quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Receitas e Despesas Outubro/2018 + Investimentos + Vida Pessoal

Como está no Brasil? É impressão minha ou ocorre um clima de esperança e alívio? De minha parte sinto uma pontinha de esperança que ao menos as coisas não piorem. B17!!!

Continuo sem muita vontade de escrever aqui no blog, e o pouco que tenho acompanhado da blogosfera, penso que muitos blogueiros estão passando pela mesma fase. Para não deixar o blog criando teias de aranha e para minha própria organização decidi juntar à postagem de receitas e despesas, informações sobre meus investimentos e minha vida pessoal. Vamos lá...

Receitas e Despesas


Números bem diferentes dos meses anteriores e à primeira vista assustadores, em outubro gastei mais de  € 3.000,00 !!! Nem tanto... Podem ver que as despesas com viagens e lazer representa mais de 50% disso aí... Em outubro fiz uma viagem muito gostosa onde aproveitei os últimos dias de calor do outono, gastei muito dinheiro nela porque aluguei um carro top e dirigi quase 2.000km sem regular no "gasóleo" (diesel), comi muitíssimo bem, participei de atividades fantásticas, enfim, foi uma "viagem ostentação" (se bem que a hospedagem foi baratinha). Além dessa viagem já comprei passagens, hospedagem e aluguel de carro para outra viagem no fim do ano, destaque para o fato das passagens do cachorro terem custado mais que as nossas... Paciência... 

Em Portugal abandonei alguns hábitos e criei outros, No Brasil cheguei ficar uns 4 anos sem ir ao cinema, aliás, nunca fui muito de filme. Entretanto já nem sei o número de vezes que fui ao cinema aqui, só em outubro foram duas vezes. Acho que o fato de pagar € 7 por 2 ingressos, não ter filas, não ter salas lotadas, a pipoca doce da NOS ser a melhor do mundo e não pagar estacionamento por sempre ter vaga na rua colaboraram para esse fato.

Como esperado tive despesas com dentista e isso continuará pelos próximos meses, como já disse aqui, tenho dentes de altíssima manutenção. Dentro do quesito saúde, finalmente Bia e eu conseguimos atribuição de médico de família. Aqui em Portugal existe um clínico geral que cuida do seu núcleo familiar, sempre que precisar de uma consulta é com ele que você passa, se necessário ele encaminhará para alguma especialidade, coisa que na minha cabeça faz total sentido porque o médico de família tem conhecimento abrangente para tratar a maioria das doenças e mesmo ao encaminhar para um colega ele fica com seu histórico, além de saber as podridões de saúde da família inteira o que deve facilitar muito diagnósticos. Ainda não nos consultamos com ela porque estamos bem.

Investimentos

Não houve mudança alguma nos meus investimentos a não ser a criação de uma poupança (mais abaixo), por isso decidi que não vale o esforço fazer uma postagem cheia de gráficos e tabelas para mostrar praticamente o mesmo do mês anterior. Quando houver alguma modificação relevante farei um post a respeito. Fica mais simples assim.

Não mandei dinheiro para Portugal e provavelmente vou ficar alguns meses se faze-lo. Decidi fazer uma poupança em Reais e dedicarei minha renda passiva para esse objetivo. Entenda a razão dessa poupança logo mais.

Vida Pessoal

Imigração é um negócio muito complexo, aliás a coisa mais complexa que já enfrentei na vida, nem empreender é tão difícil quanto imigrar e as coisas acontecem com uma percepção de tempo muito sinistra. Esses dias passei em frente o Airbnb que Bia e eu ficamos logo que chegamos ao país, tive a impressão que isso aconteceu à 30 anos atrás, mas na verdade passaram-se apenas alguns meses e nesses meses já aconteceu tanta coisa que é impossível se manter mentalmente saudável dentro desse ambiente. Imigrar é daquelas coisas que funcionam na mesma pegada de parar de beber: um dia de cada vez, é tanta coisa envolvida que se você quiser antecipar erros, antecipar cenários e se arrepender pelo que fez errado estará facilmente no caminho da loucura.

No último post de fechamento me queixei sobre os problemas de adaptação, que havia subestimado isso e que estava até com saudade do trânsito de São Paulo. Não posso dizer que meus problemas acabaram, mas o fato é que outubro foi um mês bem mais tranquilo em relação à isso. Estou conseguindo lidar melhor com os curto-circuitos cerebrais, caí na real que é assim mesmo e que não preciso necessariamente ter uma ação perante às ideias e coisas que passam pela minha cabeça. 

