segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Investimentos Setembro/2018

Ando sumido e continuarei assim por um tempo, está tudo bem, é somente falta de tesão em escrever mesmo... Prefiro ficar sem escrever que fazer posts toscos e sem vontade só pra tapar buraco.

Mês sem novidades na carteira de investimentos, houve praticamente uma repetição dos números e gráficos do mês passado.



APORTES

O aporte foi bem pouco devido às prestações que recebo terem sido pagas em datas diferentes do normal (sem inadimplência por enquanto, tomara que continue assim). Embora pouco dinheiro, esse foi aportado em TD, provavelmente aportarei as próximas prestações em algum CDB para 6 meses devido à uns planos que estou tendo e que demandarão certa liquidez dentro desse prazo.

PROVENTOS

Proventos dos Fundos Imobiliários: parcialmente sacados e enviados à Portugal, outra parte foi utilizada para aumentar meu colchão em Reais, não houve reinvestimento em FIIs. A rentabilidade sofreu novamente com o não pagamento do MFII que promete alguma novidade para o fim do mês, sigo no aguardo.


Proventos do Tesouro: Não houve no período


Aluguel do apartamento número 1 foi transferido para Portugal (aquele apartamento que considero como minha moradia portanto sempre uso o aluguel dele para abater do aluguel do local onde estou morando no momento. R$ 900,00 = € 184,68

Então é isso, se não escrever mais nada até o fim do mês, nos vemos na postagem de receitas e despesas. Abraço a todos!

sábado, 1 de setembro de 2018

Receitas e Despesas Agosto/2018


As receitas foram na média e consegui trazer um pouco mais de grana do Brasil, dinheiro esse que até agora não tem finalidade definida e muito provavelmente acabará sendo torrado em alguma viagem maluca.

Novamente as despesas de novembro ficaram dentro da média esperada, talvez para setembro ocorra um aumento, sabem por quê? Meus dentes estão me dando trabalho novamente... Em agosto viajamos um pouco menos, procuramos aproveitar mais as atrações da região, verão português é cheio de festinhas e shows (de gosto duvidoso), pode parecer chato num primeiro momento mas é gostoso dar uma volta numa festinha dessas, tomar um fino (chopp), comer uma procaria qualquer.

Voltamos à fazer algo que anos atrás fazíamos mensalmente: dar uma "mesada" à Bia de € 50. Acontece que Bia tem sérios problemas com dinheiro, ela fica meses com um tênis furado pra não comprar um novo porém pode muito bem comprar um macaco de pelúcia que canta macarena. Para evitar conflitos tempos atrás determinamos que essa "mesada" é uma boa maneira porque assim ela faz o que bem entender com esse dinheiro. Estou devendo um post sobre esse assunto, deve ser bem interessante... Esses € 50 estão no quesito "outros".

Setembro provavelmente será um mês de poucas postagens porque ando com preguiça de escrever e acompanhar o blog. Sabem como é, são fases. Bom setembro a todos!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Adaptação em Portugal - Parte 2

Continuando minhas impressões sobre a adaptação em Portugal. Se você não leu, leia a parte 1 aqui.

Idioma

Como citei no post anterior quando comentei sobre trabalho, o idioma foi e ainda é uma barreira. O PT-PT e PT-BR são muito diferentes, acredito que muito mais diferentes que as variantes do inglês britânico e americano onde basicamente o que muda é meia dúzia de palavras e o sotaque.

Quando cheguei tive a séria impressão que entendia melhor o inglês falado que o PT-PT, isso porque além do sotaque há grande diferença gramatical e de vocabulário. Basicamente são dois idiomas diferentes que possuem palavras em comum. Via de regra o português entende muito melhor o brasileiro que o contrário, isso devido à avalanche de material cultural brasileiro que eles consomem: novelas, séries, músicas, livros, etc. Sem contar com a imensa quantidade de zucas que moram por aqui, número esse que aumenta pelo menos ao passo de um A330 por dia. Por outro lado para a gente entende-los é bem complicado.

Quase 6 meses depois que cheguei é agora que estou mais familiarizado com o idioma e isso é praticamente 100% graças ao meu trabalho (e tem gente que diz que é de boa morar e trabalhar na Alemanha sem falar alemão), onde convivo somente com portugueses (há muitos brasileiros na empresa mas nenhum trabalha diretamente comigo). O engraçado é que Bia e eu nos pegamos usando expressões tipicamente portuguesas entre a gente:

TÁ BEM: no lugar de ok ou "tudo bem"
FÔDASSSS: perceba que não é "foda-se" e sim algo mais musical: "fôoooodaaaasssss", expressão usada para basicamente qualquer situação ruim, assim como usamos o "putaquepariu"
CRALHO: estamos trocando o "caralho" pela versão PT-PT mais enxuta, algo como "cralho"
ESTA MERDA: "esta merda" é o nosso "saporra" e pode ser usada em qualquer situação, seja boa ou ruim.


