemos algumas viagens o que acabou encarecendo muito esse ítem, novamente fechamos "no vermelho" porque as despesas ultrapassaram muito as receitas, coisa que foi totalmente prevista. Meu ordenado diminuiu devido às férias, período no qual não recebo o subsídio alimentação e por não ter feito horas extras. A tendência é que meu ordenado aumente uma merreca nos próximos meses porque houve aumento no salário mínimo português, a empresa reajusta os salários todo janeiro (diretor avisou que vai ser acima da inflação, 1,5% ao ano, rsrs!) e estou pra receber uma promoção. Nada mal. Bia encontra-se desempregada e provavelmente irá continuar assim nos próximos meses. Muito bom ter esposa em casa, comidinha fresca todos os dias, casa arrumada... Aqui em casa essas tarefas sempre foram divididas ou aquele que tem mais tempo é quem faz, como ela não está trabalhando (somente fazendo os extras de sempre), fica encarregada disso.

Investimentos

Como sempre sem muitas novidades. A única coisa que fiz diferente do piloto automático foi transferir R$ 10.000,00 (€ 2.224,00) porque estou com ideia de comprar um segundo carro. Embora o inverno ainda não disse para o que veio (médias agradabilicimas de 10ºC), quando o frio e chuva chegarem pra valer será complicado ficar com um carro só, embora Bia não esteja trabalhando, tem que fazer deslocamentos para seus extras e como o transporte público na minha zona é praticamente inexistente, quando está muito frio ou chuva fica complicado sem carro e uso o carro todos os dias para ir ao trabalho ou para encontrar com minha turma da carona. Então provavelmente deixaremos o pau véio atual com ela e comprarei um carrinho melhor pra mim (até € 5.000,00), pretendo financiar a diferença como ferramenta de criação de crédito.

Vida Pessoal

Bia e eu tivemos conversas durante o mês para planejar 2019, decidimos levar esse ano bem a sério e fizemos boas resoluções de ano novo, as quais pretendo compartilhar até semana que vem junto com o fechamento anual de 2018. Spoiler: vamos viajar menos, comer melhor, nos exercitar mais, perder peso e gastar menos dinheiro. Aguardem...

A bad da imigração bate de vez em quando, mas tem passado rapidamente, sem grandes prejuízos psicológicos, no geral a adaptação segue forte e cada dia que passa vejo que meu lugar, ao menos por enquanto, é por aqui mesmo.

É isso por enquanto, bom 2019 a todos!

domingo, 2 de dezembro de 2018

Receitas e Despesas Novembro/2018 + Investimentos + Vida Pessoal

Bom dezembro à todos!!! Como estão? Ansiosos para ter um novo presidente?

Novembro foi um mês meio complicado pra mim, aliás, todo novembro é assim, sempre tenho até medo do que possa acontecer e por isso mesmo acaba sempre rolando umas coisas sinistras na minha vida. Mas antes de mais nada vamos aos números...

Receitas e Despesas


Novembro foi um mês atribulado, principalmente em relação à saúde. Todos em casa ficaram doentes, destaque para as despesas com veterinário que ficou altíssima porque além de doente e precisar de diversos exames além de uma visita do vet à domicílio, o cachorro também precisou de rações especiais. Mais uma vez repito: pense 1 milhão de vezes antes de arrumar um pet. Bia teve problemas gástricos graves o que requeriu uma visita de emergência ao hospital, resumidamente o serviço de saúde pública português é satisfatório, ela ficou umas 8 horas no hospital porém foi medicada logo que chegou, o tempo de demora foi para obter o resultados dos exames e um diagnóstico definitivo. Pelo menos o médico não disse que era virose e mandou pra casa... Ela saiu de lá até com o nome da bactéria que tinha pêgo, pagou € 23,75 pela consulta, todos os exames e medicação que tomou no hospital.. Quase todos os remédios que ela precisou foram subsidiados, inclusive um antibiótico que ela chegou a pagar quase R$ 100,00 no Brasil, aqui saiu por € 1,78. Embora tenha pêgo a mesma bactéria que a Bia não cheguei a ficar tão ruim e não foi preciso recorrer à emergência, o médico da empresa me examinou, receitou medicamentos que ele mesmo tinha de amostra grátis (não paguei nada) e me deu 5 dias de baixa em casa, custo zero. Agora Bia e eu estamos bem, o cachorro nem tanto mas se recuperando.