Outro fato que tem me ajudado muito é uma certa "explosão" positiva no trabalho, explico: como já comentei em outros posts meu trabalho é meramente manual e nada que exija muito mais que 3 neurônios para processar, esse fato estava me deixando maluco porque sempre usei muito o cérebro e estava me sentindo mal por isso ter mudado de uma hora para outra. Estava também tendo "problemas" com o pessoal da fábrica, afinal sou um estrangeiro introvertido. De repente as coisas se transformaram: meu chefe começou a me dar trabalhos mais, digamos, sofisticados. Coisas que todo mundo acha chato de fazer porém eu adorei e tenho me saído muito bem, realizando com muita qualidade. Também não sei porquê mas comecei a me entrosar mais com as pessoas, participar das brincadeiras, das piadas internas... Alguns trabalhos que tenho realizado exigem parcerias então acabo por conversar mais com os colegas. Já consigo desenrolar trabalhos sozinhos, sem ter que ficar perguntando como fazer e o que fazer, etc. Acho que esse boom que aconteceu no trabalho ajudou muito à me deixar com menos saudade do Brasil.

Você pode estar pensando: puta que pariu, o Corey agora se acomodou de vez, vai ficar trabalhando de peão pro resto da vida, vai virar um gordo tetinha e nunca mais vai sair de Portugal. Tirando a parte do gordo tetinha (que já estou ficando, mas isso é perfeitamente contornável), não é bem assim. Estou curtindo muito essa fase e, como disse, é um dia após o outro. Entretanto Bia e eu acreditamos que num limiar de tempo de vários meses ou poucos anos iremos nos fartar disso e querer algo novo, mais desafiador. Não tem jeito, somos assim, não nos contentamos por muito tempo e isso não é necessariamente uma qualidade ou um defeito, como dizem os portugueses "não é defeito, é feitio". O que virá pela frente? Não sei. Quando? Não sei. Não tenho essas respostas e nem quero perder saúde tentando responde-las, todavia comecei a fazer algumas coisas para preparar o terreno.

Uma das coisas que comecei a fazer foi a criação de uma "Poupança da Mudança", que é essa poupança que citei acima e que estou começando à constituir com o dinheiro da minha renda passiva. Me mudei pra Portugal e só depois me dei conta que caguei pro fato de um dia precisar ou querer voltar ao Brasil, limpei minhas poupanças e todo o dinheiro líquido (sem contar os investimentos), se precisar voltar hoje, por exemplo, terei que tirar dinheiro dos investimentos para custear o retorno e isso não é bom. Não sei se voltarei para o Brasil mas estar preparado para se isso acontecer é no mínimo racional, e formar uma poupança para esse fim é um passo importante. Mais uma imensa vantagem de ter renda passiva: essa poupança será formada sem o menor esforço. 

Acredito que com o novo governo a desvalorização cambial pode estagnar e acredito também numa melhora (ou ao menos uma estabilização) da economia do Brasil, então faz sentido fazer essa poupança no Brasil e não em outro país. Como já disse, assumo o risco de deixar meu patrimônio no Brasil, então então não vai ser uma poupança de alguns milhares de reais que vai fazer grande diferença. Estou sendo otimista, talvez, mas como ter certeza? Como sempre repito aqui no blog, devemos fazer aquilo que temos alcance e não tentar adivinhar o futuro.

Outra atitude que tomei frente à preparação do terreno para o futuro é puxar o freio de mão em relação à grandes despesas aqui em Portugal. Uma das mil coisas que andei pensando nos últimos tempos era em trocar de carro, comprar um carro bom e tals. Não vou fazer isso, continuarei com minha estratégia de manter o beater de € 1.000 e alugar quando for viajar. Também abandonei a ideia de comprar imóvel por aqui, mesmo podendo ser altamente rentável e em moeda forte. Posso precisar desse capital no futuro para algo ainda melhor e aí ficarei engessado. "O futuro a Deus pertence", é um dito popular dos mais certos.

