terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Minimalismo ou Pobreza?

Uma das coisas mais interessantes de ter um blog é ver o rumo que o papo leva nos comentários de cada post. Você escreve sobre algo e quando menos espera os comentários enveredaram para um rumo completamente diferente do esperado. Isso as vezes é ruim porque acaba desvirtuando o assunto principal do texto mas outras vezes acaba agregando muito para a discussão e faz surgir assunto para outras postagens.

Meu último post, sobre Recomeçar do Zero, foi exatamente assim, comentários interessantes surgiram e fizeram levantar novas reflexões, é sobre isso que vou falar hoje.

Sempre que cito o minimalismo aqui no blog parece que surge uma turma contra esse estilo de vida, eu os nomearia de Anti-Minimalistas. Essas pessoas argumentam que o que chamo de minimalismo é na verdade Pobreza e que resumindo eu vivo uma vida de merda. Outro assunto sempre tocado é o fato de eu ter uma "pseudo-independência financeira" porque minha vida de 4k por mês é uma bosta, sem aventuras e que minha renda passiva malemá cobre o básico. Vou começar falando um pouco (novamente) sobre o que é independência financeira para mim:

INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA (IF): é quando uma pessoa tem ativos financeiros que geram renda suficiente para cobrir suas despesas, ou seja, a pessoa tem a OPÇÃO de não trabalhar e mesmo assim suas despesas serão pagas.

Você pode ter um conceito diferente de IF, porém, creio eu, esse é o conceito utilizado pela maioria das pessoas aqui na blogosfera. Veja que o conceito de "despesas pessoais", como o próprio nome diz, é algo totalmente pessoal, ou seja, cada um tem o seu. Gasto dinheiro todo mês com meu cachorro, se você não tem cachorro, não gastará dinheiro com cachorro, entende? Perceba também que uma vez atingida a IF existe a OPÇÃO de parar de trabalhar. Muitos me agridem verbalmente por eu ter escolhido continuar a trabalhar após a IF e pior, por ter escolhido ser empregado após atingir a IF. Novamente, entenda que isso são opções que cada um faz dentro da sua realidade. EU, Corey, escolhi arrumar um emprego por diversos motivos: trabalhar na minha área de formação, fazer network, aperfeiçoar conhecimentos técnicos, ter uma ocupação, não precisar mexer no rendimento dos meus investimentos, etc. Ao contrário da esmagadora maioria das pessoas eu tenho total liberdade de deixar meu trabalho assim que quiser pelo simples fato de ter atingido a IF, portanto essa é uma escolha 100% minha.

Voltando ao assunto minimalismo eu até entendo o porquê de certa ojeriza com o termo. Pesquise minimalismo no Google ou YouTube e você encontrará o seguinte perfil de pessoas e conteúdo:
  • Mulher, na faixa dos 30 e poucos anos, com forte tendência feminista. Sites com fotos de paisagens de desertos, árvores com neve, praias desertas, moradias de paredes brancas, com poucos ou nenhum móvel. Essas mulheres usam leite de magnésia como desodorante, vinagre no lugar de amaciante de roupas, possuem "armário cápsula", roupas monocromáticas, são quase sempre veganas (e como todo vegano/socialista/feminista são torcedores da causa).
Até eu que sou mente aberta tenho certo asco de coisas assim.

É preciso entender que o minimalismo que prego é o "minimalismo raiz". O que seria o minimalismo raiz? Fácil de entender, é o minimalismo orgânico (no sentido de ser algo natural, sem forçação de barra), aquele minimalismo que muito provavelmente seus avós adotavam mesmo sem sequer ter ouvido falar do termo. Perceba que a velha guarda na maioria das vezes fazia pouca ou nenhuma dívida, ia criando patrimônio ao longo dos anos e não amparado em empréstimos bancários, vovô comprava um Fusca ou Corcel e com esse ficava até morrer, morava numa casa simples de poucos cômodos (normalmente 3 quartos: 1 para o casal, 1 para os meninos e outro para as meninas), com chão de cimento queimado vermelho ou na melhor das hipóteses cerâmica também vermelha que vovó lustrava com cera Poliflor. A família tinha o costume de "guardar 10% do salário" que pode parecer pouco mais é algo simples e eficaz. Existia a preocupação de "fazer pé de meia", normalmente com imóveis de locação. Vovô trabalhava fora e vovó além de criar os filhos tinha também alguma fonte de renda: costurar ou lavar roupa pra fora, fazer marmitas, etc. Grande parte das famílias com esse perfil acabou por levar uma vida tranquila porém com muito trabalho e indubitavelmente com formação de patrimônio.

Vovô e vovó eram minimalistas embora possam parecer pobres. Não eram pobres, nunca faltou comida e remédio para os filhos, tinham televisão e um carrinho na garagem. Alguns dos filhos provavelmente até se formaram na faculdade.

Pobre pra mim é quem vive um degrau acima do que pode, independentemente da renda. Minimalista é a pessoa que vive um degrau abaixo, independentemente da renda. Simples assim! Perceba que não estou falando valores, você pode ser pobre com uma renda de 10k, e minimalista com uma renda de 3k ou de 20k.