Decidimos tirar o escorpião do bolso e investir um pouco no nosso conforto, compramos alguns móveis e tranqueiras pra casa, por isso os € 450,01 nessa categoria. Embora já tenha pêgo frio de 5ºC ainda não comprei nenhuma roupa de inverno pra mim além de uma pantufa, as do Brasil estão dando conta por enquanto. Bia comprou algumas com a "mesada" dela (categoria outros). Esperamos um aumento na conta de luz e gás devido ao uso do ar condicionado e aquecedor de água, porque ninguém merece lavar louça no inverno usando água gelada. Sempre fui amante de calor porém esses dias de outono onde a temperatura não passa de 15ºC estão deliciosos. As coisas mudam...

Recebi esse mês o proporcional do subsídio de natal (13º) e o de férias, Bia já o recebia em duodécimos então não houve aumento no valor, muito pelo contrário, o contrato dela terminou e decidiu não renova-lo (devido à diversos motivos), então houve uma queda no valor recebido por ela. Ano que vem procurará outra coisa, sem stress.

Investimentos

Mesma coisa do mês passado, sem novidades. Entretanto a ideia de comprar um imóvel aqui em Portugal tem voltado à minha cabeça. Mesmo se me mudar do país isso pode continuar a ser um bom negócio. Vamos dar tempo ao tempo.

Vida Pessoal

Como disse, esse mês foi tenso principalmente em relação ao fator saúde, mas também houve outras coisas que não vem ao caso agora. Tudo é uma questão de ter paciência, coisa que nunca tive muita mas agora estou sendo obrigado a aprender a ter. Novembro é um mês complicado e dezembro também costuma ser porque não tenho muito saco pra essa época de festas, vamos ver como será aqui em Portugal.

Falando em Portugal, estou novamente de bem com a imigração, acho que a bad que bateu dois meses atrás foi embora e a vontade de voltar ao Brasil diminuiu muito. Estou mais de boa com isso. No trabalho tudo continua bem, estou cada dia mais entrosado com os colegas de trabalho, mais adaptado às minhas funções, etc. Mais uma vez a tal paciência tem se mostrado o melhor remédio.

Mês passado recebi um comentário muito pertinente o qual gostaria de dar uma breve resposta aqui nesse post:
Corey, a pergunta é realmente por curiosidade e não tenho o intuito de te ofender, no entanto é algo que vejo em muitos brasileiros morando na Europa. Não acha que é um pouco de hipocrisia viver na Europa, onde nos países o Estado garante tanta coisa para o cidadão, e votar em uma pessoa que é contra tudo isso ?Não acha meio hipócrita viver num lugar que tem um governo de esquerda, tipo Portugal, e votar num cara de direita? Sendo que você foi aí porque escolheu e sabia que o governo era de esquerda, ou seja, você escolheu morar num país com governo comunista.Votei no B17, mas estou com a consciência limpa por morar nos EUA.MAKE BRAZIL GREAT AGAIN!
Vamos lá, isso é bem simples de responder: não sou "de esquerda" nem "de direita", sou "de qualidade". Portugal tem um governo de esquerda e políticas de esquerda como a maioria dos países europeus entretanto possui uma esquerda de qualidade. Não sou contra políticas de esquerda, pelo contrario, discordo de muita coisa que acontece nos EUA mesmo sendo paga pau assumido deles. 
Um exemplo é a saúde americana que é uma pouca vergonha em todos os aspectos, veja que uma das maiores preocupações dos blogueiros de finanças americanos é a saúde, nêgo se caga de medo de ter um câncer não pelo risco iminente de morte e sim pela conta que deve pagar. Medicamentos nos EUA são descaradamente caros, outro dia vi um vídeo sobre os americanos que vão comprar remédios no México, uma senhora paga USD 45,00 em 1 comprimido que no México custa USD 1,00 (em Portugal é € 0,20 sem subsídio do governo!!!). Os direitos trabalhistas americanos também são uma piada: quase não tem férias, uma mulher acaba de parir e deve voltar ao trabalho, nêgo que tiver uma doença incapacitante está quase sempre fodido, etc... 