Então é isso, se não criar coragem para escrever durante o mês, nos vemos no próximo fechamento. Grande abraço!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Receitas e Despesas Setembro/2018


Esse mês decidi desmembrar a renda da Bia entre ordenado proveniente do trabalho e os extras que ela faz, assim dá pra visualizar melhor. Lembrando que o ordenado dela contempla os duodécimos referentes ao subsídio de natal e de férias (em PT-BR, o salário inclui 1/12 do 13º e das férias, algo que a legislação portuguesa permite), já o meu não, é só o ordenado do mês mesmo. Fiz algumas horas extras mais eficientes (à noite e de fim de semana) o que me levou à um rendimento melhor.

As despesas foram dentro do esperado, tirando uma manutenção no carro no valor de € 90,00 que contempla troca de velas e cabos de velas e sua respectiva mão de obra. Em outubro o bicho vai pegar porque tenho uma viagem programada onde gastarei com aluguel de carro e Airbnb, sem contar dentista que com certeza não escaparei. Ando gastando "muito" dinheiro com restaurante e combustível e isso continuará assim: comer e viajar são praticamente nosso lazer, não há porque diminuir isso, pelo contrário. 

Continuo com preguiça de escrever e acompanhar a blogosfera, sem previsão de volta às postagens habituais. Bia e principalmente eu estamos numa fase bem complicada da adaptação, acabei por subvalorizar isso e estou quebrando a cara, ando com saudade até do trânsito de São Paulo, rsrs! Dizem que após o primeiro ano isso passa, vamos ver...

Bom outubro à todos e àqueles que estão no Brasil: 17.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Investimentos Setembro/2018

Ando sumido e continuarei assim por um tempo, está tudo bem, é somente falta de tesão em escrever mesmo... Prefiro ficar sem escrever que fazer posts toscos e sem vontade só pra tapar buraco.

Mês sem novidades na carteira de investimentos, houve praticamente uma repetição dos números e gráficos do mês passado.



APORTES

O aporte foi bem pouco devido às prestações que recebo terem sido pagas em datas diferentes do normal (sem inadimplência por enquanto, tomara que continue assim). Embora pouco dinheiro, esse foi aportado em TD, provavelmente aportarei as próximas prestações em algum CDB para 6 meses devido à uns planos que estou tendo e que demandarão certa liquidez dentro desse prazo.

PROVENTOS

Proventos dos Fundos Imobiliários: parcialmente sacados e enviados à Portugal, outra parte foi utilizada para aumentar meu colchão em Reais, não houve reinvestimento em FIIs. A rentabilidade sofreu novamente com o não pagamento do MFII que promete alguma novidade para o fim do mês, sigo no aguardo.


Proventos do Tesouro: Não houve no período


Aluguel do apartamento número 1 foi transferido para Portugal (aquele apartamento que considero como minha moradia portanto sempre uso o aluguel dele para abater do aluguel do local onde estou morando no momento. R$ 900,00 = € 184,68

Então é isso, se não escrever mais nada até o fim do mês, nos vemos na postagem de receitas e despesas. Abraço a todos!

sábado, 1 de setembro de 2018

Receitas e Despesas Agosto/2018


As receitas foram na média e consegui trazer um pouco mais de grana do Brasil, dinheiro esse que até agora não tem finalidade definida e muito provavelmente acabará sendo torrado em alguma viagem maluca.

Novamente as despesas de novembro ficaram dentro da média esperada, talvez para setembro ocorra um aumento, sabem por quê? Meus dentes estão me dando trabalho novamente... Em agosto viajamos um pouco menos, procuramos aproveitar mais as atrações da região, verão português é cheio de festinhas e shows (de gosto duvidoso), pode parecer chato num primeiro momento mas é gostoso dar uma volta numa festinha dessas, tomar um fino (chopp), comer uma procaria qualquer.

Voltamos à fazer algo que anos atrás fazíamos mensalmente: dar uma "mesada" à Bia de € 50. Acontece que Bia tem sérios problemas com dinheiro, ela fica meses com um tênis furado pra não comprar um novo porém pode muito bem comprar um macaco de pelúcia que canta macarena. Para evitar conflitos tempos atrás determinamos que essa "mesada" é uma boa maneira porque assim ela faz o que bem entender com esse dinheiro. Estou devendo um post sobre esse assunto, deve ser bem interessante... Esses € 50 estão no quesito "outros".