Alimentação

Outro fator bastante citado por imigrantes é a adaptação à comida. Já vi casos que a pessoa voltou ao Brasil por não ter se adaptado à comida local, achava isso um absurdo mas hoje tenho que concordar que pode sim acontecer.

O Brasil tem a melhor culinária do mundo, ponto final. Sério, a comida brasileira é excelente e o brasileiro tem a mania de elevar qualquer comida para outro nível, basta ver os hot-dog, pizzas, churros, sushis brasileiros... Toda comida gringa ao chegar no Brasil ganha um booster e fica muito melhor. Você pode falar: "aimmm, pizza de verdade é o que você come na Itália, uma massa estranha, com um punhado de tomate e dois teco de queijo", vai à merda, pizza italiana é uma bosta, foda-se que foram eles os inventores (usei o exemplo da Itália porque no papel sou italiano e portanto tenho esse direito, rsrs!). Somos muito mal acostumados.

A culinária portuguesa também é excelente, pratos divinos, proteínas diferentes e que não estamos acostumados no Brasil. Acontece que sou fresco pra comida e isso é um imenso problema. Não gosto de boa parte das combinações que aparecem nos cardápios portugueses e mesmo cozinhando majoritariamente em casa, sinto falta de muitas coisas, principalmente de carne vermelha que aqui é de baixa qualidade e cara (comparado com a brasileira). No começo estava de boa, comendo porco pra caramba (que adoro e aqui é de excelente qualidade e barato), mas começo a sentir falta de conseguir comer um bife com fritas igual do sujinho lá da minha quebrada em Sampa. Sinto uma imensa falta de self-service por quilo, coisa que ao menos na minha região é inexistente. Também tenho problemas quando por um motivo ou outro quero fazer uma refeição no meio da tarde, por exemplo. Restaurantes fecham as 15h e só retornam às 19h, se você precisar comer dentro desse intervalo basicamente a única opção é o Mc Donalds.

Se por um lado a culinária portuguesa não me agrada muito, a disponibilidade de porcarias que adoro à preços indecentes está destruindo minha saúde. Devo confessar que Bia e eu temos um sério problema que tentamos nos enganar a vida toda: somos viciados em açúcar. Se você é viciado em açúcar (porque isso é vício mesmo, pode pesquisar na internet) e tem bolachas maravilhosas à € 1, pote gigante de Nutella genérico por € 2 e sorvetes de 1 litro por € 1,50 você está completamente fodido. No começo tudo era festa e novidade mas agora está ficando difícil controlar, tenho até medo de ir ao mercado e voltar com o porta-malas cheio desses lixos alimentares. Uma coisa que a culinária portuguesa é foda são os doces e isso acaba por foder mais ainda. Algo que me surpreendeu positivamente foram as frutas, sempre ouvi muita gente reclamando das frutas da Europa mas a realidade é que eu gosto bastante: as bananas (€ 1/Kg) são da Costa Rica e do tipo mais doce (parecidas com a nanica do Brasil), maças (€0,79/Kg) são excelentes, nunca comi pêssegos (€ 1,29/Kg) tão suculentos e saborosos em toda minha vida, as frutas vermelhas como cerejas, mirtilos, framboesas e groselha são acessíveis e boas (embora particularmente não goste).

Engordamos e está impossível perder esses quilos. Era muito mais fácil manter o peso e a dieta no Brasil onde não há quase nenhuma novidade nos corredores do mercado e tranqueiras são proporcionalmente mais caras que comida de verdade.

Perceba que novamente os problemas de adaptação estão mais relacionados ao indivíduo que ao ambiente em si, mas enfim, é o que está acontecendo.

No geral

A adaptação geral está sendo mais tranquila, já nos acostumamos muito bem com coisas simples como abastecer o próprio carro e pagar as compras sozinho no caixa do mercado. Parar na faixa de pedestre e estacionar em fila dupla como se fosse a coisa mais comum do mundo já está no nosso cerne.

A burocracia portuguesa não deve nada para a brasileira, mas como já nascemos acostumados com filas e formulários, é tudo bem tranquilo de encarar, até porque o grosso da burocracia aconteceu no começo, agora praticamente não há mais.

O clima é algo que também é muito citado como um fator complicado na adaptação. Ainda não posso falar muita coisa porque o inverno não chegou e é nele que deve acontecer a pior parte da adaptação nesse quesito. Por outro lado o verão desgraçadamente quente que tivemos durante alguns dias me deixou muito mal. Sou de São Paulo, cidade onde dificilmente as temperaturas variam além dos 8 e 33 graus, peguei dias de 43 graus aqui na minha cidade, sendo que houve lugares que beirou 50!!! Gosto do calor mas passou de 35 fica insuportável, não dá pra fazer nada na rua, só pensava em ficar dentro de casa com o ar condicionado ligado, o que provoca ressecamento da narina e garganta, prejudicando o sono. Enfim, calor desses não é legal. Vamos ver o frio...