Vivo com menos que minha renda, não preciso dos rendimentos dos investimentos pra viver. Levo um padrão de vida confortável e de acordo com minha necessidade.
  • Tenho um carro "bosta" com mais de 20 anos de idade mas porque trocaria se ando não mais que 2.000 km por ANO? Na verdade faz mais sentido vende-lo e ficar sem carro... 
  • Moro num apartamento de 60m² que considero enorme, já vivemos em 30m² com muita tranquilidade. Por que precisaria de mais? Somos um casal com poucas coisas e um cachorrinho. 
  • Meus móveis são "bostas" comprados nas Casas Bahia. Pra que mandar fazer um super armário planejado se moro num imóvel alugado?
  • Todas minhas roupas cabem numa mala carry-on. Por que comprar mais se no dia-a-dia uso uniforme, em casa roupas velhas e confortáveis e saio com pouca frequência?
  • De eletrônicos tenho um celular de 400 reais e 2 anos de uso, uma TV 42" e um laptop i3 com 4 anos. Eles atendem à minha necessidade, pra que comprar mais?
Percebem onde quero chegar? O minimalismo está na necessidade, cada pessoa tem uma necessidade diferente e precisamos entender duas coisas: minha necessidade é diferente da sua e as vezes o que achamos necessários na verdade não é. Não tem nada a ver com pobreza e sim com necessidades.

Outra crítica que recebi é o tal "zero". No texto citei que recomeçaria do "zero" com renda familiar combinada de 7,5k e fui criticado por isso não ser necessariamente zero, que deveria ter feito o planejamento com salário mínimo. Veja bem, o objetivo foi estimular as pessoas à pensarem em estratégias de saída caso precisassem recomeçar suas vidas e novamente, aqui é tudo muito pessoal, cada um tem objetivos diferentes, vontades diferentes e rendas e situações empregatícias diferentes. Hoje estou no "fundo do poço" da renda familiar e esse fundo do poço é 7,5k. Bia e eu ganhamos pouco porque decidimos trabalhar pouco (que tem a ver com carga de trabalho e stress, não com tempo de trabalho). Somos sortudos por ter uma renda razoável mesmo com pouco stress no trabalho. Isso é fruto das nossas escolhas profissionais, temos trabalhos relativamente bem remunerados (para os padrões brasileiros) e com pouca oferta de profissionais.

Continuo dizendo que o minimalismo, no sentido de ter uma vida simplificada e coisas e despesas dentro do NECESSÁRIO, é a chave para o sucesso de qualquer pessoa. Mantenha sua vida um degrau abaixo do que poderia estar, cuide para não extrapolar o necessário e terá sucesso independente da sua renda. A vida é simples, não complique.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Recomeçando a Vida do Zero

Criei esse blog em 2012 quando meu patrimônio era zero, nesse meio de tempo fiz minhas correrias e consegui atingir a independência financeira. Muitos dos que aqui chegam devem ter histórias semelhantes, ou estão justamente no início da caminhada ou mesmo estão devendo até as cuecas e se ligaram que isso não é legal. Não importa, se você está lendo esse texto é sim uma pessoa em busca de prosperidade na vida como um todo, não só na financeira.

No post anterior fiz críticas pesadas ao meu pai, como o nível dos comentaristas é altíssimo, recebi críticas de excelente tom e extremamente construtivas, aproveito para agradecer a todos que de alguma forma tentaram me ajudar com palavras, meu muito obrigado. Meu pai pode ter sido (e ainda é) burrão em relação ao dinheiro porém uma coisa jamais poderei negar: o velho jamais se deu por vencido e nunca desistiu de lutar, mesmo quando a situação era extremamente crítica e desfavorável. Vi meu pai quebrar e recomeçar diversas vezes na vida (e infelizmente talvez verei novamente) e isso me ensinou muitas coisas, entre elas:

  • Dinheiro não aceita desaforo, uma vez que você fez merda, já eras. É preciso um ganho de 100% pra recuperar uma perda de 50%. Isso que dizer que mesmo tendo todo o cuidado ninguém está livre de se foder imensamente e quebrar. Meu principal objetivo do ponto de vista financeiro é justamente jamais quebrar.
  • Em caso de grande bosta você deve ser capaz de ter sangue frio o recomeçar sua vida de alguma maneira. Ficar de mimimi choramingando sobre o leite derramado não vai funcionar. O certo é engolir seco, encarar e partir pra cima. Isso é algo que meu pai sempre fez com maestria.
  • Fodam-se os outros. Se hoje você está bem de vida, tem carro bom, mora bem, come fora com frequência será visto de uma maneira, se amanhã precisar abrir uma pocilga pra vender cachaça e se sustentar será visto de outra. Isso não pode te segurar.
Digamos que após um apocalipse qualquer eu tivesse zero reais no banco. O que faria? Vou tentar esmiuçar meu plano aqui...

Resumo da ópera: casal, na faixa de 35 anos, sem filhos, pagando aluguel, sem carro, sem imóvel próprio porém sem dívidas.

Trunfo: ambos empregados, ambos em nível técnico, boa empregabilidade. Salário familiar: R$ 7.500,00 líquidos.