Setembro provavelmente será um mês de poucas postagens porque ando com preguiça de escrever e acompanhar o blog. Sabem como é, são fases. Bom setembro a todos!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Adaptação em Portugal - Parte 2

Continuando minhas impressões sobre a adaptação em Portugal. Se você não leu, leia a parte 1 aqui.

Idioma

Como citei no post anterior quando comentei sobre trabalho, o idioma foi e ainda é uma barreira. O PT-PT e PT-BR são muito diferentes, acredito que muito mais diferentes que as variantes do inglês britânico e americano onde basicamente o que muda é meia dúzia de palavras e o sotaque.

Quando cheguei tive a séria impressão que entendia melhor o inglês falado que o PT-PT, isso porque além do sotaque há grande diferença gramatical e de vocabulário. Basicamente são dois idiomas diferentes que possuem palavras em comum. Via de regra o português entende muito melhor o brasileiro que o contrário, isso devido à avalanche de material cultural brasileiro que eles consomem: novelas, séries, músicas, livros, etc. Sem contar com a imensa quantidade de zucas que moram por aqui, número esse que aumenta pelo menos ao passo de um A330 por dia. Por outro lado para a gente entende-los é bem complicado.

Quase 6 meses depois que cheguei é agora que estou mais familiarizado com o idioma e isso é praticamente 100% graças ao meu trabalho (e tem gente que diz que é de boa morar e trabalhar na Alemanha sem falar alemão), onde convivo somente com portugueses (há muitos brasileiros na empresa mas nenhum trabalha diretamente comigo). O engraçado é que Bia e eu nos pegamos usando expressões tipicamente portuguesas entre a gente:

TÁ BEM: no lugar de ok ou "tudo bem"
FÔDASSSS: perceba que não é "foda-se" e sim algo mais musical: "fôoooodaaaasssss", expressão usada para basicamente qualquer situação ruim, assim como usamos o "putaquepariu"
CRALHO: estamos trocando o "caralho" pela versão PT-PT mais enxuta, algo como "cralho"
ESTA MERDA: "esta merda" é o nosso "saporra" e pode ser usada em qualquer situação, seja boa ou ruim.


Alimentação

Outro fator bastante citado por imigrantes é a adaptação à comida. Já vi casos que a pessoa voltou ao Brasil por não ter se adaptado à comida local, achava isso um absurdo mas hoje tenho que concordar que pode sim acontecer.

O Brasil tem a melhor culinária do mundo, ponto final. Sério, a comida brasileira é excelente e o brasileiro tem a mania de elevar qualquer comida para outro nível, basta ver os hot-dog, pizzas, churros, sushis brasileiros... Toda comida gringa ao chegar no Brasil ganha um booster e fica muito melhor. Você pode falar: "aimmm, pizza de verdade é o que você come na Itália, uma massa estranha, com um punhado de tomate e dois teco de queijo", vai à merda, pizza italiana é uma bosta, foda-se que foram eles os inventores (usei o exemplo da Itália porque no papel sou italiano e portanto tenho esse direito, rsrs!). Somos muito mal acostumados.

A culinária portuguesa também é excelente, pratos divinos, proteínas diferentes e que não estamos acostumados no Brasil. Acontece que sou fresco pra comida e isso é um imenso problema. Não gosto de boa parte das combinações que aparecem nos cardápios portugueses e mesmo cozinhando majoritariamente em casa, sinto falta de muitas coisas, principalmente de carne vermelha que aqui é de baixa qualidade e cara (comparado com a brasileira). No começo estava de boa, comendo porco pra caramba (que adoro e aqui é de excelente qualidade e barato), mas começo a sentir falta de conseguir comer um bife com fritas igual do sujinho lá da minha quebrada em Sampa. Sinto uma imensa falta de self-service por quilo, coisa que ao menos na minha região é inexistente. Também tenho problemas quando por um motivo ou outro quero fazer uma refeição no meio da tarde, por exemplo. Restaurantes fecham as 15h e só retornam às 19h, se você precisar comer dentro desse intervalo basicamente a única opção é o Mc Donalds.