O que quero dizer é o seguinte: não existe lugar perfeito e devemos focar naquilo que valorizamos mais em determinado momento. Aqui em Portugal acho legal ter um governo mais paternalista porque estou numa fase da vida que não quero ter muitas preocupações, logo se tiver alguém cuidando de alguns aspectos da minha vida, ok, é um favor. Portugal oferece um custo/benefício muito bom em todos os aspectos. 

Mas isso tudo que disse acima não explica o real motivo de alguém como eu apoiar o Bolsonaro. Se trata de uma batalha do bem contra o mal, é tão óbvio que acredito ser desnecessário explicar. Muita gente votou no 17 não por apoia-lo e sim por não aguentar mais o PT e ver nesse cara algo diferente que pode sim trazer algum sopro de ar fresco no cheiro de esgoto que o Brasil tem. E veja que o caboclo nem assumiu e já está mexendo os pauzinhos... A esperança continua.

O que muita gente não entende é que não é preciso apoiar completamente algo, ser "torcedor" de algo para ficar daquele lado. Sou 100% a favor do aborto  e mesmo assim apoio o Bolsonaro. Não sou comunista e apoio o governo de esquerda português. Somos uma geração mimada com uma mania nojenta de querer tudo do nosso jeito. Não é assim que funciona, temos que nos adaptar e achar um caminho que mais se aproxime com nossos objetivos. Resumindo: não é hipocrisia, é racionalidade e desapego de crenças.

Feliz Natal à todos! Grande abraço!

Corey

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Receitas e Despesas Outubro/2018 + Investimentos + Vida Pessoal

Como está no Brasil? É impressão minha ou ocorre um clima de esperança e alívio? De minha parte sinto uma pontinha de esperança que ao menos as coisas não piorem. B17!!!

Continuo sem muita vontade de escrever aqui no blog, e o pouco que tenho acompanhado da blogosfera, penso que muitos blogueiros estão passando pela mesma fase. Para não deixar o blog criando teias de aranha e para minha própria organização decidi juntar à postagem de receitas e despesas, informações sobre meus investimentos e minha vida pessoal. Vamos lá...

Receitas e Despesas


Números bem diferentes dos meses anteriores e à primeira vista assustadores, em outubro gastei mais de  € 3.000,00 !!! Nem tanto... Podem ver que as despesas com viagens e lazer representa mais de 50% disso aí... Em outubro fiz uma viagem muito gostosa onde aproveitei os últimos dias de calor do outono, gastei muito dinheiro nela porque aluguei um carro top e dirigi quase 2.000km sem regular no "gasóleo" (diesel), comi muitíssimo bem, participei de atividades fantásticas, enfim, foi uma "viagem ostentação" (se bem que a hospedagem foi baratinha). Além dessa viagem já comprei passagens, hospedagem e aluguel de carro para outra viagem no fim do ano, destaque para o fato das passagens do cachorro terem custado mais que as nossas... Paciência... 

Em Portugal abandonei alguns hábitos e criei outros, No Brasil cheguei ficar uns 4 anos sem ir ao cinema, aliás, nunca fui muito de filme. Entretanto já nem sei o número de vezes que fui ao cinema aqui, só em outubro foram duas vezes. Acho que o fato de pagar € 7 por 2 ingressos, não ter filas, não ter salas lotadas, a pipoca doce da NOS ser a melhor do mundo e não pagar estacionamento por sempre ter vaga na rua colaboraram para esse fato.