A qualidade de vida que Bia e eu temos aqui em Portugal é algo sensacional mas não tem só a ver com o país em si. Desde que nos mudamos decidimos mudar também vários aspectos da nossa vida, coisas como passear mais, fazer programas simples como tomar uma cerveja no bar da esquina ou um sorvete no centro da cidade são coisas que hoje fazemos com muito mais frequência do que estávamos acostumados no Brasil. Estamos bem mais mão aberta aqui do que éramos no Brasil, então obviamente isso melhora as experiências. Adotar a mesma postura no Brasil nos faria ter uma vida melhor lá? Sem dúvidas! Porém foi necessário atravessar o atlântico para descobrir essas coisas. No Brasil a gente vive muito pilhado e dentre os motivos que nos deixa assim está a violência e a poluição sonora, coisas que aqui são muitíssimo menores. O fator novidade também é bem legal, ao visitar uma cidade próxima daqui, tudo é novo, coisa que em São Paulo não havia mais graça...

Então esse é um pouco do meu relato sobre a adaptação nos primeiros meses em Portugal. Antes que comecem com as historinhas de "volta pro Brasil" já vou dizendo que isso se trata de um relato pessoal, não vou escrever que tudo é maravilhoso porque não é a verdade. Não existe lugar perfeito, no geral minha vida está melhor aqui que no Brasil mas se um dia achar que não está mais eu saio sem problema algum. Morar fora é uma experiência incrível, acho que todos deveriam fazer isso ao menos uma vez na vida, é um intensivo de pensamentos, descobertas e redescobertas que nunca imaginei passar. Seja do jeito que for é algo que jamais me arrependerei.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Adaptação em Portugal - Parte 1

"Viver no exterior é viver, só que no exterior" (COREY, 2018)

Passados quase 6 meses da minha mudança para Portugal acredito que é um bom momento para fazer um post contando um pouco da minha adaptação ao país.

Resolvi começar o post com a frase acima porque ela resume bem a experiência de morar no exterior. Viver fora do Brasil é a mesma coisa que viver no Brasil, a única diferença é que você está em outro país. O que quero dizer com isso é que tirando as diferenças inerentes ao lugar sua vida não será muito diferente da que tinha no Brasil e isso pode ser um grande problema.

Antes de vir eu era daqueles que juravam de pé junto que não sentiria saudade alguma do Brasil e das coisas do Brasil, que já havia nascido adaptado e que não teria grandes problemas. Ledo engano... A adaptação é muito mais complexa do que o imaginado. Não se trata apenas de trocar problemas do Brasil por benefícios de Portugal, não é um jogo de ganha-ganha. Na verdade eu deveria saber disso porque um pouco do que vou relatar hoje é o que todo mundo que imigra fala, ou seja, há trocentos depoimentos semelhantes ao meu por aí na internet, eu apenas ignorava-os achando que comigo seria diferente, mas como seria diferente se assim como os outros eu também sou um ser humano cheio de problemas e conflitos internos?

Engraçado que a adaptação e seus problemas ocorrem de maneira e ordem cronológica diferente em cada uma das pessoas. Se 3 meses atrás alguém me perguntasse como estava a adaptação ao país eu diria com toda a convicção que estaria tudo bem, sem grandes turbulências. E isso era verdade! Passados quase 6 meses a coisa mudou, e bastante.

Saudade da família e dos amigos

Esse é o principal problema apontado pela maioria dos imigrantes. As frases do tipo "está tudo bem mas a saudade da família é a pior parte" são extremamente comuns. Eu poderia cortar a rola fora jurando que isso não me afetaria, afinal tenho pouco apego à minha família e nenhum "amigo" de verdade, logo isso seria moleza...

Não, não é nada fácil. A saudade dos "amigos" e família é algo real. No meu caso nem tanto da família porque minha família mesmo (Bia e o cachorro) estão comigo, mas não posso negar que sinto um pouco de culpa por não estar convivendo com meus pais, apesar de todos os problemas de relacionamento que tenho com eles (principalmente com meu pai). Detesto chamadas de vídeo de Whats então sempre ligo para eles no telefone mesmo, usando Skype. Procuro falar com eles uma vez a cada 10 dias, o que é infinitamente mais do que falava no Brasil, isso acabou me deixando mais próximo deles, paradoxalmente. Mudar para o exterior incrivelmente acabou por me deixar mais próximo dos meus pais.

Como já disse várias vezes aqui no blog, não tenho amigos no sentido de serem pessoas que estão sempre por perto, porém tenho muitos "colegas". No Brasil era comum eu visitar esses colegas nos trabalhos deles (a maioria empreendedor) e ficar lá meia hora batendo papo sobre os negócios e se vai chover ou fazer sol. Depois que vendi as lojas e comecei a trabalhar na área, acabei por fazer muitos colegas de profissão o que também estimulava um diálogo mono-assunto (existe isso?) porém interessante. O próprio tipo de trabalho que tive no Brasil incentivava a interação social. Nas lojas era o dia inteiro conversando com gente: funcionários, fornecedores, clientes. Quando trabalhei na área a interação social também era muito forte.