Se por um lado a culinária portuguesa não me agrada muito, a disponibilidade de porcarias que adoro à preços indecentes está destruindo minha saúde. Devo confessar que Bia e eu temos um sério problema que tentamos nos enganar a vida toda: somos viciados em açúcar. Se você é viciado em açúcar (porque isso é vício mesmo, pode pesquisar na internet) e tem bolachas maravilhosas à € 1, pote gigante de Nutella genérico por € 2 e sorvetes de 1 litro por € 1,50 você está completamente fodido. No começo tudo era festa e novidade mas agora está ficando difícil controlar, tenho até medo de ir ao mercado e voltar com o porta-malas cheio desses lixos alimentares. Uma coisa que a culinária portuguesa é foda são os doces e isso acaba por foder mais ainda. Algo que me surpreendeu positivamente foram as frutas, sempre ouvi muita gente reclamando das frutas da Europa mas a realidade é que eu gosto bastante: as bananas (€ 1/Kg) são da Costa Rica e do tipo mais doce (parecidas com a nanica do Brasil), maças (€0,79/Kg) são excelentes, nunca comi pêssegos (€ 1,29/Kg) tão suculentos e saborosos em toda minha vida, as frutas vermelhas como cerejas, mirtilos, framboesas e groselha são acessíveis e boas (embora particularmente não goste).

Engordamos e está impossível perder esses quilos. Era muito mais fácil manter o peso e a dieta no Brasil onde não há quase nenhuma novidade nos corredores do mercado e tranqueiras são proporcionalmente mais caras que comida de verdade.

Perceba que novamente os problemas de adaptação estão mais relacionados ao indivíduo que ao ambiente em si, mas enfim, é o que está acontecendo.

No geral

A adaptação geral está sendo mais tranquila, já nos acostumamos muito bem com coisas simples como abastecer o próprio carro e pagar as compras sozinho no caixa do mercado. Parar na faixa de pedestre e estacionar em fila dupla como se fosse a coisa mais comum do mundo já está no nosso cerne.

A burocracia portuguesa não deve nada para a brasileira, mas como já nascemos acostumados com filas e formulários, é tudo bem tranquilo de encarar, até porque o grosso da burocracia aconteceu no começo, agora praticamente não há mais.

O clima é algo que também é muito citado como um fator complicado na adaptação. Ainda não posso falar muita coisa porque o inverno não chegou e é nele que deve acontecer a pior parte da adaptação nesse quesito. Por outro lado o verão desgraçadamente quente que tivemos durante alguns dias me deixou muito mal. Sou de São Paulo, cidade onde dificilmente as temperaturas variam além dos 8 e 33 graus, peguei dias de 43 graus aqui na minha cidade, sendo que houve lugares que beirou 50!!! Gosto do calor mas passou de 35 fica insuportável, não dá pra fazer nada na rua, só pensava em ficar dentro de casa com o ar condicionado ligado, o que provoca ressecamento da narina e garganta, prejudicando o sono. Enfim, calor desses não é legal. Vamos ver o frio...

A qualidade de vida que Bia e eu temos aqui em Portugal é algo sensacional mas não tem só a ver com o país em si. Desde que nos mudamos decidimos mudar também vários aspectos da nossa vida, coisas como passear mais, fazer programas simples como tomar uma cerveja no bar da esquina ou um sorvete no centro da cidade são coisas que hoje fazemos com muito mais frequência do que estávamos acostumados no Brasil. Estamos bem mais mão aberta aqui do que éramos no Brasil, então obviamente isso melhora as experiências. Adotar a mesma postura no Brasil nos faria ter uma vida melhor lá? Sem dúvidas! Porém foi necessário atravessar o atlântico para descobrir essas coisas. No Brasil a gente vive muito pilhado e dentre os motivos que nos deixa assim está a violência e a poluição sonora, coisas que aqui são muitíssimo menores. O fator novidade também é bem legal, ao visitar uma cidade próxima daqui, tudo é novo, coisa que em São Paulo não havia mais graça...

Então esse é um pouco do meu relato sobre a adaptação nos primeiros meses em Portugal. Antes que comecem com as historinhas de "volta pro Brasil" já vou dizendo que isso se trata de um relato pessoal, não vou escrever que tudo é maravilhoso porque não é a verdade. Não existe lugar perfeito, no geral minha vida está melhor aqui que no Brasil mas se um dia achar que não está mais eu saio sem problema algum. Morar fora é uma experiência incrível, acho que todos deveriam fazer isso ao menos uma vez na vida, é um intensivo de pensamentos, descobertas e redescobertas que nunca imaginei passar. Seja do jeito que for é algo que jamais me arrependerei.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Adaptação em Portugal - Parte 1

"Viver no exterior é viver, só que no exterior" (COREY, 2018)

Passados quase 6 meses da minha mudança para Portugal acredito que é um bom momento para fazer um post contando um pouco da minha adaptação ao país.