Como esperado tive despesas com dentista e isso continuará pelos próximos meses, como já disse aqui, tenho dentes de altíssima manutenção. Dentro do quesito saúde, finalmente Bia e eu conseguimos atribuição de médico de família. Aqui em Portugal existe um clínico geral que cuida do seu núcleo familiar, sempre que precisar de uma consulta é com ele que você passa, se necessário ele encaminhará para alguma especialidade, coisa que na minha cabeça faz total sentido porque o médico de família tem conhecimento abrangente para tratar a maioria das doenças e mesmo ao encaminhar para um colega ele fica com seu histórico, além de saber as podridões de saúde da família inteira o que deve facilitar muito diagnósticos. Ainda não nos consultamos com ela porque estamos bem.

Investimentos

Não houve mudança alguma nos meus investimentos a não ser a criação de uma poupança (mais abaixo), por isso decidi que não vale o esforço fazer uma postagem cheia de gráficos e tabelas para mostrar praticamente o mesmo do mês anterior. Quando houver alguma modificação relevante farei um post a respeito. Fica mais simples assim.

Não mandei dinheiro para Portugal e provavelmente vou ficar alguns meses se faze-lo. Decidi fazer uma poupança em Reais e dedicarei minha renda passiva para esse objetivo. Entenda a razão dessa poupança logo mais.

Vida Pessoal

Imigração é um negócio muito complexo, aliás a coisa mais complexa que já enfrentei na vida, nem empreender é tão difícil quanto imigrar e as coisas acontecem com uma percepção de tempo muito sinistra. Esses dias passei em frente o Airbnb que Bia e eu ficamos logo que chegamos ao país, tive a impressão que isso aconteceu à 30 anos atrás, mas na verdade passaram-se apenas alguns meses e nesses meses já aconteceu tanta coisa que é impossível se manter mentalmente saudável dentro desse ambiente. Imigrar é daquelas coisas que funcionam na mesma pegada de parar de beber: um dia de cada vez, é tanta coisa envolvida que se você quiser antecipar erros, antecipar cenários e se arrepender pelo que fez errado estará facilmente no caminho da loucura.

No último post de fechamento me queixei sobre os problemas de adaptação, que havia subestimado isso e que estava até com saudade do trânsito de São Paulo. Não posso dizer que meus problemas acabaram, mas o fato é que outubro foi um mês bem mais tranquilo em relação à isso. Estou conseguindo lidar melhor com os curto-circuitos cerebrais, caí na real que é assim mesmo e que não preciso necessariamente ter uma ação perante às ideias e coisas que passam pela minha cabeça. 

Outro fato que tem me ajudado muito é uma certa "explosão" positiva no trabalho, explico: como já comentei em outros posts meu trabalho é meramente manual e nada que exija muito mais que 3 neurônios para processar, esse fato estava me deixando maluco porque sempre usei muito o cérebro e estava me sentindo mal por isso ter mudado de uma hora para outra. Estava também tendo "problemas" com o pessoal da fábrica, afinal sou um estrangeiro introvertido. De repente as coisas se transformaram: meu chefe começou a me dar trabalhos mais, digamos, sofisticados. Coisas que todo mundo acha chato de fazer porém eu adorei e tenho me saído muito bem, realizando com muita qualidade. Também não sei porquê mas comecei a me entrosar mais com as pessoas, participar das brincadeiras, das piadas internas... Alguns trabalhos que tenho realizado exigem parcerias então acabo por conversar mais com os colegas. Já consigo desenrolar trabalhos sozinhos, sem ter que ficar perguntando como fazer e o que fazer, etc. Acho que esse boom que aconteceu no trabalho ajudou muito à me deixar com menos saudade do Brasil.