Mesmo sendo introvertido sempre consegui me socializar porque uma vez que alguém me dá liberdade, eu começo a tagarelar e um vínculo é criado. Nesse sentido eu sempre estive cercado de pessoas, nenhum amigo, porém várias pessoas com as quais o diálogo e sensação de proximidade por algum motivo acabavam acontecendo. Aqui em Portugal não é tão simples assim. Embora os portugueses tenham nos recebido muitíssimo bem (até houveram alguns casos, digamos, estranhos, mas nada demais e relevante), é muito complicado criar um vínculo rapidamente.

Primeiro lugar temos a barreira do idioma, que por incrível que pareça é enorme. Somente agora é que estou começando à desenroscar no PT-PT, eles nos entendem muito bem devido à fortíssima influência que o Brasil tem sobre a cultura portuguesa, porém entende-los é muitas vezes um desafio. Já disse aqui que logo ao chegar achava que estavam falando um idioma totalmente diferente do que eu conhecia.

Segundo lugar tem o lance da interação no trabalho que é onde grande parte da convivência humana acontece (e um dos motivos que parar de trabalhar cedo pode destruir sua vida). Meu trabalho é completamente diferente de tudo o que já fiz no Brasil, meu típico colega de trabalho é uma pessoa mais xucra porque isso é inerente do ambiente, percebo que mesmo entre eles, os portugueses, não há a mesma interação que existe entre um grupo de brasileiros. Portugueses são filhos da puta e brasileiros são gente boa? Nada disso, é somente uma diferença cultural e compreender isso é a chave para viver bem em outro país sem neuras de preconceito, por exemplo. Fui muito bem recebido no meu grupo de trabalho, o ambiente é ótimo e de ajuda mútua, todos me receberam super bem e foda-se que sou brasileiro, não notei qualquer tipo de preconceito ou algo do tipo. Entretanto o próprio tipo e ritmo de trabalho prejudica uma interação social mais próxima, não dá pra ficar de papo pro ar trocando ideia, esse fato acaba por prejudicar a interação, ainda mais de pessoas introvertidas como eu.

Terceiro lugar o choque social é um abismo e o fator que todo imigrante diz que sempre será um imigrante. Isso é algo que simplesmente não tem como mudar, devemos conviver com isso. Piadas óbvias que você solta para descontrair não funcionam, você não conhece ícones portugueses, eles não conhecem ícones brasileiros. Imagina conversar com uma pessoa que não conhece o Sílvio Santos, nunca assistiu Chaves e conhece filmes por nomes completamente diferentes. Parece besteira mas isso prejudica muito a interação com outras pessoas.

Por esses motivos venho me sentindo muito sozinho e Bia, mesmo estando mais entrosada com os colegas de trabalho, também sente o mesmo. A ficha caiu que somos somente ela e eu, isso é um tanto assustador. Conhecemos diversos brasileiros aqui na região mas isso não ajuda muito porque são quase todos de faixa etária bem diferente, com background de vida bem diferente ou simplesmente são gente que não queremos conviver.

A solução para isso? Talvez um novo ambiente de trabalho, voltar aos estudos e conviver com pessoas de interesse profissional semelhantes, sei lá...

Trabalho

Já falei da interação com colegas de trabalho, agora falando sobre o trabalho em si é algo que também achei uma coisa e a realidade é completamente diferente. Antes de imigrar eu também jurava que a parte de trabalho é muito simples: só arrumar um trabalho no-brain, braçal (que acaba fazendo bem pra saúde porque exercita o corpo), que acaba por pagar o suficiente para se viver e tudo estaria resolvido.

Mais ou menos. Quando estava no Brasil cheguei a fazer alguns trabalhos pesados como encher laje, e ajudar em obra, porém fazia isso como um passatempo, não como uma fonte de renda. Como narrei no post sobre trabalho em Portugal acabei arranjando trabalho muito rápido e é um trabalho que não exige muito cérebro e paga até que bem no fim do mês. Se você pensar que pra trabalhar na minha área de formação eu preciso estudar uns dois anos, passar por exames, concorrer com profissionais portugueses por vagas escassas (ao contrário do Brasil onde há vagas de sobra na minha área), trabalhar fim de semana e no fim do mês receber menos, fiz um excelente negócio ao optar por esse emprego.

Mais ou menos. O emprego é simples, não trabalho de fim de semana e paga bem porém o fato de não usar o cérebro e usar músculos demais está me fazendo mal. Falar que trabalho braçal é tranquilo é fácil, quero ver fazer. Mesmo não sendo algo pesado, é um trabalho que exige do corpo o que se reflete em problemas físicos como dores e cansaço excessivo. Não tenho mais vinte e poucos anos, aos trinta e tantos o corpo não é mais o mesmo, ainda mais pra alguém que alterna fases saudáveis e fases sedentárias (sei que isso tem tudo a ver com minhas atitudes perante a saúde e nada a ver com o país onde moro, mas é importante contextualizar). Encher uma laje ou trabalhar uma semana ajudando um pedreiro é uma coisa, outra é trabalhar 5 dias por semana num trabalho repetitivo e fisicamente exaustivo. Chego em casa e só penso em descansar, não dá muita coragem de fazer outras coisas.