Resolvi começar o post com a frase acima porque ela resume bem a experiência de morar no exterior. Viver fora do Brasil é a mesma coisa que viver no Brasil, a única diferença é que você está em outro país. O que quero dizer com isso é que tirando as diferenças inerentes ao lugar sua vida não será muito diferente da que tinha no Brasil e isso pode ser um grande problema.

Antes de vir eu era daqueles que juravam de pé junto que não sentiria saudade alguma do Brasil e das coisas do Brasil, que já havia nascido adaptado e que não teria grandes problemas. Ledo engano... A adaptação é muito mais complexa do que o imaginado. Não se trata apenas de trocar problemas do Brasil por benefícios de Portugal, não é um jogo de ganha-ganha. Na verdade eu deveria saber disso porque um pouco do que vou relatar hoje é o que todo mundo que imigra fala, ou seja, há trocentos depoimentos semelhantes ao meu por aí na internet, eu apenas ignorava-os achando que comigo seria diferente, mas como seria diferente se assim como os outros eu também sou um ser humano cheio de problemas e conflitos internos?

Engraçado que a adaptação e seus problemas ocorrem de maneira e ordem cronológica diferente em cada uma das pessoas. Se 3 meses atrás alguém me perguntasse como estava a adaptação ao país eu diria com toda a convicção que estaria tudo bem, sem grandes turbulências. E isso era verdade! Passados quase 6 meses a coisa mudou, e bastante.

Saudade da família e dos amigos

Esse é o principal problema apontado pela maioria dos imigrantes. As frases do tipo "está tudo bem mas a saudade da família é a pior parte" são extremamente comuns. Eu poderia cortar a rola fora jurando que isso não me afetaria, afinal tenho pouco apego à minha família e nenhum "amigo" de verdade, logo isso seria moleza...

Não, não é nada fácil. A saudade dos "amigos" e família é algo real. No meu caso nem tanto da família porque minha família mesmo (Bia e o cachorro) estão comigo, mas não posso negar que sinto um pouco de culpa por não estar convivendo com meus pais, apesar de todos os problemas de relacionamento que tenho com eles (principalmente com meu pai). Detesto chamadas de vídeo de Whats então sempre ligo para eles no telefone mesmo, usando Skype. Procuro falar com eles uma vez a cada 10 dias, o que é infinitamente mais do que falava no Brasil, isso acabou me deixando mais próximo deles, paradoxalmente. Mudar para o exterior incrivelmente acabou por me deixar mais próximo dos meus pais.

Como já disse várias vezes aqui no blog, não tenho amigos no sentido de serem pessoas que estão sempre por perto, porém tenho muitos "colegas". No Brasil era comum eu visitar esses colegas nos trabalhos deles (a maioria empreendedor) e ficar lá meia hora batendo papo sobre os negócios e se vai chover ou fazer sol. Depois que vendi as lojas e comecei a trabalhar na área, acabei por fazer muitos colegas de profissão o que também estimulava um diálogo mono-assunto (existe isso?) porém interessante. O próprio tipo de trabalho que tive no Brasil incentivava a interação social. Nas lojas era o dia inteiro conversando com gente: funcionários, fornecedores, clientes. Quando trabalhei na área a interação social também era muito forte.

Mesmo sendo introvertido sempre consegui me socializar porque uma vez que alguém me dá liberdade, eu começo a tagarelar e um vínculo é criado. Nesse sentido eu sempre estive cercado de pessoas, nenhum amigo, porém várias pessoas com as quais o diálogo e sensação de proximidade por algum motivo acabavam acontecendo. Aqui em Portugal não é tão simples assim. Embora os portugueses tenham nos recebido muitíssimo bem (até houveram alguns casos, digamos, estranhos, mas nada demais e relevante), é muito complicado criar um vínculo rapidamente.

Primeiro lugar temos a barreira do idioma, que por incrível que pareça é enorme. Somente agora é que estou começando à desenroscar no PT-PT, eles nos entendem muito bem devido à fortíssima influência que o Brasil tem sobre a cultura portuguesa, porém entende-los é muitas vezes um desafio. Já disse aqui que logo ao chegar achava que estavam falando um idioma totalmente diferente do que eu conhecia.