Super trunfo: MINIMALISTAS. Bia e eu não temos o menor problema em viver sem carro, pagar aluguel, ter móveis das Casas Bahia, andar de transporte público, levar marmita, ser subordinado à outras pessoas, etc. Acredito eu que a vida minimalista seria meu melhor aliado em caso de recomeço.

Despesas: para entender como estão minhas despesas clique aqui (houve algumas mudanças, post em breve). Acredito que me mudando para um lugar mais barato (sim, é possível viver com dignidade em SP gastando uns 1000, 1100 reais por mês), tirando as despesas com veículo e educação, segurando um pouco a onda do mercado, Bia e eu conseguiríamos viver com uns 3500 por mês. Menos 7500 de receita, temos 4000 de saldo.

O que eu faria com esses 4000 mensais? Well, acredito que todo mundo deve ter um teto. Dinheiro na corretora rendendo mais que o aluguel é legal e tals, mas brother, se tudo der errado você ainda sim precisa de um teto, portanto providencie um. Acredito que ao contrário que os gurus de finanças propagam, os pobres fazem certo sim se enfiar num MCMV da MRV em 30 anos. Pra quem não tem educação financeira alguma é melhor pagar juros num apartamento de 45m² que viver em baixo da ponte. Portanto se estivesse recomeçando do zero a primeira coisa que faria seria comprar um imóvel pra viver, esse imóvel poderia ser sem problema algum um MCMV de 200k em algum bairro periférico com boa estrutura e próximo ao nosso trabalho.

O plano é extremamente simples e conservador: 4 anos jogando o surplus de grana na poupança, compraria a vista o tal teto. Simples assim.

Mais um ano e compraria um carrinho popular (se fosse realmente necessário), mobiliaria o apartamento e tiraria férias bacanas porém bem frugal.

Veja que com 40 anos de idade eu teria um apartamento e carro quitado e já sobraria dinheiro. Isso tudo em 5 anos de trabalho normal, CLT, 44h semanais de um casal. Sem me matar de fazer hora extra e sem contar com o 13º e férias (use-os para descontar a inflação numa conta de padeiro). Perceba que para um casal qualquer, de average Joe e Marie  fazerem o mesmo não é nada difícil. Não usei estratégias sinistras nem conhecimento especializado, qualquer um que saiba o mínimo de matemática pode fazer o mesmo.

Mesmo sendo possível ter o mínimo para se viver em pouco tempo e com salários ordinários o que a maioria dos casais faz? Compra carro zero financiado, roupas de marca e arruma 2 filhos. Muito fácil entender o porquê de estarmos num mundo fodido.

Ok, em 5 anos de trabalho, 40 de idade reconquistei a dignidade, tenho onde morar e um carro, mas e agora? Agora aproveitaria a sobra de caixa deixada pelo fim do aluguel e investiria. No que? Não sei... Provavelmente faria como muitos dos mais espertos da blogosfera fazem: procuraria informação e me meteria na renda variável. Muitos me perguntam o porquê de não investir em RV. A resposta é simples: não preciso. Não me levem a mal, não sou rico, não tenho dinheiro saindo pelo ânus, porém com sorte consegui ganhar uma boa quantia de dinheiro em pouco tempo o que me ajudou a formar patrimônio muito rápido, não preciso me enfiar em risco para obter retorno melhor. O que não aconteceria se precisasse investir a partir de salários normais, por isso digo que nesse caso talvez arriscaria um pouco mais em troca de retorno pouco melhor.

Mais importante que onde investiria meu suado dinheirinho mensalmente é estabelecer diretrizes de como tocar a vida, e isso incluiria:

1- Sossegar no apartamento próprio. Não me mudaria, não desejaria um upgrade de imóvel, nada disso. Iria sossegar o cu no tal MRV e por ali ficaria.

2- Nada de troca de carros. Desnecessário explicar. Seria igual aquele tiozão que anda de Santana CL 91 único dono até hoje...

3- Viajaria anualmente porém sempre de maneira frugal (coisa que já faço hoje em dia).

Difícil dizer como seria minha velhice num cenário desses. Não faço ideia de como será no cenário real, que dirá num diferente... Porém esse exercício serve para colocar o cérebro pra trabalhar e identificar saídas para os problemas mais sinistros. A conclusão que chego é que se precisasse recomeçar hoje com certeza não seria lá muito sofrido porque a vida simples e sem muita ambição idiota me traz tranquilidade em todos os aspectos da vida.

Perceba que somos um casal simplão, como muitos por aí. Temos uma renda razoável porém bem abaixo do que muitos possuem e não é nada difícil poupar 50% ou mais do salário. Caralho, ficar rico não é fácil mesmo, porém pra ser pobre também é necessário certo esforço... E você, já parou pra pensar nisso?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pai Corey e o Dinheiro

Hoje o post é sobre como meu pai sempre lidou e lida com o dinheiro, é uma coletânea de pérolas que ouvi do velho durante minha infância todas e também de atitudes que o vi ter sobre o dinheiro. Então tome um Dramin, prepare seu estômago e vamos lá!