Ao mesmo tempo que o trabalho dá uma judiada do corpo, acaba por paralisar o cérebro. É o tipo de trabalho que você precisa de 5 minutos de concentração quando começa a fazer uma tarefa nova e depois disso entra no piloto automático deixando o cérebro em stand-by pra qualquer coisa. Como se diz, cabeça vazia é a oficina do capeta, e é a mais pura verdade. Meus trabalhos no Brasil sempre exigiram um nível de concentração muito grande, seja quando tinha as lojas e precisava controlar várias frentes ao mesmo tempo (compras, faturamento, fornecedores, conflitos internos, etc) ou quando trabalhava na área de formação, algo técnico e sensível à erros. Ou seja, no Brasil meu trabalho era fisicamente de boa e mentalmente desgastante, o oposto daqui.

Basicamente fico o período de trabalho inteiro pensando em maneiras de potencializar minha vida. Seja ganhando mais dinheiro, melhorando investimentos, maneiras de tocar uma empresa remotamente, etc. As vezes me canso desse tipo de pensamento mais sério e a cabeça começa a trabalhar com coisas aleatórias do tipo: "por que o papagaio é verde?", "vale a pena comprar uma BMW 1994?". Acaba que no fim dos dias estou fisicamente cansado pelo trabalho e mentalmente cansado por usar meu cérebro pra coisas que nunca são realizadas.

"Ah Corey, isso é fácil, é só parar de trabalhar (porque você mesmo diz ser IF) ou mudar de emprego para um part-time, por exemplo.". Quis citar o lance da IF porque sempre alguém comenta isso, vou repetir novamente: tenho independência financeira no sentido que minha renda passiva cobre minhas despesas básicas NO BRASIL, aqui em Portugal, dependo de câmbio o que muda completamente o jogo. Bia e eu precisamos trabalhar para ter certa liberdade, infelizmente essa é a verdade. Outras pessoas sempre citam o fato de poder trabalhar part-time, coisa muito comum na Europa e que os brasileiros enxergam como o meio termo interessante entre ter um trabalho desgastante full-time e ficar em casa coçando o saco. Acontece que as vagas part-time são zuadas: fins de semana, madrugadas, dia inteiro X vezes por semana, enfim, part-time, ao menos aqui em Portugal é inviável se você quiser ter uma qualidade de vida legal porque embora trabalhe poucas horas, ocupa o dia ou mesmo a semana inteira. Pessoal, vejam que o buraco é mais em baixo (embaixo?), por mais que você planeja e se prepara a prática é outra.

O post está ficando grande, vou dividi-lo. Até a próxima...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Aretha Franklin - Dieta da Informação?

Quem acompanha o blog deve saber que sou adepto da "dieta da informação" que basicamente é evitar noticiário em geral com o objetivo de não absorver informações inúteis aos dia-a-dia  mas que acabam por prejudicar a saúde por ocupar espaço no HD cerebral.

Pois bem, essa minha tática ia bem até agora à pouco quando o YouTube me sugeriu um vídeo sobre Aretha Franklin. Até aí tudo bem, gosto da música negra americana, em especial das cantoras negras americanas. Cliquei no vídeo e o deixei em segundo plano, foi então que percebi que se tratava de um tributo à essa cantora. Aretha Franklin faleceu dia 16/8 e só fui saber hoje, 24/8.

Claro que pra quem é fã de determinado estilo de música a perda de uma figura importante é sempre triste, mas além disso o que me deixou triste é perceber que talvez a dieta da informação esteja passando um pouco dos limites. Estou ficando cada vez mais isolado do mundo, ainda mais agora que moro fora do Brasil e acabo sendo menos influenciado por notícias e assuntos que acabariam por chegar até a mim de um jeito ou de outro... Isso não é legal...

Tudo na vida tem o lado ruim, o lado bom e é preciso equilíbrio. A dieta da informação me faz bem mas com certeza deve ser revista, não está legal do jeito que está.

Como tributo à Aretha Franklin deixo alguns vídeos:

1- A última performance pública, em novembro do ano passado. Veja como certas pessoas não são simples seres humanos, mesmo debilitada por câncer sua voz ainda emocionava.



2- Nos anos 70. Sem comentários.



RIP Aretha.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

"Desistam de se mudar para Portugal"

Matheus Moraes sugeriu que eu comentasse uma matéria que saiu no Estadão esses dias, leia a matéria na íntegra aqui.

É engraçado ler esse tipo de matéria uma vez que você está por dentro do assunto, vivendo aquilo dia-a-dia, fica bem interessante. No geral digo que a autora tem muita razão no que diz dentro do contexto e público alvo para qual escreveu e totalmente sem noção para outras pessoas. Vamos lá...