Segundo lugar tem o lance da interação no trabalho que é onde grande parte da convivência humana acontece (e um dos motivos que parar de trabalhar cedo pode destruir sua vida). Meu trabalho é completamente diferente de tudo o que já fiz no Brasil, meu típico colega de trabalho é uma pessoa mais xucra porque isso é inerente do ambiente, percebo que mesmo entre eles, os portugueses, não há a mesma interação que existe entre um grupo de brasileiros. Portugueses são filhos da puta e brasileiros são gente boa? Nada disso, é somente uma diferença cultural e compreender isso é a chave para viver bem em outro país sem neuras de preconceito, por exemplo. Fui muito bem recebido no meu grupo de trabalho, o ambiente é ótimo e de ajuda mútua, todos me receberam super bem e foda-se que sou brasileiro, não notei qualquer tipo de preconceito ou algo do tipo. Entretanto o próprio tipo e ritmo de trabalho prejudica uma interação social mais próxima, não dá pra ficar de papo pro ar trocando ideia, esse fato acaba por prejudicar a interação, ainda mais de pessoas introvertidas como eu.

Terceiro lugar o choque social é um abismo e o fator que todo imigrante diz que sempre será um imigrante. Isso é algo que simplesmente não tem como mudar, devemos conviver com isso. Piadas óbvias que você solta para descontrair não funcionam, você não conhece ícones portugueses, eles não conhecem ícones brasileiros. Imagina conversar com uma pessoa que não conhece o Sílvio Santos, nunca assistiu Chaves e conhece filmes por nomes completamente diferentes. Parece besteira mas isso prejudica muito a interação com outras pessoas.

Por esses motivos venho me sentindo muito sozinho e Bia, mesmo estando mais entrosada com os colegas de trabalho, também sente o mesmo. A ficha caiu que somos somente ela e eu, isso é um tanto assustador. Conhecemos diversos brasileiros aqui na região mas isso não ajuda muito porque são quase todos de faixa etária bem diferente, com background de vida bem diferente ou simplesmente são gente que não queremos conviver.

A solução para isso? Talvez um novo ambiente de trabalho, voltar aos estudos e conviver com pessoas de interesse profissional semelhantes, sei lá...

Trabalho

Já falei da interação com colegas de trabalho, agora falando sobre o trabalho em si é algo que também achei uma coisa e a realidade é completamente diferente. Antes de imigrar eu também jurava que a parte de trabalho é muito simples: só arrumar um trabalho no-brain, braçal (que acaba fazendo bem pra saúde porque exercita o corpo), que acaba por pagar o suficiente para se viver e tudo estaria resolvido.

Mais ou menos. Quando estava no Brasil cheguei a fazer alguns trabalhos pesados como encher laje, e ajudar em obra, porém fazia isso como um passatempo, não como uma fonte de renda. Como narrei no post sobre trabalho em Portugal acabei arranjando trabalho muito rápido e é um trabalho que não exige muito cérebro e paga até que bem no fim do mês. Se você pensar que pra trabalhar na minha área de formação eu preciso estudar uns dois anos, passar por exames, concorrer com profissionais portugueses por vagas escassas (ao contrário do Brasil onde há vagas de sobra na minha área), trabalhar fim de semana e no fim do mês receber menos, fiz um excelente negócio ao optar por esse emprego.

Mais ou menos. O emprego é simples, não trabalho de fim de semana e paga bem porém o fato de não usar o cérebro e usar músculos demais está me fazendo mal. Falar que trabalho braçal é tranquilo é fácil, quero ver fazer. Mesmo não sendo algo pesado, é um trabalho que exige do corpo o que se reflete em problemas físicos como dores e cansaço excessivo. Não tenho mais vinte e poucos anos, aos trinta e tantos o corpo não é mais o mesmo, ainda mais pra alguém que alterna fases saudáveis e fases sedentárias (sei que isso tem tudo a ver com minhas atitudes perante a saúde e nada a ver com o país onde moro, mas é importante contextualizar). Encher uma laje ou trabalhar uma semana ajudando um pedreiro é uma coisa, outra é trabalhar 5 dias por semana num trabalho repetitivo e fisicamente exaustivo. Chego em casa e só penso em descansar, não dá muita coragem de fazer outras coisas.