  • "Banco ou você tem dinheiro ou tem gerente": segundo meu pai para ter sucesso na vida você deve ter ou dinheiro ou ser amigão do gerente do banco. Isso vem de um costume dos anos 80 onde muitas vezes seu gerente cobria um cheque sem fundos, bastava um telefonema. Provavelmente os juros cobrados para tal serviço eram obscuros, mas quem se importa! O importante pro velho era ter o cheque de compra de mais um Fiat 147 coberto...
  • Se você é amigo do gerente, você vai onde ele vai. E isso levou meu pai a abrir uma conta na agência onde o gerente amigão dele fora transferido: 30km de casa, numa agência pequena dentro de um forum. Como nos anos 90 os serviços bancários eram muito mais "agência" que hoje, isso fazia com que o velho tivesse que se deslocar essa distância, pagar estacionamento e usar calças só pra ir ao banco (parece que você não pode entrar de bermudas num forum).
  • "Só existem 2 tipos de carro: Fusca ou zero": Na cabeça do velho a mecânica robusta dos Fuscas justificava ter um carro desse modelo, tirando isso o certo é ter carro zero porque "não dá problema". Como Fuscas não são mais fabricados o velho tratou de ter carro zero nos últimos 15 anos, trocando a cada no máximo 2 anos. Foda-se que não tinha renda, o importante é andar de carro do ano. Ah, os 147 eram pra fazer rolo...
  • "Eu tenho American Express": poucas coisas deixavam o velho mais orgulhoso nos anos 90 que o Amex Green que fazia questão de ostentar por cima dos outros na carteira. Tal cartão foi perdido durante uma das inúmeras crises que o fizeram estoura-lo para pôr comida na mesa de casa (e abastecer o carro do ano). A dívida foi paga... ano passado!
  • Papai Corey até que conseguiu fazer bastante dinheiro durante a vida, tudo graças à seus trades com imóveis e lojas (sim, aprendi com ele, porém lapidei a técnica), porém com as trocas constantes de carro, dívidas no cartão de crédito e gastos irracionais, custou a conquistar algum patrimônio. Agora, com quase 80 anos nas costas se vê novamente em apuros ao tentar pela milésima vez ficar rico.
  • Absolutamente tudo que meu pai faz é feito na base do jeitinho. Se ele tem que ir do ponto A ao ponto B jamais usará a avenida que liga os dois pontos e sim uma quebrada por dentro de 3 favelas, afinal "a avenida tem trânsito e semáforo, pela quebrada eu economizo 3 segundos e é só 90% mais longe". O mesmo serve para todos os negócios que fez na vida: influência política, favores de amigo de amigo de amigo são capim, pagar propina para obter uma licença? Qual o problema?!
  • Old School é o que há. Tecnologia nunca foi presente em nossas vidas, fui ter acesso à um vídeo cassete em 1998 (usado, que o velho pegou num rolo), CD player em 1999, computador somente após casado. Lembro minha felicidade ao descobrir que pegava MTV  no primeiro apartamento que Bia e eu moramos logo que juntamos os trapos. O velho nunca quis comprar uma antena UHF!!! Parece besteira mas isso prejudicou muito minha socialização quando criança e adolescente.
  • O buddy system sempre fodeu imensamente as finanças de casa. Seguro de carro pelo dobro do preço, porque meu pai era amigo do corretor. Levou calote de trocentos mil reais na venda de um imóvel, porque era amigo do corretor que falsificou assinaturas em recibos. Gasolina no posto mais caro da cidade, afinal o dono do posto era amigão... No fim das contas todos esses "amigos" sempre sumiam quando o velho não era mais conveniente à eles.
  • Em 1997 decidi arrumar um bico de mecânico de bicicleta (tá bom, auxiliar do ajudante do mecânico de bicicleta, rs), porém o velho me impediu. Não pela idade e sim porque segundo ele: "você não precisa disso, papai vendeu uma casa e tá com dinheiro". Mesmo com pouca idade já percebia que aquela fase não ia durar muito tempo e sabia que dinheiro uma hora acaba e insisti em ir trabalhar.
  • Esse emprego me fez juntar grana suficiente para comprar uma super-mega-ultra-motherfucker montain bike, ao anunciar que iria adquirir tal bem o velho disse: "guarda o dinheiro na poupança, papai compra pra você", e assim o foi, comprou a bike e deixou de me dar uma excelente lição sobre o dinheiro...
  • Mas o dinheiro da bike, que foi pra poupança, não durou muito tempo por lá... Logo o velho quebrou novamente e precisou usar essa grana para pagar as contas de casa.
  • Durante meu primeiro ano de empreendedor estava completamente fodido com dívidas de 5 dígitos no cheque especial. Era burro financeiramente falando mas concluí que valeria mais a pena pegar um empréstimo de capital de giro à juros muito menores, e quitar o cheque especial. Ao pedir opinião do velho, recebi a seguinte resposta: "Não tem nada de errado, todo comerciante vive no cheque especial, comigo sempre foi assim também, você nunca vai zerar isso...". (a maneira que zerei isso e dei a volta por cima é história pra um post completo).
  • Pouco após zerar minha dívida no cheque especial, comentei o tanto de limite que eu tinha noS bancoS (claro, porque segundo o velho, quanto mais conta uma loja tem, melhor, então as 5 contas que tive (simultaneamente, pagando o pacote de serviços mais top, além de títulos de capitalização e seguros inúteis sugeridos pelos gerentes) foram ideia dele), ele me fala: "com esse limite somado dá pra você comprar outra loja, já pensou em fazer isso?". Preciso comentar?
Isso é somente uma amostra do tipo de ensinamento sobre dinheiro que meu pai me deu. Sempre que recordo isso fico muito orgulhoso de mim mesmo, de como fui capaz em tão pouco tempo e com esse tipo de "ajuda" conseguir acumular patrimônio e atingir a independência financeira. No frigir dos ovos meu pai me deu algo muito importante e que valorizo muito: educação em escola particular. Tudo bem que até hoje ele deve alguma grana lá, mas ele e minha mãe (mais influência dela), sempre fizeram questão de me manter em escola particular e isso fez muita diferença na minha vida, seja por conviver com pessoas de nível econômico maior (sempre maior que o meu, eu era o pobre no meio dos ricos) ou por ter uma educação de maior qualidade que me ajudou na faculdade e mesmo no desenvolvimento pessoal. Por isso sou muito grato.