A Ruth vive em Portugal à 4 anos, casada com um português, então com certeza deve saber um pouco mais que eu sobre o país e o rumo da imigração brasileira, mas algo logo no começo do texto já me brochou:
"Concordo que, quando Bolsonaro é fortemente cotado a presidente da República, não dá vontade de criar filhos nesse lugar."
Claro, criar filhos num país comandado por petistas é ok, o problema é o Bolsonaro e o fortalecimento da direita. Veja bem, se nosso querido Molusco ganhar, isso poderá ser uma excelente janela de oportunidade para se ganhar dinheiro no Brasil, esperto quem aproveitar, burro é quem ficar de mimimi. Foda-se quem governa ou deixa de governar o país, precisamos aproveitar as oportunidades sem ser um velho chorão. Muita gente focou milionária de maneira lícita durante os anos do PT, esperto foi quem se ligou que a farra não ia durar pra sempre, vendeu suas empresas, soube investir o que ganhou, mandou dinheiro pra fora... Podemos quem saber ter uma nova onda dessas.

Voltando à Portugal ela tem razão quando diz que Portugal está na moda e que muitos europeus estão vindo para cá devido à qualidade de vida elevada e baixo custo de vida, isso não é novidade. Também está certa quando diz que o dinheiro de fora injetado aqui infla o preço das moradias e fode com a vida do português que ganha luso-euros, porém como sempre acredito que existe um grave problema geográfico envolvido nisso: LISBOA e PORTO. Portugal não se resume à essas duas cidades e assim como eu fiz, outros podem vir ao interior onde a moradia ainda é acessível e há muitas vagas de emprego disponíveis. Lisboa é enorme, economia forte, muito trabalho, mas sofre do mesmo problema brasileiro da superpopulação, é muita gente numa mesma zona geográfica disputando emprego e moradia. Se tem um conselho que dou pra quem está planejando vir pra Portugal é: venha para o interior, sua vida será melhor, mais barata, terá mais emprego e tudo será mais fácil.

Portugal não é só Lisboa!

"Os brasileiros não têm grandes dificuldade para conseguir empregos como garçom, vendedor ou camareira. Mas vejo pessoas achando que vão chegar aqui e facilmente conseguir trabalho como advogado, engenheiro, publicitário, administrador. Surpresa: não vão."
Exatamente! Não poderia ter explicado melhor. Amiguinho, tenha uma coisa em mente quando pensar em emigrar: as chances de trabalhar na sua área de formação e ter sucesso nisso são ínfimas de tal forma que é melhor desencanar disso e trabalhar com a hipótese que isso simplesmente não irá acontecer. Quer saber, isso é um exercício libertador de várias maneiras. Por ter vindo com esse pensamento é que Bia e eu arranjamos trabalho tão rapidamente (por não ficar de mimimi esperando uma vaga nas nossas áreas ou gastando tempo com validações de diplomas, etc), outra grande vantagem é a chance de ganhar mais, isso porque quando um peão ganha € 850 e um advogado ganha € 1.000, não me parece muita vantagem trabalhar na área de direito...
"Quanto ao sistema público (nem vou entrar na conversa óbvia de ter que explicar que nem todos têm direito a utilizá-lo), posso dizer que 90% dos amigos portugueses que tenho têm plano de saúde privado. E seus filhos estudam em escolas privadas. E não, não é baratinho. E que mesmo nas escolas públicas quase sempre é preciso pagar um valor mensal."
Acredito que o ciclo de amizade da Ruth seja de pessoas de classe média, classe média alta, porque até onde sei nenhum dos meus colegas de trabalho tem filho em escola particular. Sobre plano de saúde privado você encontra até de graça (sim, o supermercado Continente "dá" um plano de saúde pra quem é cliente, isso porque mesmo com plano de saúde aqui é tudo co-participativo) mas se quiser pagar dificilmente vai gastar mais de € 50 por família.
Quando olho para um centro de saúde público de Portugal, me pergunto se elite brasileira estaria disposta a viver assim. Tenho certeza absoluta de que não. Quem está habituado à desigualdade social tem sérias dificuldades para abrir mão dos seus privilégios.

Sem dúvidas! Galerinha que tem Sulamérica no Brasil jamais se sujeitará ao sistema público português. Ainda não precisei usar, mas relatos de conhecidos dizem que é normal esperar 12h pra ser atendido na emergência de um hospital, mas quando você destrincha a informação entende que o sistema aqui é bem diferente: você tem um telefone pra ligar e fazer uma pré consulta por telefone, o médico pode inclusive receitar medicamentos por telefone porque o sistema de receitas é eletrônico e quando você chega na farmácia basta apresentar seu documento e a receita já está no sistema. Existe uma separação por níveis de emergência, logo se você é daqueles que vai no postinho brasileiro porque está com gripe, ficará sim 12h esperando no hospital. No sistema de saúde a simplicidade impera novamente (como tudo em Portugal), não há sofisticação alguma, é tudo enfermaria, tipo linha de produção mesmo. Estranho pra quem acha que hospital deve ser uma experiência hoteleira...