Ao mesmo tempo que o trabalho dá uma judiada do corpo, acaba por paralisar o cérebro. É o tipo de trabalho que você precisa de 5 minutos de concentração quando começa a fazer uma tarefa nova e depois disso entra no piloto automático deixando o cérebro em stand-by pra qualquer coisa. Como se diz, cabeça vazia é a oficina do capeta, e é a mais pura verdade. Meus trabalhos no Brasil sempre exigiram um nível de concentração muito grande, seja quando tinha as lojas e precisava controlar várias frentes ao mesmo tempo (compras, faturamento, fornecedores, conflitos internos, etc) ou quando trabalhava na área de formação, algo técnico e sensível à erros. Ou seja, no Brasil meu trabalho era fisicamente de boa e mentalmente desgastante, o oposto daqui.

Basicamente fico o período de trabalho inteiro pensando em maneiras de potencializar minha vida. Seja ganhando mais dinheiro, melhorando investimentos, maneiras de tocar uma empresa remotamente, etc. As vezes me canso desse tipo de pensamento mais sério e a cabeça começa a trabalhar com coisas aleatórias do tipo: "por que o papagaio é verde?", "vale a pena comprar uma BMW 1994?". Acaba que no fim dos dias estou fisicamente cansado pelo trabalho e mentalmente cansado por usar meu cérebro pra coisas que nunca são realizadas.

"Ah Corey, isso é fácil, é só parar de trabalhar (porque você mesmo diz ser IF) ou mudar de emprego para um part-time, por exemplo.". Quis citar o lance da IF porque sempre alguém comenta isso, vou repetir novamente: tenho independência financeira no sentido que minha renda passiva cobre minhas despesas básicas NO BRASIL, aqui em Portugal, dependo de câmbio o que muda completamente o jogo. Bia e eu precisamos trabalhar para ter certa liberdade, infelizmente essa é a verdade. Outras pessoas sempre citam o fato de poder trabalhar part-time, coisa muito comum na Europa e que os brasileiros enxergam como o meio termo interessante entre ter um trabalho desgastante full-time e ficar em casa coçando o saco. Acontece que as vagas part-time são zuadas: fins de semana, madrugadas, dia inteiro X vezes por semana, enfim, part-time, ao menos aqui em Portugal é inviável se você quiser ter uma qualidade de vida legal porque embora trabalhe poucas horas, ocupa o dia ou mesmo a semana inteira. Pessoal, vejam que o buraco é mais em baixo (embaixo?), por mais que você planeja e se prepara a prática é outra.

O post está ficando grande, vou dividi-lo. Até a próxima...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Aretha Franklin - Dieta da Informação?

Quem acompanha o blog deve saber que sou adepto da "dieta da informação" que basicamente é evitar noticiário em geral com o objetivo de não absorver informações inúteis aos dia-a-dia  mas que acabam por prejudicar a saúde por ocupar espaço no HD cerebral.

Pois bem, essa minha tática ia bem até agora à pouco quando o YouTube me sugeriu um vídeo sobre Aretha Franklin. Até aí tudo bem, gosto da música negra americana, em especial das cantoras negras americanas. Cliquei no vídeo e o deixei em segundo plano, foi então que percebi que se tratava de um tributo à essa cantora. Aretha Franklin faleceu dia 16/8 e só fui saber hoje, 24/8.

Claro que pra quem é fã de determinado estilo de música a perda de uma figura importante é sempre triste, mas além disso o que me deixou triste é perceber que talvez a dieta da informação esteja passando um pouco dos limites. Estou ficando cada vez mais isolado do mundo, ainda mais agora que moro fora do Brasil e acabo sendo menos influenciado por notícias e assuntos que acabariam por chegar até a mim de um jeito ou de outro... Isso não é legal...

Tudo na vida tem o lado ruim, o lado bom e é preciso equilíbrio. A dieta da informação me faz bem mas com certeza deve ser revista, não está legal do jeito que está.

Como tributo à Aretha Franklin deixo alguns vídeos:

1- A última performance pública, em novembro do ano passado. Veja como certas pessoas não são simples seres humanos, mesmo debilitada por câncer sua voz ainda emocionava.



2- Nos anos 70. Sem comentários.



RIP Aretha.
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.