Meu pai sempre foi meu amigão, porém após sair de casa comecei a perceber que ele não era o herói que achava... Muito pelo contrário, ele me fodeu muito, muito mesmo. Não vou mentir, guardo imenso rancor pelo velho, não só pela influência negativa que teve na minha vida financeira mas também na vida pessoal e que não vem ao caso agora. Por outro lado, uso-o como anti-modelo, tento sempre seguir o caminho oposto que ele. Já disse aqui no blog algumas vezes que meu maior desejo financeiramente falando sempre foi ter estabilidade e jamais repetir os ciclos de prosperidade e miséria que meu pai (e por consequência eu) passou. Minha história pode servir de alerta, vejo muita gente que coloca pai e mãe num pedestal, como exemplos de tudo de bom, quando na verdade são somente seres humanos passíveis de erros, é preciso tomar muito cuidado com isso.

sábado, 25 de novembro de 2017

Qualificações, Promoções e Divagações

Conforme expliquei aqui, estou fazendo cursos de qualificação patrocinados pela empresa onde trabalho, já realizei 2 módulos e o terceiro e último começa na semana que vem. Nesse tempo aconteceu muita coisa interessante que gostaria de compartilhar com vocês.

Em primeiro lugar é incrível o baixo nível de conhecimento dos meus colegas de profissão. Sou uma pessoa que se formou à 10 anos atrás e nunca havia trabalhado na área até o ano passado, porém como sempre tive essa vontade, procurei me manter atualizado e em constante estudo para que o dia que surgisse a oportunidade de trabalhar com isso, estaria pronto. Confesso que esse estudo contínuo durante anos não foi nada de sacrifício, simplesmente lia materiais da imprensa especializada, conversava com colegas que estavam trabalhando na área e mais nada, não foi algo que roubou meu tempo ou me deixou cansado, foi tudo muito natural. Acredito que o fato de realmente gostar da minha profissão foi um fator importante nessa busca por conhecimento. Por outro lado, colegas que muitas vezes possuem mais tempo de carreira que eu, mais tempo de formados, mais experiência demonstram ter um nível de conhecimento técnico assustadoramente baixo. Durante os módulos dos cursos pude notar isso de maneira preocupante, conversando com os colegas percebi que as pessoas possuem orgulho em dizer que não se lembram de coisas que aprenderam na faculdade (e são básicas para o exercício da profissão), não possuem pudor algum em dizer com todas as letras que não fazem ideia do que se tratam conceitos básicos da profissão, que fazem piada com o fato de jamais terem lido um artigo científico após o TCC. Acredito que os motivos para isso são basicamente dois: baixo nível do ensino superior no Brasil, que engambela as pessoas a pensarem que são super profissionais assim que colocam o pé pra fora da Uniesquina, enquanto na prática só te vendem um diploma, e também à abordagem que a maioria das pessoas tem em relação à profissão e trabalho: são simplesmente coisas pra ganhar dinheiro e pagar a prestação do iPhone. São poucas as pessoas que minimamente tentam se dedicar ao trabalho e ao desenvolvimento profissional e quando o fazer, atuam de maneira totalmente equivocada como fazendo MBAs escrotos e inúteis enquanto poderiam ser mais objetivos e estudar on-demand buscando qualificações úteis.

Não sei se dei sorte ou se é outra coisa porém pelo menos na minha empresa existe a real possibilidade de ascensão na carreira desde que a pessoa busque certa qualificação, porém a falta de interesse do público em geral é tão grande que a própria empresa decidiu investir dinheiro para formar seus profissionais e mesmo assim as poucas pessoas interessadas reclamam da "chatice" que é estudar... Caralho, querem aumento de salário, querem promoção porém não querem mover uma palha pra isso!!! Puta que pariu, é de cair o cu da bunda!!! Esses cursos de qualificação oferecidos pela empresa podem levar à promoções e algum aumento de salário porém  não tiram o cara do nível operacional, para conseguir um cargo de gerência é necessário ter algum tempo de casa, passar por um processo seletivo específico, se aprovado fazer alguns cursos e aí sim quando houver vaga o cara consegue ser gerente. Veja uma simulação de como a coisa funciona lá na firma:

Cargo de peão qualificado:
salário R$ 5.000,00
requisitos: participar dos cursos de qualificação
relação candidato/vaga: 1:1 (em tese todos que participam dos cursos ganham promoção)

Cargo de gerente:
salário R$ 5.800,00
requisitos: 3 anos de empresa, ser aprovado no processo seletivo, ser autorizado pelo supervisor (leia-se puxar o saco de superior), passar pelas provas, dinâmicas, entrevistas com os diretores
relação candidato/vaga: 1:10

Todo mundo quer ser gerente, mas poucos querem ser "peão qualificado", mesmo com a pouca diferença de salário entre os dois cargos, sendo que o peão pode muitas vezes ganhar mais que o gerente (tempo de casa, outros cursos, etc) e possui muito menos responsabilidades, trabalha menos horas (gerente fica a disposição da empresa), tira férias de 30 dias (gerente tira somente férias picadas de 10 dias), etc... Resumindo: BRASILEIRO SÓ LIGA PRA PORRA DE STATUS!!! Nêgo quer ser gerente pra ter status, ter o whats do diretor da empresa, mandar nos outros... foda-se que vai trabalhar mais, ganhar menos, se estressar pra caralho, viver em função da empresa.

Quando terminar meus cursos serei efetivado (ainda sou temporário) com o salário base em torno de 5k (atual em torno de 3,5k), continuarei fazendo o mesmo trabalho que faço e ganharei praticamente a mesma coisa que meu gerente, mesmo tendo alguns meses de empresa e ele vários anos. Sinceramente não me entra na cabeça como as pessoas gostam de procurar sarna pra se coçar enquanto poucas usam a cabeça pra sossegar e ganhar seu dinheiro de maneira tranquila. Depois ficam reclamando que estão sobrecarregadas de trabalho, que o dinheiro mal da pra pagar as contas (!!!), que o trabalho é um inferno... mas quando possuem a oportunidade de melhor isso preferem fazer um MBA cagado e caro invés de fazer um curso dentro da própria empresa, grátis e com retorno garantido. Não entendo o ser humano...

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Conta Premium X Cartão Platinum

Adios Muchacho
Após o Bradesco abraçar 100% das operações da American Express no Brasil, este deixou de ser um baita cartão com várias vantagens para ser somente mais um cartão caro de se manter em troca de certo status. Como status é algo que não me atrai mais, resolvi chutar meu então gratuito "American Express The Platinum Card" (cartão de crédito com nome e sobrenome é o cúmulo da Nutelice) no momento que decidiram acabar com a minha gratuidade de anuidade porque pagar mais de 2k por ano pra ter um cartão de crédito não me parece a atitude mais sensata.

Fiquei então com meu Visa Platinum que sempre foi meu cartão principal e outros secundários como o Nubank Gold e Inter Gold. Porém, preciso de um cartão Platinum pelos seguintes motivos:

1- Seguros automáticos de viagens;
2- Seguros automáticos em aluguel de carros;
3- Conversão de milhas com melhor taxa (1 dólar = 1,5 ponto);

Ao viajar conto somente com o seguro do cartão. Temerário? Talvez, mas isso não vem ao caso, o que importa aqui é que todo ano consigo economizar uma boa quantia de dinheiro somente ao utilizar o seguro de viagem do cartão de crédito.

Meu carro tem mais de 20 anos, queima óleo e a manutenção é somente "on demand" (também não vamos discutir aqui se isso é certo ou não), portanto quando quero fazer uma viagem costumo alugar um carro e novamente utilizo meu cartão de crédito como ferramenta de economia: uso o seguro automático de locação de carro e aproveito o ótimo limite que tenho para fazer o caução (normalmente as locadoras cobram um caução que pode chegar à 30k em casos onde você não contrata as proteções com eles).

Bem que tentei viver sem o acúmulo de milhas, mas isso não é possível. A partir da hora que você troca suas primeiras passagens jamais conseguirá voltar atrás e deixar de usar esse recurso fantástico, não tem porque não acumular milhas, é de graça (desde que não compre coisas somente com esse objetivo).

Isso é uma ferramenta de vida

Para ter um cartão Platinum com um bom limite, mantenho uma conta Premium num grande banco. Para manter essa conta Premium tenho algumas alternativas:

1- Pagar 80 conto de taxa de manutenção mensal;
2- Ter 40k investidos nos "excelentes" produtos do banco e obter um desconto de 50% na taxa;
3- Ter 80k investidos e obter isenção da taxa.

Durante um bom tempo não foi difícil obter isenção porque sempre tive costume de fazer uma provisão mensal para pagamento do 13/férias dos meus funcionários e sempre coloquei essa grana numa poupança PF vinculada à essa conta. Junte à isso outra poupança com parte do meu colchão de segurança e outras com valores menores destinados à viagens, cauções de aluguéis e outras finalidades e os 80k eram alcançados facilmente.

Agora que não tenho as lojas, os 80k para isenção ficaram mais difíceis de serem alcançados, desde que vendi as lojas mantive uma grana na poupança somente com a finalidade de obter essa isenção, o objetivo era pensar nisso depois. Pois bem, o depois chegou. Com a poupança rendendo ainda menos, manter esse capital empatado na poupança somente pra obter isenção de taxa faz cada vez menos sentido.