A frasinha de "abrir mão dos seus privilégios." é bem esquerdada mas não deixa de ser verdade. No Brasil a classe média (me incluo no grupo) acostuma-se ter uma vida bem diferente da classe mais baixa, seja por ter filhos em escolas pagas ou por ter um plano de saúde que te coloca num quarto com ar condicionado. Aqui o que acontece é uma uniformização, uma homogeneidade entre os pobres e a classe média, só começa ter alguma diferença a galera mais bem de vida mesmo. Na prática o frentista do posto, o caixa do supermercado, o enfermeiro e o advogado estão todos no mesmo balaio...
A sensação de segurança realmente existe por aqui. Andar de ônibus à noite (lembrando que um bilhete para um trajeto, comprado com o motorista, custa quase 2 euros) sem medo é mesmo um luxo. Mas vale dizer: furtaram o celular de diversos conhecidos aqui. Deixamos nosso carro na rua de casa e no dia seguinte encontramos os vidros quebrados e não sobrou nem a cadeirinha da minha enteada para contar história. O paraíso não existe.
Parece que  nas grandes cidades está ficando assim mesmo. O que acontece aqui é a famosa frase: "a ocasião faz o ladrão". Você dificilmente sofrerá um assalto ou crime violento mas não dê bobeira, achando que seu Iphone69 não será furtado.
"Mas não gostam tanto assim dos nossos diplomas e frequentemente não acham que somos bons o bastante para ocupar certos cargos, frequentar certos lugares ou para namorar certas pessoas. Somos frutos de uma ex-colônia. Somos América Latina. Somos hemisfério sul. E isso fica evidente na forma como somos tratados."
É claro que não gostam dos nossos diplomas, o sistema educacional brasileiro é um lixo e pra exercer qualquer coisa aqui nossa formação brasileira quase sempre não é suficiente. Os portugueses tem a Universidade de Coimbra fundada 300 fucking anos de descobrirem o Brasil! Caralho, precisa falar mais alguma coisa? Competir com profissionais portugueses é dificílimo, mais um ponto a favor da minha teoria de desertar da profissão antes de vir pra cá.

Sobre sermos mal vistos por sermos ex colônia, brother, chega de hipocrisia, somos inferiores em muita coisa sim, somos no geral mais selvagens (a sociedade brasileira nos moldou assim), somos mais xucros, e isso vai de cada um contornar da maneira que achar possível.

Acontece que pra grande parte do pessoal que tem condições de vir para Portugal, o país acaba sendo mais uma armadilha que outra coisa. Aposentados que vem com visto D7 se fodem por depender do câmbio, grande parte das pessoas que vem com cidadania possuem uma boa situação financeira no Brasil (só o custo da cidadania pode ser o de um carro popular) e se veem como pobres por aqui. Muitos veem com a ideia de ter uma vida minimalista (como a minha), diminuir o ritmo, etc, porém ao chegar aqui percebem que isso não é pra eles, que eles gostam de ter um pouco mais, viver com mais e isso pode ser inviável por aqui. Acho que minha grande sorte é ser realmente minimalista, ter uma companheira idem, ter documentação necessária e ser desencanado da profissão e de bens materiais, além disso trabalho com pessoas simples, o que faz minha expectativa profissional/financeira também ser baixa. Pessoas assim com certeza se darão melhor por aqui.

A Ruth escreveu esse texto para o típico casal classe média-meio-alta brasileiro, que tem renda familiar de pelo menos R$ 18k, um Civic 2016 e um Rav4 2018 na garagem do sobrado de R$ 500k, Valentina e Enzo estudam numa escola particular, possuem todos os canais da Net, todos os eletrônicos da maçã e fazem compra no Pão de Açúcar e no Marché. Nesse contexto, ela tem toda razão.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Empreender em Portugal?

Desde que mudei para Portugal muita gente tem me perguntado se tenho intenção de empreender em terras lusitanas. A resposta é bem simples: muito provavelmente não. Entenda o porquê no post de hoje.

Empreender é como fiz meu dinheiro, é através das lojas que passaram por minha mão que consegui atingir a "Independência Financeira" (ou seria segurança financeira, nem sei mais como chamar saporra). É óbvio que não sou um empreendedor fodão, como já disse algumas vezes aqui no blog, tive mais sorte que talento, soube usar uma calculadora para fazer operações de soma e subtração e entendi que deve-se pagar barato e vender caro. Somente isso. O resto foi uma somatória de fatores que felizmente jogaram do meu lado, sendo o mais importante o bom momento que o Brasil passava durante o período que tive as lojas.

Empreender é extremamente arriscado por N motivos, não vou discuti-los agora. Todo investimento de alto risco DEVE trazer um grande retorno, se você empreende pra ganhar 1% ao mês, mermão, sai dessa, vai fumar tudo de maconha que você ganha mais... A experiência me fez saber controlar riscos, minimiza-los e até utiliza-los ao meu favor, isso porque o ambiente em que eu estava inserido me proporcionou essa experiência, foi tudo absolutamente empírico. Se tivesse me baseado por post de internet pra empreender das duas uma: ou não teria feito nada ou teria perdido tudo, saindo devendo e amaldiçoando tudo e todos.. Esse conhecimento de risco, entretanto, é extremamente limitado. Limitado ao ramo de atuação, à região de atuação, aos concorrentes conhecidos, etc. Não é, infelizmente, algo universal, que consiga usar em toda e qualquer situação.