Você pode estar pensando: puta que pariu, o Corey agora se acomodou de vez, vai ficar trabalhando de peão pro resto da vida, vai virar um gordo tetinha e nunca mais vai sair de Portugal. Tirando a parte do gordo tetinha (que já estou ficando, mas isso é perfeitamente contornável), não é bem assim. Estou curtindo muito essa fase e, como disse, é um dia após o outro. Entretanto Bia e eu acreditamos que num limiar de tempo de vários meses ou poucos anos iremos nos fartar disso e querer algo novo, mais desafiador. Não tem jeito, somos assim, não nos contentamos por muito tempo e isso não é necessariamente uma qualidade ou um defeito, como dizem os portugueses "não é defeito, é feitio". O que virá pela frente? Não sei. Quando? Não sei. Não tenho essas respostas e nem quero perder saúde tentando responde-las, todavia comecei a fazer algumas coisas para preparar o terreno.

Uma das coisas que comecei a fazer foi a criação de uma "Poupança da Mudança", que é essa poupança que citei acima e que estou começando à constituir com o dinheiro da minha renda passiva. Me mudei pra Portugal e só depois me dei conta que caguei pro fato de um dia precisar ou querer voltar ao Brasil, limpei minhas poupanças e todo o dinheiro líquido (sem contar os investimentos), se precisar voltar hoje, por exemplo, terei que tirar dinheiro dos investimentos para custear o retorno e isso não é bom. Não sei se voltarei para o Brasil mas estar preparado para se isso acontecer é no mínimo racional, e formar uma poupança para esse fim é um passo importante. Mais uma imensa vantagem de ter renda passiva: essa poupança será formada sem o menor esforço. 

Acredito que com o novo governo a desvalorização cambial pode estagnar e acredito também numa melhora (ou ao menos uma estabilização) da economia do Brasil, então faz sentido fazer essa poupança no Brasil e não em outro país. Como já disse, assumo o risco de deixar meu patrimônio no Brasil, então então não vai ser uma poupança de alguns milhares de reais que vai fazer grande diferença. Estou sendo otimista, talvez, mas como ter certeza? Como sempre repito aqui no blog, devemos fazer aquilo que temos alcance e não tentar adivinhar o futuro.

Outra atitude que tomei frente à preparação do terreno para o futuro é puxar o freio de mão em relação à grandes despesas aqui em Portugal. Uma das mil coisas que andei pensando nos últimos tempos era em trocar de carro, comprar um carro bom e tals. Não vou fazer isso, continuarei com minha estratégia de manter o beater de € 1.000 e alugar quando for viajar. Também abandonei a ideia de comprar imóvel por aqui, mesmo podendo ser altamente rentável e em moeda forte. Posso precisar desse capital no futuro para algo ainda melhor e aí ficarei engessado. "O futuro a Deus pertence", é um dito popular dos mais certos.

Então é isso, se não criar coragem para escrever durante o mês, nos vemos no próximo fechamento. Grande abraço!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Receitas e Despesas Setembro/2018


Esse mês decidi desmembrar a renda da Bia entre ordenado proveniente do trabalho e os extras que ela faz, assim dá pra visualizar melhor. Lembrando que o ordenado dela contempla os duodécimos referentes ao subsídio de natal e de férias (em PT-BR, o salário inclui 1/12 do 13º e das férias, algo que a legislação portuguesa permite), já o meu não, é só o ordenado do mês mesmo. Fiz algumas horas extras mais eficientes (à noite e de fim de semana) o que me levou à um rendimento melhor.

As despesas foram dentro do esperado, tirando uma manutenção no carro no valor de € 90,00 que contempla troca de velas e cabos de velas e sua respectiva mão de obra. Em outubro o bicho vai pegar porque tenho uma viagem programada onde gastarei com aluguel de carro e Airbnb, sem contar dentista que com certeza não escaparei. Ando gastando "muito" dinheiro com restaurante e combustível e isso continuará assim: comer e viajar são praticamente nosso lazer, não há porque diminuir isso, pelo contrário. 

Continuo com preguiça de escrever e acompanhar a blogosfera, sem previsão de volta às postagens habituais. Bia e principalmente eu estamos numa fase bem complicada da adaptação, acabei por subvalorizar isso e estou quebrando a cara, ando com saudade até do trânsito de São Paulo, rsrs! Dizem que após o primeiro ano isso passa, vamos ver...

Bom outubro à todos e àqueles que estão no Brasil: 17.
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