Pagar taxa de manutenção de conta é de cair o cu da bunda, não faz sentido algum, ainda mais num cenário onde existem mil opções de contas grátis. A anuidade do cartão não é um problema porque atinjo facilmente os 1k de fatura que eles exigem para isentar, logo o problema do quebra cabeça está relacionado à taxa de manutenção da conta mesmo.

A única coisa que me prende à conta premium é o cartão de crédito, afinal nem lembro da cara da gerente e café tomo em casa, não na agência. A gente é careca de saber que conta premium é furada. Fazer um downgrade para o pacote essencial e sem tarifas faria todo sentido porque não prejudicaria minhas operações bancárias, me permitiria  não ter dinheiro parado na poupança, etc. Porém isso acabaria com a isenção da anuidade do cartão de crédito, e faço questão de manter o cartão platinum porém não quero pagar anuidade, entende?

As opções para sair dessa sinuca de bico seriam basicamente:

1- Ceder um pouco e encarar pagar 400 conto por ano de anuidade no cartão (o custo de oportunidade em manter 80k na poupança paga isso e dá troco);
2- Achar um outro cartão platinum com anuidade grátis ou mais barata (difícil, o Inter oferece isenção de anuidade mas tem que manter 50k investidos);
3- Usar a inação e simplesmente manter os 80k na poupança do meu banco e deixar tudo como está.

Um agravante é o limite, atualmente tenho limite de 60k no cartão o que obviamente jamais cheguei nem perto de usar porém como no exemplo do caução do aluguel de carro, é uma ferramenta. Caso trocasse de cartão teria que começar construir esse limite novamente.

Um atenuante é que tenho que manter algum dinheiro de qualquer maneira em poupança: 3k de caução de um apartamento, 15k do colchão de segurança (esse até poderia colocar no CDB diário ou algo do gênero mas entra o lance do IOF e IR regressivo, o que acaba não compensando), cerca de 20k que é a reserva para a próxima viagem (IR novamente atrapalha colocar em outra aplicação), enfim, teria que manter mais uns 35, 40k no banco para me isentar das taxas.

Bom, e vocês? O que fariam no meu lugar? Abraço e boa semana à todos!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Updates do Apartamento Micado

Para entender o que está acontecendo, leia aqui: Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?

Mas antes de ir para os updates do apartamento gostaria de responder aqui a um comentário que recebi no post passado. Achei um questionamento bastante pertinente e a ver com o assunto de hoje, vejam:

Você possui imóveis alugados (e os considera um ótimo investimento), ao mesmo tempo em que mora de aluguel (o que também considera uma ótima opção). Gostaria de entender a ideia por trás disso. Para mim não parece fazer sentido, uma vez que parecem idéias contraditórias entre si, mas tenho certeza que você tem ótimos motivos para pensar assim.

Vamos lá, não é difícil entender. Primeiro quanto aos meus imóveis alugados, eles são todos apartamentos pequenos, de 1 e 2 dormitórios, com boa localização (tirando o tal apartamento micado que falarei abaixo), comprados a preços bem baixos, o que me proporciona excelente yield. Um desses imóveis foi o primeiro apartamento que comprei e onde morei por anos, esse especificamente me rende cerca de R$ 1.000,00 mensais.

Em relação ao fato de morar de aluguel: o principal motivo que me leva a morar de aluguel não é o financeiro e sim a flexibilidade de me mudar virtualmente a qualquer momento (característica essa que mais uma vez estou colocando em prática, aguardem...). Por levar uma vida minimalista, Bia e eu conseguimos mudar com facilidade, rapidez e sem muito estresse. Além disso podemos adaptar o imóvel às nossas necessidades de cada momento: já moramos em studio, 1, 2 e até 3 dormitórios. Atualmente calculo meu custo de moradia da seguinte maneira: Aluguel que estou pagando menos aluguel que recebo do meu primeiro apartamento onde morei por anos (milão) é igual o valor que contabilizo nas minhas planilhas. Ou seja, é como se eu aproveitasse o aluguel do meu apartamento pra pagar o aluguel de onde moro. Essa estratégia é nova, adotei recentemente e é ela que será utilizada no fechamento anual das minhas contas (em dezembro, aqui nesse mesmo canal).

Bom, agora vamos ao miquinho. O apartamento foi alugado! Após o post onde contei sobre o causo, coloquei-o a venda por 180k, tive algumas visitas, algumas propostas bizarras que não aceitei, ao mesmo tempo estava anunciado para locação. Trocentas pessoas visitaram o danado até que acabei fechando negócio pelo razoável valor de 900 pilas, locação direto comigo, sem comissões de imobiliária. Não rolou o apocalipse que eu havia previsto no primeiro post: não perdi um shitload de dinheiro na venda, não aluguei de graça. Acabei alugando por um valor razoável dentro da atual situação do mercado. Não tive sequer prejuízo, a multa contratual foi o suficiente pra bancar as despesas de condomínio e consumos enquanto esteve fechado. Agora com o contrato novo acabo ganhando mais tempo e maturar a situação.