Nem toda loja portuguesa tem essa cara "clássica",
na falta de uma imagem melhor coloquei essa mesmo
Todo esse rodeio pra justificar que não tenho vontade de empreender em Portugal porque sou cagão demais pra encarar os riscos inerentes à botar dinheiro oriundo de câmbio desfavorável, num mercado desconhecido e praticamente inviável no ramo onde tenho experiência. Ah, Corey, mas empreender no Brasil é difícil, na Europa deve ser bem mais fácil... Será? O jeitinho brasileiro, a ineficiência brasileira, o gigante mercado brasileiro e tudo mais inerente ao Brasil muitas vezes se traduz como oportunidade, e foi dentro desse contexto que obtive sucesso com minhas lojas. Aqui em Portugal é tudo tão completamente diferente que não saberia nem por onde começar e quer saber? Estou numa fase da vida onde sai demais da minha zona de conforto, por enquanto chega, não tenho disposição para "aprender coisas novas". Está tudo muito bem do jeito que está.

Como meu nono diria, "boi em terra estranha é vaca", e é isso que sou aqui em Portugal. Tenho a impressão que todo o conhecimento sobre empreendedorismo que adquiri ao longo dos anos não faz o menor sentido por aqui, tudo me parece tão fora da realidade que se fosse pra empreender eu só o faria se fosse com "alguém do meu lado", um sócio português, uma franquia ou algo assim, mas novamente digo, não tenho essa vontade, ao menos por enquanto.

Acho que uma das coisas que aprendi ao sair do Brasil foi ver o Brasil de maneira diferente. Morando lá eu via somente as mazelas, as desgraças, as discussões idiotas que não levam a nada, etc. Daqui de fora consigo enxergar aquilo que muitos gringos enxergam: oportunidades. Não é a toa que vários estrangeiros investem de diversas maneiras no Brasil, o mesmo serve para outros cus de mundo tipo Índia, Angola, Paraguai, etc. Esses países podem ser podrões mas se você tem dinheiro pode multiplica-lo muito mais facilmente que em países mais decentes como os europeus e EUA (devo um post sobre o porquê ganhar dinheiro nos EUA é quase sempre ilusão).

Engraçado como as pessoas (incluindo eu) colocam a Europa e EUA num pedestal de perfeição e facilidades. Brother, Portugal e os demais países da Europa foram desde sempre predominantemente socialistas, a qualidade de vida desses países vem em boa parte de medidas socialistas. "Ah, meu Deus do céu, o Corey esquerdou de vez, deve ter tatuado o Fidel nas costas!!!" Entenda como quiser, mas se quiser ser realista e encarar o fato de frente, essa é a verdade e só não vê quem não quer. Países de viés vermelho são mais difíceis de empreender, então tem aí mais um motivo que tira a vontade de empreender em Portugal. Portugal é excelente para peão, e não tão bom para o patrão. Vejo pelo meu trabalho, tenho regalias que não passam pela cabeça do brasileiro como tirar férias após apenas 6 meses de trabalho, pagamento de quilometragem quando tenho que me deslocar para fazer hora extra (1 dia de km = 3/4 tanque de gasolina), pagamento pelo tempo gasto no deslocamento casa/trabalho, seguro de acidentes pessoais, possibilidade de sair mais cedo ou faltar ao trabalho se estiver estudando, etc... Imagine como patrão ter que bancar tudo isso! Me desanima só de pensar...

Portugal é o país das pequenas empresas, não conheço outro país que tenha tantas empresas familiares como aqui, mas isso funciona no contexto de vida do português, o cara tem uma lojinha e no fim do mês tira seus € 1.500 que é dinheiro pra caramba por aqui, mas pra chegar nesse nível tem que pedalar bastante, desenvolver a empresa, trabalhar 12h por dia, fim de semana, etc. É a mesma coisa que acontece com muitos empreendedores brasileiros: o cara tem um carrinho de hot dog e no fim do mês tira seus R$ 4.000 que é bastante dinheiro, mas vai ficar nisso pra sempre, é muito difícil pôr uma empresa dessas pra rodar sozinha, com funcionários, expandir, abrir filiais, ter volume... Na minha atual situação econômica não me vejo tocando um negócio, esfregando umbigo no balcão como fiz tantos anos. Pra eu ter uma empresa hoje só se ela rodar praticamente sozinha e me der uma boa renda, do contrário não vale a pena.

Como disse no meu post sobre Empreendedorismo Remoto, a vontade de empreender ainda existe dentro de mim porém só seria aflorada novamente dentro de condições específicas, não tenho mais 20 e poucos anos e a ignorância pra me proteger, não tenho mais colhões para simplesmente arriscar e ter que trabalhar pra kct pra conseguir fazer uma empresa rodar. Efeito colateral da estabilidade financeira...
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