Esse passou de o melhor para o meu pior contrato de locação, 0,45% de retorno sobre o investimento. Ele puxa a média dos meus outros contrato para baixo o que está em torno de 0,6%. Mesmo assim estou EXTREMAMENTE contente com esse negócio, tirou um peso enorme das minhas costas, mesmo sabendo que a ausência desse recebimento não me deixaria mais rico ou pobre, não posso mentir, ficar com um imóvel locado é algo que me incomoda. Sempre tento aprender alguma coisa com tudo o que acontece na minha vida e a lição que tiro disso é que não tenho muito estômago pra lidar com vacância dos meus imóveis e a atitude que tomarei em virtude desse aprendizado é que não aumentarei mais minha carteira de imóveis e que possivelmente venderei algum ou alguns deles quando houver um bom negócio. Tenho consciência que tenho um retorno muito bom em se tratando de apartamentos pra locação (se fossem kitnets ou imóveis populares o retorno seria ainda melhor mas isso é assunto pra outro post).

Ter o dinheiro materializado na forma de tijolo é muito legal, mas como tudo na vida tem um preço, o preço a ser pago pra essa segurança é ter que passar por vacância e encheção de saco pra mostrar apartamento pra gente curiosa. Hoje vejo que ter imóveis de locação está longe de ser um negócio passivo e que talvez eu esteja naquele ponto onde a profissionalização seja o único caminho para o bom desempenho do negócio, talvez seja necessário gerir a carteira de imóveis como uma empresa, tendo um equipe dedicada para isso, o que é completamente inviável pra mim.

Estou crescendo como investidor, aprendendo a cada dia e tentando tirar lições positivas mesmo das experiências negativas, acredito que esse é o caminho que o homem deve tomar perante tudo o que acontece na vida. Ainda não me decidi entre me preocupar em ter muito dinheiro em instituições financeiras e preocupar por ter em imóveis que podem causar um rombo nos rendimentos em caso de vacância. Ninguém me disse como seria esse momento, ninguém me contou como seria lidar com isso... estou aprendendo aos poucos, empiricamente. Desejo a todos os que estão começando agora na jornada dos investimentos que um dia possam passar por um problema semelhante: o de não saber ao certo o que fazer com seu dinheiro. Abraço a todos!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Aportando em FIIs

Hoje venho aqui mais uma vez pedir ajuda dos leitores, dessa vez é para sugerir em que FIIs eu poderia aportar.

Desde que vendi as lojas, a maioria do dinheiro que venho recebendo está sendo destinado à renda fixa: CDBs, LCIs, TD. Tenho um CDB vencendo esta semana e decidi que aportarei esse valor em FIIs. Algum tempo atrás disse aqui no blog que não iria mais colocar dinheiro novo nessa modalidade, porém como não estou achando opções interessantes na renda fixa (o melhor que encontrei foi um CDB 119%), decidi investir um pouco mais de fé nessa modalidade. Sei que não estamos no melhor momento de comprar FIIs mas como nosso amigo Viver de Construção diz: "preço pouco importa". Não gosto de ficar esperando momento ideal pra fazer as coisas porque ele nunca chega, a hora sempre é agora.

O valor que terei é de aproximadamente 130k, decidi que esse valor uma vez investido em FIIs deve obter o maior rendimento mensal possível. Isso pode parecer óbvio mas poderia, por exemplo, ter escolhido fundos que pagam um pouco menos porém possuem mais solidez, mas não foi isso que decidi, então assumo um pouco mais de risco. Por que disso? Uai, porque eu quero assim! Rsrs! Após analisar alguns papéis de maneira bem Corey (com extrema objetividade e boa dose de superficialidade) cheguei à seguinte distribuição:




BBFI: tijolo, escritório. Motivo principal: Possui 2 imóveis sendo que um deles está vago gerando possibilidade de valorização e aumento da distribuição.

CPST: (virei tão peão que coloquei CTPS na tabela, rsrs): fundo de papel. Motivo principal: Tenho poucos fundos de papel, há espaço para aumento de exposição.

FAMB: tijolo, escritório. Motivo principal: Embora seja um FII de um único imóvel, este é locado para a Caixa. Boa distribuição.

FIXX: fundo de papel. Motivo principal: Boa rentabilidade. É um fundo esquisito, de pouco liquidez. Acho que cai na categoria "aposta".

FIGS: tijolo, shoppings. Motivo principal: Tenho pouca exposição à shoppings (um pouco de HGBS) e porque tem RMG até 4/19. Fundo para ficar monitorando mês a mês possivelmente me desfazer antes da RMG. Mais uma aposta de risco.

XPCM: tijolo, escritório. Motivo principal: Tenho um pouco desse papel e acredito poder aumentar mais a exposição, contrato parece ser firme.

MFII: tijolo, misto. Motivo principal: gosto muito desse fundo, a maneira como faz dinheiro é bem interessante e simples: compra barato e vende mais caro. Também já tenho na carteira e o aumento de posição o faria ser um dos mais presentes da minha carteira.

Na verdade eu gostaria de colocar 10 papéis nesse aporte mas também gostaria de ficar com rendimento acima de de 0,75%, então não achei nada muito mais interessante que isso aí. Gostou da minha seleção? Sugere outros papéis? Coloque nos comentários! Obrigado!
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